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Atualizado em 25/5/16 às 12:39

Ibram apreende 182 animais silvestres vítimas de tráfico em 2016

O mais recente foi uma jiboia, encontrada em uma caixa dos Correios, em março

Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos encontrou jiboia em uma caixa plástica
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos encontrou jiboia em uma caixa plástica. Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) apreendeu, de janeiro até a primeira quinzena de abril, 182 animais silvestres vítimas de tráfico. Foram 179 aves e três répteis. Em todo o ano passado, o número de apreensões chegou a 588. A captura mais recente ocorreu em 30 de março, quando a operação Mala Direta, em parceria com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, encontrou uma jiboia em uma caixa plástica.

Servidores dos Correios suspeitaram do objeto — que vinha do Rio de Janeiro — ao passá-lo pela máquina de raios X e acionaram o Ibram. Os fiscais constataram a presença da cobra e a encaminharam ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O órgão federal é parceiro da autarquia distrital na recuperação de animais vendidos ilegalmente.

Em 22 de março, um lagarto foi encontrado. O réptil sairia de Brasília com destino à capital carioca, porém os contatos do remetente no Distrito Federal eram falsos, o que impossibilitou autuar o responsável pela correspondência.

Além desses, são apurados os casos de uma iguana e de um caramujo apreendidos por serem transportados irregularmente. Entre outros exemplares, vários papagaios reavidos em 2015 ainda estão no centro de triagem, que fica no km 6 da BR-070, sentido Ceilândia.

De acordo com o Ibram, apesar de ser um grande centro urbano, Brasília funciona como rota de venda de animais silvestres provenientes de captura e de comércio ilegais. A localização geográfica favorece esse tipo de crime pelo fato de a cidade ser cortada por várias rodovias federais.

Espécies mais visadas
Segundo o gerente de Fiscalização e Fauna do Ibram, Marcos Ozeki, aves exóticas e aquelas consideradas de competição (por causa do canto) estão entre as mais procuradas pelos traficantes. “Algumas espécies podem valer até R$ 100 mil no mercado negro.” Quanto aos répteis, os preferidos são as iguanas, que chegam a custar R$ 5 mil.

O Decreto Federal nº 6.514, de 22 de julho de 2008, estabelece penalidades como advertência, apreensão dos animais, multa e suspensão das atividades (no caso de criadores licenciados).

As autuações podem ser de R$ 500 a R$ 5 mil, por animal. Caso ele seja encontrado em condições físicas de mutilação, de maus-tratos ou ferido, ainda há multa que varia de R$ 500 a R$ 3 mil, também por exemplar. “Essas infrações envolvem o transporte, o comércio ilegal e situações de maus tratos, pois os animais são acondicionados em caixas pequenas, com baixa circulação de ar e sem disponibilidade de alimento e água”, detalha Ozeki.

A gestão compartilhada da fauna entre Ibram e Ibama está embasada na Lei Complementar n° 140, de 8 de dezembro de 2011, que prevê acordo de cooperação técnica com esse fim. Os órgãos distrital e federal trabalham em conjunto no combate ao tráfico de animais, principalmente em grandes operações.

As investigações baseiam-se em levantamentos feitos pelos fiscais, em denúncias repassadas pelos diferentes órgãos envolvidos na repressão de crimes e de infrações ambientais — como Polícia Militar, Delegacia do Meio Ambiente da Polícia Civil e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios — e em informações da população, pelo telefone 162, opção 2.

Destino das apreensões
O Centro de Triagem de Animais Silvestres, do Ibama, recebe bichos apreendidos em fiscalizações de tráfico e outros vindos de resgates ou de entrega voluntária de particulares. Depois, identifica, marca, separa, avalia, recupera, reabilita e dá a correta destinação aos animais silvestres. Aqueles que precisam de cuidados médicos, por exemplo, vão para o Hospital Veterinário da Universidade de Brasília.

Cerca de 350 animais, entre pássaros, primatas, roedores e répteis, estão abrigados no centro. De acordo com o coordenador do espaço, Roberval Pontes, 60% são devolvidos à natureza. Quando não é possível soltá-los — por estarem completamente adaptados ao cativeiro, mutilados ou precisando de cuidados permanentes —, há alternativas como encaminhá-los para algum zoológico ou mantenedor devidamente cadastrado no Ibama.

Outro parceiro do centro de triagem é o Batalhão de Polícia Militar Ambiental, que recupera espécies encontradas em cativeiro. No ano passado, 643 foram retiradas desses locais. De janeiro à primeira quinzena de abril, já somam 246.

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