11/10/15 12:03
Atualizado em 11/10/15 às 12:03

Leão Dengo ganhará novo recinto no zoológico

Espaço terá 140 metros quadrados e com área suficiente para o animal de quase 16 anos se exercitar


. Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

Quando um rosto conhecido se aproxima, não dá outra: ele deita, encosta a cabeça na grade e praticamente pede um cafuné. Pedido que de imediato é atendido por quem já convive com Dengo há anos, desde que ele chegou à Fundação Jardim Zoológico de Brasília, em 21 de julho de 2011. Em breve, o leão ganhará casa nova: um recinto com 140 metros quadrados.

Além de maior e com vista para o horizonte, o lugar será mais seguro, confortável e arejado, com diferentes níveis de inclinações — altas e baixas — para que o felino de quase 16 anos possa se exercitar.

Assim como na área em que ocupa, de 77 metros quadrados, Dengo terá tanque de água e espaços de sombra e sol. A construção custará R$ 80 mil, recurso que vem de parcerias e de emenda parlamentar, segundo a administração do zoológico.

Com a mudança, a rotina de Dengo continuará a mesma. Diariamente — às vezes mais de uma vez —, ele recebe visitas de uma equipe especializada, formada por veterinários, biólogos e zootecnistas.

Quinzenalmente, passa por atividades para ser estimulado cognitiva e sensorialmente. Na última vez, recebeu uma caixa lacrada com feno e orégano, o que o fez caminhar mais do que o normal e aguçar o olfato.

Estado de saúde
Quando chegou ao zoológico de Brasília, Dengo, que tem aids felina, apresentava problemas de desenvolvimento corporal causados por má alimentação e por falta de qualidade no confinamento anterior em um circo. As condições o impedem de ficar em exposição com outros animais da mesma espécie.

O leão chegou com escore corporal abaixo de 2 — avaliação das reservas corporais que reflete o quanto ele está magro ou gordo. O normal, segundo o biólogo Filipe Carneiro Reis, diretor do Núcleo de Mamíferos do zoo, é acima de 2,5. Hoje, o nível de Dengo está entre 2,5 e 3. “A gente dá o nosso melhor pelo animal, e perceber essa melhora é muito gratificante.”

Onça-pintada 
A mesma rotina cercada de cuidados tem a onça-pintada macho Tuan. O animal de 21 anos nasceu no zoológico e ocupa uma área de 800 metros quadrados. A administração analisa se um segundo recinto em construção, nos mesmos moldes do destinado a Dengo, será ocupado por ele, uma vez que é menos íngreme e mais confortável para um animal idoso. Os dois felinos estão acima da expectativa de vida para a espécie.

Com insuficiência renal crônica, Tuan se recupera de uma lesão na unha da pata esquerda dianteira. “Existem momentos em que estar próximo dos animais é mais importante do que o conhecimento técnico”, acredita o biólogo.

Transferência
Pelo bem-estar de Dengo e de Tuan, definiu-se em setembro que os felinos deveriam permanecer no zoológico de Brasília, em vez de serem transferidos para a Associação Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, em São Paulo. O acordo foi tomado por uma comissão criada para discutir a possível doação dos bichos.

O colegiado, composto por médicos veterinários do zoo e do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal, considerou que a idade avançada dos animais e as doenças crônicas podem representar risco de piora do estado de saúde ou morte, caso houvesse a transferência. O diretor-presidente da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, José Vieira, disse que a conclusão levou em conta, em primeiro lugar, a saúde dos animais, totalmente adaptados aos cuidados recebidos em Brasília.

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