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Atualizado em 26/6/17 às 15:59

Zoo de Brasília abriga 10 dos mamíferos mais ameaçados de extinção por caça excessiva

Estudo publicado em revista científica britânica listou 301 animais sob risco — entre eles o chamado hipopótamo-comum. Parque da capital federal tem quatro fêmeas da espécie

Ameaçados de extinção — seja por consumo da carne, comércio ilegal de pele, crendices populares ou ocupação de território —, 301 mamíferos estão sob risco no mundo por caça excessiva. O estudo com a lista, elaborado por pesquisadores de oito países, foi publicado na revista científica britânica Royal Society Open Science.

Dez desses mamíferos são abrigados no Jardim Zoológico de Brasília e podem ser apreciados pelos visitantes. Natural da savana africana, o ádax é um deles e está classificado como criticamente em perigo.

“A reintegração dos animais é sempre o nosso objetivo. Mas precisamos ter certeza de que haverá condições para sobrevivência”, explica o diretor de Mamíferos do Zoo de Brasília, Filipe Reis. Ele destaca que, em um levantamento no último ano, foram encontrados apenas três indivíduos na natureza.

A presença desses animais, no entanto, está disseminada por zoológicos do mundo, e há um programa para reintrodução deles no habitat natural. Para reintegrar e preservar os animais, a fundação trabalha de forma integrada com outras instituições.

A troca entre zoológicos é importante, segundo o diretor, para que haja, por exemplo, maior variabilidade genética — um dos fatores que contribui para as chances de sobrevivência das espécies em habitat natural. “O ádax é relativamente lento, e a caça ficou desproporcional com a introdução da arma de fogo”, acrescenta.

Vítimas da caça para consumo, as antas são encontradas em diversos biomas e consideradas as jardineiras da floresta. Com dieta herbívora, espalham sementes pela região ao defecar e contribuem para dispersar e aumentar o número de plantas.

Um dos animais da espécie sob ameaça cuidado no Zoo é Melancia. Ela foi entregue pelo ICMBio em março de 2015, após ser encontrada órfã na região da Chapada dos Veadeiros.

Quatro fêmeas de hipopótamo que vivem no zoológico de Brasília também pertencem a espécie sob ameaça de extinção. Nesse caso, natural da África, o hipopótamo é vítima da caça para alimentação e também por ocupação territorial de humanos.

Uma das fêmeas está sob tutela da fundação desde 2008. Ela foi retirada de um circo com histórico de maus-tratos.

Fã dos bichos que pesam mais de 1 tonelada, Emmanuel Mazzei di Camargo, de 3 anos, visita o espaço frequentemente. Curioso, ao ver o biólogo em contato com os animais, quis saber se ele poderia fazer o mesmo. “Ele é bonzinho?”, questiona.

A mãe entrega a paixão do filho pelos mamíferos: “Ele quer vir quase que semanalmente e sempre rodando aqui nessa região”, conta a empresária Ana Mazzei, de 38 anos.

Próximo dali, estão os recintos dos tigres, também ameaçados pela caça excessiva. Rabisco e Laila dividem um deles. Ela, com 18 anos, já superou a expectativa de vida para animais em ambiente livre — 13 anos.

Fora dos espaços de conservação, como o Zoo de Brasília, esses felinos, naturais da Ásia, são caçados pela pele, vendida por alto valor no mercado ilegal. “Há também crenças de que partes do corpo deles podem curar doenças e de que consumir os testículos aumenta a libido”, exemplificou o diretor de Mamíferos da fundação.

O rabo peludo e comprido do cuxiú-preto chama a atenção de quem passa pela Ilha dos Macacos no zoológico, mas também de caçadores. A pelagem é comercializada ilegalmente. “Usam o rabo até para fazer espanador”, contou Reis. No Brasil e globalmente, a ameaça a esses animais é classificada como criticamente em perigo.

Em situação semelhante, o macaco-barrigudo, endêmico na Amazônia ocidental, tem sofrido redução populacional de pelo menos 50% em três gerações, que somam 45 anos. As informações são do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Além da caça para consumo, o primata também é ameaçado pelo acesso cada vez maior a áreas remotas da floresta, além do desmatamento para agricultura e pecuária, por exemplo. Outro fator que influenciou na sua redução populacional na região amazônica foi a construção de rodovias.

Os macacos-aranha-da-cara-vermelha e aranha-da-cara-preta são outros dois bichos que constam da lista da pesquisa desenvolvida por profissionais dos Estados Unidos, do Brasil, da Austrália, da Suécia, do Gabão, de partes do Reino Unido, da Dinamarca e da África do Sul.

“Tem o problema também da domesticação, que impacta na reprodução dos indivíduos”, soma Filipe Reis às causas de ameaça.

De acordo com o ICMBio, o macaco-aranha-da-cara-preta sentiu o impacto de grandes empreendimentos no habitat natural, como hidrelétricas, rodovias e linhas de transmissão.

Os macacos do Zoo foram entregues à fundação pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outras entidades por causas diferentes, como atropelamento e enchentes de hidrelétricas. Há ainda os que nasceram no parque.

Menor espécie de tatu no Brasil, o tatu-bola-da-caatinga está em situação de vulnerabilidade. Na outra ponta, como a maior espécie de tatu que existe, o canastra também está sob risco de extinção. A carne de ambos é apreciada para consumo. O Zoológico de Brasília é o único do mundo que cria o tatu-bola.

Para ajudar na conservação dos animais, a fundação desenvolve um programa de reprodução. Um filhote de tatu-bola já nasceu no recinto, mas teve morte súbita. Os trabalhos continuam em busca do sucesso reprodutivo da espécie.

O macaco-aranha-da-cara-preta, o ádax e a anta são outros mamíferos ameaçados de extinção por caça excessiva que foram reproduzidos no zoológico.

 

Jardim Zoológico de Brasília

Funcionamento: das 8h30 às 17 horas

Ingresso:
De terça a quinta-feira: R$ 5 (valor de meia-entrada para todos os visitantes)
De sexta a domingo e feriados: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Têm direito a meia-entrada: crianças de 6 a 12 anos, estudantes, idosos (pessoas acima de 60 anos), professores e beneficiários de programas sociais do governo, mediante apresentação da carteirinha
São isentos: crianças de até 5 anos e pessoas com deficiência e acompanhante

Edição: Raquel Flores

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