27/8/21 15:27
Atualizado em 27/8/21 às 16:01

Dia do Psicólogo destaca a importância deste profissional

Data é comemorada todo 27 de agosto. Durante a pandemia, Saúde criou grupo para atender pessoas em luto por algum familiar que morreu de covid-19

Em 27 de agosto é celebrado o Dia do Psicólogo. O profissional é essencial na assistência, pois seu trabalho visa ajudar as pessoas a incluírem no seu projeto de vida um conjunto de atitudes e comportamentos ativos que as levem a promover a saúde e prevenir doenças, sejam elas de origem física ou mental, colaborando com técnicas de enfrentamento no processo de ajustamento diante de situações adversas.

Artes: SES

De acordo com Rúbia Marinari, gerente de Serviços de Psicologia, tem-se observado uma crescente procura pelos profissionais de psicologia com atuação em instituições de saúde ao longo dos últimos anos, pois pesquisas têm demonstrado que o comportamento e o estilo de vida das pessoas interferem diretamente no desenvolvimento e/ou agravamento de doenças.

“Nesse sentido, esses profissionais desempenham um importante papel na rede pública de saúde, visto a necessidade de compreender e pensar o processo saúde/doença numa dimensão psicossocial, intervindo sobre o contexto de cada indivíduo ou grupos específicos, expostos a diferentes doenças e condições de saúde”, explica.

Durante a pandemia de covid-19, observou-se o aumento da demanda e da carga de trabalho dos psicólogos, independentemente do serviço ao qual estavam vinculados. Os impactos emocionais da pandemia na vida das pessoas já estão bem descritos pela literatura científica, mas um aspecto em especial demandou a atenção desses profissionais: a grande quantidade de pessoas impactadas pela morte de familiares e entes queridos pela covid-19.

Diante do cenário da maior crise sanitária dos últimos tempos e pensando no compromisso ético e técnico da psicologia enquanto ciência e profissão, a Diretoria de Serviços de Saúde Mental e a Gerência de Serviços de Psicologia estabeleceram parceria com a Universidade de Brasília (UnB), a fim de promover um curso de extensão para capacitação dos psicólogos da Secretaria de Saúde, com o objetivo de desenvolver metodologia grupal de apoio psicológico aos enlutados pela doença.

“No período de maio a agosto de 2021, 36 psicólogos e psicólogas da Secretaria de Saúde estiveram envolvidos no projeto, atuando com 19 grupos on-line”, explica Rúbia Marinai que acrescenta que a procura dos usuários foi grande: “As 285 vagas foram preenchidas em menos de 24 horas. Aproximadamente 150 pessoas terminaram o primeiro ciclo dos grupos. A Gerência de Serviços de Psicologia mantém uma lista de espera com cerca de 200 pessoas interessadas em novas turmas”.

Segundo a gerente, a maioria dos profissionais de psicologia que participaram desse primeiro ciclo, pretende dar continuidade à proposta dos grupos. Portanto, a partir de setembro as pessoas da lista de espera serão contatadas para mais informações a respeito.

Além disso, a Gerência de Serviços Psicologia estuda junto a outras áreas de atuação da Secretaria de Saúde, a possibilidade de oferta direcionada à população enlutada pela covid-19 que não teve acesso às primeiras turmas devido à dificuldade de manejo das tecnologias remotas. “Desta forma, alguns dos profissionais capacitados no primeiro ciclo poderão multiplicar a metodologia a outros colegas e profissionais de saúde, visando abarcar mais pessoas que demandem atenção ao luto”.

Atendimentos

A professora aposentada Nuali Muhsen Madureira já vivia o luto de seu irmão, que faleceu em março do ano passado por conta de um câncer e em outubro de 2020 perdeu o pai, João Madureira, de 88 anos, a mãe, Marlene Madureira, de 86 anos e a tia, Maria do Rosário Generoso, de 90 anos, todos na mesma semana, com diferença de apenas dois dias para cada óbito. Ela soube do grupo para enlutados e decidiu participar, pois sentia a necessidade de receber ajuda.

Cada um do grupo mostrou sua dor e compartilhou de seus sentimentos, o que foi muito importante para me fortalecerNuali Madureira, aposentada

“Eu estava sentindo necessidade de pedir ajuda. Ver o luto pela covid é difícil demais, principalmente no meu caso que foram três pessoas da família e praticamente de uma vez só. Fiquei sem chão, a família já era pequena e só restou eu e minha filha. Ter o momento de fala e escuta no grupo foi fundamental para mostrar tudo que eu estava sentido”, relembra.

Segundo ela, participar do Grupo de Enlutados foi um processo maravilhoso, que teve todo um acolhimento dos psicólogos. Além disso, todos puderam compartilhar suas experiências e nisso, ela ainda se viu agraciada por ter conseguido ficar ao lado dos pais no hospital nos últimos dias de vida deles, pois por conta da idade e necessidades, a equipe abriu uma exceção e ela cuidou deles até o último momento. Eles ficaram internados no Hospital Regional da Asa Norte.

“Foi um projeto que fez muita diferença e impactou na minha vida. Cada um do grupo mostrou sua dor e compartilhou de seus sentimentos, o que foi muito importante para me fortalecer. Acho de extrema importância que esse projeto continue porque o pior de quem perdeu alguém para a covid-19 é justamente não poder se despedir. Eu só tenho a agradecer por ter participado desta iniciativa”, afirma.

*Com informações da Secretaria de Saúde