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#TBT: Piscina com Ondas, um ícone da infância brasiliense

Quem viveu a Brasília da década de 1980 guarda até hoje com carinho as lembranças de um local que já esteve entre os destinos preferidos de lazer da segunda e terceira gerações de habitantes do Quadradinho. No coração da capital federal, mais precisamente no estacionamento 7 do Parque da Cidade, está localizada aquela que um dia foi a primeira e única piscina com ondas de toda a América Latina. Espaço icônico de diversão dos brasilienses marcou época e vai voltar a funcionar | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília Democrática e acessível, a Piscina com Ondas do Parque da Cidade era mais que um ponto de encontro e lazer. Ao longo dos quase 20 anos em que ficou aberto – desde a inauguração, em 1978, até ser desativado, em 1997- , o espaço figurou entre os principais refúgios para a seca brasiliense. Não à toa, no auge, suas águas agitadas com ondas de até 1 metro de altura foram capazes de reunir uma média de 10 mil pessoas aos fins de semana. Nesta quinta-feira, a Agência Brasília conta a história de um dos mais icônicos espaços de lazer do Distrito Federal em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que utiliza a sigla em inglês de throwback thursday (em tradução livre, quinta-feira de retrocesso) para relembrar fatos marcantes da nossa cidade. Clima de praia Para os brasilienses mais antigos, lembrar da Piscina com Ondas é reviver memórias nostálgicas de uma infância marcada por tardes ensolaradas, risadas e aventuras na água. A experiência de sentir as ondas artificiais batendo contra o corpo e a emoção de aguardar pelo som da sirene anunciando a cada dez minutos aquele que seria o próximo ciclo de ondas tornaram-se parte do folclore da cidade. O jornalista Nicolas Bonvakiades é da geração que mais aproveitou o local: “Ter uma piscina com ondas era uma modernidade, era um mar portátil em Brasília” | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília “Eu lembro muito bem: tocava um alarme anunciando o início das ondas e aí começava aquele barulho dos motores das máquinas”, lembra o jornalista Nicolas Bonvakiades, 56, que coleciona memórias da piscina. “A molecada ficava louca, era uma gritaria enorme. As crianças pulavam na água, e os salva-vidas ficavam desesperados. A gente brinca que eles trabalhavam até mais do que os salva-vidas das praias mesmo.” Bonvakiades conta que, à época do funcionamento do espaço, residia com a família no Guará, onde, segundo ele, as opções de lazer eram mais escassas. “Era uma região privilegiada, mas periférica”, pontua. “Não tínhamos tantos recursos, e era um período em que não se tinha tanta opção em Brasília, inclusive lazer com água. Apesar do Lago Paranoá e da Água Mineral já existirem, não se tinha tanto acesso ao automóvel, o que dificultava bastante o acesso a esses locais”. Como a piscina ficava em espaço de lazer bem no coração da cidade, era frequentada por muita gente, relata o jornalista: “Nesse contexto, por ser no Parque da Cidade, uma área mais central a que se tinha acesso por meio de transporte público, a Piscina com Ondas era a melhor alternativa para levar a família. Era um bando de meninos pegando ônibus naquela empolgação para ir até a piscina”. Para Nicolas e outros vários brasilienses, a Piscina com Ondas foi, também, o primeiro contato com o mar, ainda que em uma versão artificial. “Até então, a praia era algo inatingível para mim”, lembra. “Fui conhecer o mar aos 18 anos, quando tive condições de pagar uma viagem para a praia; era algo que eu só via na televisão, nos filmes da Sessão da Tarde. Então, ter uma piscina com ondas era uma modernidade, era um mar portátil em Brasília”. Inspiração para videoclipe O guitarrista Pinduca, da Maskavo Roots, lembra que a banda gravou um clipe no local e fez muito sucesso: “Era algo diferente, no resto do Brasil não tinha isso” | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília Não eram só as ondas que faziam sucesso. Os arredores do espaço também foram palco de momentos culturais únicos, com rodas de viola entoadas por estudantes locais e artistas até então desconhecidos, como Cássia Eller e Zélia Duncan. Mais que isso, a piscina virou até cenário para videoclipes de renomadas bandas brasilienses. Aos 49 anos, Carlos Pinduca, guitarrista da banda Maskavo Roots, retorna ao local que ilustrou uma das músicas de maior sucesso do grupo. Lançado em 1995, o videoclipe de Tempestade marcou uma geração. “Foi um clipe que entrou em alta. Na época do Estação MTV, ele pegou primeiro lugar no Disk MTV, que era um quadro em que o público pedia, escolhia qual clipe eles queriam assistir na programação”, recorda. “Com certeza, foi muito importante para que a banda ganhasse projeção nacional”. O músico conta que a ideia de gravar na Piscina com Ondas surgiu de uma reunião despretensiosa com produtores do canal de televisão. “Na época, era muito comum você lançar um disco ou uma música já com um clipe, e nisso nossos produtores entraram em contato com a MTV para tentar alinhar essa produção. Foi quando surgiu o Victor Civita, o Titti, que veio com uma equipe para Brasília produzir nosso clipe”. A ideia nasceu de um bate-papo informal, relata Pinduca. “Nós sentamos em uma mesa, em um restaurante, e o próprio Titti disse: ‘Vem cá, aqui tem uma piscina com ondas, não é? O que vocês acham da gente gravar lá?’. E topamos. Era algo diferente, no resto do Brasil não tinha isso. No dia seguinte, viemos conversar com alguém que administrava a piscina e em seguida viemos para gravar, nada muito burocrático. Inclusive, tinha gente frequentando a piscina quando viemos para gravar o clipe”. Imagem clássica da década de 1980: frequentadores ficavam esperando soar a sirene que antecedia a onda mecânica | Foto: Arquivo Público do DF Para o guitarrista, muito do sucesso da música se deve ao videoclipe gravado na Piscina com Ondas. A canção chegou a ter versões cantadas pelas bandas Skank e Pato Fu. “Hoje, a gente vê nos comentários do vídeo no YouTube pessoas de outros estados do Brasil – São Paulo, Rio Grande do Sul, estados do Nordeste: ‘Esse clipe fez parte da minha infância’. Foi uma grande exposição na época”, comemora. Reabertura Desativada desde 1997, a Piscina com Ondas do Parque da Cidade será reativada pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Em março, o Executivo anunciou a abertura de licitação para contratação de empresa ou consórcio que ficará responsável pelo projeto de recuperação do espaço, desde a infraestrutura até a parte de montagem e instalação dos equipamentos e brinquedos aquáticos. R$ 18,2 milhões Orçamento previsto para a reforma da Piscina com Ondas Com contratação orçada em mais de R$ 18,2 milhões, o projeto abrange a restauração e implantação de um complexo aquático, com piscina infantil contendo tobogãs para as crianças. Haverá, também, uma passagem que abrigará uma correnteza de águas brandas, conhecida como rio lento. Para a vice-governadora Celina Leão, a licitação marca a retomada de um dos espaços de lazer mais icônicos do DF. “Nós conseguimos com a Secretaria de Esporte e Lazer e a Novacap tirar do papel a obra que tem o maior valor afetivo para quem viveu nos primórdios de Brasília, que é a Piscina com Ondas”, ressalta. “Teremos uma empresa vencedora e o início imediato da obra. É uma boa notícia”. O secretário de Esporte e Lazer substituto, Mateus Bahia, reforça: “A Piscina com Ondas tem uma história muito valorosa para os brasilienses, primeiro por ter sido um dos principais pontos de lazer e segundo, por marcar várias gerações. Essa reforma é o resultado do compromisso do GDF com a população de Brasília. Ela vem para ressignificar esse espaço, tornando mais atrativo, moderno e seguro. Com o lançamento da primeira etapa da licitação lançada pela Novacap, o governo se demonstra sensível com essa pauta, e nós da Secretaria de Esporte e Lazer, vamos contribuir no que for preciso para dar celeridade a este processo”.   

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#TBT: Os blocos sem pilotis no Plano Piloto idealizados por Oscar Niemeyer

Os pilotis podem até ser uma das marcas registradas dos prédios residenciais das superquadras do Plano Piloto, já que a maioria dos edifícios da área central conta com os vãos livres. Porém, em meio a essas construções, é possível encontrar na parte sul do avião concebido pelo urbanista Lucio Costa algumas edificações totalmente térreas sem o sistema construtivo de sustentação. A história dos poucos prédios sem pilotis em Brasília é contada pela Agência Brasília em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF – referência à sigla em inglês de throwback thursday (em tradução livre, quinta-feira de retrocesso), que resgata a memória da cidade. Os prédios JK foram construídos entre os anos de 1959 e 1961 na Asa Sul em quadras como 408, 410 e 411 | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Apesar da valorização do conjunto de colunas sustentando os edifícios do Plano Piloto conforme previsto no projeto urbanístico de Lucio Costa, o arquiteto Oscar Niemeyer propôs a criação de prédios com três pavimentos, tendo o primeiro piso diretamente no térreo, sem a necessidade de elevadores. O objetivo era apresentar opções mais econômicas de moradia. Essas edificações foram construídas e inauguradas entre 1959 e 1961 na Asa Sul, em quadras como 408, 410 e 411. “Eles foram projetados para serem mais econômicos. A ausência de pilotis foi para baratear os custos, assim como o tamanho dos apartamentos e o acabamento com pastilhas coloridas na fachada. A ideia era abrigar os trabalhadores de menor renda no Plano Piloto”, lembra o publicitário e pesquisador João Amador, responsável pelo portal Histórias de Brasília. “A ausência de pilotis foi para baratear os custos, assim como o tamanho dos apartamentos e o acabamento com pastilhas coloridas na fachada” João Amador, publicitário O subsecretário do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), Ramón Rodríguez, reforça a explicação. “Logo na construção de Brasília, percebeu-se a necessidade de democratizar a moradia dentro do Plano Piloto e assim surgiram esses apartamentos menores e mais baixos, barateando ainda mais o custo. Essa era uma maneira de garantir que pessoas com uma renda menor pudessem viver no centro do conjunto urbanístico de Brasília”, revela. Essas edificações contam com lavanderia e depósito no subsolo Segundo as pesquisas do subsecretário, outros dois pontos costumam ser levantados também sobre o motivo das construções sem pilotis. Um deles é que os prédios mais baixos ocupavam a área das 400 para evitar que a umidade do Lago Paranoá fosse barrada para o restante das quadras. “Também tem uma versão de que as empregadas domésticas da época pediam construções que tivessem lavanderias no subsolo e, por isso, tiveram que tirar os pilotis”, conta. Curiosamente, esses prédios contam com dependências no subsolo para todos os proprietários, que têm diferentes atribuições, desde lavanderia até depósito. Os prédios térreos ficaram popularmente conhecidos como “Edifícios JK”. A principal teoria é de que sejam uma espécie de homenagem ao idealizador de Brasília, o ex-presidente Juscelino Kubitschek. “Os prédios não tinham nome nenhum e ganharam o apelido de JK –  acho que como forma de agradecimento ao presidente de ter pensado nisso de diversificar o Plano Piloto”, comenta João Amador. Até hoje os prédios despertam curiosidade por fugirem dos tradicionais monumentos de Oscar Niemeyer. “Tem muitos arquitetos que vão até as quadras para conferir os edifícios. Acabou virando um ponto turístico para esse público”, acrescenta o pesquisador. A aposentada Marizete Rezio Raugusto, 61 anos, mora no térreo de um dos edifícios JK, na 411 Sul, há quase 30 anos e afirma que gosta do conceito arquitetônico: “Esse prédio é uma coisa rara e foi bem feito, a estrutura foi muito bem pensada”. Ela acredita que a ausência dos pilotis aumenta a proximidade dos moradores com a natureza. “Sempre falo que a gente mora na roça, é como se tudo aqui fosse nosso quintal. Temos muitas árvores com frutas, principalmente manga e abacate”, completa.

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#TBT: a história do relógio que viajou continentes rumo ao Centro de Taguatinga

Para além do espaço físico que interliga e conecta quadras de Taguatinga, onde milhares de pessoas circulam de ônibus e metrô, a Praça do Relógio é um ponto de encontro especial da região administrativa. Patrimônio cultural e artístico do Distrito Federal, ela foi, por muitos anos, palco de diversas manifestações culturais, artísticas e de lazer. Ponto icônico de Taguatinga, praça mantém o relógio presenteado ao GDF pelo então presidente da  Citizen Watch, Eichi Yamada | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília A história do espaço é contada pela Agência Brasília, em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que aproveita a sigla em inglês de throwback thursday (em tradução livre, “quinta-feira de retrocesso”) para reviver o passado brasiliense. Quem passa pelo Centro de Taguatinga já está acostumado com o monumento de aproximadamente 15 metros de altura que dá nome à praça. O relógio que está posicionado no coração da cidade é uma doação da fabricante Citizen Watch. Ponto de interação “Há espaços na Praça do Relógio que não estavam totalmente previstos no projeto inicial da cidade; isso mostra uma apropriação pela população local” Maria Fernanda Derntl, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB Tudo aconteceu depois de uma visita a Brasília do então presidente da empresa, Eiichi Yamada, em 1970. A boa experiência na capital federal o inspirou a presentear o DF com uma criação especial, exclusiva. Após meses de preparação, o relógio com quatro lados, dentro de uma estrutura de concreto quadrada e sustentado por uma torre de mais de 10 metros de altura, estava pronto para ser doado à cidade. A única região administrativa que estava apta a receber o monumento era Taguatinga. A Praça Central de Taguatinga, criada em meados de 1960, foi o local ideal para instalar o relógio da Citizen Watch. Em dezembro de 1970, batizado com novo nome de Praça do Relógio, o ponto se tornou um dos principais marcos de referência da cidade devido à localização central e à configuração arquitetônica. De acordo com a professora Maria Fernanda Derntl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), o local foi palco de importantes manifestações sociais por parte dos moradores de Taguatinga. “Há espaços na Praça do Relógio que não estavam totalmente previstos no projeto inicial da cidade; isso mostra uma apropriação pela população local”, afirma. Espaço público O relógio monumental, com mostradores dos quatro lados da grande coluna, se destaca no visual central da cidade | Foto: Arquivo Público do DF “A praça tem um papel importante tanto na sua função local, de uso cotidiano no espaço, com metrô, administração regional e pontos de ônibus, quanto por ser um espaço que articula Taguatinga com todo o Distrito Federal”, defende a professora. Apesar do incontestável valor para a comunidade local, a praça teve que resistir ao tempo e às diversas propostas de demolição ao longo da história. Na contramão dos que queriam o fim do espaço, moradores da cidade se reuniram e, com um abaixo-assinado, em 1985, solicitaram o tombamento do relógio. O pedido foi atendido pelo Governo do Distrito Federal, e tanto o relógio quanto a praça seguem como patrimônios culturais e artísticos do DF. “A população de Taguatinga estava em um momento em que desejava expressar sua presença nesse contexto do DF”, relata a professora. “A cidade já vinha emergindo como um polo importante no setor do comércio e serviços. Eles conseguiram eleger um marco na paisagem. O relógio é mais um ponto marcante de um espaço público que deseja valorizar a população que frequentava o espaço e exigia atenção do governo.” Movimento Terezinha de Jesus Pereira Vitor é uma das artesãs que comercializam trabalhos no local: “Para mim, a Praça do Relógio representa o pão de cada dia de nós que trabalhamos aqui” | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília Com o passar dos anos, o local foi ganhando ainda mais destaque. É lá onde ficam a Estação Praça do Relógio e a sede da administração regional, além de pontos de lazer e cultura. Atualmente, o espaço também é o local de trabalho para mais de 70 mulheres artesãs. Durante três dias na semana de cada mês, profissionais do artesanato montam barraquinhas para vender a produção mensal em um dos pontos mais movimentados da região administrativa. A Praça do Relógio se transforma para receber o Grupo Arte e Artesanato de Taguatinga. A coordenadora do grupo, Terezinha de Jesus Pereira Vitor, 82, ressalta que a praça é o local de trabalho para muitas mulheres em busca de melhores condições de vida. “Para mim, a Praça do Relógio representa o pão de cada dia de nós que trabalhamos aqui. Se não fosse a praça e as nossas feiras de artesanato, estávamos todas em casa sem ter o que fazer.” Comércio As feirinhas de artesanato no local começaram em março de 2011 e reúnem cerca de 30 a 40 artesãs que expõem aproximadamente mil produtos de fabricação própria, como crochês, tricôs, roupas e bolsas. Hoje, elas comemoraram as conquistas no espaço onde trabalham, como é o caso da obra de revitalização recentemente anunciada. “Antes, a chuva levava as nossas tendas e mercadorias. Quando falaram que haveria reforma aqui na praça foi a melhor notícia do mundo porque ela vai ficar um espetáculo. Vai ficar muito linda, além de dar uma oportunidade de a gente trabalhar mais e dar mais conforto às pessoas que transitam. Essa é uma das grandes conquistas nossas”, comemora Terezinha. Segurança Uma das principais queixas de quem passava horas na Praça do Relógio trabalhando, a insegurança já não será mais um problema. O GDF já começou com as obras no local. Inicialmente, estão sendo investidos R$ 170 mil de um total de R$ 5,5 milhões para a execução do projeto de reabilitação dos espaços urbanos no local, como bancos e mesas. “O meu mundo é isso aqui, a minha vida é a Praça do Relógio”, diz Terezinha. “Todos os dias, as artesãs me perguntam se já tem prazo para concluir a obra, porque estamos todas empolgadas para poder reinaugurar nossas feiras de artesanatos no local novo.” O projeto de recuperação da Praça do Relógio foi elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh-DF). Entre as melhorias previstas para o ponto histórico mais famoso de Taguatinga estão acessibilidade, mais iluminação, paisagismo e instalação de bancos e lixeiras, além de conexão com o projeto do boulevard acima do Túnel Rei Pelé.

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#TBT: Concha Acústica, um cartão-postal da música

A Concha Acústica de Brasília guarda uma magia. Talvez por conta do céu, do Lago Paranoá e de toda a natureza em volta do monumento que forma o cenário ideal. O fato é que o primeiro palco de Brasília caminha lado a lado com a história da música na capital. Nomes como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Nando Reis, além de bandas como Capital Inicial e Pato Fu, marcaram presença em um dos principais cartões-postais da cidade. A Concha Acústica de Brasília recebeu o primeiro show em 1960, mas só foi inaugurada oficialmente em 1969 | Foto: Arquivo Público do DF A Agência Brasília conta a história do teatro de arena em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que aproveita a sigla em inglês de Throwback Thursday (em tradução livre, quinta-feira do retrocesso) para reviver momentos marcantes do palco que pertence a todas as tribos e gerações. Assim como os vários monumentos da capital federal, a Concha Acústica foi projetada por Oscar Niemeyer. Em forma de anfiteatro ao ar livre, o palco, em nível inferior ao da plateia, é dotado de concha acústica com 42 metros de comprimento e 5 metros de altura na parte mais elevada, com o objetivo de integrar a arquitetura do projeto com a natureza. O espaço conta também com dependências para bilheteria, camarins, banheiros e estacionamento público. E tem capacidade para receber 5 mil pessoas sentadas. No cenário musical, a primeira apresentação feita na arena foi do Balé Municipal do Rio de Janeiro, em 1960, na inauguração de Brasília. O maior público já registrado dentro do teatro foi no concerto dos líderes do movimento da Jovem Guarda, em 1967 – Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, que levaram 25 mil pessoas para a Concha. Em 2021, o local teve sua estrutura interna totalmente restaurada | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília Contudo, a inauguração oficial só veio em 1969, quando a Terracap doou o terreno para a Fundação Cultural de Brasília, atual Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF). Entre as atrações, logo após a oficialização, foi antológico o show de Roberto Carlos, em 1971. Nos anos 1980 e 1990, outros artistas locais e de renome nacional passaram pelo palco do monumento. “Qualquer atração que se adapte a um palco pode se apresentar aqui na Concha. Recebemos shows de comédia, apresentações musicais de todos os estilos, orquestra sinfônica, filarmônica, cinema, eventos para crianças. Se falarmos da história, aqui houve shows enormes, porque a Concha foi o primeiro espaço para atrações”, conta o gerente do espaço cultural, Marcelo Gonczarowska. O gestor destaca também o papel democrático da arena, que atende público e artistas de todos os gostos e bolsos: “O papel da Concha é receber eventos da comunidade, daqueles artistas que precisam de espaços para se apresentar, e priorizamos aqueles que sejam gratuitos para o público. Mas se é um evento pago, tem que ser feita a reversão para a comunidade pelo uso do espaço, e é cobrada uma taxa”. Palco para os artistas Entre os mais antigos a se apresentarem no local está o regente da Orquestra Filarmônica de Brasília, Doner Cavalcante. Na década de 1980, ele era um dos principais assessores do maestro Claudio Santoro, da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. “Minha história com a Concha é bem antiga; na década de 1980, realizamos o programa Ouro, com a Orquestra Sinfônica. Eram espetáculos lindíssimos”, relembra. [Olho texto=”Assim como os vários monumentos da capital federal, a Concha Acústica foi projetada por Oscar Niemeyer. Em forma de anfiteatro ao ar livre, o palco, em nível inferior ao da plateia, é dotado de concha acústica com 42 metros de comprimento e 5 metros de altura na parte mais elevada, com o objetivo de integrar a arquitetura do projeto com a natureza” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] Anos depois a frente da Orquestra Filarmônica, o maestro passou a realizar apresentações quase que anuais no espaço, com grandes públicos infantis e levando para o espaço a música clássica. “É um ótimo local. Recentemente, em 2022, fizemos quatro festivais e, no ano passado, fizemos o festival sinfônico com três grandes espetáculos, com artistas de renome da cidade. De certa forma, popularizamos a orquestra e a música clássica, mostrando de maneira gratuita o que ela pode ser para todos”, completa Doner Cavalcante. A banda brasiliense de reggae Jah Live, que nasceu em 1998, já viveu bons momentos no palco da Concha. A primeira apresentação foi em 1999; e, depois disso, as apresentações se tornaram frequentes nas tardes de domingo. “Na época da seca, tínhamos aquele pôr do sol maravilhoso, e isso ficou marcado na nossa história. É sempre um show lindo, com um visual maravilhoso. A Concha tem esse diferencial de viver uma experiência. Eu já estive como espectador e como músico. E se apresentar aqui é algo incrível; esse formato possibilita uma acústica muito inteligente, porque o som se propaga”, conta o baterista Martin Barreiro. “O palco na parte inferior permite que o público enxergue o show de todos os ângulos.” A Concha já recebeu espetáculos de todos os tipos, como shows musicais e peças de teatro | Foto: Arquivo Público do DF Além dos diversos espetáculos abrigados em Brasília, a Concha Acústica está marcada por ser a precursora de um dos maiores eventos musicais do Centro-Oeste. O Porão do Rock deu o seu primeiro sinal de vida no palco da Concha, com uma programação de 14 bandas do DF. A coletânea seguiu por lá em 1999, mas já era grande demais para ficar contida entre os bancos de concreto. Obras no centro cultural A Concha Acústica passou por algumas pausas para reformas. O espaço, que não recebia obras havia cerca de 18 anos, sofreu duas intervenções na gestão do governador Ibaneis Rocha. Em 2021, o local teve a estrutura interna totalmente restaurada. Entre os serviços realizados, estão pintura completa, troca de piso e alambrado, instalação de refletores, substituição de vidros, limpeza das lajes, reparos hidráulicos e elétricos, entre outros. O investimento foi de aproximadamente R$ 500 mil. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] Agora em fase final de acabamento, a área localizada entre a Concha Acústica e o Museu de Arte de Brasília (MAB) foi equipada com calçadas, estacionamentos, paisagismo e uma praça que interliga os dois centros culturais. Estão sendo feitos serviços de drenagem pluvial, com instalação de grelhas de ferro fundido, construção de 12.398 m² de calçada em concreto e implantação de 3.969 m² de ciclovia. O paisagismo inclui um amplo gramado, com o plantio de cerca de 8,3 mil mudas do Cerrado. Além disso, para o conforto dos visitantes, foram instalados 14 bancos individuais e 29 coletivos, juntamente com placas de sinalização que incluem recursos de linguagem em Braille e piso tátil. “A Concha Acústica foi devolvida à comunidade após [ter ficado] muitos anos fechada, e está junto ao MAB pelo aspecto interdisciplinar. Podemos fazer exibição de filmes, shows e outros eventos. É um espaço convidativo em um setor que tem uma destinação cultural. A reforma traz a verdadeira vocação do espaço”, conclui o subsecretário do Patrimônio Cultural, Felipe Ramón.

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