30/3/20 13:15
Atualizado em 30/3/20 às 13:40

Estudantes da Escs reforçam atendimento do TeleCovid

Formandos de medicina vão se revezar durante os três turnos para ajudar no enfrentamento ao coronavírus

Voluntários, os formandos de medicina da Escs vão atuar de maneira a reforçar o atendimento prestado no Ciob | Foto: Geovana Albuquerque / SES

A partir desta segunda-feira (30), o TeleCovid vai contar com a participação dos estudantes do último ano de medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs). Cerca de 50 alunos serão voluntários durante todo o período de enfrentamento à pandemia do coronavírus. Além de prestar atendimento remoto, darão um reforço às equipes nos três turnos.

“Este é um momento único na saúde pública mundial”, destaca o diretor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Alexandre Garcia. “Ser voluntário no enfrentamento ao coronavírus é um estímulo para os estudantes verem que também precisamos de médicos generalistas, voltados para a atenção primária. Hoje, a maioria dos alunos de medicina quer fazer uma superespecialização. Não é errado se especializar, mas também é importante atuar na linha de frente. Além disso, é o comprometimento social da profissão.”

Garcia explica que os estudantes, divididos em grupos de seis por turno, vão atender as chamadas e orientar desde a forma correta de higienizar as mãos até como proceder em situações mais graves. “Como eles possuem conhecimento médico, conseguem identificar se a pessoa do outro lado da linha está com problemas respiratórios que possam ser indicativos de procurar uma unidade de saúde”, aponta.

Dever social

Para o estudante Giovanni De Toni, 26 anos, esta é uma forma de exercer a cidadania e de retribuir à sociedade todo o conhecimento adquirido. “Ser voluntário nessa ação de enfrentamento à Covid-19 me faz enxergar com um olhar epidemiológico que a saúde depende de vários setores da sociedade”, avalia. “Cada pessoa tem um papel importante na saúde coletiva. Nesse contexto que estamos vivendo, quero ajudar e sei que só terei ganhos com isso, como crescimento profissional e pessoal”.

“Ser voluntário nessa ação de enfrentamento à Covid-19 me faz enxergar com um olhar epidemiológico que a saúde depende de vários setores da sociedade”Giovanni De Toni, aluno de medicina integrante da equipe do TeleCovid

Thiago Blanco, médico e professor da Escs, pontua que o trabalho de voluntariado nessa situação é um compromisso do médico. “Temos obrigação moral e ética de ajudar nesse momento”, diz. “A Covid-19 é um enfrentamento de todos”.  Segundo o professor, a suspensão temporária das aulas está servindo para ajudar nessa força-tarefa.

Além dos estudantes, haverá professores de diversas formações para orientar e supervisionar o trabalho dos alunos durante todo o período de pandemia e de trabalho voluntário na unidade de teleatendimento. A previsão é que o TeleCovid receba o trabalho voluntário de alunos de medicina de mais duas instituições privadas.

TeleCovid

Localizado no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), o TeleCovid registra uma média de mais de 1,7 mil ligações por dia em suas 20 linhas telefônicas. A força-tarefa é composta por servidores das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, SLU, BRB, CEB, Caesb e Defesa Civil, além do Samu e da Secretaria de Saúde (SES).

1,7 milMédia diária de ligações recebidas pelo TeleCovid

O teleatendimento funciona 24 horas. À noite, o serviço é prestado diretamente por técnicos de enfermagem do Samu, que repassam a ligação para enfermeiros da unidade caso seja necessário. A depender da situação, os profissionais tiram as dúvidas pertinentes e informam se a pessoa se classifica ou não dentro dos sintomas de coronavírus. Também é enfatizada a importância do isolamento domiciliar, reduzindo, assim, a procura desnecessária de pacientes às unidades de saúde.

Durante a ligação, se a pessoa for classificada como um possível caso, será orientada, a depender da situação, a dirigir-se à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua casa, ou a acionar o Samu, pelo telefone 192.

Ciob

Utilizado para ações de segurança pública, o Centro Integrado de Operações de Brasília tem o objetivo de concentrar dados de operações e ações sigilosas do Corpo de Bombeiros, monitorando o número de contágios do coronavírus no DF, no Brasil e no mundo.

A unidade recebe dados de postos de saúde, hospitais e laboratórios, e consegue formar uma base que permite saber quando, como e onde está havendo contágio. O centro é coordenado pelos bombeiros, que trabalham em conjunto com representantes das secretarias de Saúde e da Casa Civil, além da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das vigilâncias Sanitária e Ambiental.

* Com informações da SES