7/3/20 12:51
Atualizado em 7/3/20 às 16:48

Aumenta número de alunos selecionados para estágios

Escola Técnica de Brasília dá exemplo de gestão e funciona como base de lançamento de novos profissionais no mercado de trabalho

Com 2.283 alunos em cursos de eletrônica, unidade vira porta de entrada no mercado de trabalho | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília

Com o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos batendo a casa do 3,6 milhões, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do último trimestre de 2019, as escolas técnicas têm se transformado em importante aliado contra a desocupação juvenil. É também por intermédio dessas unidades especializadas que os mais novos ingressam no mercado de trabalho. Basta estar matriculado em algum curso técnico e se inscrever para uma vaga nos diversos tipos de estágio oferecidos.

A Escola Técnica de Brasília (ETB) é um exemplo. Com 2.283 alunos matriculados nos cursos de eletrônica, a unidade tem se caracterizado como uma porta de entrada de seus alunos no mercado de trabalho. Do primeiro para o segundo semestre do ano passado, o número de estudantes egressos da ETB que estagiam em empresas aumentou 67,6%. Até junho de 2019, 263 alunos estão no exercício de estágios; na outra metade do mesmo ano, esse número cresceu para 441. Eles atuam nas áreas de eletrotécnica, informática, telecomunicações, nos turnos da manhã, da tarde e da noite.

Bruno de Jesus Pereira Meireles, 21 anos, e Roberto Marcos Rocha, 38, são alunos do turno vespertino na ETB. Eles têm em comum também o fato de já serem formados no ensino médio e voltaram a estudar para conseguir um estágio e tentar serem contratados em definitivo.

Somente em 2019 o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) encaminhou para estágio supervisionado um total de 1.826 estudantes de escolas técnicas do Distrito Federal. Cerca de 200 alunos a mais que no ano anterior, quando foram contratados 1.624 alunos de entidades públicas com esse perfil técnico.

Experiências

Bruno mora em Luziânia e está na escola desde 2019. Aluno do terceiro semestre de eletrotécnica, estava atrás de emprego e viu na ETB uma oportunidade de começar a trabalhar. Hoje ele estagia em um grupo que presta serviços de manutenção predial e de tecnologia da informação (TI). Entre os clientes estão o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. “Foi uma ótima ter vindo para cá. A empresa é maravilhosa”, elogia o agora empregado estudante.

Oportunidade estampada: mural da ETB sempre está repleto de anúncios de estágio | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília

Roberto Marcos mora no Gama e faz eletrotécnica. Está no quarto semestre. Na segunda-feira (2) recebeu um convite de estágio para trabalhar em sua área, em uma empresa de refrigerante. Mas recusou porque teria que mudar de horário e de turma.  “Eles se interessaram, mas só tinha vaga de estágio para a tarde. Eu estudo neste horário, por isso não me interessei. Não queria sair da minha turma”, afirmou o aluno.

As empresas, por sua vez, também têm buscado cada vez mais estagiários nas escolas técnicas. O diretor da ETB, Jackes Ridan da Silva Guedes, possui uma lista de 56 entidades privadas conveniadas com a escola. Além disso, o mural do pátio é recheado de propostas de estágio.

Mas Jackes faz uma ressalva. Não são todos os alunos que estão liberados para tentar uma vaga na escola. “O aluno interessado em vir para cá precisa estar, pelo menos, no segundo ano do ensino médio para se matricular aqui”, explicou. Não há prova para seleção. Basta participar de um sorteio realizado sempre aos finais de semestre. São oferecidas 890 por semestre.

Organização, bons serviços e ótimo estado de conservação têm caracterizado a atual gestão da ETB | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília

Imponência

Não é somente a oportunidade de estágio que atrai os estudantes para a Escola Técnica de Brasília (ETB). A estrutura da escola é nota 10. Dá para notar só pela fachada, que se assemelha à de uma universidade, mas em melhor estado de conservação.

São 47 salas e 35 laboratórios. Em cada sala há projetor, ar-condicionado, internet liberada. Sobre os professores, o próprio Jackes pode dizer melhor, já que está na função há sete anos. “São todos engenheiros formados e concursados.”

A confiança no ensino oferecido em sua unidade de ensino é tanta que ele matriculou o filho lá. “Meu filho fez curso de técnico de informática aqui. Hoje ele faz engenharia de software”, acrescentou o diretor da ETB.

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