2/8/19 13:39
Atualizado em 21/10/19 às 14:54

Alex Almeida – “Curso superior de gestão pública da Escola de Governo terá teoria e prática juntas”

Em entrevista à Agência Brasília, diretor da EGov fala sobre a nova graduação oferecida aos servidores e à comunidade e destaca reforço na oferta de educação a distância

Segundo Alex Almeida, a EGov é a casa do servidor, ao oferecer cursos de qualificação para o segmento. Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

Na próxima segunda-feira (5), 60 servidores do Governo do Distrito Federal e estudantes da comunidade iniciam uma nova fase da vida. Eles vão integrar a primeira turma do curso de graduação em Tecnologia da Gestão Pública, oferecido gratuitamente, pela Escola de Governo (EGov). O órgão capacitou mais de seis mil servidores, no semestre passado, com formação continuada em diversas áreas, e se prepara para ampliar a oferta de cursos superiores.

A novidade, fruto de uma parceria com a Fundação Universidade Aberta do DF (Funab), foi comunicada, em entrevista à Agência Brasília, pelo diretor da Escola de Governo, Alex Costa Almeida. O advogado tem vivência de mais de 17 anos na profissão e conta como tem utilizado a experiência em consultoria empresarial para aperfeiçoar os processos educativos da instituição. “Estamos fortalecendo e atualizando a oferta, com ênfase em cursos que abordem inteligência emocional. É um olhar mais cuidadoso para o servidor, para que possamos refletir num atendimento melhor à comunidade”, afirma.

Alex destaca, ainda, a oferta de curso de linguagem de sinais, que já capacitou diversos servidores para o atendimento às pessoas com deficiência auditiva. “Está disponível para todos, mas temos uma preferência emergencial para quem lida diariamente com o atendimento direto ao público”, explica.

A Escola de Governo vem ajudando na capacitação dos servidores com cursos técnicos e palestras voltadas ao dia a dia da administração pública. Existe intenção de mudar esse formato de atuação?

A EGoV tem resultados expressivos, ao longo dos últimos dez anos. Mas, desde janeiro, estamos fortalecendo e atualizando a oferta de cursos, com ênfase naqueles que abordem inteligência emocional. É um olhar mais cuidadoso para o servidor, porque acreditamos que isto vai refletir diretamente na prestação dos serviços e consequentemente num melhor atendimento à comunidade. Já os cursos voltados às áreas técnicas, vamos seguir com um trabalho que já tem sito feito ao longo dos anos sempre voltado à qualificação, atualização e formação de diversas temáticas.

Quais cursos o servidor pode encontrar na Escola de Governo?

Temos uma oferta de cursos bem grande. Nos próximos dias vamos publicar uma atualização da nossa grade com a ampliação de cursos. Temos cursos, nas áreas técnicas, que vão desde confecção de projeto básico à elaboração de orçamento e contratos. Também capacitamos servidores para utilizar todos os sistemas da administração pública, como o Sistema Eletrônico de Informação (SEI). Há, ainda, a oferta de cursos de formação para reforçar a atuação dos recursos humanos e palestras motivacionais e de inteligência emocional. Outro destaque é a atuação fabulosa na formação de servidores com o curso de libras. São mais de 90 cursos, além da oferta de educação a distância, que está com inscrições abertas.

Quem pode se inscrever nesses cursos de capacitação?

Nosso foco é o servidor público até porque utilizamos recursos do Fundo Pró-Gestão, direcionado à Administração Direta, Autárquica e Fundacional. Eventualmente, podemos abrir para a comunidade para participar como ouvinte. Mas nosso foco é o servidor do GDF. Para participar, o servidor deve fazer a inscrição no site da Escola de Governo. Lá, ele encontra a agenda de cursos disponíveis e faz a matrícula.

Mas há vagas para todos?

Sim, com certeza. Nos cursos presenciais, se o servidor não consegue vaga numa primeira turma, se encaixa na seguinte. Aqui é a casa do servidor. Sempre que ele tem necessidade de qualificação, vai encontrar acolhimento. A gente tem trabalhado na ampliação da oferta de cursos de educação a distância, fortalecendo essa modalidade de ensino. Recentemente, celebramos um acordo de cooperação com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Com isso, vamos ter acesso à plataforma deles, ampliando a variedade e a oferta de cursos aos servidores. Nos cursos a distância, todos são atendidos de imediato, porque os estudos são feitos online e não há limite de vagas.

Aqui é a casa do servidor. Sempre que ele tem necessidade de qualificação, vai encontrar acolhimento. A gente tem trabalhado na ampliação da oferta de cursos de educação a distância, fortalecendo essa modalidade de ensino.

Como funciona o curso de capacitação em Libras?

É um curso para reforçar a inclusão social com objetivo de capacitar servidores para o atendimento às pessoas com deficiência auditiva. O governo, há alguns anos, tem sido questionado sobre essa necessidade. Até porque, por lei, todos os órgãos devem ter servidores fluentes em linguagem de sinais. Estamos fazendo uma campanha forte de divulgação desse curso. Iniciamos com a oferta de Libras – Módulo I, mas queremos, em breve, ampliar para o nível 2. Agora mesmo, vamos atender servidores da Secretaria de Saúde, do Samu e do Corpo de Bombeiros. Está disponível para todos, mas temos uma preferência emergencial para quem lida diariamente com o atendimento direto ao público.

Quantos servidores, em média, são atendidos pela Escola de Governo?

Fizemos um levantamento recente e verificamos que, só neste ano, certificamos 6.030 servidores. Eu acho um número expressivo, que me traz satisfação e a sensação de dever cumprido. Especialmente porque temos uma estrutura administrativa bastante enxuta e, mesmo assim, conseguimos oferecer um trabalho de qualidade com resultados numerosos.

Fizemos um levantamento recente e verificamos que, só neste ano, certificamos 6.030 servidores. Eu acho um número expressivo, que me traz satisfação e a sensação de dever cumprido. Especialmente porque temos uma estrutura administrativa bastante enxuta e, mesmo assim, conseguimos oferecer um trabalho de qualidade com resultados numerosos.

Neste ano, a Escola de Governo inovou com a oferta de um curso superior voltado a Gestão Pública. Como ele vai funcionar?

Ele é o primeiro curso da Escola Superior de Gestão, fruto do acordo de cooperação entre a Secretaria de Fazenda e Gestão e a Funab. Essa cooperação foi pensada para ofertar cursos superiores, sendo o primeiro deles o de Tecnologia em Gestão Pública. A proposta é levar conhecimento de gestão pública para servidores e comunidade. Por isto, a divisão de vagas. Nesse primeiro semestre, serão 60 vagas, sendo 30 para servidores e 30 para população. Identificamos uma carência de formação superior entre nossos servidores. Por outro lado, o DF é uma das poucas unidades da Federação que não tem uma universidade estadual. Ou seja, a comunidade também é carente dessa oferta. Precisávamos suprir essa carência com a implantação de escolas superiores. Iniciamos com essa turma, mas vamos avançar de modo que, no futuro, faremos uma rede de curso interligados à Universidade Aberta do DF. Esse curso de Tecnologia da Gestão Pública é apenas um primeiro passo para algo muito maior.

O que é o curso de Tecnologia da Gestão Pública?

É diferente do curso de bacharel. É de tecnólogo. Tem duração de quatro semestres, ou seja, dois anos completos. É baseado em metodologias ativas, que fazem com que o aluno trabalhe diretamente com as atividades vivenciadas no dia a dia da administração pública. É o grande diferencial do curso. Os alunos serão acompanhados por instrutores e preceptores e vão explorar a metodologia de estudos de casos. Tanto o aluno-servidor – que já trabalha na administração pública – quanto o aluno da comunidade, que ainda não possui essa vivência, vão aprender como lidar com os problemas que surgem na administração. Isso vai se traduzir em benefício para o servidor, que ainda não tinha um curso superior e terá a oportunidade do aprendizado teórico, e, também, para o aluno da comunidade, que vai ter os dois juntos: teoria e prática, aliada à vivência do colega de sala, que é servidor.

Como foi o processo de seleção dos 60 primeiros alunos, que iniciam as aulas nesta segunda-feira?

O processo de seleção foi dividido. Para os candidatos servidores, foi exigida uma carta de intenções com justificativas do motivo de cursar essa graduação. A partir daí, eles foram avaliados. Para os alunos da comunidade, a seleção foi feita via Sistema de Seleção Unificada (SiSU)), com apoio do Ministério da Educação.

Há intenções de ampliar a oferta de outros cursos de graduação?

Sim. Vamos continuar nessa linha de cursos de graduação tipo tecnólogo, com duração de dois anos. Queremos ampliar para outras áreas. Temos seis cursos credenciados pelo Conselho de Educação do Distrito Federal: Gestão de Recursos Humanos; Gestão de Processos; Gestão de Marketing; Gestão de Materiais; Gestão de Tecnologia da Informação; e Gestão Financeira. O primeiro deles é o de Tecnologia da Gestão Pública. Vamos trabalhar para ampliar essa oferta ainda no próximo ano.