Quando um artista parte, o que fica é o que ele construiu. No caso de Alexandre Ribondi, ficou muito: um jeito de fazer teatro, uma escola de formação de atores, uma luta por direitos que mudou histórias e uma cidade que, em certa medida, aprendeu a se ver no palco graças a ele. No próximo domingo (28), às 19h, o Teatro Mapati (707 Norte), em Brasília, recebe a estreia de Felicidade invisível, um espetáculo que traz à cena a intimidade, as contradições e a generosidade de um homem que ajudou a construir as bases do teatro brasiliense.
Viabilizada em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), a montagem é uma criação da Cia Ruiva de Teatro Ribondiano — Casa dos Quatro e nasce de uma pesquisa aprofundada sobre a vida e a obra de Ribondi. O espetáculo e sua narrativa foram construídos a partir de textos não dramatúrgicos: recortes do último livro do homenageado, publicações em blogs, falas em entrevistas, depoimentos prestados à Comissão da Verdade da UnB e memórias da convivência artística e pessoal com o teatrólogo. O resultado foi surpreendente: uma dramaturgia adaptada que transforma a palavra escrita e falada em presença cênica.
“Preservar a memória de artistas que ajudaram a construir a identidade cultural do Distrito Federal é parte do papel das políticas públicas de cultura. Quando uma obra como Felicidade invisível revisita a trajetória de Alexandre Ribondi, ela amplia o acesso da população a um legado que marcou o teatro brasiliense, a formação de artistas e a defesa dos direitos humanos”, afirma o secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Fernando Modesto.
Mais do que uma homenagem, Felicidade invisível é também um ato político e afetivo: recolocar em cena um nome que moldou a cultura da capital federal, mas que ainda não ocupa o espaço que merece na memória coletiva da cidade.