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22/6/22 às 18:30

No combate à dengue, mais de 1,7 milhão de imóveis foram inspecionados

Equipe de 1,3 mil profissionais da Vigilância Ambiental vistoria residências em todas as regiões administrativas para proteger a saúde da população

Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Claudio Fernandes

O Governo do Distrito Federal trava uma guerra para combater a proliferação do mosquito Aedes Aegypti e proteger a população contra a dengue. Atualmente, 1.300 profissionais da Vigilância Ambiental trabalham divididos em 15 núcleos de inspeção para fazer a cobertura de todas as regiões administrativas, de segunda a sexta-feira. Entre janeiro e junho, 1.711.598 imóveis foram inspecionados pelos agentes, que verificam a presença de depósitos de larvas ou do mosquito adulto.

Divididos em 15 núcleos de inspeção, os profissionais da Vigilância Ambiental batem de porta em porta: cooperação dos moradores é essencial para enfrentar o Aedes aegypti | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília

De acordo com a chefe da Assessoria de Mobilização Institucional e Social para Prevenção de Endemias (Amispe/SVS), Cristina Soares, as visitas são essenciais, já que qualquer recipiente pode ser um depósito de larvas do mosquito, principalmente baldes sem tampa, vasilhas, pratos de plantas, pneus, calhas entupidas e caixas d’água destampadas.

“Não pode haver desrespeito nem descaso com os profissionais. Às vezes, até não querem nos receber, porque acham que não tem nada em casa, mas isso não pode acontecer. Precisamos do esforço coletivo” Herika Pereira, chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental do Guará

“Os agentes recomendam aos moradores que limpem essas áreas pelo menos uma vez por semana, pensando na própria saúde e na comunidade. O ideal é descartar potes e outros objetos que podem acumular água e dedicar um momento na semana para limpar as áreas mais críticas”, afirma Cristina.

Para o efetivo combate ao mosquito e a redução dos casos da doença, é preciso cooperação dos moradores. Segundo a chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental do Guará, Herika Pereira, as pessoas devem permitir a entrada dos profissionais, que trabalham uniformizados e com crachá de identificação, e seguir as orientações passadas.

“Não pode haver desrespeito nem descaso com os profissionais. Às vezes, até não querem nos receber, porque acham que não tem nada em casa, mas isso não pode acontecer. Precisamos do esforço coletivo”, salienta Herika. “Também é preciso que cada um separe de dez a 15 minutos, por semana, para inspecionar a própria casa e ver se tem algum foco do mosquito”.

O profissionais verificam todo tipo de recipiente que pode acumular água e se tornar depósito de larvas do mosquito, como baldes sem tampa, vasilhas, pratos de plantas, pneus, calhas entupidas e caixas d’água destampadas

Até 2021, as visitas eram restritas às áreas externas da casa, como quintais e garagens, devido à pandemia do novo coronavírus. Durante o ano passado, foram visitados 1,972 milhão de locais. Em 2022, o Ministério da Saúde voltou a permitir a entrada dos agentes no interior das residências, ou seja, nos quartos, banheiros e demais cômodos.

Mira Dias faz parte do grupo Voluntários do Parque de Águas Claras, que cuida semanalmente das plantas e flores do viveiro do local: “É extremamente importante que a população tenha uma participação mais efetiva para contribuir com a eliminação do problema”

A aposentada Mira Dias, 58 anos, entende a importância de combater o mosquito para evitar a contaminação da família com dengue, zika ou chikungunya – todas transmitidas pelo Aedes aegypti. Ela faz parte do grupo Voluntários do Parque de Águas Claras, que cuida semanalmente das plantas e flores do viveiro do local. Assim, além de receber com respeito os agentes de saúde em casa, atua proativamente pelo bem da comunidade.

“Nós, voluntários, cuidamos do parque não deixando água acumulada, deixando garrafas viradas para baixo, tomando todo cuidado possível. É extremamente importante que a população tenha uma participação mais efetiva para contribuir com a eliminação do problema”, enfatiza Mira.

Combate

Entre janeiro e abril deste ano, 358.700 depósitos com larvas do Aedes aegypti foram identificados e tratados com larvicidas ou descartados. O ciclo de vida do mosquito é dividido em quatro etapas: ovo, larva, pupa (estágio intermediário entre a larva e o adulto) e adulto. Os ovos da fêmea são depositados nas bordas dos recipientes e, ao terem contato com água limpa e parada, eclodem e se transformam em larvas. Em seguida, passam à fase da pupa, que dura cerca de 48 horas, e depois para a etapa adulta.

Semanalmente, é feita uma análise da situação das cidades, com balanço de quantos depósitos ou mosquitos adultos foram encontrados, além dos números sobre os casos da doença. As regiões com alta incidência de dengue recebem aplicação do fumacê, tecnicamente chamado de inseticida de ultra baixo volume (UBV), no modelo costal ou pesado. O composto usado no fumacê é feito à base de neonicotinoide, substância usada nos inseticidas, mas inofensivo a seres humanos.

O UBV pesado é pulverizado por carros, que passam logo ao amanhecer, entre as 5h30 e as 9h, e ao final do dia, entre as 17h30 e as 21h, horários em que o mosquito costuma sair das casas para circular nas ruas. O produto costal é aplicado de forma manual, em locais onde foram registrados focos ou casos confirmados da doença e nas casas vizinhas, por precaução. De janeiro a junho, 3 milhões de imóveis do DF receberam as aplicações dos inseticidas.

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