12/04/2020 às 15:00, atualizado em 12/04/2020 às 19:12

Mercedes Urquiza e seus 63 anos vividos no Cerrado

Argentina, ela deixou Buenos Aires em 1957 para tentar a vida aqui. Viu os primeiros ipês na W3, andou de jipe no que seria o Lago Paranoá e abraçou o sonho coletivo de construir a nova capital do Brasil

Por Agência Brasília*

[Numeralha titulo_grande=”9″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”]

Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.

Foto: Arquivo pessoal

Mercedes conta que várias recompensas obtidas durante seu tempo na cidade amenizaram o início sofrido de sua trajetória na capital. Época vivida em um barraco de madeira e sem água, luz e telefone. Foto: Arquivo pessoal

 

A narrativa que transcrevo a seguir foi extraída do livro de minha autoria A Trilha do Jaguar: na Alvorada de Brasília, publicado pela Editora Senac-DF, e representa minha declaração de amor pela cidade que abracei para sempre.

 

“Em novembro de 1957, recém-casada, enfrentei um desafio que começou com uma lendária viagem de jipe, desde Buenos Aires até o local onde tinha início a construção de Brasília. Chegando aqui, após 48 dias de viagem, encontramos cinco mil candangos à espera de novos companheiros de luta.

[Olho texto=”Viver aqui é um privilégio, adoro os espaços abertos de nossa cidade, a possibilidade de ver o céu desde qualquer ângulo, sem falar no belíssimo pôr do sol à beira do Lago Paranoá.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”]

Eles vinham movidos pela vontade de trabalhar e progredir na vida. Nós, também. Mas, acima de tudo, pelo orgulho de construir a nova capital do Brasil sob a liderança de Juscelino Kubitschek, carinhosamente apelidado de “presidente bossa nova”.

Todos se davam as mãos para enfrentar essa luta com garra, fé e otimismo. Era muito.

Embora nosso início tenha se dado num barraco de madeira sem água, luz, nem telefone, devo dizer que as agruras dos primeiros dias foram amenizadas por recompensas que não têm preço…

  • assisti às primeiras chuvas que caíram sobre a terra vermelha que abrigaria a futura capital;
  • andei de jipe dentro do que iria ser o atual Lago Paranoá;
  • conheci o real significado da palavra solidariedade ao abraçar o sonho coletivo junto com aqueles que depositaram sua coragem e esperança em cada tijolo da nova capital;
  • participei de serestas à luz de velas no ermo do Cerrado, quando todos cantavam embalados pelo mesmo sentimento;
  • pisei nas primeiras ruas abertas na futura capital; 
  • vi desabrochar os primeiros ipês amarelos na avenida W3, recém rasgada pela fúria dos tratores, mensageiros do progresso;
  • e convivi com personagens inesquecíveis que mudaram para sempre minha maneira de ver o mundo. 

Mas, acima de tudo, presenteei a cidade com minhas duas lindas candanguinhas, Mercedes e Gabriela que, junto com Brasília, justificam toda a luta enfrentada.

Um dos pontos altos vividos aqui, por exemplo, foi o da inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960, que me fez tremer de emoção da cabeça aos pés.

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Viver aqui é um privilégio, adoro os espaços abertos de nossa cidade, a possibilidade de ver o céu desde qualquer ângulo, sem falar no belíssimo pôr do sol à beira do Lago Paranoá. 

O futuro de Brasília será continuar como referência em qualidade de vida, mundo afora. Tenho muito orgulho disso. Cada vez mais, Brasília representa a terra prometida mencionada nas profecias.”

Mercedes Urquiza, argentina,