18/11/21 20:05
Atualizado em 19/11/21 às 8:49

Mulheres rurais e autoridades debatem demandas do campo

Em evento promovido pela Emater-DF, representantes de comunidades puderam expor a secretários de Estado suas principais dificuldades e necessidades

“Além de serem as principais responsáveis pela manutenção do grupo familiar e pelas atividades sociais, essas mulheres estão presentes nas atividades produtivas e ambientais”Denise Fonseca, presidente da Emater-DF

Para ouvir as demandas de mulheres rurais do Distrito Federal, a Emater-DF realizou nesta quinta-feira (18) o Momento Mulher Rural em Pauta. A atividade foi realizada no Salão Nobre do Palácio do Buriti, onde seis mulheres, representantes de comunidades rurais do DF, tiveram oportunidade de apresentar às autoridades as principais dificuldades e necessidades dos moradores de comunidades rurais.

O objetivo do evento foi dar voz às mulheres para que ações e políticas públicas possam ser traçadas diante das demandas. A reunião fez parte da preparação para o VII Encontro Distrital de Mulheres Rurais, que será realizado no dia 10 de dezembro, onde será apresentado um documento oficial com as reivindicações.

A presidente da Emater-DF, Denise Fonseca, abriu o encontro lembrando que as mulheres representam uma parte significativa do público atendido pela empresa. Das 15.776 propriedades cadastradas, 5.268 têm uma mulher à frente como proprietária ou coproprietária. No universo geral, a Emater atende mais de 10 mil mulheres no campo.

O objetivo da reunião, que serve como preparação para o VII Encontro Distrital de Mulheres Rurais, foi dar voz às mulheres para que ações e políticas públicas possam ser traçadas diante das demandas | Fotos: Divulgação/Emater

“Além de serem as principais responsáveis pela manutenção do grupo familiar e pelas atividades sociais, essas mulheres estão também presentes nas atividades produtivas e ambientais, como as cadeias de ovinocultura, olericultura, floricultura, avicultura, agricultura orgânica, agroecologia e em diversas outras”, destacou.

“A gente não quer sair do campo, a gente mora no campo com amor, mas precisa de umas coisas básicas para viver lá”Maria Ivonildes, do Núcleo Rural Alexandre Gusmão

Além de extensionistas da Emater-DF e de mulheres rurais, participaram do encontro o secretário de Agricultura, Candido Teles; a secretária da Mulher, Ericka Filippelli; a secretária de Turismo, Vanessa Chaves de Mendonça; a secretária de Esporte e Lazer, Giselle Ferreira de Oliveira; a vice-primeira-dama, Ana Paula Hoff, e a chefe do Escritório de Assuntos Internacionais do GDF, Renata Zurquim.

Também estavam presentes a deputada distrital Júlia Lucy, a diretora-executiva da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Mariana Ferreira Matias, e representantes do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e do gabinete da deputada federal Bia Kicis.

Demandas

Quem iniciou as falas das representantes das mulheres rurais foi a produtora Noilde de Jesus, de Brazlândia, que destacou as demandas de saúde e autoestima das mulheres rurais. Ela falou das necessidades de atendimentos de ginecologistas e exames preventivos. Também destacou questões como sexualidade, gravidez precoce e planejamento familiar, principalmente para adolescentes, além de ações preventivas contra violência.

Aline Valério de Souza, do Paranoá, representante da região Leste, lembrou que muitas mulheres que moram na área rural gostariam de ter acesso à profissionalização em áreas não necessariamente ligadas à agricultura ou tradicionalmente ocupadas por mulheres.

5.268das 15.776 propriedades cadastradas na Emater-DF têm uma mulher à frente como proprietária ou coproprietária

“Nem todas as mulheres se identificam com artesanato, por exemplo. Então, gostaríamos de ter oportunidades em outras áreas”, lembrou, citando cursos como de eletricista, mecânica, manicure e cabeleireiro. Ela também falou muito dos jovens rurais, que precisam de atenção, cuidados com a saúde mental e profissionalização.

Zuila Ito, do Rio Preto, citou dificuldades na área da educação, transporte, educação e destacou a necessidade de profissionais como dentista, muito comuns na área urbana, mas que são raros na zona rural.

O acesso a atividades de cultura, lazer e esporte foi o tema de Mayara da Silva, também do Rio Preto. “A gente até quer fazer esporte. Às vezes alguém na comunidade se propõe a organizar um grupo de atividade física. Mas não tem lugar e nem um profissional que nos oriente a fazer do jeito certo”, contou.

Infraestrutura foi o assunto de Federica Cordeiro, da área rural de Ceilândia, e de Maria Ivonildes, do Núcleo Rural Alexandre Gusmão. Federica falou de transporte público coletivo e regularização fundiária, que são básicos para o bem-estar no campo. “A gente não quer sair do campo, a gente mora no campo com amor, mas precisa de umas coisas básicas para viver lá”, destacou Maria Ivonildes.

Ao final, as autoridades relataram ações realizadas no sentido de melhorar a vida no campo e ressaltaram o compromisso com a solução de demandas. A presidente da Emater-DF, Denise Fonseca, também destacou que algumas das ações já estão em andamento, mas reconheceu que muito ainda precisa ser realizado e se comprometeu a dar andamento para essas questões juntamente com outros órgãos do GDF.

Ela lembrou que o governador Ibaneis Rocha cobra constantemente que mais realizações sejam feitas no campo e tem dado todo aval para concretizações, como, por exemplo, as primeiras creches que serão implantadas no próximo ano.

*Com informações da Emater-DF