20/2/18 18:33
Atualizado em 21/2/18 às 10:30

Exames preliminares indicam intoxicação de origem externa no elefante Babu

Resultado divulgado nesta terça (20) apontou substâncias como mercúrio e arsênio no organismo do paquiderme, que morreu em janeiro. Caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ibama

O quadro de pancreatite que levou à morte o elefante Babu, de 25 anos, em 7 de janeiro, pode ter sido decorrente de intoxicação exógena (de origem externa). O resultado preliminar foi divulgado na tarde desta terça-feira (20) pela Fundação Jardim Zoológico de Brasília.

O secretário do Meio Ambiente, Igor Tokarski, e o diretor-presidente da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, Gerson Norberto.
O secretário do Meio Ambiente, Igor Tokarski, e o diretor-presidente da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, Gerson Norberto. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

De acordo com laudos de dois laboratórios, foram encontrados nas amostras examinadas do animal indícios de substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e arsênio.

Os resultados são referentes a exames toxicológicos e histopatológicos emitidos pelo laboratório Tecnologia em Sanidade Animal (Tecsa) e pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Para o diretor-presidente da fundação, Gerson Norberto, o caso foge ao padrão dos cuidados com o plantel. “Fatos naturais como velhice estão dentro da expectativa técnica, o que não era o caso de Babu, que havia acabado de entrar na fase reprodutiva”, ponderou, em coletiva de imprensa.

De acordo com Norberto, como as substâncias não fazem parte da rotina da fundação, podem ter entrado de forma não autorizada. “Aguardamos os outros laudos para contrapor ou corroborar o resultado e a investigação para o esclarecimento dos fatos”, acrescentou.

"Aguardamos os outros laudos para contrapor ou corroborar o resultado e a investigação para o esclarecimento dos fatos"Gerson Norberto, diretor-presidente da Fundação Jardim Zoológico de Brasília

Os dados foram encaminhados à Polícia Civil do Distrito Federal, por meio da Delegacia do Meio Ambiente do DF, e para a equipe de investigação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Precisamos que nosso plantel mantenha as condições de saúde físicas e psicológicas para que possamos trabalhar nosso propósito de preservação”, defendeu o dirigente, que reiterou o compromisso da fundação em manter total transparência na apuração.

O secretário do Meio Ambiente, Igor Tokarski, ressaltou que todas as providências foram tomadas de forma integrada entre os órgãos ambientais para resolver o caso.

Zoo intensificará monitoramento de animais

Para manter a segurança e o bem-estar dos cerca de 900 animais que vivem no zoo, inclusive de outros dois paquidermes — Belinha e Chocolate —, a fundação tomará medidas como:

  • Ampliação do sistema de vigilância eletrônica
  • Reconfiguração dos postos de segurança
  • Mudança nos protocolos da rotina dos funcionários

Também não estão descartadas outras investigações, como fatores genéticos. Para isso, a fundação mantém contato com o Parque Nacional Kruger, na África do Sul, de onde vieram Babu e Belinha, elefante fêmea do plantel.

O zoo mantém ainda diálogo com outros centros de conservação de elefantes nos Estados Unidos e na Europa. O objetivo é conseguir informações de parentesco nas manadas locais e outros registros clínicos similares.

Isso porque uma das causas prováveis para esse tipo de patologia tem fatores congênitos. A amostra de pele de uma das orelhas do paquiderme está armazenada no Hospital Veterinário da Fundação Jardim Zoológico de Brasília.

O material integrará o banco de germoplasma do zoo, mantido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Edição: Vannildo Mendes

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