20/12/19 14:38
Atualizado em 21/12/19 às 16:32

Memória afetiva tempera ceia dos restaurantes comunitários

Quatorze chefs assumem as cozinhas neste sábado e trazem consigo as lembranças dos almoços preparados em família

Mara Alcamim, sobre Ceilândia: “Nunca tinha ido a um dos refeitórios daqui. Devo dizer que fiquei impressionada com a qualidade da comida” | Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília

O preparo das ceias de Natal na infância da chef Mara Alcamin envolvia empenho – e expectativas. A mãe deixava o pernil marinando por dias até acompanhá-lo de frutas e levá-lo ao forno. Os figos e pêssegos, um luxo na época, harmonizavam com os temperos que ela trouxe consigo ao longo dos anos e fazem da sua cozinha afetiva os tradicionais pratos das festas de final de ano.

Mara tem experiência e lembranças – muitas! E será munida delas que, neste sábado (21), junta-se a outros 12 chefs de cozinha (veja quem são ao final desta reportagem) e ao governador Ibaneis Rocha para preparar o almoço natalino nos 14 restaurantes comunitários do Distrito Federal. A refeição, vendida a R$ 1, é faz parte do Nosso Natal, ação do Governo do DF para tornar especial a data festiva de milhares de famílias que vivem nas regiões administrativas.

Cada um dos chefs vai para um restaurante e terá como suporte a equipe que já trabalha nele. “Nunca tinha ido a um dos refeitórios daqui. Devo dizer que conheci a cozinha e fiquei impressionada com a qualidade da comida. E do cuidado no preparo dela”, conta Mara, que experimentou a feijoada feita em Ceilândia – restaurante em que irá cozinhar.

Renata Carvalho: “Meu tempero vai ser o da minha avó. Toda a minha criação de cozinha desde o começo é afetiva” | Foto: Divulgação

“Até professora de reiki vou levar para aplicar na refeição. Como me deram a honra de cozinhar no maior restaurante, vamos fazer a melhor comida e com o maior astral.”

Padrão

A base de insumos de todos os restaurantes será a mesma: pernil (feito à moda do chef), coxa e sobrecoxa de frango opcionais, farofa natalina, salada, manjar de coco com calda de ameixas de sobremesa e suco de abacaxi com hortelã.

A diferença, além do tempero particular que cada um dos cozinheiros vai dar – com seus estilos bem variados –, estará no que cada um conseguiu gratuitamente com seus fornecedores.

Comida de vó

À frente da Ricco Burguer, a chef Renata Carvalho já encarou desafios de cozinhar para grandes públicos. Especialista em brasas, ela leva para sua culinária afetiva elementos do que aprendeu e provou da avó. Não é à toa que, além de um tempero especial, buscou junto a seus fornecedores patrocínio para oferecer as cobiçadas rabanadas de Natal no restaurante do Recanto das Emas.

“O meu tempero vai ser o da minha avó. Toda a minha criação de cozinha desde o começo da minha carreira é afetiva”, diz ela, para quem o Natal vem da confraternização e do ato de se doar para quem precisa. Assim como Renata, todos os chefes estão se voluntariando e não receberão para participar dessa ação.

Leia mais:
Restaurantes comunitários têm aumento de 23% na procura
Refeição a 1 real é sucesso nos restaurantes comunitários

O governador Ibaneis Rocha também terá sua carta na manga quando as portas do restaurante popular de Samambaia, o Rorizão, abrirem às 11h de sábado. Autodidata e adorador de pescados, ele recebeu doação de 150 kg de bacalhau de supermercados da cidade – e irá assá-lo para servir no almoço. “Vou dar o meu toque. O resto é segredo.”

 

Veja quem são os chefs do Nosso Natal:

 

ANDRÉ BORATTO

 

ANDRÉ CASTRO

 

DI OLIVEIRA

 

DUDU CAMARGO

 

FRANCISCO ANSILIERO

 

IVO SOUSA

 

LUI VERONESE E LINO FRUCTUOSO

 

LUIZ BRITO

 

MARA ALCAMIM

 

MARCO ESPINOZA

 

MARIA LETÍCIA MIRANDA

 

RENATA CARVALHO

 

VINÍCIUS ROSSIGNOLI