22/7/11 3:00
Atualizado em 22/7/11 às 3:00

Combate ao desemprego no DF

Resultados apresentados em seminário mostram contínua geração de emprego, mas desigualdade social no mercado de trabalho persiste

Suzano Almeida, da Agência Brasília

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) realizou entre os dias 18 e 19, no auditório da Fundação de Ensino e Pesquisas em Ciência da Saúde (Fepecs), o seminário Perfil do Mercado de Trabalho do Distrito Federal e de sua Área Metropolitana e as Políticas de Geração de Emprego. Durante dois dias representantes de órgãos, secretarias de governo e da sociedade civil debateram os novos números divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o desemprego no DF. Os dados revelaram crescimento no total de novos empregos, mas a continuidade das desigualdades.

O seminário apresentou o Mercado de Trabalho no Distrito Federal focado no contexto do crescimento econômico. O período 2003-2010 caracterizou-se pela redução contínua da taxa de desemprego, passando de 22,8% para 13,6%; crescimento médio da ocupação de 4,8% ao ano e aumento de 22% no rendimento médio real.

Houve aumento de 64,6% no número de novos assalariados formais na iniciativa privada e de 18,9% no setor público. Serviços, construção civil e indústria foram os segmentos que mais empregaram. Segundo o Dieese, a crise de 2008/2009 não se fez sentir com tanta intensidade na capital federal. A forte presença do Estado foi fundamental para que o DF atravessasse a crise econômica sem elevação da taxa de desemprego. A articulação entre as iniciativas pública e privada se mostrou fundamental para a qualidade do emprego.

Desigualdades ainda são preocupantes – A pesquisa mostra que a taxa de desemprego do DF é inferior apenas às de Recife e Salvador e superior às de Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo, regiões onde a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) é realizada.

Embora o Distrito Federal tenha o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita, observam-se desigualdades socioeconômicas acentuadas entre os Grupos de Regiões Administrativas, que foram divididos em três:

Grupo 1, de alta renda – formado por Brasília, Lago Sul e Lago Norte, apresenta decréscimo da população ativa e dos ocupados. Nele a taxa de desemprego está relativamente estável, apresentando queda de dois pontos percentuais no período 2005/2010, com um total estimado de 9 mil desempregados.

Grupo 2, de renda intermediária – formado por Gama, Taguatinga, Sobradinho, Planaltina, Guará, Núcleo Bandeirante, Cruzeiro, Candangolândia e Riacho Fundo, apresenta crescimento da população e de ocupados inferior à média do DF, taxa de desemprego em declínio com queda de cinco pontos no mesmo período e 70 mil desempregados.

Grupo 3, de renda mais baixa – formado por Brazlândia, Ceilândia, Samambaia, Paranoá, São Sebastião, Santa Maria e Recanto das Emas, é o grupo de maior crescimento populacional e de ocupados. A taxa de desemprego é elevada. Porém, houve queda de sete pontos percentuais nos últimos cinco anos. A PED estimou 112 mil desempregados no grupo. Por ser o de menor renda, merece olhar mais atento na elaboração das políticas públicas.

As informações socioeconômicas sobre a população foram apresentadas sob a ótica da Vulnerabilidade Social: hoje, 183 mil famílias do DF recebem algum benefício de transferência de renda.

Novo estudo – Durante o seminário foi assinado um protocolo de intenções entre as secretaria de Estado do Trabalho e de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, o Dieese, a Codeplan e o Conselho Regional de Economia (Corecon-DF) para realização, ainda neste ano, de uma PED específica para a Região Metropolitana de Brasília. Isso porque, nos moldes atuais, a PED não considera a situação das pessoas que vivem na região próxima ao DF, mas que trabalham ou buscam emprego aqui.

Com a participação de representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT/DF), da Força Sindical e da Federação das Indústrias de Brasília (Fibra), o seminário promoveu ainda um debate sobre os desafios do mercado de trabalho brasiliense.

As Secretarias de Estado de Trabalho e de Desenvolvimento Econômico formularão estratégias para dinamizar o mercado de trabalho metropolitano e combater o desemprego, além de intensificar a qualificação da mão-de-obra local.