Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada.
Aquilo que muita gente arranca da terra e joga fora pode ser alimento, fonte de renda e parte de um conhecimento transmitido por gerações. Essa mudança de olhar sobre as chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) foi o tema de uma oficina promovida para 20 participantes do Assentamento 15 de Agosto e do Acampamento Marielle Franco, em São Sebastião.
Ministrada pelo engenheiro-agrônomo e extensionista rural da Emater-DF Daniel Oliveira, a atividade ensinou a identificar plantas comestíveis, conhecer formas de cultivo e de preparo para consumo e discutiu estratégias para apresentar esses alimentos aos consumidores e inserí-los no mercado. Muitas Pancs são plantas espontâneas e adaptadas às condições locais. Apesar de seu potencial alimentar, acabam frequentemente eliminadas durante a capina por serem consideradas apenas “mato”. A oficina mostrou aos participantes que reconhecer essas espécies e conhecer suas características pode contribuir para diversificar a alimentação e também abrir novas oportunidades para a agricultura familiar.
Para Daniel Oliveira, “um dos desafios é justamente despertar agricultores e consumidores para o valor de alimentos que muitas vezes estão presentes no próprio território, mas permanecem desconhecidos ou subaproveitados”. Um dos exemplos apresentados foi a beldroega (Portulaca oleracea), planta que cresce espontaneamente em muitas propriedades rurais e é conhecida por suas propriedades nutricionais. Daniel relatou que, no Sítio Guarujá, em Brazlândia, em vez de eliminá-la, os produtores chegaram a aproveitar a planta e comercializá-la, inclusive para o preparo de sucos verdes. “A procura surpreendeu e, em determinada feira, a propriedade chegou a vender mais os 'matos' do canteiro de morango do que o próprio morango”, disse.
Outro alimento abordado durante a capacitação foi o cará-moela (Dioscorea bulbifera). Com maior quantidade de sólidos em comparação à batata inglesa, ela fica mais sequinha depois de preparada e pode ser incorporada a receitas já conhecidas pelos consumidores. O produto também demonstra o potencial econômico desse mercado: uma caixa de cará-moela pode ser comercializada por cerca de R$ 80.