Jovens cientistas do DF vão apresentar pesquisas em Harvard e MIT
Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. Com o apoio do Governo do Distrito Federal, dois estudantes brasilienses de 12 anos vão representar o DF em um dos principais encontros internacionais voltados à ciência e à saúde. Lucas Freitas Vieira e Rafael Kessler Ferreira foram convidados para ser palestrantes do Global Health Catalyst Summit 2026, entre os dias 16 e 22 de setembro, nos Estados Unidos, com atividades em Harvard e no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Para a governadora Celina Leão, a missão representa uma oportunidade de ampliar o acesso de jovens cientistas a experiências internacionais. “Quando chegamos (ao governo), eles já tinham o convite, tinham sido classificados, mas não tinham como ir. Recorremos à FAPDF [Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal] e criamos essa oportunidade. Vamos ter dois grandes trabalhos sendo apresentados. Isso pode mudar a saúde pública não só aqui do Distrito Federal, mas do Brasil e do mundo”, destacou a chefe do Executivo. Celina Leão ressalta a importância de o GDF investir em jovens cientistas: "Isso pode mudar a saúde pública não só aqui do Distrito Federal, mas do Brasil e do mundo" | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília A participação foi viabilizada por meio de uma articulação entre o Governo do Distrito Federal (GDF), a FAPDF e a iniciativa privada. O patrocínio da viagem é da Cotidiano Aceleradora de Startups. "Elon Musk e Mark Zuckerberg também eram jovens de altas habilidades e aos 12 anos fizeram suas primeiras empresas. Por que não pensar que eles [os jovens brasilienses] podem ser os futuros grandes empreendedores?" Leonardo Reisman, presidente da FAPDF “É um grande orgulho ter esses dois jovens em Harvard e no MIT, apresentando pesquisas autorais. Elon Musk e Mark Zuckerberg também eram jovens de altas habilidades e, aos 12 anos, fizeram suas primeiras empresas. Por que não pensar que eles podem ser os futuros grandes empreendedores?”, indagou o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman. Segundo o CEO da Cotidiano Aceleradora de Startups, Henrique Guimarães, essa missão traz uma oportunidade estratégica de contribuir para a inovação no país. “Essas crianças têm a vontade de construir e transformar por meio da ciência e da matemática. Se ampliarmos essa iniciativa para um programa, isso pode trazer para Brasília um novo movimento de inovação”, ressaltou. De Brasília para o mundo Lucas Freitas Vieira, de 12 anos, é estudante do primeiro ano do ensino médio e está adiantado três anos na trajetória escolar. Morador do Altiplano e estudante de uma escola particular de Sobradinho, recebeu o diagnóstico de altas habilidades e superdotação em 2024. “Meu projeto é sobre criptografia quântica para proteger dados médicos de pacientes, sejam imagens ou prontuários utilizando chaves geradas a partir de medição em computador quântico”, explicou. Lucas Freitas Vieira criou uma criptografia quântica para proteger dados médicos de pacientes O pai de Lucas, Leonardo Vieira, de 46 anos, conta que o interesse do filho por tecnologia surgiu cedo. “A gente sempre soube que ele tinha um potencial diferenciado. Ver esse potencial se transformar em resultado, com apoio e adaptações, é motivo de muito orgulho”, disse o militar. Também aos 12 anos, Rafael Kessler Ferreira, morador de Taguatinga, vai apresentar no Global Health Catalyst um modelo matemático original para processamento digital de imagens médicas de alta precisão. “Eu criei a Fórmula Kessler. Minha pesquisa é o processamento digital de imagens médicas, baseada em uma formulação matemática própria”, explicou. Rafael Kessler Ferreira dá nome à Fórmula Kessler, processamento digital de imagens médicas A mãe de Rafael, Roberta Munique Ferreira, conta que o interesse do filho pelos números surgiu ainda na primeira infância. “Com 5 anos, ele começou a escrever números de um até 10 mil. Essa oportunidade é incrível porque será a primeira viagem internacional do Rafael. Ele vai falar sobre o que gosta, sobre ciência, e teve a chance de ter um mentor que o conduziu nessa pesquisa”, agradeceu.
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Comércio se mantém como segundo maior empregador do Distrito Federal
O setor de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas consolidou-se como o segundo maior empregador do Distrito Federal ao longo do período analisado pelo boletim Trabalho no Comércio do Distrito Federal 2024, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A publicação analisa a evolução da ocupação no setor entre 2011 e 2024, abordando indicadores como participação na estrutura ocupacional, remuneração, jornada de trabalho, formas de inserção e cobertura previdenciária. Os dados mostram que, em 2024, o comércio reunia 218 mil trabalhadores, o equivalente a 16,2% da população ocupada do Distrito Federal. Ao longo dos 14 anos analisados, a participação do setor na estrutura ocupacional passou de 18,5% para 16,2%, enquanto o número total de pessoas ocupadas no Distrito Federal cresceu 11,6%. No mesmo período, o comércio registrou redução de 2,7% no contingente de ocupados, em um contexto marcado pela Reforma Trabalhista, pela pandemia de Covid-19 e por mudanças nos hábitos de consumo e no comportamento social. O estudo também identifica mudanças na composição interna do setor. O comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo, supermercados, hipermercados, comércio ambulante e feiras ampliou sua participação na ocupação do segmento, passando de 33,5% para 37,6% entre 2011 e 2024. O comércio e reparação de veículos automotores e combustíveis também aumentou sua participação, de 16,5% para 19,3%. Em contrapartida, houve redução na participação dos segmentos de tecidos, vestuário, calçados e artigos de viagem, além do comércio de produtos farmacêuticos, médicos, cosméticos e perfumaria e do conjunto de outras atividades comerciais. A publicação analisa a evolução da ocupação no setor entre 2011 e 2024, abordando indicadores como participação na estrutura ocupacional, remuneração, jornada de trabalho, formas de inserção e cobertura previdenciária | Foto: Arquivo/Agência Brasília Na análise das condições de trabalho, o boletim aponta que os trabalhadores do comércio cumpriam, em média, jornada semanal de 45 horas em 2024, acima da média de 40 horas observada no conjunto dos ocupados do Distrito Federal. No mesmo ano, o rendimento médio mensal do setor foi de R$ 2.865, enquanto, entre 2011 e 2024, o rendimento médio real dos trabalhadores do comércio apresentou crescimento de 5,3%. A publicação também mostra que a principal forma de inserção dos trabalhadores no setor continua sendo o emprego assalariado no setor privado. Em 2024, 68,6% dos ocupados no setor do comércio estavam nesta condição, dos quais 58,3% possuíam carteira de trabalho assinada. A cobertura previdenciária alcançou 78,6% dos trabalhadores do comércio, percentual próximo ao observado para o conjunto dos ocupados do Distrito Federal. *Com informações do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF)
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Projeto apoiado pela FAPDF desenvolve tecnologia para controle de voo de foguetes
A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) incentiva o desenvolvimento de uma tecnologia considerada estratégica para o setor aeroespacial brasileiro: o sistema de vetorização de empuxo para motores de foguetes. A pesquisa é realizada na Universidade de Brasília (UnB), no Laboratório de Propulsão Química (CPL), sob coordenação do professor Olexiy Shynkarenko. O projeto "Desenvolvimento e teste do sistema de vetorização de empuxo para motores de foguetes” foi contemplado pelo edital Demanda Espontânea, na modalidade de pesquisa tecnológica, com investimento de R$ 140 mil. A proposta tem como objetivo desenvolver e testar um sistema compacto de vetorização de empuxo em nível de maturidade tecnológica TRL 4, que corresponde à validação de componentes em ambiente de laboratório. Na prática, o empuxo é a força de propulsão gerada pelo motor para impulsionar o foguete. O sistema de vetorização de empuxo permite controlar a direção dessa força, corrigindo e orientando a trajetória durante o voo. Essa tecnologia é fundamental para veículos suborbitais, foguetes de sondagem e futuras aplicações em sistemas espaciais mais complexos. Segundo o professor Olexiy Shynkarenko, coordenador do projeto e do Laboratório de Propulsão Química da UnB, a equipe já dominava estudos de propulsão híbrida em motores de pequeno porte. O desenvolvimento do sistema de vetorização de empuxo, conhecido pela sigla TVC, foi o passo seguinte para avançar da propulsão estática para o controle ativo de voo. “A capacidade de controlar a trajetória é o que viabiliza veículos espaciais guiados”, destaca o pesquisador. A tecnologia tem importância estratégica porque o controle de voo é uma das etapas mais sensíveis do desenvolvimento aeroespacial. Em situações de baixa velocidade ou em ambientes de vácuo, por exemplo, o controle por superfícies aerodinâmicas não é suficiente. Nesses casos, direcionar o empuxo do motor se torna essencial para manter a trajetória planejada. O projeto "Desenvolvimento e teste do sistema de vetorização de empuxo para motores de foguetes” foi contemplado pelo edital Demanda Espontânea, na modalidade de pesquisa tecnológica, com investimento de R$ 140 mil | Fotos: Divulgação/FAPDF Além do impacto científico, o domínio dessa tecnologia também contribui para a soberania tecnológica do país. De acordo com o pesquisador, sistemas desse tipo costumam ter acesso restrito no mercado internacional, o que reforça a necessidade de desenvolver soluções nacionais para reduzir a dependência de fornecedores externos. Da simulação ao teste em laboratório O projeto envolve diferentes etapas de pesquisa, desenvolvimento e validação. O trabalho começa com cálculos estruturais e simulações computacionais, usados para prever o comportamento do fluxo de gases, das temperaturas e dos esforços mecânicos envolvidos. Depois, a equipe desenvolve a parte mecânica do sistema, realiza a prototipagem e faz testes de integração com eletrônica e atuadores. Na etapa final, o sistema é acoplado a um motor de foguete em bancada de testes, permitindo a realização de ensaios em condições próximas às necessárias para validar a tecnologia em ambiente laboratorial. Esse processo é o que caracteriza o avanço do projeto para o TRL 4, nível que indica a validação de um componente em laboratório. Outro ponto importante é a preocupação em utilizar materiais, componentes e capacidades industriais disponíveis no Brasil. A equipe priorizou componentes comerciais, ligas metálicas de fácil acesso e processos convencionais de fabricação, de forma a tornar o sistema mais viável para produção nacional e reduzir gargalos de importação. Impacto para o Distrito Federal e para o setor aeroespacial O desenvolvimento do sistema de vetorização de empuxo pode fortalecer a posição do Brasil no setor aeroespacial ao permitir que projetos nacionais avancem da fabricação de componentes isolados para a engenharia de sistemas integrados. A pesquisa também pode abrir oportunidades para empresas nacionais, startups e indústrias de alta tecnologia. Isso porque o sistema envolve áreas como atuadores eletromecânicos, aquisição de dados, algoritmos de controle e integração mecatrônica, conhecimentos que também podem ser aplicados em automação, robótica e sistemas de posicionamento de precisão. Para o Distrito Federal, o projeto contribui diretamente para a formação de recursos humanos qualificados, especialmente na área de Engenharia Aeroespacial da UnB. A proposta também tem potencial para ampliar a produção científica, gerar cooperações com empresas do setor e fortalecer o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação local. Sistema de vetorização de empuxo desenvolvido para controle de voo de foguetes. O apoio da FAPDF foi essencial para que a pesquisa avançasse. O fomento possibilitou a ampliação da infraestrutura do Laboratório de Propulsão Química da UnB e inseriu o Distrito Federal em atividades práticas de desenvolvimento de subsistemas aeroespaciais. Para o professor Olexiy, o investimento permitiu elevar a pesquisa a um novo patamar. “O fomento da FAPDF viabilizou a infraestrutura necessária para elevar a pesquisa de vetorização de empuxo à fase de testes físicos”, afirma. Segundo o pesquisador, atualmente a UnB se destaca por trabalhar com sistemas de vetorização de empuxo de dois graus de liberdade, o que amplia a capacidade de controle e coloca a universidade em posição relevante entre instituições brasileiras que atuam na área. Estratégia para o setor O avanço da pesquisa também se conecta a um movimento mais amplo de fortalecimento do setor aeroespacial no Distrito Federal. Na última semana, foi lançado oficialmente o hub de Inovação Aeroespacial do Parque Científico e Tecnológico da Universidade de Brasília (PCTec/UnB), durante o SpaceBR Show 2026, realizado em São Paulo. A iniciativa, que tem a FAPDF e a Agência Espacial Brasileira (AEB) entre os parceiros, busca ampliar o protagonismo de Brasília no desenvolvimento de soluções voltadas à economia espacial, à inteligência territorial e à soberania nacional. O hub foi criado como uma plataforma de articulação entre governo, universidades, centros de pesquisa, empresas, startups, investidores e organismos internacionais. Entre os principais eixos de atuação estão inteligência artificial aplicada, monitoramento territorial, drones, nanossatélites, segurança cibernética, tecnologias de uso dual e desenvolvimento de startups deep tech. A proposta reforça o ambiente de inovação no qual pesquisas como a de vetorização de empuxo estão inseridas, contribuindo para consolidar o Distrito Federal como um dos polos estratégicos do setor aeroespacial no país. Próximos passos A base técnica desenvolvida no projeto já começa a ser incorporada em novas pesquisas do laboratório. Um dos desdobramentos é o projeto SARA v3, apoiado pelo CNPq, que prevê um motor híbrido de 1 kN f, ou seja, com força de propulsão equivalente, aproximadamente, ao peso de 100 kg na Terra. A experiência acumulada com o apoio da FAPDF permitiu que esse novo motor fosse concebido já com suporte estrutural para vetorização de empuxo, preparando a tecnologia para futuras etapas de qualificação em bancada e integração em veículos experimentais. *Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)
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Simpósio discute a valorização da formação técnica em saúde
A Escola de Saúde Pública do Distrito Federal (ESP/DF) promove, nos dias 17 e 18 deste mês, o I Simpósio do Ensino Técnico, evento científico e institucional voltado para integração, inovação e valorização da formação técnica em saúde. Realizado no auditório da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), o simpósio é aberto à comunidade e conta também com a participação de estudantes, profissionais de saúde e servidores do GDF. A gerente de ensino técnico da ESP/DF, Juliana Larissa Machado, reforça que o evento fortalece a identidade do ensino técnico como uma estratégia para o SUS. “Os estudantes do ensino técnico têm um papel fundamental na rede de atenção, e a formação merece esse espaço de debate, de produção científica e de inovação”, afirma. O simpósio fortalece a identidade do ensino técnico como uma estratégia para o SUS | Foto: Divulgação/Fepecs Ela lembra, ainda, que o simpósio é uma oportunidade para dar visibilidade ao Protec, programa de ensino técnico associado aos programas de residência, possibilitando que os profissionais compreendam a proposta pedagógica, os diferenciais e os resultados da iniciativa. Outro ponto destacado pela gerente é a aproximação entre ensino e serviço. “Um dos grandes desafios na formação em saúde é reduzir a distância entre o que se ensina e o que acontece nos serviços. O simpósio reúne docentes, instrutores, preceptores, gestores, estudantes e representantes dos conselhos profissionais, com o objetivo de promover esse espaço de debate qualificado”, ressalta. As inscrições já estão abertas e são gratuitas. Faça a inscrição e confira a programação. *Com informações da Fepecs
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Projeto leva laserterapia às UTIs neonatais do DF
Em uma unidade de terapia intensiva neonatal (Utin), cada procedimento exige precisão extrema. Recém-nascidos prematuros ou submetidos a cirurgias delicadas frequentemente enfrentam múltiplas punções, longos períodos de internação e processos complexos de recuperação. Foi nesse cenário que nasceu o projeto Luar (sigla para laserterapia e ultrassonografia na assistência ao recém-nascido), iniciativa fomentada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Projeto Luar tem como foco a busca de alternativas menos invasivas para o tratamento de bebês | Foto: Divulgação/FAPDF A pesquisa é desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB), Faculdade de Ceilândia, sob coordenação da professora e pesquisadora Laiane Medeiros Ribeiro, doutora em ciências, docente do programa de pós-graduação em enfermagem da UnB e especialista em neonatologia, enfermagem pediátrica, tecnologia e inovação. “O projeto Luar nasceu para oferecer alternativas menos invasivas, mais seguras e mais humanizadas para bebês extremamente vulneráveis”, explica Laiane. “A proposta sempre foi aproximar ciência, tecnologia e assistência clínica para melhorar o cuidado neonatal.” Luz ajuda na cicatrização Uma das frentes do estudo avalia o uso da laserterapia de baixa intensidade, técnica que utiliza feixes de luz com potência reduzida para estimular a regeneração dos tecidos. Diferentemente das aplicações de laser cirúrgico — usados para corte ou cauterização —, esse tipo de laser atua de forma não invasiva, ativando mecanismos celulares ligados à cicatrização. No projeto, a tecnologia foi aplicada em recém-nascidos submetidos a cirurgias relacionadas a condições graves, como gastrosquise (malformação em que parte do intestino se desenvolve fora do abdômen do bebê), obstrução intestinal, enterocolite (inflamação grave do intestino) e anomalias anorretais, como alterações congênitas na formação do ânus e do reto. A redução no tempo de internação hospitalar é uma das vantagens da laserterapia, que ajuda a diminuir complicações pós-operatórias A luz utilizada é absorvida pelas células e estimula processos biológicos importantes, como aumento da produção de energia celular, redução da inflamação, formação de novos vasos sanguíneos e aceleração da produção de colágeno. Na prática, isso pode significar menos dor, menos edema e uma recuperação mais rápida. “A ferida inflama menos, cicatriza mais rápido e o bebê passa por menos desconforto”, enfatiza Laiane. Os resultados iniciais mostram que a laserterapia pode reduzir complicações pós-operatórias e diminuir o tempo de internação hospitalar — algo especialmente relevante em UTIs neonatais, onde cada dia de permanência representa riscos adicionais para o recém-nascido. Uso do ultrassom A segunda frente do projeto Luar investiga o uso da ultrassonografia durante a inserção do cateter central de inserção periférica (Picc, na sigla original em inglês). Esse cateter é utilizado em recém-nascidos criticamente enfermos para administração de medicamentos, fluidos e nutrição parenteral por longos períodos. Embora essencial, o procedimento costuma ser complexo, principalmente em bebês prematuros, que possuem vasos extremamente pequenos e frágeis. Utilização da ultrassonografia agrega mais precisão ao processo de identificar complicações Tradicionalmente, a inserção é feita por tentativa de punção e posterior confirmação radiológica. O problema é que múltiplas tentativas aumentam a dor, o estresse e o risco de complicações. Com a ultrassonografia à beira-leito, a equipe consegue visualizar os vasos em tempo real e acompanhar a passagem do cateter durante o procedimento. Além de dispensar parte da exposição à radiação, o método pode reduzir hematomas, tromboses, infiltrações e falhas no posicionamento do cateter. “A ultrassonografia permite maior precisão, reduz a necessidade de repetidas punções e ajuda a identificar complicações precocemente”, ressalta a pesquisadora. Tecnologia no cuidado neonatal Os estudos foram elaborados diretamente em UTIs neonatais de hospitais de referência do Distrito Federal, acompanhando recém-nascidos durante todo o período de internação. “A tecnologia, aliada ao cuidado humanizado e à liderança da enfermagem, pode transformar a neonatologia. Quando universidade, serviço de saúde e instituições de fomento trabalham juntas, conseguimos gerar impacto real na assistência” Laiane Ribeiro, pesquisadora da UnB No caso da laserterapia, as aplicações ocorreram no pós-operatório imediato, com monitoramento constante dos sinais vitais e registro fotográfico da evolução das feridas. Já no estudo sobre ultrassonografia, os profissionais acompanharam dezenas de inserções de Picc utilizando avaliação ultrassonográfica em tempo real. “Nosso objetivo nunca foi apenas incorporar tecnologia, mas tornar o cuidado mais seguro, preciso e menos doloroso para os recém-nascidos”, resume Laiane Ribeiro. Enfermagem como protagonista O projeto também demonstra o papel da enfermagem na incorporação de novas tecnologias em saúde. Os enfermeiros envolvidos passaram por treinamentos teóricos e práticos para utilização tanto da laserterapia quanto da ultrassonografia aplicada ao Picc. A equipe desenvolveu protocolos clínicos, materiais educativos e fluxos assistenciais específicos para o ambiente neonatal. Segundo a pesquisadora, iniciativas desse tipo ajudam a aproximar universidade e serviço de saúde, fortalecendo práticas baseadas em evidências científicas. “A tecnologia, aliada ao cuidado humanizado e à liderança da enfermagem, pode transformar a neonatologia”, pontua Laiane. “Quando universidade, serviço de saúde e instituições de fomento trabalham juntas, conseguimos gerar impacto real na assistência.” Além da aplicação clínica, o projeto Luar contribuiu para a formação de mestres, doutores, especialistas e estudantes de graduação envolvidos nas pesquisas, fortalecendo a produção científica e a enfermagem baseada em evidências no DF. Ciência e formação [LEIA_TAMBEM]Os recursos do edital permitiram a aquisição dos equipamentos utilizados nos estudos, incluindo aparelhos de laserterapia e ultrassom, além da compra de insumos, realização de treinamentos especializados e desenvolvimento de protocolos clínicos voltados ao cuidado neonatal. “Sem o fomento da FAPDF, a pesquisa não teria sido realizada na qualidade que conseguimos desenvolver”, enfatiza Laiane. “Esse apoio tornou possível transformar uma ideia em evidência científica com potencial de melhorar e até salvar vidas”. Os resultados vêm sendo apresentados em congressos científicos e publicados em revistas especializadas, ampliando o debate sobre inovação tecnológica aplicada à neonatologia. A equipe lembra que ainda há espaço para ampliar o uso dessas tecnologias na assistência neonatal brasileira. Entre os próximos passos estão estudos com amostras maiores, consolidação de protocolos clínicos e expansão das aplicações para outras condições neonatais. “O caminho ainda é longo, mas os resultados mostram que vale a pena investir em ciência aplicada ao cuidado neonatal”, conclui a coordenadora do projeto. “Tecnologias bem-utilizadas podem reduzir sofrimento, melhorar desfechos clínicos e transformar a experiência desses bebês e de suas famílias.” *Com informações da FAPDF
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Projeto apoiado pela FAPDF restaura acervo filmográfico e resgata memórias de Brasília
Antes das redes sociais e dos vídeos em celular, a história era registrada em película — filmes físicos usados nas câmeras antigas, que guardam, em imagens, momentos marcantes de outras épocas. É esse patrimônio que o projeto “Preservação do Acervo Filmográfico do Arquivo Público do Distrito Federal: Pesquisa, Tratamento e Digitalização”, coordenado pela pesquisadora Lila Silva Foster em parceria com o Instituto Latinoamerica, busca preservar e tornar acessível ao público. Com apoio da FAPDF, vinculado ao programa Desafio DF (2024), a iniciativa atua na organização, recuperação e digitalização de um acervo que reúne centenas de títulos e mais de mil rolos de filmes fundamentais para a memória do Distrito Federal — muitos deles ainda pouco conhecidos do público. Modelo de câmera antiga com películas | Fotos: Divulgação/FAPDF Com investimento de mais de R$ 1,4 milhão, o apoio da FAPDF viabiliza a estrutura técnica e científica necessária para a execução do projeto, incluindo equipamentos, serviços especializados e ações formativas. “O apoio da FAPDF permitiu estruturar não só a parte técnica, mas também criar condições para que esse acervo seja cada vez mais acessado pela sociedade”, afirma Lila. Com isso, imagens que por décadas permaneceram restritas ao arquivo passam a circular, permitindo que diferentes gerações revisitem e se reconheçam na história do Distrito Federal. “Quando apoiamos iniciativas como essa, não estamos apenas investindo em tecnologia ou em estrutura, mas garantindo que a história de Brasília permaneça acessível, viva e em permanente diálogo com as próximas gerações” Leonardo Reisman, presidente da FAPDF “A preservação do acervo audiovisual do Distrito Federal é, antes de tudo, uma ação estratégica de valorização da nossa identidade coletiva. Quando apoiamos iniciativas como essa, não estamos apenas investindo em tecnologia ou em estrutura, mas garantindo que a história de Brasília — em suas múltiplas dimensões — permaneça acessível, viva e em permanente diálogo com as próximas gerações. É nesse ponto que ciência, cultura e política pública se encontram de forma concreta”, afirma o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman. Entre o registro oficial e a vida cotidiana O acervo filmográfico do Arquivo Público do Distrito Federal reúne desde produções institucionais até registros amadores, compondo um panorama diverso sobre a formação da cidade. O levantamento inicial do projeto identificou 429 títulos e 1.160 rolos de filmes, incluindo materiais de diferentes períodos e origens, que ajudam a contar a história de Brasília sob múltiplas perspectivas. “Esse acervo é um reflexo dessa atividade de registros. Temos desde cinejornais ligados às narrativas oficiais até filmes amadores que mostram o cotidiano de quem estava vivendo a cidade naquele momento”, explica Lila Foster. Segundo ela, esses registros menos conhecidos são especialmente valiosos: “São filmes que mostram andanças pelas quadras, passeios, momentos de lazer, experiências de uma juventude que chegava a uma cidade ainda em formação. É um outro olhar sobre Brasília”. Um acervo vivo e vulnerável Oficina oferecida aos servidores e estagiários do Arquivo Público Apesar de sua relevância histórica, grande parte desse material está em suporte físico sensível ao tempo. “A película é composta por elementos físico-químicos que, com o passar dos anos, interagem com o ambiente e entram em processo de deterioração”, explica a pesquisadora. Um dos principais problemas identificados no acervo é a chamada síndrome do vinagre, que ocorre quando o material começa a se decompor. “Esse processo pode causar deformações, encolhimento, ressecamento e até perda da imagem. O que fazemos é tentar controlar essa degradação e garantir que o conteúdo não se perca”, detalha. “Acervos audiovisuais são, de certa maneira, entes vivos. O processo de deterioração é inevitável — o que podemos fazer é controlar esse processo”, completa a pesquisadora. Da análise ao cuidado com cada filme O trabalho começa muito antes da digitalização. Cada película passa por um processo cuidadoso de revisão manual, em que os filmes são analisados em mesas específicas, limpos, reparados e catalogados. Em alguns casos, são feitas correções físicas nas emendas e perfurações, além da medição do nível de deterioração com instrumentos próprios. Esse diagnóstico técnico permite definir prioridades de preservação e orientar todo o fluxo de trabalho do projeto. Até o momento, cerca de 60% do acervo já foi analisado, permitindo identificar quais materiais estão em melhores condições para digitalização imediata. Além da condição física, a seleção também envolve curadoria de conteúdo. “Estamos trabalhando tanto com filmes mais conhecidos quanto com materiais pouco explorados, como os filmes amadores. A ideia é ampliar o acesso e diversificar as narrativas disponíveis”, afirma Lila. Estrutura que permanece Débora Butruce orientando estagiários do ArPDF Um dos diferenciais da iniciativa é que ela não se limita à execução pontual. O projeto está estruturando uma base permanente dentro do Arquivo Público do DF, com aquisição de equipamentos, reorganização de espaços e criação de fluxos técnicos para preservação e digitalização do acervo. Também foi desenvolvido um repositório digital, baseado em tecnologia aberta, que permitirá organizar e disponibilizar as informações dos filmes de forma estruturada e acessível ao público. “Sustentabilidade sempre foi a palavra-chave do projeto. A ideia é criar uma estrutura para que esse trabalho continue dentro da instituição”, destaca a coordenadora. Preservação audiovisual Outro eixo importante é a formação de profissionais. O projeto já promoveu cursos e treinamentos voltados a servidores e colaboradores do Arquivo Público, abordando desde conceitos básicos até o manuseio direto das películas e dos equipamentos de preservação. “Formamos não só uma equipe para o projeto, mas profissionais que podem dar continuidade a esse tipo de trabalho”, afirma Lila. Com os conteúdos em formato digital, pesquisadores, instituições e o público em geral passam a ter acesso facilitado às imagens, sem necessidade de manusear os materiais originais A digitalização não apenas preserva — ela transforma a forma como o acervo pode ser utilizado. Com os conteúdos em formato digital, pesquisadores, instituições e o público em geral passam a ter acesso facilitado às imagens, sem necessidade de manusear os materiais originais. Mais do que isso, o projeto contribui para dar visibilidade a diferentes formas de memória. “Os arquivos regionais são fundamentais para garantir narrativas plurais. Eles preservam experiências que muitas vezes não aparecem nos registros oficiais”, ressalta a pesquisadora. *Com informações da FAPDF
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Projeto de arqueologia apoiado pela FAPDF revela passado milenar indígena no DF
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, convida à reflexão sobre a história, a cultura e a presença dos povos originários no Brasil — inclusive em territórios onde essa memória foi, ao longo do tempo, invisibilizada. No Distrito Federal, um projeto fomentado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) vem contribuindo para resgatar essa história e lançar novos olhares sobre o passado da capital do Brasil. Desenvolvido por meio do edital Demanda Espontânea (2024), o projeto Arqueologia e História Indígena no Brasil Central (Phibra) é coordenado pelo professor Luis Cayón, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), e investiga vestígios arqueológicos que revelam a presença de povos indígenas no DF e no Entorno há milhares de anos. Professor Luis Cayón durante atividades de escavação na Gruta do Gentio II, um dos principais sítios arqueológicos investigados pelo projeto Phibra | Foto: Divulgação/FAPDF O apoio da FAPDF tem sido essencial para viabilizar as escavações, as análises laboratoriais e a formação de estudantes e pesquisadores envolvidos no projeto. “Sem o fomento da FAPDF, o Phibra não teria a escala e o impacto que tem hoje, especialmente na formação de novos pesquisadores na região”, destaca Cayón. O DF antes de Brasília Muito antes da construção de Brasília, o território do Distrito Federal já era ocupado por diferentes povos indígenas. No entanto, ao longo do tempo, essa presença foi sendo apagada, consolidando a ideia equivocada de que a região teria surgido como um espaço vazio. “A narrativa histórica oficial ainda negligencia a profundidade temporal e a complexidade das ocupações indígenas, reforçando a ideia de um território vazio que deveria ser colonizado”, explica Luis Cayón. Vista do interior da Gruta do Gentio II A pesquisa busca desconstruir essa visão, utilizando vestígios arqueológicos como evidências concretas de uma ocupação humana milenar. As escavações se concentram em áreas do Entorno do DF — com destaque para o município de Unaí, já no estado de Minas Gerais, onde está localizada a Gruta do Gentio II, um dos principais sítios estudados. No local, foram encontrados ossos humanos, objetos, sementes, cerâmicas e tecidos, que ajudam a revelar aspectos da vida desses povos ao longo de milhares de anos. Modo de vida de povos milenares A reconstrução desse passado é possível graças à integração de diferentes áreas do conhecimento. O projeto reúne uma equipe interdisciplinar e utiliza técnicas modernas para investigar os vestígios encontrados. "A arqueologia oferece ferramentas poderosas para acessar uma história não escrita, permitindo recuar milênios além dos documentos coloniais e seus vieses" Luis Cayón, professor e pesquisador Como iniciativa de pesquisa básica, o projeto está inserido nos níveis iniciais de maturidade tecnológica (TRL 1 a 3), voltados à produção de conhecimento científico e à ampliação das investigações sobre o passado. “A arqueologia oferece ferramentas poderosas para acessar uma história não escrita, permitindo recuar milênios além dos documentos coloniais e seus vieses”, afirma o pesquisador. Entre as abordagens empregadas, estão análises genéticas, geoquímicas e estudos de solo, além da investigação de pinturas rupestres — registros que podem indicar padrões relacionados à passagem do tempo, como possíveis calendários solares. Essas ferramentas permitem compreender, entre outros pontos, a dieta dessas populações — baseada no consumo de vegetais como tubérculos, frutos e sementes do Cerrado, além da caça de animais de pequeno e médio porte —, bem como as formas de ocupação do território, práticas culturais e relações entre diferentes grupos ao longo do tempo. Valorização do patrimônio indígena O Phibra tem um lado formativo e social que vai além do científico Além da produção científica, o Phibra se destaca pelo seu caráter formativo e social. Desenvolvido no formato de sítio-escola, o projeto transforma o campo arqueológico em um espaço de ensino e construção coletiva do conhecimento. “Para os estudantes, é a oportunidade de aplicar a teoria na prática. Para as comunidades, cria-se um vínculo com o patrimônio, transformando moradores em guardiões da própria história”, afirma Cayón. A iniciativa promove a participação ativa de estudantes e comunidades locais nas escavações e análises, além de ações de educação patrimonial. *Com informações da FAPDF
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Lançado chamamento público para Observatório de Ciência, Tecnologia e Inovação no DF
A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) lançou, nesta terça (7), um edital de chamamento público com o objetivo de selecionar proposta de Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), individualmente ou em rede, para a implementação do Observatório de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação do Distrito Federal (OPCTI-DF). A iniciativa integra a estratégia da fundação de fortalecer a governança em ciência, tecnologia e inovação (CT&I), com foco na qualificação da tomada de decisão e no acompanhamento de resultados das políticas públicas no Distrito Federal. O Observatório O Observatório de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação do Distrito Federal é uma plataforma integrada voltada à organização, análise e visualização de dados sobre o sistema de CT&I no DF. Na prática, a proposta consiste em reunir informações, como dados de pesquisas, investimentos e produção científica, e transformá-las em análises e indicadores que apoiem decisões estratégicas e ampliem a transparência das ações públicas. [LEIA_TAMBEM]A estrutura também deverá incluir painéis, relatórios analíticos e ferramentas que permitam acompanhar, de forma sistemática, os resultados das políticas de fomento. Público-alvo e participação O chamamento é destinado a instituições científicas, tecnológicas e de inovação, públicas ou privadas sem fins lucrativos, que poderão submeter propostas de forma individual ou em rede. As propostas devem apresentar um plano de trabalho técnico-científico detalhado, com definição de metas, cronograma de execução e composição da equipe responsável. O edital prevê até R$ 7,5 milhões para execução do projeto, com vigência estimada de 48 meses. A iniciativa tem caráter estruturante e visa a consolidar uma infraestrutura pública permanente de inteligência e dados aplicada às políticas de CT&I no Distrito Federal. As instituições interessadas têm o prazo de 15 dias corridos, a partir da publicação do edital, para envio das propostas por meio eletrônico, conforme orientações disponíveis no site da FAPDF. Acesse o edital completo. *Com informações da FAPDF
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Pesquisa indica mais de 86% de satisfação dos passageiros com a Rodoviária do Plano Piloto
A Rodoviária do Plano Piloto alcançou 86,13% de satisfação geral dos usuários, na pesquisa realizada com participação de 648 pessoas, entre os dias 26 de janeiro e 5 de fevereiro deste ano. O levantamento destaca a aprovação da população após a concessão para o setor privado e foi realizado em cumprimento à Lei nº 7.358/2023, que exige a divulgação do grau de satisfação do usuário. Antes da concessão, o índice de aprovação da Rodoviária era de 45,61%, mais de 40 pontos abaixo da avaliação atual. O secretário de Transporte e Mobilidade do DF, Zeno Gonçalves, destacou que a divulgação dos relatórios é um instrumento de gestão e transparência. “A pesquisa mostra avanços importantes e indica onde precisamos melhorar para entregar um serviço cada vez mais digno ao cidadão que depende do transporte público coletivo no dia a dia. São melhorias contínuas na rodoviária, com mais orientação ao usuário, mais conforto e mais eficiência na operação”, disse o secretário. A nota final apurada na pesquisa reflete uma percepção positiva das melhorias implementadas, especialmente as relacionadas à organização e circulação dentro do terminal. A limpeza, o atendimento ao usuário e o funcionamento de equipamentos também aparecem entre os pontos que melhoram após oito meses de gestão do setor privado. O secretário de Transporte e Mobilidade do DF, Zeno Gonçalves, destacou que a divulgação dos relatórios é um instrumento de gestão e transparência | Foto: Divulgação/Semob-DF A concessão da Rodoviária do Plano Piloto teve início no mês de junho do ano passado, quando a concessionária Catedral assumiu a gestão do complexo pelo prazo de 20 anos. Considerada o principal ponto de integração do transporte público da capital, a Rodoviária vai receber R$ 120 milhões de investimentos na recuperação, modernização e conservação de suas estruturas. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais e o público avaliou 19 itens relacionados à experiência dos usuários na rodoviária, classificando cada serviço numa escala de 1 a 5. Os resultados de maior destaque da pesquisa apontam as medidas de organização do espaço e melhoria da circulação, especialmente associadas à retirada de ambulantes. As cinco melhores notas são: * Acesso à rodoviária após retirada de ambulantes: 91,23%; * Circulação interna sem ambulantes: 90,94%; * Organização de corredores/áreas de espera com retirada de ambulantes: 88,82%; * Funcionamento dos elevadores (entre quem utilizou): 88,71%; * Limpeza da rodoviária: 87,85%. Temas importantes como a segurança no terminal (85,89%) e limpeza dos sanitários (84,66%) também foram bem avaliados. A pesquisa registrou que 80,7% dos entrevistados disseram ter usado escadas rolantes recentemente. Entre esses usuários, a avaliação do funcionamento ficou em 87,49%. Além do ranking, o relatório destaca os itens que mais impactam na satisfação do usuário e por isso deve ser prioridade na gestão do terminal. São itens como limpeza dos espaços internos, funcionamento dos elevadores, sinalização das plataformas, funcionamento das escadas rolantes e instalação de bebedouros com água gelada e gratuita. O levantamento também aponta oportunidades claras de melhoria, principalmente ligadas a apoio ao passageiro, serviços disponíveis e regularidade operacional. São itens como disponibilidade de pessoas para atendimento aos usuários, variedade e utilidade das lojas e serviços, funcionamento das escadas rolantes, oferta de lanchonetes e opções de alimentação, e sinalização das plataformas. O estudo foi conduzido pela Opinião Consultoria Ltda. O perfil dos 648 usuários entrevistados tem predominância feminina (55,1%) e uma forte concentração de jovens e adultos na faixa de 18 a 34 anos. A maioria possui ensino médio completo ou ensino superior, e o público é composto majoritariamente por frequentadores assíduos: 68,7% utilizam o terminal quatro ou mais vezes por semana. Em termos ocupacionais, destacam-se trabalhadores do setor privado, autônomos e estudantes, que utilizam o complexo como ponto central de integração para o trabalho e estudos. Veja a pesquisa na íntegra aqui. *Com informações da Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF)
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Distrito Federal apresenta altos níveis de felicidade entre moradores
O que faz o brasiliense feliz? Essa foi a pergunta central da pesquisa “Felicidade no Distrito Federal: fatores associados e implicações para políticas públicas”, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF) para compreender os fatores que impactam o bem-estar da população. Os dados mostram que, no termômetro da felicidade, medido em uma escala de 1 a 10, sendo 1 “muito infeliz” e 10 “muito feliz”, 63% dos brasilienses estão posicionados no nível 8 ou acima. Ao serem perguntados “O que te faz feliz?”, os moradores do DF mencionaram espontaneamente termos como “Família”, “Saúde”, “Deus”, “Trabalho”, “Amor” e “Dinheiro”. Além disso, 81% dos brasilienses estão satisfeitos com a relação com a família e 56,6% com o tempo despendido em atividades remuneradas. O levantamento identificou que os fatores associados à felicidade incluem estar casado ou morando com outra pessoa; frequentar cultos ou missas como forma de pertencimento social; não estar desempregado e conseguir pagar todas as contas; não passar por situações de sobrecarga doméstica; ter tempo para o lazer; a família e os amigos; sentir-se seguro nas ruas e confiar nas pessoas da comunidade; estar satisfeito com a preservação do meio ambiente; apresentar boa saúde física e mental e ter conhecimento sobre temas de saúde pública. Nesse contexto, o tempo social se destaca como um dos principais pilares do bem-estar. Cerca de 54,4% dos brasilienses estão satisfeitos com o tempo que passam com a família, 43% com o tempo disponível para o lazer e 35,2% com o tempo dedicado aos amigos. No entanto, apenas 17,8% se dizem satisfeitos simultaneamente com essas três dimensões, indicando desafios no equilíbrio entre vida pessoal e rotina. Os dados mostram que, no termômetro da felicidade, medido em uma escala de 1 a 10, sendo 1 “muito infeliz” e 10 “muito feliz”, 63% dos brasilienses estão posicionados no nível 8 ou acima | Foto: Divulgação/IPEDF A saúde também exerce papel central na percepção de felicidade. No Distrito Federal, 47,9% da população pratica atividade física regularmente. Em relação ao sono, 24,4% dos moradores afirmam dormir entre 8 e 9 horas por dia, enquanto 51,6% relatam dormir entre 6 e 7 horas. O diretor-presidente do IPEDF, Manoel Barros, explica que a pesquisa investiga como a população avalia seu nível de felicidade e quais aspectos da vida estão associados a esse sentimento. "Seus resultados funcionam como um guia para orientar ações governamentais, contribuindo para a tomada de decisão e para a formulação de políticas públicas mais eficazes, voltadas aos brasilienses”, afirma. Para a diretora de Estudos e Políticas Sociais do IPEDF, Marcela Machado, incorporar a felicidade como objeto de análise amplia a capacidade do Estado de compreender a realidade de forma mais abrangente. “Ao incorporar a felicidade como objeto de análise, nós ampliamos a capacidade do Estado de compreender a realidade para além dos indicadores tradicionais. A pesquisa nos permite identificar, com evidência empírica, quais dimensões da vida cotidiana efetivamente importam para as pessoas. Não se trata de substituir indicadores clássicos, mas de complementá-los com uma dimensão que captura, de forma mais sensível, a experiência vivida pela população”, ressalta. Metodologia O estudo utilizou um survey estruturado, aplicado por telefone via Central 156, com uma amostra representativa de 1.705 residentes do Distrito Federal. A felicidade foi analisada em cinco grandes dimensões: fatores sociodemográficos, renda e padrão de vida, território, relações sociais e uso do tempo, e saúde e educação. *Com informações do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF)
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Pesquisa sobre felicidade no Distrito Federal será lançada nesta sexta (20)
Nesta sexta-feira (20), o Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) lançará a pesquisa “Felicidade no Distrito Federal: fatores associados e implicações para políticas públicas”. Arte: Divulgação/IPEDF Baseado na pergunta “O que te faz feliz?”, o levantamento foi feito por meio da Central 156, com amostra representativa de 1.705 brasilienses, e buscou compreender os fatores que impactam o bem-estar da população. A análise considera cinco grandes dimensões: fatores sociodemográficos; renda e padrão de vida; território; relações sociais e uso do tempo; e saúde e educação. [LEIA_TAMBEM]O lançamento será aberto ao público e ocorrerá a partir das 9h, durante o 2º Congresso da Felicidade, no Museu Nacional da República. Lançamento da pesquisa “Felicidade no Distrito Federal: fatores associados e implicações para políticas públicas” ⇒ Data: sexta-feira (20) ⇒ Horário: a partir das 9h ⇒ Local: Museu Nacional da República — SCTS, Lote 2, Plano Piloto. *Com informações do IPEDF
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Tecnologia permite novos diagnósticos na rede pública de saúde
A Secretaria de Saúde (SES-DF) ampliou a capacidade de fornecer diagnósticos sobre doenças autoimunes e hematológicas, como lúpus, esclerose sistêmica, mieloma múltiplo e anemia falciforme. Com equipamentos e técnicas consideradas padrão ouro pela medicina moderna, a Central de Exames Especializados, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), já realizou mais de 7,2 mil análises desde o início das atividades, em outubro de 2025. Análises feitas na Central de Exames Especializados possibilitam identificar doenças que antes podiam ficar sem diagnóstico conclusivo | Fotos: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF O resultado é a melhoria no atendimento. “É um grande avanço para a parte assistencial, principalmente por conta do diagnóstico precoce”, explica a gerente de Assistência Clínica do HRT, Déborah Alves. “A principal mudança prática é orientar os tratamentos oferecidos, já que as análises permitem a confirmação precisa do quadro do paciente”. Essa precisão só é possível por meio de exames de média e alta complexidade, como o painel de autoimunidade, que inclui diversos testes como a Pesquisa de Anticorpos Anticélula (FAN), Anti-dsDNA, Anti-SS-A (RO), Anti-SS-B (LA), Anti-RNP, Anti-Sm, Anti-Scl-70 e Anti-Jo-1. Também há análises específicas para o sangue, como a eletroforese de hemoglobina e proteínas. A partir dessas verificações, a central especializada é capaz de identificar doenças que antes podiam ficar com diagnóstico não conclusivo. Kléber Oliveira, biomédico da Central de Exames Especializados: “Nossa capacidade atual está acima da demanda” Estrutura para todo o DF [LEIA_TAMBEM]Apesar de estar localizada no HRT, a Central de Exames Especializados avalia em até sete dias exames vindos de unidades de todo o DF. Para isso, conta com uma equipe de quatro servidores — um biomédico, um técnico de laboratório e dois farmacêuticos bioquímicos — para processar as coletas em equipamentos de última geração, incluindo microscópio automatizado. “Esse serviço precisa ser feito por pessoas qualificadas, e recebemos aqui as máquinas mais modernas da atualidade”, detalha o biomédico Kléber Oliveira. “Nossa capacidade atual está acima da demanda.” As 7,2 mil análises feitas até o momento ainda estão longe da capacidade total: só em um plantão de 12 horas é possível processar até três mil análises. A expectativa é, no futuro, expandir a carteira de exames. *Com informações da Secretaria de Saúde
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EnergyC impulsiona novas lideranças no setor de energia no Brasil
Quem está sendo preparado para liderar a transição energética brasileira? Foi dessa inquietação que nasceu, em 2020, a EnergyC. Fundada por Alesson Tadeu e Luiz Miranda, a iniciativa ganhou força e estrutura com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do programa StartBSB, que impulsionou sua consolidação como startup de impacto no setor energético. “A gente percebeu que o setor de energia é estratégico para o Brasil, mas muitos jovens ainda não se enxergavam como parte desse futuro”, afirma Miranda, CEO da startup. “A EnergyC nasce para ampliar esse acesso e preparar lideranças capazes de atuar com visão técnica e estratégica.” Iniciativa apoiada pela FAPDF tem como foco o cesso de jovens ao mercado de energia e a formação de profissionais preparados para ambientes em constante transformação | Foto: Divulgação/EnergyC Desde então, a EnergyC vem ampliando o acesso de jovens ao mercado de energia e formando profissionais preparados para atuar em um ambiente técnico, regulado e em constante transformação. A startup se posiciona como uma ponte, conectando talentos, empresas, especialistas e instituições estratégicas para fortalecer o capital humano de um dos setores mais relevantes para o desenvolvimento do país. “O StartBSB foi concebido para transformar projetos inovadores em negócios estruturados, com capacidade de escala. Ver a EnergyC ampliar sua atuação nacional demonstra como o fomento à inovação gera impacto concreto e fortalece setores estratégicos para o país” Leonardo Reisman, presidente da FAPDF Da ideia ao negócio estruturado Nos primeiros anos, a EnergyC consolidou programas voltados à formação de jovens lideranças, como o Jovens de Energia, o EmpodereC e o Conversas Energéticas. A iniciativa passou a reunir participantes de todas as regiões do Brasil e demonstrou a relevância de sua proposta. Com o aumento da demanda e o amadurecimento do projeto, surgiu um novo passo: estruturar a iniciativa como negócio escalável, com tecnologia própria e modelo sustentável. A participação na fase II do StartBSB, com o Instituto Multiplicidades, foi decisiva nesse processo. Com acesso a recursos de fomento, mentorias estratégicas e ao ambiente de incubação, a startup desenvolveu sua plataforma digital própria, formalizou a metodologia das EnergySkills e consolidou um modelo híbrido de atuação (B2C, B2B e B2G). O presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, enfatiza: “O StartBSB foi concebido para transformar projetos inovadores em negócios estruturados, com capacidade de escala. Ver a EnergyC ampliar sua atuação nacional demonstra como o fomento à inovação gera impacto concreto e fortalece setores estratégicos para o país”, afirma o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman. Metodologia voltada ao futuro Atualmente, a EnergyC opera por meio de uma plataforma digital que integra formação técnica, desafios práticos, masterclasses e iniciativas conectadas a situações reais do setor de energia. No centro da proposta estão as EnergySkills — metodologia própria que organiza a formação em pilares como dados e tecnologia, inovação e empreendedorismo, regulação e políticas públicas, liderança e sustentabilidade. [LEIA_TAMBEM]“A transição energética exige profissionais com visão sistêmica, capazes de entender tecnologia, mercado, regulação e impacto social ao mesmo tempo; é esse perfil que buscamos desenvolver”, explica Luiz Miranda. Impacto Desde sua criação, a EnergyC já capacitou mais de 2 mil jovens, com atuação em todos os estados do Brasil. Apenas no último ano, mais de 500 participantes integraram seus programas. A startup também consolidou parcerias estratégicas com instituições públicas e privadas. Em colaboração com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), desenvolveu o Descarbonizathon, conectando jovens talentos a desafios de inovação e descarbonização. Com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), lançou o caderno O Futuro do Setor de Energia: Carreiras e Lideranças à Luz do PDE, contribuindo para o debate sobre competências estratégicas para o setor. “Quando formamos talentos, estamos fortalecendo a capacidade do Brasil de inovar, gerar oportunidades e liderar transformações estratégicas” Luiz Miranda, CEO da EnergyC Em 2025, a EnergyC foi selecionada para o Shell StartUp Engine Brasil, programa global voltado a iniciativas que contribuem para uma transição energética mais segura e eficiente. A seleção reforça o reconhecimento da trajetória construída e amplia as oportunidades de conexões estratégicas e expansão. Estratégia de desenvolvimento O setor de energia vive um momento de transformação acelerada. Novas tecnologias, inovação regulatória e expansão de mercados exigem profissionais cada vez mais qualificados. A trajetória da EnergyC demonstra como pesquisa, inovação e políticas públicas de fomento podem caminhar juntas, transformando propósito em impacto concreto. Para Luiz Miranda, investir na formação de jovens é também investir na competitividade do país: “Quando formamos talentos, estamos fortalecendo a capacidade do Brasil de inovar, gerar oportunidades e liderar transformações estratégicas”. Leonardo Reisman reforça: “A formação de talentos é um dos pilares para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Ao apoiar iniciativas como a EnergyC, a FAPDF investe não apenas em tecnologia, mas nas pessoas que vão conduzir a próxima geração de transformações no setor de energia”. *Com informações da FAPDF
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Dia Internacional da Luta Contra o Câncer Infantil: diagnóstico precoce é essencial para sobrevida de crianças
Celebrado em 15 de fevereiro, o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil ganha, no Distrito Federal, um contorno de vanguarda tecnológica e rede de cuidado da infância importantes. O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) é um centro de referência nacional especializado no atendimento oncológico infantojuvenil, que opera sob protocolos de referência praticados nas melhores instituições do mundo. Isso garante ao paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) o acesso ao que há de mais moderno na medicina de precisão. Hospital da Criança de Brasília registra cura de 80% de casos de leucemia linfoide aguda | Fotos: Divulgação/HCB Em mais de 14 anos de história, o HCB mantém indicadores de sobrevida que se equiparam aos grandes centros especializados tanto no Brasil quanto no exterior. Uma dessas conquistas foi a cura de 80% dos casos de leucemia linfoide aguda (LLA) tratados na unidade — resultado superior à taxa média na América Latina e Caribe (aproximadamente 55%), conforme dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Diferentemente das neoplasias em adultos, nas quais os crescimentos anormais, desordenados e excessivos de células no organismo são frequentemente associados a fatores ambientais e estilo de vida (como tabagismo ou dieta), o câncer infantil é predominantemente de natureza embrionária, sendo considerado uma condição de saúde rara — por definição da Organização Mundial da Saúde, uma doença pode ser considerada rara quando incide até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes, e o câncer infantil, por sua vez, incide em menos de 0,2% da população pediátrica. Taxas No HCB, as diferentes características biológicas dos tumores infantis definem um desafio a ser superado e uma possibilidade investigativa importante para a oncologia pediátrica: embora sejam tumores agressivos e de curto período de latência, eles apresentam uma resposta significativamente superior aos protocolos modernos de quimioterapia e imunoterapia. “A cada ano você descobre subtipos diferentes da mesma doença, e vão se desenhando formas de tratamentos específicos para cada doença; então, o que hoje se consegue no Hospital da Criança é essa união ainda muito mais estreita, porque estamos no mesmo local” Isis Magalhães, diretora técnica e interina de Ensino e Pesquisa do HCB Segundo o relatório Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões, divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar, de 2026 a 2028, cerca de 7.560 novos casos de câncer (todas as neoplasias) em crianças e adolescentes (até 19 anos), correspondendo a uma taxa bruta de incidência de 134,81 casos por milhão. Ainda conforme o relatório, há uma predisposição leve de possível maior incidência de câncer em meninos, 3.960 casos (52,4%), enquanto, em meninas, a taxa permeia 3.600 novos casos (47,6%). Contudo, a ciência aponta boas possibilidades. Para a diretora técnica e interina de Ensino e Pesquisa do HCB, Isis Magalhães, a estruturação de centros de alta complexidade, que aliam assistência especializada, ensino e pesquisa, ampliam as possibilidades de tratamento e prognóstico positivo. “A cada ano você descobre subtipos diferentes da mesma doença, e vão se desenhando formas de tratamentos específicos para cada doença; então, o que hoje se consegue no Hospital da Criança é essa união ainda muito mais estreita, porque estamos no mesmo local”, explica. Habilitado pelo Ministério da Saúde (MS) como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) exclusiva de oncologia pediátrica, transplante de medula óssea autogênico e alogênico aparentado e não aparentado, o HCB possui uma estrutura dedicada à promoção de aperfeiçoamento constante da equipe assistencial, o que propicia novas descobertas e implementação de protocolos avançados de tratamento. O hospital compõe o Programa Aliança Amarte — Apoio Maior, Aumentando Recursos e Treinamento Especializado, desenvolvido em parceria com o St. Jude Children's Research Hospital (EUA), referência mundial na pesquisa e tratamento do câncer infantojuvenil. Referência em tratamento Devido à sua alta especialidade no tratamento oncológico pediátrico, o HCB recebe muitos pacientes referenciados por meio da modalidade Tratamento Fora do Domicílio (TFD), que garante a continuidade do cuidado ao paciente SUS, quando necessário, em procedimentos e consultas de alta complexidade em outras regiões do país. Renata Barros com o filho Ravi, paciente, na brinquedoteca do HCB: “Às vezes, a gente, que é mãe, não procura saber sobre uma doença, né? Eu mesmo nunca pensei em estar passando por isso, mas depois que eu tive o diagnóstico do Ravi, passei a pesquisar mais” É o caso de Renata Suelen Barros, mãe de Ravi Barros, de 4 anos — ambos de Parauapebas (PA). Há pouco mais de quatro meses em Brasília, Ravi foi diagnosticado com leucemia linfoide aguda, condição que representa aproximadamente 25% dos casos de câncer pediátrico e cerca de 75% das leucemias infantis. Em virtude do tratamento do menino, Renata tem enfrentado internações prolongadas, mas, ainda assim, disse que conseguiu fazer amizades com outras mães e que isso é importante para criar vínculos. “A gente vai dando força, vai ajudando, no que que a pessoa está precisando, porque tem muita mãe aqui que chega [ao hospital] desnorteada”, relata. “E às vezes ela quer o quê? Quer um apoio. Aí é muito bom, assim, o contato entre as mães, de conversar, de passar informação, de ajudar umas às outras.” Renata diz sentir falta de mais informação qualificada sobre os sinais do câncer na infância: “Às vezes, a gente, que é mãe, não procura saber sobre uma doença, né? Eu mesmo nunca pensei em estar passando por isso, mas depois que eu tive o diagnóstico do Ravi, passei a pesquisar mais. Mesmo que você não esteja passando pela doença, é sempre bom a gente pesquisar”. Medicina de precisão “A criança pode ter uma síndrome de predisposição ao câncer; ela é curada, só que pode ser que ela tenha um outro tumor; e, se eu não souber disso, às vezes eu vou perder uma oportunidade” Renata Sandoval, coordenadora de Genética Clínica do HCB A pesquisa do Inca também destaca que, na atualidade, já não se trata mais “o câncer”, mas da “assinatura genética” de cada tumor. A médica coordenadora de Genética Clínica do HCB, Renata Sandoval, explica que a minoria dos cânceres tem um componente hereditário, familiar, que contribui para o risco de uma pessoa desenvolver a doença; e, como o câncer na infância é considerado uma condição rara de saúde, não há um trabalho de vigilância sobre essa condição, diferentemente de casos de câncer de mama, por exemplo, que atinge uma em cada oito mulheres. A especialista lembra que é importante prestar atenção aos sintomas e queixas das crianças. “Em crianças e adolescentes, a gente só vai investigar um câncer quando a gente tem sintomas”, aponta. “Só que, se eu estiver diante de uma pessoa, de uma família que tem um padrão de adoecimento de uma síndrome genética de predisposição ao câncer, aí sim, nessa situação, é como se a ‘receitinha de bolo’ daquela pessoa tivesse mais dificuldades de corrigir erros que acontecem nas células. Isso não quer dizer que ela teria um câncer, mas ela tem um risco diferente do risco habitual da população”. De acordo com a médica, a partir de estudos da oncogenética pediátrica é possível identificar síndromes de predisposição genética ao câncer que podem ter impacto em toda a família. “A criança pode ter uma síndrome de predisposição ao câncer; ela é curada, só que pode ser que ela tenha um outro tumor; e, se eu não souber disso, às vezes eu vou perder uma oportunidade. Eu não vou estar ‘vigiando’ ela de uma maneira adequada e dando oportunidade ao diagnóstico precoce e, até, às vezes, de outros familiares que estão em risco”. Avanços recentes no tratamento do câncer infantil no HCB incluem imunoterapia, que reprograma as células de defesa do próprio paciente para atacar o tumor; terapias-alvo, em que drogas moleculares bloqueiam especificamente as mutações que impulsionam o crescimento das células malignas, reduzindo os efeitos colaterais da quimioterapia convencional; e o diagnóstico molecular, com exames de sequenciamento genético que podem identificar precocemente síndromes de predisposição hereditária, selecionando marcadores não somente genéticos, mas proteicos, entre outros, o que permite um monitoramento ativo da manifestação da doença.“ Hoje, a oncologia é vista como um cenário onde é indissociável a pesquisa de marcadores moleculares. Anteriormente era a ‘carinha’ da célula, e hoje isso vem mudando com relação às mutações genéticas. A ‘cara’ daquela doença é uma alteração genética” Ricardo Camargo, coordenador do Laboratório de Pesquisa Translacional do HCB O coordenador do Laboratório de Pesquisa Translacional (LPT) do HCB, Ricardo Camargo, explica que, diante da biologia dos tumores pediátricos, que são absolutamente heterogêneos, os profissionais do hospital buscam diagnosticar, classificar o risco de recaída ou de agressividade da doença, a fim de monitorar a resposta ao tratamento da criança. “Hoje, a oncologia é vista como um cenário onde é indissociável a pesquisa de marcadores moleculares”, explica. “Anteriormente era a ‘carinha’ da célula, e hoje isso vem mudando com relação às mutações genéticas. A ‘cara’ daquela doença é uma alteração genética. E é isso que o laboratório se propõe a fazer, procurar marcadores para a oncologia, de maneira geral, que tenham valor para o diagnóstico, prognóstico e de terapia-alvo.” Educação em saúde A educação em saúde é a principal ferramenta para reduzir o tempo entre o primeiro sintoma e o início do tratamento oncológico das crianças. O maior desafio clínico reside no fato de que os sinais do câncer pediátrico frequentemente mimetizam doenças comuns da infância (viroses, anemias ou dores de crescimento). Além da oferta de assistência especializada em saúde pediátrica, o HCB atua como um polo irradiador de conhecimento para a Atenção Primária à Saúde (APS) do Distrito Federal. Por meio de teleconsultorias e protocolos de encaminhamento, o hospital capacita médicos e demais profissionais da Saúde da Família a identificarem precocemente sinais de alerta, combatendo o diagnóstico tardio, que ainda é o principal obstáculo para a cura total. [LEIA_TAMBEM]Em uma articulação estratégica voltada ao aprimoramento da linha de cuidado oncológico pediátrico, o HCB, em colaboração com a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadores de Câncer e Hemopatias (Abrace) e o Instituto Ronald McDonald, promoveu, em 2025, a segunda edição do Programa Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil. O evento reuniu 280 profissionais e acadêmicos atuantes na APS, com o objetivo de mitigar o intervalo de tempo entre a manifestação clínica inicial e o encaminhamento especializado. Ao instrumentalizar os agentes das unidades básicas de saúde (UBSs), principal porta de entrada do SUS, com subsídios científicos e materiais instrutivos para o reconhecimento assertivo de sinais e sintomas da doença, a iniciativa contribuiu para elevar a suspeição diagnóstica fundamentada em protocolos técnicos de alta precisão. O olhar atento do médico da família e do pediatra geral, além da percepção aguçada dos pais e cuidadores, é um dos primeiros elos de uma corrente que termina na alta hospitalar e na reintegração plena da criança à sociedade. O diagnóstico precoce é essencial para as chances de cura e qualidade de vida das crianças. A recomendação técnica dos especialistas do HCB é que os pais e responsáveis se atentem e valorizem a queixa persistente e, em caso de suspeita, consultem o especialista da Atenção Primária. *Com informações do Hospital da Criança de Brasília
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Mulheres atuam na vanguarda da pesquisa em saúde pediátrica no Hospital da Criança de Brasília
Em um contexto no qual a ciência brasileira ganha cada vez mais a presença qualificada de mulheres pesquisadoras, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) tem se destacado, entre outras características, pelo elevado protagonismo das mulheres nos resultados alcançados nos mais de 14 anos da instituição. A conquista é lembrada no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado nesta quarta-feira (11), Hospital da Criança de Brasília tem quase 80% dos cargos de pesquisa científica ou clínica preenchidos por mulheres | Foto: Divulgação/HCB O HCB oferece a médicas, biomédicas, biólogas, enfermeiras e estudantes infraestrutura e apoio necessários para transformar perguntas em respostas para a saúde pública pediátrica, reforçando seu compromisso com o interesse público e a equidade social. O Brasil, de maneira geral, tem se situado de maneira pragmática no compromisso pela diversidade de gênero na pesquisa. De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2025), as mulheres já são maioria nas bolsas de mestrado e doutorado no país. No entanto, o desafio permanece na ascensão aos cargos de liderança e nas bolsas de produtividade – onde ocupam aproximadamente 35,5% dos cargos. No HCB, o Programa de Iniciação Científica (PIC), criado em 2015, já contemplou até hoje 51 funcionárias em um universo de 70 profissionais. Conforme dados da Gerência de Pesquisa do hospital, 76% dos profissionais atuantes em pesquisa científica e/ou clínica na unidade são mulheres. Estas profissionais lideraram, também, as publicações de artigos em periódicos em 2025, concentrando 21 dos 28 trabalhos. A voz da liderança A médica Isis Magalhães é oncologista pediátrica, doutora em ciências da saúde pela Universidade de Brasília (UnB) e uma das fundadoras do HCB. Atualmente como diretora técnica e diretora interina de Ensino e Pesquisa do hospital, ela defende que as pesquisas realizadas na instituição são indissociáveis do cuidado assistencial prestado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nós temos pesquisas em qualidade de vida e outros elementos que também são importantes para o desenvolvimento do prognóstico positivo dessas crianças” Cristiane Salviano, gerente de Pesquisa do Hospital da Criança de Brasília Isis rememora a história dos primeiros centros de tratamento oncológicos infantis, na década de 1940 e 1950, nos Estados Unidos, e como abranger os resultados dos primeiros testes com drogas antimetabólicas no tratamento de alguns tipos de câncer infantil foi essencial para criar novas possibilidades de controle da doença. “Foi nesse escopo que nasceu o Hospital da Criança de Brasília: a oncologia que toma o protagonismo de que, dentro da rede pública do Distrito Federal, deveríamos lutar para ter uma unidade específica de tratamento de doenças como o câncer, doenças complexas, doenças, vamos dizer, catastróficas”, explica a médica. A engrenagem da inovação e do aprimoramento técnico em saúde pediátrica especializada no HCB, na atualidade, mobiliza uma estrutura, de serviço, de tecnologias e de pessoas que oportuniza o reconhecimento e o desenvolvimento de aptidões. Enfermeira e doutora em enfermagem pela Universidade de Brasília (UnB), Cristiane Salviano já atuou na assistência direta à saúde das crianças. Hoje, está à frente da Gerência de Pesquisa do hospital. Segundo ela, a atuação do HCB na busca de colaboração e convênios com outras instituições de pesquisa e agências visa a intensificar o intercâmbio de pesquisas no nível de mestrado e doutorado, pensando no constante aprimoramento do cuidado e tratamento ofertados à população pediátrica. [LEIA_TAMBEM]“Esse tipo de oportunidade permite não só formar novas pessoas que veem a pediatria de forma diferente — não somente técnica, no sentido procedimental —, mas, também, no sentido científico de buscar inovar, de compreender novas técnicas, novos tratamentos. E eu não estou falando somente de tratamento ‘duro’, medicamentoso, mas, também, do tratamento leve, em que a gente fala de tecnologias leves em saúde. Nós temos pesquisas em qualidade de vida e outros elementos que também são importantes para o desenvolvimento do prognóstico positivo dessas crianças.” A diretora Isis Magalhães lembra que é preciso conscientizar os profissionais em torno desse propósito: “A ciência é fascinante, o conhecimento é fascinante. E quando você enxerga aquele pesquisador que está na bancada, quando ele enxerga aquela amostra, aquele material biológico não é só um material biológico. Ali tem uma criança. Tem uma família. Tem uma expectativa de cura, de que chegou ao lugar onde as pessoas estudam aquela doença. Isso muda tudo.” *Com informações do HCB
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Pesquisa apoiada pela FAPDF revela impactos emocionais da pandemia em idosos
A campanha Janeiro Branco é um mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental e convida à reflexão sobre cuidado, escuta e bem-estar ao longo de todas as fases da vida. Nesse contexto, o impacto da pandemia da covid-19 sobre a população idosa foi além dos riscos físicos associados à doença. O isolamento social, o medo da morte, as perdas afetivas e a sobrecarga de informações negativas afetaram profundamente a saúde mental de pessoas com 60 anos ou mais, levantando questões importantes sobre envelhecimento, sofrimento psíquico e estratégias de enfrentamento em momentos de crise. A pesquisa “Percepções de idosos infectados e não infectados pelo SARS-CoV-2 sobre o envelhecimento, morte e saúde mental: uma abordagem qualitativa e ecumênica”, desenvolvida na Universidade Católica de Brasília (UCB), buscou compreender como os idosos vivenciaram esse período, considerando o papel da religiosidade e da espiritualidade no cuidado emocional. O estudo contou com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do edital Demanda Espontânea, com investimento de R$ 70 mil, e foi coordenado pelo pesquisador Vicente Paulo, docente e pesquisador na área da Gerontologia e da Saúde Mental. Professor Vicente Paulo, coordenador do projeto, durante a capacitação das pessoas idosas para utilizarem o aplicativo Eu Confio | Foto: Arquivo pessoal “Envelhecer é um processo complexo, que vai muito além dos aspectos biológicos. Envolve dimensões emocionais, sociais, culturais e espirituais que precisam ser consideradas quando falamos de saúde mental e cuidado com a população idosa”, explica o pesquisador. "Investir em pesquisas que olham para as pessoas, para suas vivências e para os desafios concretos do envelhecimento é uma forma de transformar conhecimento científico em impacto social" Leonardo Reisman, diretor-presidente da FAPDF Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, apoiar pesquisas como essa é essencial para aproximar a ciência das demandas reais da sociedade. “Investir em pesquisas que olham para as pessoas, para suas vivências e para os desafios concretos do envelhecimento é uma forma de transformar conhecimento científico em impacto social. A FAPDF tem o compromisso de apoiar estudos que contribuam para políticas públicas mais humanas, inclusivas e conectadas com a realidade do Distrito Federal”, destaca. Envelhecimento e sofrimento psíquico em uma crise sanitária A pandemia evidenciou de forma intensa a vulnerabilidade da população idosa, não apenas do ponto de vista físico, mas também do emocional e do social. O afastamento do convívio social, a exposição constante a notícias negativas e a vivência do luto impactaram diretamente o bem-estar emocional desse grupo. Diante desse cenário, a pesquisa partiu de uma pergunta central: quais fatores ajudam a proteger a saúde mental dos idosos em contextos extremos, como o vivido durante a pandemia? A religiosidade e a espiritualidade surgiram como elementos fundamentais para compreender como muitos idosos lidaram com o medo da morte, a solidão e o sofrimento psíquico. Respeito à diversidade religiosa e políticas públicas Diferentemente de estudos baseados exclusivamente em dados quantitativos, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, permitindo ouvir diretamente os idosos e compreender suas narrativas, sentimentos, medos, esperanças e estratégias pessoais de enfrentamento. Tela inicial do aplicativo Eu Confio A pesquisa segue uma abordagem ecumênica, ou seja, considera de forma aberta e inclusiva diferentes crenças, espiritualidades e visões de mundo, sem se restringir a uma tradição religiosa específica. O estudo contempla desde o catolicismo, protestantismo e espiritismo até religiões de matriz africana, judaísmo, islamismo, espiritualidades não institucionais e também a não religiosidade. “A pesquisa mostra que a religiosidade e a espiritualidade, em suas diferentes expressões, foram importantes estratégias de enfrentamento para muitos idosos. Nosso objetivo foi ouvir essas experiências com respeito, sem privilegiar crenças específicas”, afirma o pesquisador Vicente Paulo. Os resultados da pesquisa oferecem contribuições importantes para o planejamento de políticas públicas voltadas à saúde mental da população idosa, especialmente em situações de emergência sanitária. O estudo indica que religiosidade, espiritualidade e senso de comunidade podem atuar como fatores de proteção emocional, apontando para a importância de ações mais integradas, que dialoguem com instituições comunitárias, religiosas e redes de apoio já existentes nos territórios. Um dos desdobramentos da pesquisa foi o desenvolvimento do aplicativo Eu Confio, concebido como uma solução tecnológica experimental voltada ao apoio emocional e espiritual de pessoas idosas. Criado a partir das necessidades identificadas durante as entrevistas qualitativas, o app foi estruturado de forma ecumênica e pensado para uso em dispositivos móveis acessíveis. O aplicativo passou por etapas de prototipação e testes com idosos, incluindo avaliações de usabilidade e aplicabilidade no âmbito do estudo. Embora tenha havido a intenção inicial de dar continuidade à iniciativa, o app foi descontinuado após o término do projeto, permanecendo como um desdobramento experimental da pesquisa e um exemplo de como os achados científicos podem se traduzir em soluções inovadoras voltadas ao cuidado integral e à saúde mental da população idosa. *Com informações da FAPDF
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Pesquisa traça impacto dos jogos de azar na população do DF
Com o objetivo de analisar os impactos dos jogos de azar na população que vive na capital do país, o Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Família (Sefami-DF), lança o estudo “Apostadores no Distrito Federal Diagnóstico comportamental e sociodemográfico”. A pesquisa identifica as modalidades de jogos praticadas, os motivos que levam as pessoas a fazerem apostas e os impactos sociais, financeiros e de saúde entre cidadãos maiores de 18 anos. Estudo foca os impactos dos jogos de azar na estrutura das famílias | Arte: IPEDF “Este estudo é fundamental para compreender um fenômeno que vem se intensificando e que possui impactos diretos na vida das famílias, especialmente no que se refere ao endividamento e à vulnerabilidade social” Manoel Barros, diretor-presidente do IPEDF O levantamento também avalia a percepção de pessoas que não participam dessas atividades. Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados por pesquisadores uniformizados em locais de grande circulação, abrangendo todas as regiões administrativas do Distrito Federal. As informações, que permanecem sem identificação dos respondentes, foram analisadas segundo critérios como gênero e faixa de renda. “Os jogos de azar, especialmente no ambiente digital, deixaram de ser apenas uma prática recreativa e passaram a gerar impactos reais na vida das famílias, como endividamento, conflitos familiares e adoecimento emocional”, avalia o secretário da Família, Rodrigo Delmasso. “O estudo inédito nos permite compreender quem são os apostadores no DF, onde estão e como esse comportamento afeta a dinâmica familiar. Com dados técnicos, o GDF poderá formular políticas públicas preventivas, voltadas à educação financeira, à saúde mental e ao fortalecimento das famílias, protegendo especialmente os mais vulneráveis.” Políticas públicas Por sua vez, o diretor-presidente do IPEDF, Manoel Barros, afirma: “O IPEDF tem como missão produzir informações qualificadas para orientar a tomada de decisão no âmbito das políticas públicas. Este estudo é fundamental para compreender um fenômeno que vem se intensificando e que possui impactos diretos na vida das famílias, especialmente no que se refere ao endividamento e à vulnerabilidade social. Ao oferecer dados objetivos e territorializados, a pesquisa contribui para que o poder público atue de forma preventiva e baseada em evidências”. [LEIA_TAMBEM]Segundo a diretora de Estudos e Políticas Sociais do IPEDF, Marcela Machado, a pesquisa responde a uma demanda crescente por informações qualificadas sobre o tema. “Com a rápida expansão das plataformas de jogos online e o fácil acesso às apostas, torna-se fundamental produzir um diagnóstico consistente sobre o perfil dos apostadores e sobre as possíveis consequências desse hábito na vida financeira, social e na saúde da população”, aponta. “O estudo permite compreender melhor esse fenômeno no contexto específico do Distrito Federal e subsidiar políticas públicas que consigam dar conta da problemática que envolve as apostas”. O objetivo do estudo é compreender o comportamento, as motivações e o perfil sociodemográfico dos apostadores (considerando gênero, renda e faixa etária) com mais de 18 anos. Dados gerais indicam que, no Brasil, a maior parte dos apostadores em plataformas de bets concentra-se entre jovens de 16 a 34 anos, embora também haja um volume expressivo de apostas entre aposentados. A pesquisa constitui uma resposta direta ao crescimento do endividamento associado aos jogos de azar e contribuirá para a construção de um diagnóstico específico da realidade da capital federal. Veja os dados apurados. *Com informações do IPEDF
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Com recursos de R$ 4 milhões, programa de pós-graduação da FAPDF é lançado em edital
A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) lançou o edital do Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG), que tem como foco a concessão de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em instituições de ensino superior do Distrito Federal. Programa estimula a formação de pesquisadores e a participação de estudantes na produção científica | Foto: Divulgação/FAPDF Com investimento de R$ 4 milhões, a iniciativa busca fortalecer a pós-graduação no DF, ampliar oportunidades de formação acadêmica e contribuir para o desenvolvimento da pesquisa científica e da produção de conhecimento no território. [LEIA_TAMBEM]O edital é voltado a instituições públicas e privadas de ensino superior, com sede e administração no Distrito Federal, que possuam programas de pós-graduação stricto sensu próprios ou em convênio, autorizados ou credenciados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes). O PDPG tem como objetivo estimular a formação de pesquisadores e incentivar a participação de estudantes em atividades de pesquisa, inovação e produção científica, contribuindo para o fortalecimento institucional da pós-graduação no DF. Distribuição dos recursos Os recursos previstos para o edital serão distribuídos em 60% para instituições públicas e 40% para instituições privadas. Caso haja menor demanda em um dos grupos, os valores poderão ser remanejados, garantindo melhor aproveitamento do investimento. “Investir na pós-graduação é investir no futuro da ciência, da inovação e do desenvolvimento do DF” Leonardo Reisman, diretor-presidente da FAPDF As propostas institucionais devem ser submetidas exclusivamente pelo Sistema de Informação e Gestão da FAPDF (Sigfap), no período de 9 de fevereiro a 13 de março deste ano, conforme o cronograma estabelecido no edital. Cada proposta deverá ser apresentada por um coordenador com titulação mínima de doutor, vínculo ativo com a instituição proponente e cadastro atualizado no sistema da fundação. O edital terá vigência até 31 de dezembro deste ano, e as propostas selecionadas poderão ter execução de até 48 meses, conforme as regras estabelecidas. “Investir na pós-graduação é investir no futuro da ciência, da inovação e do desenvolvimento do DF”, reforça o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman. “O Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação fortalece os programas existentes, amplia oportunidades para estudantes e contribui para a formação de pesquisadores preparados para enfrentar desafios complexos da sociedade.” Clique aqui e confira todos os editais de 2026 da FAPDF. *Com informações da FAPDF
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Celina Leão assina projeto para implantar Centro de Reabilitação Neuromotora com exoesqueletos inteligentes
Nesta segunda-feira (12), a governadora em exercício Celina Leão assinou o projeto de pesquisa para a implantação do primeiro Centro de Tecnologias de Reabilitação Neuromotora do Distrito Federal, voltado ao desenvolvimento e à pesquisa de exoesqueletos inteligentes. Concluída essa etapa, a iniciativa será integrada à rede pública de saúde e ao Instituto de Gestão Estratégica do DF (IgesDF), com foco na reabilitação de pessoas acometidas por acidente vascular cerebral (AVC) e outras condições neurológicas que afetam a marcha, o equilíbrio e a funcionalidade. O investimento total no projeto é de R$ 2.912.000. Durante a assinatura do projeto, a governadora em exercício Celina Leão (C) enfatizou: “A assinatura deste termo não é apenas um ato administrativo; é um compromisso público com uma política de saúde que olha para o futuro” | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília A partir desta iniciativa, o DF se posiciona como polo nacional de inovação em tecnologia assistiva robótica. “A assinatura deste termo não é apenas um ato administrativo; é um compromisso público com uma política de saúde que olha para o futuro, que investe em inovação e que entende a reabilitação como parte indispensável do cuidado integral, materializado na implantação desse centro”, enfatiza Celina Leão. Segundo Celina, ao firmar este acordo, o Governo do Distrito Federal (GDF) dá um passo concreto para incorporar novas tecnologias ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar a capacidade de atendimento, fortalecer a rede pública e garantir que avanços científicos cheguem a quem mais precisa, com equidade e responsabilidade. Inovação A proposta engloba uma estratégia dupla, ao mesmo tempo inovadora e prática. De um lado, prevê a aquisição e adaptação de um exoesqueleto comercial de última geração, voltado a pacientes com maior potencial de recuperação funcional. De outro, investe no desenvolvimento nacional de um andador robótico inteligente, de baixo custo e com alta capacidade de escala, pensado para atender um número maior de pessoas com distúrbios de marcha e equilíbrio. “Estamos falando de pais, mães e filhos que poderão retomar atividades, conquistar mais autonomia e ter uma vida mais digna” Juracy Lacerda, secretário de Saúde O secretário de Saúde, Juracy Lacerda, lembra que a iniciativa fortalece toda a linha de cuidado do paciente, desde o evento agudo até a fase de reabilitação: “Estamos olhando o paciente de forma integral. Seja alguém que sofreu um AVC, seja quem convive com uma doença rara e encontrou dificuldades no processo de reabilitação, agora essa pessoa passa a ter a oportunidade de se reabilitar dentro de uma linha de cuidado estruturada, algo em que o Brasil ainda tem muito a avançar”. Segundo o gestor, o impacto vai além da saúde: “Estamos falando de pais, mães e filhos que poderão retomar atividades, conquistar mais autonomia e ter uma vida mais digna. Esse é o grande propósito do governo”. A iniciativa tem potencial para atender entre 1,5 mil e 2 mil pacientes por ano. Além disso, a estimativa é de uma economia acumulada superior a R$ 300 milhões em cinco anos para o sistema público de saúde, a partir da redução de internações prolongadas, reinternações e dos custos associados à dependência funcional. “Trata-se de um projeto de pesquisa com duração de 18 meses, desenvolvido em parceria com o Laboratório de Automação e Robótica da Universidade de Brasília”, detalha o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), Leonardo Reisman. “O projeto será executado em duas etapas: a aquisição de um exoesqueleto e o desenvolvimento de um andador robótico, ambos com aplicações de pesquisa e desenvolvimento na área de robótica.” Atendimento “Temos diversas pesquisas médicas em andamento, de grande relevância, e estamos muito entusiasmados em ampliar nossa participação neste projeto da Secretaria de Saúde, da FAP-DF e, sobretudo, do Governo do Distrito Federal, que demonstra uma visão voltada para toda a sociedade” Cleber Monteiro, presidente do Iges-DF De forma experimental, pacientes da rede pública com condições neuromotoras, como aqueles que sofreram AVC, poderão participar dos protocolos de reabilitação ainda no âmbito da pesquisa. “A incorporação definitiva dessas tecnologias à rede pública é uma etapa posterior”, explica Reisman. “Nesse primeiro momento, os 18 meses iniciais são voltados exclusivamente à pesquisa”. O centro atenderá pacientes da SES-DF que já estejam regulados em algum serviço da rede. O atendimento será feito a partir de encaminhamentos dos centros especializados em reabilitação (CERs) de Taguatinga e do Hospital de Apoio, além dos ambulatórios de saúde funcional das unidades hospitalares da SES-DF e do Iges-DF. O serviço é destinado a pessoas com sequelas de AVC, vítimas de acidentes de trânsito e pacientes com doenças neuromusculares degenerativas. O presidente do Iges-DF, Cleber Fernandes, pontua que o Hospital de Base, principal unidade da rede, também atua como hospital-escola e hospital de pesquisa. “Temos diversas pesquisas médicas em andamento, de grande relevância, e estamos muito entusiasmados em ampliar nossa participação neste projeto da Secretaria de Saúde, da FAP-DF e, sobretudo, do Governo do Distrito Federal, que demonstra uma visão voltada para toda a sociedade”, afirma o gestor. [LEIA_TAMBEM] Projeto A execução do projeto ficará sob a liderança do Laboratório de Automação e Robótica da Universidade de Brasília (Lara-UnB), referência nacional em robótica aplicada à saúde, com histórico consolidado de projetos financiados, patentes registradas e publicações internacionais. A iniciativa conta ainda com uma rede clínica parceira formada pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB/UnB), Hospital de Base e Hospital de Apoio, o que garante a validação das tecnologias em ambiente real de atendimento do SUS. A equipe multidisciplinar reúne engenheiros, fisioterapeutas e médicos especialistas, assegurando a integração de todo o processo, desde a concepção tecnológica à evidência clínica e à incorporação das soluções ao cuidado.
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Pesquisa em saúde do IgesDF tem como foco deste ano formação, inovação e fortalecimento
O ano de 2026 começa com perspectivas na inovação científica para a saúde pública do Distrito Federal. No Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), o período marca a consolidação de projetos estruturantes que integram tecnologia de ponta, ensino, pesquisa e cuidado humanizado. À frente dessas ações, a Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep) projeta um novo ciclo de expansão, com impacto direto na qualificação profissional, na segurança do paciente e na melhoria do acesso aos serviços de saúde. Uma das metas deste ano é a capacitação do Hospital Regional de Santa Maria como unidade de ensino | Foto: Alberto Ruy/IgesDF Entre as prioridades do planejamento estratégico deste ano está a capacitação de profissionais que atuam diretamente na assistência e a consolidação do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) como hospital de ensino. Esses avanços se apoiam em uma base educacional fortalecida ao longo do ano passado. “O relatório anual de 2025 revelou não apenas números expressivos, mas o fortalecimento de uma cultura institucional voltada ao aprendizado contínuo e à inovação”, destaca a titular da Diep, Emanuela Dourado. O gerente de Gestão do Conhecimento, Marcos Eduardo Siqueira, lembra que o engajamento recorde registrado no último ano, com quase 29 mil participações em capacitações, criou as condições para que a educação institucional se consolide, em 2026, como uma ferramenta estratégica de alinhamento organizacional e valorização dos colaboradores. Por sua vez, a superintendente de Inovação, Ensino e Pesquisa, Raquel Fonseca, enfatiza: “As ações educativas foram orientadas por pilares como aprimoramento de competências, melhoria da qualidade dos serviços, engajamento dos colaboradores e alinhamento estratégico”. Pesquisa e inovação A pesquisa científica também ganha protagonismo neste novo ciclo. Em 2026, o IgesDF amplia sua atuação como polo de produção de conhecimento, com a implementação do Programa Institucional de Fomento à Publicação e a edição 2026/2027 do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). A meta é superar as 155 publicações científicas alcançadas em 2025. [LEIA_TAMBEM]O impacto chega diretamente ao paciente por meio das pesquisas clínicas patrocinadas. No último ano, centenas de pessoas foram beneficiadas com tratamentos inovadores, especialmente nas áreas de oncologia e cardiologia. “Essa diversidade evidencia o alinhamento da pesquisa com as necessidades assistenciais prioritárias e com a incorporação responsável de tecnologias e terapias inovadoras”, avalia a gerente de Pesquisa, Ana Carolina Gomes Lagoa. Para ela, a certificação de novos grupos no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) reforça a institucionalização da pesquisa e amplia a visibilidade científica do IgesDF em nível nacional. A modernização digital segue como eixo estratégico. A plataforma de Educação a Distância (EAD), que apresentou crescimento contínuo no número de usuários, será o motor para treinamentos rápidos e eficazes. “A plataforma foi fundamental para o desenvolvimento contínuo dos profissionais”, observa a gerente de Inovação em Saúde, Paloma de Medeiros. “Em 2025, houve crescimento progressivo no número de alunos cadastrados, o que demonstra maior adesão tecnológica ao aprendizado institucional.” Redução de riscos Na formação prática, o Centro de Simulação Realística permanece como ferramenta essencial para a redução de riscos hospitalares. De acordo com o gerente de Ensino, Paulo Estevão Ramos, o fortalecimento das preceptorias e a integração com estágios obrigatórios contribuem diretamente para a segurança do paciente e a qualificação das equipes. “O estágio é fundamental para a consolidação de competências éticas, técnicas e humanizadas, indispensáveis à vida profissional”, pontua o gerente, para quem os programas de residência médica e multiprofissional são decisivos na garantia da atualização de protocolos clínicos e na capacidade de resposta das equipes assistenciais. Para o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, a educação, a pesquisa e a inovação deixaram de ser ações complementares para se consolidarem como ferramentas estratégicas de gestão no instituto. “Ao investir na qualificação dos profissionais, na produção de conhecimento e na incorporação responsável de tecnologias, o IgesDF reafirma seu compromisso com uma saúde pública mais moderna, eficiente e segura para a população do Distrito Federal”, afirma. *Com informações do IgesDF
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