13/3/20 15:59
Atualizado em 14/3/20 às 14:37

Experiência inovadora é apresentada a especialistas internacionais

Secretaria do Meio Ambiente, coexecutora do projeto CITinova, apresentou experiências-piloto que estão em teste para remediação da área

Além da pesquisa em si, UnB aponta alternativas para enfrentar a contaminação do solo | Foto: Marta Moraes / Sema-DF

Uma visita técnica realizada em Brasília nesta quinta-feira (12), no antigo Lixão da Estrutural, apresentou a especialistas nacionais e internacionais as técnicas que serão aplicadas pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) no local para diagnosticar os níveis de contaminação da área. Além disso, a apresentação serviu para indicar quais as tecnologias mais adequadas para remediação.

A inciativa integra as ações do Projeto CITinova – Promovendo Cidades Sustentáveis no Brasil, coordenado nacionalmente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC), cuja execução no DF é de responsabilidade do Governo do Distrito Federal. O projeto tem a coordenação da Sema, com recursos provenientes do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês).

Entre as técnicas inovadoras a serem experimentadas no local estão: fitorremediação para teste de absorção de poluentes em um hectare do lixão, modelo de transporte de contaminantes subterrâneos e tratamento do chorume. Esses estudos darão subsídio para a elaboração do termo de referência para o Projeto de Recuperação da Área Degradada (Prad), de responsabilidade do Brasília Ambiental (Ibram).

O objetivo é que, a partir dos resultados, o GDF possa tomar decisões quanto à descontaminação dos corpos hídricos e promover reparação aos danos causados ao meio ambiente.

Resíduos

Durante o período de 50 a 60 anos em que o lixão operou, o acúmulo de resíduos gerou impactos sobre os corpos hídricos que convergem para o lago Paranoá. Foram cerca de 40 milhões de toneladas despejadas no local, em processo de deposição
irregular de rejeitos em área de 200 hectares localizada na divisa com o Parque Nacional de Brasília.

De acordo com o coordenador do estudo contratado pelo Sema, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Eloi Guimarães Campos, as ações vão se concentrar no tratamento do chorume; na fitorremediação com plantio de espécies nativas e exóticas, que possam reter metais identificados no solo; e no enclausuramento do chorume para evitar que continue se espalhando, além do uso dos dados na elaboração do Prad.

Durante a visita técnica, o professor explicou que na maioria das cidades, por questões econômicas, o chorume é jogado nos rios sem passar por uma estação de tratamento. “Nessa área, faremos o tratamento aeróbico e anaeróbico do chorume, e depois o refino, testando metodologias diferentes. São mais de mil metros cúbicos de chorume nas duas piscinas do Lixão. Com essa experiência, esperamos encontrar soluções para diminuir a contaminação do solo, reduzindo de forma significativa a toxidez do líquido”, explicou aos especialistas.

Os recursos externos para realização do trabalho foram obtidos por meio de cooperação técnica entre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o Governo do Distrito Federal (representado pela Sema) e o Projeto CITinova.

Seminário

A visita técnica marcou o encerramento das atividades do III Seminário Internacional de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) – o desafio da água e as cidades, realizado nos dias 10 e 11 deste mês. No evento, especialistas nacionais e internacionais apresentaram iniciativas e debateram como inspirar-se na natureza para criar soluções que enfrentem os grandes desafios urbanos e forneçam melhor qualidade de vida e resiliência climática. Uma aposta que tem ganhado cada vez mais atenção de países.

Realizado pelo MCTIC e CGEE, por meio do Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (OICS), do Projeto CITinova, o evento reuniu técnicos, secretários municipais, representantes dos ministérios, acadêmicos, ativistas e sociedade em geral.

Para a especialista Cecília Herzog, da Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil, que participou da visita ao lixão, soluções baseadas na natureza são o negócio do século 21. “Precisamos consertar os prejuízos. Os modelos de revitalização apresentados aqui são emblemáticos, mostram que as empresas querem agir de forma diferente. Diminuir a pegada e trazer benefícios em vez de impactos”, defendeu.

Na abertura do seminário, o secretário-executivo do MCTIC, Júlio Francisco Semeghini Neto, ressaltou a importância da ciência no fortalecimento da cooperação internacional, e vice-versa. “Os desafios globais contemporâneos vão além das fronteiras geopolíticas e das formas isoladas de resolução”, afirmou.

 

* Com informações da Sema-DF