22/2/20 10:00
Atualizado em 22/2/20 às 10:00

Horta comunitária ajuda pessoas com transtornos mentais

Iniciativa terapêutica é oferecid, às segundas-feiras, a pacientes do Caps II do Paranoá

O trabalho terapêutico ajuda no processo de cura porque o local é um espaço de convivência e harmonia entre os pacientes, que compartilham conhecimentos e experiências com o solo. Foto: Breno Esaki/Saúde-DF

Ao chegar no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) II do Paranoá, E.V.S. passava por momentos difíceis. Depois da morte do pai, apresentou fortes sinais de depressão. Contudo, em pouco mais de seis meses na unidade, percebeu uma melhora significativa na sua condição. Principalmente após descobrir a paixão por plantar e colher frutas e legumes na horta comunitária do Caps.

“Mexer com plantas é uma forma de terapia para mim. Por isso, a horta me fez melhorar muito”, conta a paciente. Ela, assim como os demais frequentadores da unidade, viu na horta comunitária uma oportunidade de avançar no seu tratamento. “Aprendi a colher, plantar e como cuidar melhor da terra. Isso tudo me ajudou nos meus processos. Mexer na natureza foi um santo remédio”, ressalta.

O progresso dela não é uma surpresa para Everton Santos, um dos responsáveis pela horta e residente em Saúde Mental no Caps II. “Olhando por um lado mais terapêutico, ao cuidar de uma planta você também cuida de uma vida. Muitas vezes as pessoas chegam aqui abaladas, com depressão”, diz o residente. “Creio que a horta traz um retorno positivo porque faz com que eles encontrem razões para viver, além de verem as belezas de estarem vivos”, pondera.

Para ele, o trabalho terapêutico na horta ajuda no processo de cura porque o local é um espaço de convivência e harmonia entre os pacientes, que compartilham conhecimentos e experiências com o solo, além de consumirem o que plantam. “Semana passada eles comeram uma melancia que eles mesmos plantaram. Isso significa muito, porque ao mesmo tempo que aprendem a valorizar o que fazem, também percebem na prática a importância dos produtos orgânicos”, comenta Eventos Santos.

Benefícios

Uma das que teve a experiência de consumir o que plantou foi a paciente A.N.C, de 41 anos, diagnosticada com epilepsia e esclerose. Para ela, um dos principais benefícios de atuar na horta é a forma como é tratada pelos funcionários e os frequentadores do Caps.

“Faço questão de vir, porque gosto bastante daqui e nos tratam muito bem. Quando estou na horta me sinto renovada, porque sei que posso me abrir, me redescobrir e aprender. Sempre gostei de mexer com plantas, e aqui relembrei disso. Sinto que posso me desenvolver mais, assim como as plantas”, reflete.

No caso de S.S.D., de 25 anos, os nove meses ajudando na horta do Caps contribuíram para amenizar sua ansiedade, depressão e mudança de humor. “Antes, eu mal queria sair de casa. Hoje sinto que sou mais alegre, tenho mais paciência com as pessoas e comigo mesma. Na horta aprendi a me acalmar, que cada coisa tem seu tempo para acontecer, e isso vou levar para o resto da vida”, agradece.

As atividades na horta comunitária ocorrem toda segunda-feira no Caps II do Paranoá. Os trabalhos estão abertos tanto para pacientes quanto aos seus familiares.