Em uma das alas do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), histórias de recuperação, esperança e recomeços preenchem os corredores diariamente. O setor de reabilitação da unidade é referência no atendimento a pacientes com sequelas neurológicas e reúne uma equipe multiprofissional.
O modelo de atendimento desenvolvido no hospital é altamente especializado e busca promover a reinserção social de pacientes após lesões medulares, sequelas de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e traumatismo cranioencefálico.
Segundo a médica fisiatra do HAB, Janaina Bauabe, especialista em medicina física e reabilitação, o trabalho vai além da recuperação e da alta hospitalar. “Buscamos o máximo de função possível: que o paciente consiga se locomover, se alimentar, se comunicar e, se possível, voltar ao trabalho.”
Autonomia como foco
A equipe atua de forma integrada, incluindo treinamento de cuidadores, suporte social e orientação sobre acesso a benefícios. Dentro desse processo, a fisioterapia atua diretamente na recuperação funcional.
“O principal objetivo é promover a independência do paciente. Toda a equipe trabalha no processo de reabilitação e capacitação funcional para devolver autonomia após o acometimento”, destaca a fisioterapeuta da unidade, Vanessa Fenili.
"Toda a equipe trabalha no processo de reabilitação e capacitação funcional para devolver autonomia após o acometimento"
Vanessa Fenili, fisioterapeuta
A fonoaudiologia também exerce papel fundamental na recuperação dos pacientes. Há 20 anos no HAB, a fonoaudióloga Gabrielle Barbosa atua no atendimento a pessoas com lesões neurológicas que apresentam comprometimentos na comunicação, nas funções orofaciais e na deglutição.
“O diferencial daqui é que conseguimos oferecer um tratamento intensivo. O paciente é internado para fazer a reabilitação e recebe assistência todos os dias. Isso otimiza muito o processo de recuperação”, explica Barbosa.
Os resultados desse acompanhamento aparecem na trajetória de pacientes como João Martins Casimiro, 66 anos. Internado na ala B, João sofreu um AVC e ficou com sequelas no lado esquerdo do corpo, incluindo rosto, braços e pernas. Por muito tempo, precisou se alimentar por sonda. “Em menos de dois meses, estou saindo daqui curado. Estou caminhando, comendo, bebendo. O HAB e seus profissionais cuidaram muito bem de mim."
Cuidado multiprofissional
Além da recuperação física, o cuidado oferecido na ala de reabilitação inclui diversas especialidades para, assim, abranger o paciente em sua totalidade.
A terapeuta ocupacional Kailani Lima, por exemplo, explica que sua atuação pretende fortalecer a independência dos pacientes. Segundo a profissional, tarefas básicas, como se alimentar, tomar banho, se vestir e dormir, podem ser diretamente impactadas pelo processo de adoecimento.
A psicóloga Flávia Martins, por sua vez, fica atenta aos aspectos emocionais e realiza avaliações cognitivas e sociais dos pacientes. “Aqui existe um acompanhamento contínuo do processo de recuperação.”
A assistência social também é importante ao oferecer acolhimento às famílias e orientar sobre o acesso aos direitos sociais.
Ligando todas essas áreas, a enfermagem segue como a engrenagem central no funcionamento da ala. Esses profissionais preparam os pacientes para os atendimentos, administram medicações e realizam cuidados contínuos. “Além da assistência direta, existe também um trabalho educativo permanente com pacientes e cuidadores”, afirma a enfermeira Daniela Martins Bittes.
Aquiles Dutra da Silva, 65 anos, iniciou o tratamento no HAB após uma cirurgia na coluna decorrente de uma lesão. “O material humano aqui é espetacular. A comida é boa. As pessoas são atenciosas com você”, comenta. Motociclista há anos, mesmo diante das incertezas do processo de recuperação, Aquiles mantém a esperança enquanto segue em tratamento. “Eu posso chegar a muito mais do que tenho hoje, mas também posso ficar exatamente do jeito que estou, e sei que isso não é responsabilidade de nenhum profissional, é a limitação do meu corpo. Não tem como fugir disso. Então, a minha esperança é 50%. O dia que eu tiver com 51%, estarei com a maioria, estarei bem."
Como ter acesso
Para internar na ala de reabilitação, o paciente precisa atender a critérios clínicos específicos definidos pela Secretaria de Saúde (SES-DF). Entre os requisitos estão: apresentar potencial de ganho funcional; estabilidade clínica; e capacidade de participar ativamente das terapias de reabilitação.