notas oficiais e pronunciamentos

12/1/18 16:26
Atualizado em 12/1/18 às 16:34

Pronunciamento: entrega da orla do Lago Paranoá desobstruída

Rodrigo Rollemberg, governador de Brasília

Considero esse momento de muito simbolismo, um momento muito bonito da história de Brasília. Eu quero pedir licença a vocês para cumprimentar todos que trabalharam nessa obra, todos os secretários, os administradores, os presidentes de empresas e as centenas de servidores dos diversos órgãos.

Quero ressaltar que o apoio da sociedade civil foi muito importante para a gente, a gente sabia que não ia ser uma luta fácil. Eu conversei com muita gente nessa cidade que dizia: desiste dessa ideia, não tem a menor chance de isso acontecer, você está mexendo com gente muito poderosa, vocês não vão conseguir realizar isso.

Mas o Brasil está mudando, e nós temos que contribuir para essa mudança do Brasil. Eu aqui também quero rememorar, [Maria de Lourdes] Abadia, quando você foi secretária de Turismo, e que eu me lembro de uma frase sua que passei a adotar em que você dizia que Brasília cresceu de costas para o lago, e é verdade.

Tive a honra de te suceder como secretário de Turismo e de trabalhar no projeto Orla. Isso tudo é uma continuidade daquele momento de democratização do Lago Paranoá, de reconhecimento da importância do Lago Paranoá como equipamento público fundamental para democratização da cidade, para melhor qualidade de vida da cidade e para um desenvolvimento diferenciado da cidade.

Quero cumprimentar toda a sociedade civil aqui presente e me permitam fazer em nome da Cosete Ramos, pioneira dessa cidade.

Minha gente, quando a gente vai à Bahia, ao Rio de Janeiro, a uma praia em qualquer lugar do mundo, a gente vê um ambiente democrático, onde todos os cidadãos são iguais: o pobre, o rico, o negro, o branco, o moreno, todos ali desfrutam o espaço de uma forma igualitária.

Eu sempre dizia que as cidades que têm praia são cidades mais democráticas, porque elas têm um espaço de convivência comum de toda a população, da população que não tem dinheiro para ir ao shopping, para ser sócio de um clube e que vai ali com a sua família e desfruta daquele espaço público.

Nunca me conformei de ver essa relíquia que é esse Lago Paranoá, essa coisa maravilhosa que é esse Lago Paranoá, desfrutado apenas por centenas de pessoas numa cidade de 3 milhões de habitantes e num país com mais de 200 milhões de habitantes.

A desobstrução da orla do lago não é contra ninguém. A gente sabe que a omissão dos governos anteriores, uma cultura que se instalou em Brasília de ocupação de área pública como algo natural, a cultura do fato consumado se instalou nessa cidade, e poderia parecer, como uns acharam.

Muitos duvidaram dessa nossa ação e rebateram que essa situação prevaleceria para sempre, mas acima de qualquer coisa existe a Constituição e tem a lei, e as leis existem para serem cumpridas.

Essa aqui é uma área pública, e a área pública é uma área de todos, eu não posso me conformar. Aqui eu vi pessoas do Sol Nascente, de Ceilândia, de Planaltina, do Itapoã, tem gente do Paranoá. Por que essas pessoas não podem desfrutar desse Lago Paranoá, dessa área maravilhosa?

Por que os brasileiros que nos visitam do Amazonas, Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro não podem desfrutar dessa área maravilhosa, dessa área pública? Por que os estrangeiros que nos visitam não podem desfrutar de uma cidade que é patrimônio histórico da humanidade? Não podem desfrutar de um equipamento público, do local público, que é o símbolo da nossa escala bucólica que é o Lago Paranoá?

Mas, graças a Deus, ainda tem muita gente de coragem nessa cidade, de espírito público, muita gente que coloca o interesse da população acima do interesse pessoal ou do interesse particular.

O que nós estamos fazendo hoje aqui, como faremos no final da semana que vem ao encerrar as atividades do lixão, incorporando os catadores de materiais recicláveis no processo produtivo, é dar um salto civilizatório.

Brasília jamais será a mesma depois da desobstrução da orla, nenhum outro governo ousará deixar que essa orla seja privatizada, porque a população jamais admitirá que essa orla seja novamente privatizada.

Teremos um momento de simbolismo, nós vamos homenagear a todos os trabalhadores e a todos os órgãos que nos ajudaram a desobstruir a orla. Mas a gente quer agradecer a sociedade brasiliense que, por meio da imprensa, da mídia, que sempre teve uma postura de apoio ao governo na desobstrução, da sociedade civil representada aqui pelo Marcelo, aos usuários do lago aqui representados pelo Tiago Sato, que disputa competições internacionais representando Brasília no nado em ambientes abertos e treina no Lago Paranoá.

Como todos que nos apoiaram, não foi uma empreitada fácil, teve percalço no caminho, tivemos que interromper, mas não faltou obstinação e determinação para chegar onde a gente está.

Tem muita gente que fica cobrando: e agora o que vocês vão fazer? Já tem uma parte que já está feita, minha gente, eu convido vocês para amanhã, final de semana, quem puder caminhar, simplesmente caminhar, estender uma canga ou uma toalha e sentar no gramado debaixo de uma árvore ou palmeira e desfrutar desse olhar, desse horizonte maravilhoso, poder ouvir um canto de um pássaro, poder desfrutar dessa paisagem, poder caminhar e poder correr.

Nós estamos fazendo uma infraestrutura para a população, como esta ciclovia, esta pista de caminhada gramada, com iluminação de LED, os trapiches que inauguraremos em março ligando o Parque da Asa Delta com o Parque da Península e com o Pontão do Lago Sul, para que a população possa desfrutar desse ar puro que é o Lago Paranoá.

Eu gosto de dizer, minha gente, que Brasília não tem vocação para mediocridade, e Juscelino teve essa capacidade de reunir o que havia de melhor no talento do povo brasileiro para construir essa cidade que tão rapidamente foi reconhecida como patrimônio cultural da humanidade.

Nós que somos da geração Brasília temos um grande desafio e hoje estamos cumprindo uma parte desse desafio que é resgatar o espírito de Brasília empreendedor, renovador, o espírito democrático para essa cidade.

Essa cidade nasceu sob o símbolo da democracia, comandada pelo maior democrata que esse País já teve, que foi Juscelino Kubitschek. E o que nós estamos fazendo hoje é democratizar Brasília, é fazer com que Brasília seja olhada com outros olhos pelo mundo todo, pelo Brasil todo, porque hoje Brasília colocou os interesses da população brasileira acima dos interesses individuais.

Como dizia o nosso querido Lucio Costa: “O céu é o mar de Brasília”, e eu digo que se o céu é o mar de Brasília, o lago é nossa praia, e a praia não pode ser de alguns, a praia tem que ser de todos os brasilienses, tem que ser de todos os brasileiros que visitam a nossa cidade.

Um grande abraço e parabéns a todos que nos ajudaram nessa empreitada.

Leia a matéria Orla do Lago Paranoá é entregue à população.