23/8/19 10:18
Atualizado em 23/8/19 às 13:00

Uma oficina de carinho em prol da qualidade de vida

Aprendizado da shantala, a massagem que ajuda a relaxar os bebês e reforça o vínculo com as mães, é ofertado em diversas unidades básicas de saúde (UBS) do Distrito Federal

As massagens acalmam os bebês, o que também contribui para intensificar o vínculo com as mães | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Aos poucos, as mães começam a chegar com seus bebês à Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 do Guará. Elas levam as crianças para uma sessão de shantala, técnica de massagem que ajuda os pequenos a ficarem livres de cólicas.  As mãos suaves e macias das mães começam a deslizar pelo corpo dos pequenos. Eles ainda não conseguem falar, mas a satisfação é visível em cada rostinho.

Durante a sessão, que sempre é embalada por alguma música tranquila, alguns riem, enquanto outros simplesmente relaxam e demonstram curtir o toque das mães. As sessões duram de 20 a 40 minutos. A shantala, método de origem indiana, tem oferecido melhor qualidade de vida tanto aos bebês quanto às mães e aos pais.

A professora Queilane de Lima, de 36 anos, participa pela segunda vez da sessão. Mãe de Katarina de Lima Viana, de três meses, ela diz estar gostando muito da técnica. “É meu terceiro filho, mas o primeiro com quem faço a experiência”, revela. “Ela é bem nervosinha, e sempre fica relaxada. Quando está zangada em casa, faço [a massagem] e ela fica mais calma. Além disso, solta os gases”.

No Guará, as instruções são dadas pela terapeuta ocupacional Bruna Bertulucci, do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf). “Nossa intenção é ensinar o método para que elas [as mães] façam em casa”, explica. “Além de ser bom para o bebê, aumenta o vínculo da mãe com o filho. Alguns choram, mas normalmente concordam”.

A auxiliar de dentista Amanda Lorena Pires, 30 anos, levou a filha Marina Lorena Pires, de quatro meses, para fazer a massagem. “Minha irmã trabalha com massagem, me disse que é bom para a criança, e eu vim experimentar”, conta.

O método

Referência técnica distrital (RTD) em shantala, a enfermeira Maria Panisson Kaltbach Lemos ressalta que, após a mãe ou cuidador aprender a técnica, a massagem passa a integrar os cuidados infantis de rotina, como amamentar e higienizar, podendo ser praticada diariamente em casa. Pessoas interessadas em desenvolver essa técnica, ofertada pela rede púbica do DF, podem procurar os facilitadores habilitados nas várias unidades de saúde.

“[A shantala] tem como objetivo a promoção da saúde integral infantil, colaborando com a nutrição, o estímulo ao desenvolvimento e o fortalecimento das relações e de uma sociedade mais harmoniosa”, explica Maria. “As massagens são feitas pela mãe, e demais cuidadores do bebê autorizados”.

A massagem, segundo a enfermeira, pode ser ofertada na atenção primária, secundária ou terciária. “Em geral, é indicada para crianças saudáveis a partir de um mês de vida, mas pode ser indicada em outras situações para crianças acompanhadas pela equipe de saúde, após avaliação individual de profissional de nível superior”, pontua.

A especialista alerta, porém, que a massagem é contra-indicada nos três primeiros dias após a vacinação de rotina e também em situação de febre.  “Nos casos de lesões, doenças ou de suspeita de doenças, deve ser suspensa a massagem até que a criança receba adequada avaliação e liberação da equipe de saúde que a acompanha”, frisa.

Veja, abaixo, algumas dicas de Maria Panisson para a realização da shantala:

* A massagem é feita no colo da mãe, que se senta no chão, sobre um tapete ou outro suporte;

* Entre a mãe e a criança é colocado um pano limpo e macio;

* Não se pode deixar a criança sentir frio, então deve-se tomar cuidado com as correntes de ar, principalmente nos dias de temperatura mais baixa, podendo-se aproveitar alguns minutos de exposição ao sol do início da manhã;

* A técnica de massagem é necessariamente feita com pequena quantidade de óleo puro de origem vegetal, sem adição de essências ou outras substâncias;

* Para a segurança da massagem, o bebê deve estar de estômago vazio, antes da próxima mamada ou refeição.

Arte: Hasenclever Borges / Agência Brasília
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