20/03/2013 às 18:37, atualizado em 12/05/2016 às 18:04

Disque Racismo é lançado no DF

Serviço será usado para combater a discriminação racial, religiosa e étnica

Por Ailane Silva, da Agência Brasília


. Foto: Roberto Barroso

 

20-03-2013 – A população do Distrito Federal conta, a partir de hoje, com o Disque Racismo. O serviço, lançado pelo GDF, receberá denúncias contra discriminação racial e religiosa pelo telefone 156, opção 7. O objetivo é incentivar as vítimas a registrarem as ocorrências e, com isso, ampliar o trabalho de enfrentamento ao crime.

 

Com a iniciativa, o DF se torna uma das poucas unidades da Federação a oferecer esse serviço, a exemplo do Rio de Janeiro e de São Paulo. “O racismo ocorre em todos os lugares. Na capital do país, que representa a diversidade brasileira, jamais poderemos admitir qualquer tipo de discriminação racial e intolerância religiosa”, afirmou o governador Agnelo Queiroz.

 

Sob a coordenação da Ouvidoria da Igualdade Racial, da Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial (Sepir-DF), o Disque Racismo protegerá os direitos da população negra, indígena, quilombola e cigana. “Queremos que mais pessoas denunciem e ampliem nossa base de dados para o aperfeiçoamento das políticas públicas do governo”, destacou o secretário Especial de Promoção da Igualdade Racial, Viridiano Custódio.

 

De acordo com os dados da pesquisa Perfil do Negro no DF, elaborada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal, 53,4% da população do DF se declara negra, parda, ou mulata. Essa parcela recebe em torno de 65% de renda a menos do que aquelas que se declaram branca ou amarela.

 

Denúncias – Em 2012, foram registrados 402 casos de injúria (quando há humilhação e são usadas palavras de ofensa) e sete de racismo (quando há o impedimento do uso de direitos previstos em lei).

 

O presidente do Conselho de Negras e Negros do DF e Entorno, José Antônio Ventura, acredita que o serviço é um avanço nas políticas públicas voltadas para essa parcela da sociedade. “Nós, população negra, somos oriundos de uma opressão em que não temos o direito à voz. Essa ação mostra um novo olhar do governo para que as denúncias sejam apuradas e que nós possamos ser ouvidos e reconhecidos pelo governo como maioria.”

 

Disque Racismo – O serviço é prestado de segunda a sexta feira, das 7 às 19, e aos sábados, domingos e feriados, das 8 às 18. O atendimento é feito por 30 telefonistas treinados para orientar a vítima, que deve registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima. A ocorrência será encaminhada automaticamente à Sepir. O órgão oferecerá, por meio de parceria com as defensorias públicas de todas as regiões administrativas, auxílio psicológico e jurídico com profissionais especializados.

 

Além disso, caso seja necessário, a vítima receberá auxílio em áreas como Saúde, Educação e Assistência Social. Para isso, foi criado um comitê que trabalhará com integrantes das secretarias de Saúde, Educação, Justiça e Direitos Humanos, Desenvolvimento Social e Transferência de Renda e Cultura.