10/8/21 17:59
Atualizado em 10/8/21 às 17:59

DF registra inflação abaixo da média nacional em julho

Mesmo com a alta de 0,90%, o resultado ainda é o oitavo menor entre as 16 regiões pesquisadas

Os preços variaram 0,90% no Distrito Federal em julho de 2021, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O maior incremento para o mês de referência desde 2002, quando teve alta de 1,07%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O percentual registrado é o oitavo menor entre as 16 regiões pesquisadas e ficou abaixo, também, da média nacional, que foi de 0,96% no mês em questão.

Quando considerado o período de agosto de 2020 a julho de 2021, a inflação da capital é a segunda menor entre as regiões pesquisadas e registra alta de 7,73%

Destaca-se a contribuição positiva do grupo de transportes, cuja variação de +1,98% elevou em 0,46 ponto percentual (p.p.) o IPCA do mês. Isso se deve ao aumento no preço dos combustíveis (+2,65% e +0,24 p.p.) que, por sua vez, reflete a alta da gasolina (+2,71% e 0,23 p.p.), em função da elevação da cotação do barril do petróleo e da desvalorização cambial, e na passagem aérea (+26,30% e 0,13 p.p.), devido, entre outros fatores, à influência sazonal do mês.

Já o grupo de habitação acresceu 0,22 p.p. ao índice geral, por causa do reajuste no valor da bandeira tarifária vermelha de patamar 2 de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh), implicando em alta da energia elétrica residencial (+6,68% e +0,17 p.p.). Saúde e cuidados pessoais (-0,81% e -0,12 p.p) e comunicação (-0,06% e 0,00 p.p.) foram os únicos grupos a apresentar variação negativa no mês de referência.

Essa estrutura inflacionária da capital ajuda a explicar o porquê de as famílias de mais baixa renda terem percebido um aumento de preços superior (+1,13%) àquele observado nos 25% mais ricos da capital (+0,94%). Isso porque o plano de saúde, principal fator de deflação de julho, possui uma participação menor na faixa de renda baixa.

6,88%é a projeção de inflação para o país ao final de 2021, segundo o Boletim Focus, do Banco Central

Quando considerado o período de agosto de 2020 a julho de 2021, a inflação da capital é a segunda menor entre as regiões pesquisadas e registra alta de 7,73%. No Brasil, o IPCA acumulado em 12 meses alcança 8,99%. Ambos índices continuam a apresentar trajetória ascendente e a se afastar do limite superior da meta de inflação (5,25%), de forma que o Boletim Focus informa uma projeção de inflação em 6,88% para o país ao final de 2021.

O IPCA, que é divulgado mensalmente, acompanha a variação dos preços de bens e serviços comprados pelo consumidor final para famílias com renda até 40 salários mínimos, e é o indicador oficial da inflação no país, tem mostrado que a inflação está acelerando no DF.

Já a inflação das famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos, mensurada pelo INPC, registrou uma variação positiva de 1,07% em julho. No Brasil, esse índice ficou em 1,02%, abaixo daquele registrado no DF. Em 12 meses, a capital federal registra alta de 8,79% e o Brasil, 9,85%.

A contínua desvalorização do real frente ao dólar reflete-se em aumento de custos e estimula exportações, reduzindo oferta interna de produtos e contribuindo para aumento de preços

A pesquisadora Jéssica Milker, da Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, informa que “o resultado de julho revela que a trajetória ascendente da inflação na capital federal não está cedendo mesmo diante dos esforços do Banco Central em desestimular o consumo e os investimentos por meio da elevação da taxa Selic. É possível que esse comportamento esteja associado a fatores externos, como a escalada na cotação de produtos agrícolas, metálicas e energéticas.”

De acordo com o índice de comodities do Banco Central (IC-Br) composto, houve alta de 17,0% entre julho e janeiro de 2021. Adicionalmente, a contínua desvalorização do real frente ao dólar reflete-se em aumento de custos e estimula as exportações, reduzindo a oferta interna de produtos e contribuindo para o aumento de preços.

Internamente, a crise hídrica pressiona o custo da energia elétrica. O cenário inflacionário tampouco deve ceder no curto prazo, pois a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já anunciou novo reajuste para o valor das bandeiras tarifárias, o que deve forçar a alta dos preços nos itens do grupo de habitação e são crescentes os sinais de que o fenômeno climático La Niña deve retornar em 2022, afetando negativamente o regime hídrico no Brasil.”

*Com informações da Codeplan