Um choro baixinho, mas um coração forte. Essa é a realidade de muitos dos bebês que nascem prematuramente e precisam de cuidados intensivos para estarem aptos à alta hospitalar. Dentro desses cuidados, a nutrição com leite materno, muitas vezes doado por lactantes que não a mãe, é fundamental para a plena recuperação dos bebês. William dos Santos é um dos pequenos que está internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) há 40 dias e que é alimentado pelo Banco de Leite Humano do HRSM.
William nasceu no sexto mês de gestação com apenas 956 gramas, e hoje pesa 1,3 kg, mas precisa chegar aos dois quilos para ir para casa. Por enquanto, o leite chega a ele por uma sonda de alimentação, já que o sistema gastrointestinal dele é muito imaturo. Nos primeiros dias de vida, dois mililitros de leite materno servidos a cada três horas eram suficientes. Hoje, William consome 24 mililitros.
A mãe de William, Laissa dos Santos, 18 anos, mora em Luziânia e trabalha como auxiliar de cozinha. Ela conta que William nasceu antes do previsto por causa do descolamento da placenta. “São poucos os momentos em que posso segurá-lo nos braços. Não posso amamentá-lo diretamente, mas o leite que produzo eu entrego ao banco de leite, porque sei da importância disso para a vida dele e para a de outros bebês também”, diz.
[Numeralha titulo_grande=”280.435″ texto=”Quantidade de litros de leite que o Banco de Leite do HRSM já coletou neste ano, até abril” esquerda_direita_centro=”direita”]
Nem todas as mães de bebês prematuros produzem leite por causa do estresse gerado pela internação do filho. Por isso, há uma equipe especializada no tratamento do leite humano: coleta, preparo e distribuição. Desde as 7h, técnicas de enfermagem preparam potes e caixas de armazenamento que são entregues a uma dupla de bombeiros militares do DF responsável pela coleta do alimento na casa das mães doadoras. Eles saem do hospital por volta das 8h e, a partir daí, cronometram o tempo para que toda a rota de endereços das doadoras seja realizada em até seis horas, assegurando a qualidade do leite. Os prematuros são alimentados a cada três horas, e a quantidade é calculada baseada no tamanho e o correto desenvolvimento dos bebês.
A técnica de enfermagem Luciene Alves de Melo explica que, para chegar até os bebês, o leite passa pelas etapas de coleta, armazenagem, testes de cheiro e de visão para observação do aspecto do leite, testes biológicos para detecção de micro-organismos, pasteurização, fracionamento e distribuição. “Além disso, as mães que fazem as doações são submetidas, a cada semestre, à testagem de doenças como HIV, sífilis e hepatite.”
A sargento Cleide Maria Nóbrega da Silva trabalha há dez anos fazendo a coleta nas casas das doadoras. Ela conta que a rota é organizada de acordo com a proximidade dos endereços, melhorando a logística e otimizando o tempo. “Muitas vezes, acabo criando laços de amizade com as doadoras e conhecendo todos os filhos delas”, contou a bombeira. Quando a equipe chega à casa da doadora, os potes cheios são recolhidos e são entregues novos kits com recipientes vazios para que as mães façam a coleta.
Nessa terça-feira (17), o recolhimento foi diferente. Em razão do Dia Nacional de Doação de Leite Humano, celebrado oficialmente em 19 de maio, as 13 doadoras visitadas receberam como homenagem um mini pote confeccionado de papel, simbolizando o frasco de leite materno. “Esse é um gesto em reconhecimento pelas doações que essas mães têm ofertado”, explica a bombeira.
A sargento Cleide Maria Nóbrega da Silva ressalta: “Esse é um gesto em reconhecimento pelas doações que essas mães têm ofertado” | Fotos: Davidyson Damasceno