19/8/20 15:30
Atualizado em 19/8/20 às 15:57

Vacinas contra meningite disponíveis na rede pública de saúde

Doença é potencialmente grave e pode ser fatal

Meningite é o nome que se dá às infecções que atingem as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, chamadas de meninges. É causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, fungos, vírus e alguns parasitas. Seja qual for o causador, todas as meningites são de notificação compulsória. Além disso, a doença é considerada endêmica, ou seja, os casos surgem durante todo o ano.

“Quanto mais precoce a procura de atendimento, maiores serão as chances de cura”Marília Higino, médica da Secretaria de Saúde

Por isso, a Secretaria de Saúde alerta a população a buscar a principal forma de prevenir a meningite, que é a vacinação. Felizmente, as vacinas contra os principais tipos da doença estão disponíveis na rotina de todas as unidades básicas de saúde (UBS) do Distrito Federal.

“Manter a vacinação é essencial, pois é uma das principais medidas de prevenção. Em 2020, tivemos 33 casos confirmados da doença em residentes do DF, até agosto”, informa a médica e responsável pela área técnica das Doenças Exantemáticas da Secretaria de Saúde, Marília Higino.

Programa Nacional de Imunização

Existem várias vacinas do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde que protegem contra diversos tipos de meningite. Cinco delas estão disponíveis na rede pública de saúde do DF e são administradas conforme a situação do paciente.

Confira:

→ Vacina meningocócica C conjugada: protege contra a doença causada pela bactéria Neisseria meningitidis, sorogrupo C. O esquema vacinal são duas doses, aos três e cinco meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses. As crianças devem receber uma dose de reforço aos 12 meses de idade. Adolescentes de 11 e 12 anos recebem um reforço ou dose única (a depender da situação vacinal encontrada) com a vacina meningocócica ACWY.

Vacina meningocócica C está disponível nas UBSs do DF | Foto: Agência Saúde

→ Vacina pneumocócica conjugada 10 valente: protege contra as doenças invasivas causadas pela bactéria Streptococcos pneumoniae, incluindo meningite. O esquema vacinal são duas doses aos dois e quatro meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, em crianças menores de um ano de idade e um reforço – preferencialmente aos 12 meses, podendo ser administrado até os quatro anos de idade.

Vacina pneumocócica 10 valente faz parte do calendário nacional de vacinação | Foto: Agência Saúde

→ Vacina pentavalente: protege contra doenças invasivas causadas pela bactéria Haemophilus influenzae sorotipo b, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B. O esquema é feito com três doses – aos dois, quatro e seis meses de vida; primeiro reforço aos 15 meses com a vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche) e o segundo reforço aos quatro anos, também com a vacina DTP. Na rotina dos serviços a vacina é disponibilizada para crianças até seis anos, 11 meses e 29 dias ainda não vacinadas.

Rede pública está abastecida com a vacina pentavalente | Foto: Agência Saúde

→ Vacina BCG: protege contra as formas graves de tuberculose, inclusive a meningite tuberculose. O esquema é dose única, o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade. Pode ser feita até quatros anos de idade, 11 meses e 29 dias, em crianças não vacinadas oportunamente.

Vacina BCG protege contra tuberculose e meningite tuberculose | Foto: Agência Saúde

→ Vacina tríplice viral: protege contra as meningites causadas pelo vírus da caxumba, sarampo e rubéola, como complicação dessas doenças. O esquema básico é: 1ª dose aos 12 meses e 2ª dose aos 15 meses (tríplice viral+varicela ou tetra viral, quando disponível). Indivíduos de um a 29 anos precisam ter duas doses da tríplice viral e de 30 a 59 anos, pelo menos uma dose.

Vacina tríplice viral protege contra três doenças e meningites causadas por vírus | Foto: Agência Saúde

Agentes

As meningites bacterianas costumam apresentar um quadro clínico mais grave e podem ser fatais. Agentes bacterianos – tais como meningococo (Neisseria meningitidis), pneumococo, Haemophilus e tuberculose – são exemplos conhecidos e para os quais há vacinas disponíveis.

Os agentes etiológicos (que causam a meningite) de maior importância em saúde pública são o Streptococcos pneumoniae, Neiseria meningitidis e Haemophilus influenzae.

Nos casos de doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae tipo B, faz-se necessária a realização de quimioprofilaxia para os contatos íntimos, com a administração de antibióticos para eliminar o estado de portador assintomático e evitar o surgimento de novos casos.

Nessas situações, a Vigilância Epidemiológica realiza investigação e avaliação para identificar os contatos e administrar a medicação de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde.

Sintomas

Os principais sinais e sintomas da meningite são:

– febre alta

– mal-estar

– náusea e vômitos

– dor de cabeça

– rigidez do pescoço

Também podem aparecer sinais como sonolência, confusão mental e manchas avermelhadas e/ou arroxeadas na pele. Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves podem surgir, como: convulsões, delírios, tremores e coma.

Em bebês e crianças, especialmente menores de um ano de idade, podem ter choro persistente, irritabilidade, recusa alimentar, inchaço e reflexos anormais. “Quando os sintomas aparecem, a orientação de procurar atendimento médico. Quanto mais precoce a procura de atendimento, maiores serão as chances de cura”, ressalta Marília Higino.

Transmissão

A transmissão das formas bacterianas é de pessoa a pessoa, por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções da nasofaringe.

Para os demais agentes etiológicos, como os vírus, pode ocorrer transmissão pessoa a pessoa e também fecal-oral.

Medidas Preventivas

Além de manter atualizado o cartão de vacinação, são necessárias outras medidas de prevenção contra a meningite. Entre elas:

– manter todos os ambientes arejados e bem ventilados, principalmente salas de aula, locais de trabalho e transporte coletivo;

– lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou usar álcool gel;

– manter higiene rigorosa dos utensílios domésticos;

– evitar transitar com crianças em ambientes fechados e mal ventilados;

– não compartilhar objetos de uso pessoal;

– cobrir a boca ao tossir e espirrar;

– evitar contato direto a exposição de gotículas respiratória e saliva de doentes.

* Com informações da Secretaria de Saúde