Desde a concepção, o filme Flow quebrou barreiras. Foi a primeira obra da Letônia a ser indicada e a ganhar um Oscar. O longa também foi produzido em um programa de computador gratuito e, ao faturar a estatueta de Melhor Animação, desbancou produções grandiosas de estúdios como Pixar e DreamWorks.
Nesta quarta-feira (26), ele foi exibido a um público que também supera barreiras diariamente. O Cine Brasília promoveu uma sessão atípica, direcionada a pessoas autistas e neurodivergentes. Para acolhê-las, as luzes da sala permaneceram acesas, o som ficou mais baixo, o ar-condicionado foi mantido em temperatura ambiente e a circulação e a fala estavam liberadas.
“Enquanto sociedade, temos que pensar que as pessoas têm direito de estar em todos os espaços e usufruir dos serviços de lazer, não só daqueles de saúde ou extrema necessidade”
Flávio Santos, secretário da Pessoa com Deficiência
“As sessões atípicas do Cine Brasília possibilitam a integração de neurodivergentes ao universo cinematográfico. O ambiente é adaptado para que todos sejam acolhidos; tudo é pensado para que esse público se sinta confortável e participe do momento. Isso é muito importante porque, enquanto sociedade, temos que pensar que as pessoas têm direito de estar em todos os espaços e usufruir dos serviços de lazer, não só daqueles de saúde ou extrema necessidade, até porque a saúde mental inclui esses momentos de cultura e entretenimento também”, destacou o secretário da Pessoa com Deficiência, Flávio Santos.
A diretora do Cine Brasília, Sara Rocha, apontou que a ideia de promover sessões atípicas “nasceu do desejo constante do espaço de aprimorar, especializar e ampliar as políticas de acessibilidade para todos os públicos. A gente já fazia sessões acessíveis, com recursos de acessibilidade audiovisual na projeção do filme, como janela de Libras e audiodescrição. Contudo, o que a gente foi percebendo é que essas sessões não contemplavam plenamente o público neurodivergente, que precisava de outras condições, ainda mais específicas, para poder fruir, cada um à sua forma, dos filmes que a gente coloca na programação.”
A sala do Cine Brasília foi adaptada, com luzes acesas, som mais baixo e ar-condicionado em temperatura ambiente | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília
Sara ainda reforçou que as sessões atípicas, bem como as acessíveis, ocorrem com regularidade, com obras que já costumam estar na programação do local: “São filmes que estão dentro do circuito, do espectro de lançamentos, já exibidos na grade do Cine Brasília. Então é uma forma de a gente poder incluir todos os tipos de público nas sessões que a gente já programa regularmente, que, na prática, incluem os filmes que estão em lançamento no circuito comercial — nacional e internacional — e independente”.
