4/10/17 17:47
Atualizado em 5/10/17 às 9:52

Brasília mantém queda no número de homicídios e de crimes contra o patrimônio

Dos 12 tipos de delitos monitorados, 9 diminuíram em setembro. Dados constam do balanço mensal da Secretaria da Segurança Pública, divulgado nesta quarta (4)

Pelo terceiro mês consecutivo, os seis tipos de crimes contra o patrimônio acompanhados pelo Viva Brasília — Nosso Pacto pela Vida, principal política de segurança pública do governo do Distrito Federal, apresentaram queda.

Balanço da segurança pública no mês de setembro mostrou nova queda em crimes como patrimônio.
Balanço da segurança pública em setembro mostrou queda em crimes contra o patrimônio pelo terceiro mês consecutivo. Foto: Andre Borges/Agência Brasília

A redução no número de homicídios também se manteve. Foram 37 ocorrências em setembro, contra 58 no mesmo período do ano passado — a menor taxa mensal desde 2002.

Se considerado o acumulado do ano, a diminuição é de 95 casos, a menor quantidade desde o início da série histórica, em 2000.

Os dados constam do balanço mensal da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, apresentado na tarde desta quarta-feira (4).

Para o secretário, Edval Novaes, o decréscimo de 9 dos 12 crimes monitorados dentro da série é resultado de um trabalho conjunto das forças de segurança e de outros órgãos do governo.

“Trata-se de uma redução significativa, ainda mais quando, infelizmente, temos a maioria dos estados brasileiros com esses índices subindo”, comparou Novaes.

Com a crescente utilização do Bilhete Único, os roubos em transporte coletivo tendem a cair ainda mais nos próximos meses

Casos de roubo em transporte coletivo, que até junho preocupavam o governo — quando houve alta de 11,8% —, são alguns dos exemplos de crimes que foram combatidos com o suporte de ações integradas.

Para o subsecretário de Fiscalização, Auditoria e Controle, da Secretaria de Mobilidade, Felipe Leonardo, as ocorrências, que tiveram queda de 5% no período comparado, tendem a cair ainda mais nos próximos meses com a crescente utilização do Bilhete Único pelos passageiros.

“O bilhete veio não apenas para reduzir custos para a população, mas ele também retira dos ônibus a circulação de dinheiro, o que vai desestimular o crime”, explicou Leonardo.

De acordo com o subsecretário, com o apoio dos órgãos de segurança, a Mobilidade está em fase final de planejamento para implementação do botão do pânico e de GPS nos ônibus.

Esforço para aumentar a sensação de segurança

Em agosto, o governo definiu o combate ao medo como o quinto eixo do Viva Brasília. Um dos principais pilares para alcançar o objetivo é a redução de desordens urbanas.

Presente na coletiva do balanço, o secretário das Cidades, Marcos Dantas, ressaltou que o trabalho é feito com base no mapeamento passado pela Secretaria da Segurança Pública, que identifica os principais pontos de criminalidade e de sensação de insegurança, não necessariamente coincidentes.

Como exemplo, Dantas citou a recuperação de praças com poda de árvores, pintura e reparação de calçadas. “Com isso, a população passa a ocupar novamente esses espaços.” Segundo ele, antes dessa restauração, muitos lugares eram vistos como inseguros.

Características do estupro dificultam o combate

O estupro foi o único crime que teve aumento no número de casos em setembro: 53 ocorrências neste ano, contra 52 no mesmo mês de 2016. Registrados — ou seja, informados à polícia em setembro de 2017, mas não necessariamente ocorridos na época — foram 77 e, no ano passado, 71.

As características do crime, na visão do secretário da Segurança Pública, dificultam o combate. No estupro a vulneráveis (a maior parte, com 45 casos), por exemplo, 72% das vítimas moram com o autor. Em 93% das ocorrências, há vínculo entre a vítima e o criminoso.

A coordenadora de Políticas para Mulheres, da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Miriam Pondaag, destacou que o governo tem tomado várias medidas para enfrentar a violência sexual. Entre elas, está a constituição de um grupo intersetorial para mobilizar a rede de serviços que atende as vítimas.

O grupo, segundo Miriam, foi criado assim que houve o indicativo do crescimento de registros, “e elegemos o território de Ceilândia como piloto para as primeiras ações”, informou a coordenadora.

Ainda em outubro, a região administrativa receberá um seminário com representantes de vários órgãos e da sociedade civil para discutir a metodologia de atendimento.

Além disso, será debatido no encontro o estabelecimento de um fluxo que aumente a interligação entre as iniciativas do Estado para assistir as vítimas de forma mais qualificada e preventiva.

“Prevenir a violência é desconstruir uma cultura patriarcal, que ainda coloca as mulheres em situação de objetos, que podem ser apropriados, usados e abusados, e essa é uma desconstrução de séculos de desigualdade, o que leva tempo”, concluiu.

Veja a íntegra do balanço da segurança pública de setembro de 2017.

Edição: Raquel Flores

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Coletiva de balanço da segurança público no DF no mês de setembro