Projeto Tramela Aberta sensibiliza servidores sobre direito das mulheres
A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes–DF) concluiu, nesta quinta-feira (2), o primeiro ciclo do projeto de Capacitação Permanente em Direitos das Mulheres e Diversidade — Tramela Aberta. O objetivo do projeto é sensibilizar servidores para essa temática, de forma que eles apliquem os conhecimentos adquiridos e aprimorem os atendimentos realizados nas unidades socioassistenciais. O encontro final reuniu cerca de 40 participantes no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) Núcleo Bandeirante. Tramela Aberta: discussões sobre como aplicar na prática conhecimentos teóricos sobre direitos das mulheres, diversidade e questões de gênero | Fotos: Cynthia Ribeiro/Sedes-DF “O objetivo do Tramela Aberta é difundir os conhecimentos sobre direitos das mulheres, diversidade e discussões de gênero, e essa difusão é voltada para ter conhecimentos teóricos e como aplicar isso na prática dos atendimento diários da ponta”, explica a educadora social da Sedes e mediadora do Tramela Aberta, Polliana Machado, lotada no Cecon Gama Sul. "Quando os servidores ampliam seus conhecimentos sobre os direitos das mulheres e as questões de gênero, eles estão mais preparados para oferecer um acolhimento qualificado, humanizado e sensível às situações de violência e vulnerabilidade" Giselle Ferreira, secretária de Desenvolvimento Social Nesse primeiro ciclo, com duração de quatro meses, o Tramela Aberta realizou reuniões quinzenais para discutir temas relacionados aos direitos das mulheres, o conceito de gênero e as suas consequências na sociedade. A atividade final teve como objetivo ampliar essa discussão sobre gênero para qualificar o atendimento às mulheres em situação de violência e proporcionar um espaço de escuta e acolhida para os servidores. Agendas institucionais “A ideia é que em cada semestre nós estejamos em unidades diferentes da ponta, seja na execução direta ou indireta, compartilhando os resultados das discussões do Tramela no semestre, voltados para o tema que a gente buscou discutir ao longo dos meses anteriores. Esse primeiro módulo discutiu o conceito de gênero e as suas consequências para a sociedade. No próximo, vamos tratar sobre política de cuidado e gênero, vamos discutir a questão do cuidado e de gênero dentro dos nossos atendimentos, das vivências das mulheres, tanto as mulheres que atendem, quanto as que são atendidas”, ressalta Polliana Machado. [LEIA_TAMBEM]A capacitação Tramela Aberta foi idealizada pela Câmara Técnica de Proteção Social às Mulheres da Sedes-DF. Por se tratar de uma capacitação permanente, as turmas e os temas serão sempre renovados, para que mais pessoas sejam capacitadas. A Câmara Técnica foi criada dentro da Subsecretaria de Assistência Social (Subsas), com intuito de fortalecer as agendas institucionais, ampliar a defesa e promoção dos direitos das mulheres, além de capacitar os servidores sobre questões de gênero. "Investir na formação permanente das nossas equipes é investir na qualidade do atendimento prestado à população. Quando os servidores ampliam seus conhecimentos sobre os direitos das mulheres e as questões de gênero, eles estão mais preparados para oferecer um acolhimento qualificado, humanizado e sensível às situações de violência e vulnerabilidade", destaca a secretária de Desenvolvimento Social, Giselle Ferreira. Esse é um compromisso da Sedes para fortalecer a proteção social e garantir um atendimento cada vez mais efetivo às mulheres que buscam nossos serviços", reforça. *Com informações da Sedes-DF
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Creas da Diversidade fez 1,3 mil atendimentos contra direitos violados neste ano
O Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) da Diversidade já realizou, de janeiro a junho deste ano, 1.297 atendimentos particularizados, abrangendo 397 famílias, sendo cerca de 80%, de pessoas LGBTQIAPN+. Os dados são do Sistema de Assistência Social (Sids) da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), gestora da unidade. O espaço atende especificamente pessoas que tiveram os direitos violados devido à orientação sexual, identidade de gênero, raça, etnia ou religião. Planejado para atender a diversidade em toda a sua expressão, o Creas da Diversidade é pioneiro no Brasil. O principal critério de atendimento é se a vítima sofreu algum tipo de violação de direito motivada pela questão da diversidade, como violência física, sexual ou psicológica, afastamento do convívio familiar, abandono, negligência, trabalho infantil ou outra violação. Diferentemente do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que trabalha com prevenção, o Creas atua em situações de maior complexidade e gravidade. Caso o titular não esteja em um desses casos, mas vivencie situação de vulnerabilidade socioeconômica, deve agendar atendimento em um Cras mais próximo. O principal critério de atendimento no Creas é se a vítima sofreu algum tipo de violação de direito motivada pela questão da diversidade | Foto: Divulgação/Sedes-DF “A maioria dessas pessoas estão em vulnerabilidade a partir do rompimento do vínculo familiar simplesmente por serem quem são”, pontua a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra. São histórias repletas de desafios e o Creas Diversidade acompanha a maioria delas, contribuindo para a superação com inclusão social e visibilidade dessas pessoas”, completou Ana Paula. O Creas da Diversidade está localizado na Quadra 614/615 da L2 Sul, no Plano Piloto, e funciona das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira. O atendimento ocorre quando a própria pessoa procura o centro de referência (demanda espontânea) ou por encaminhamento de outros órgãos (Saúde, Justiça, Assistência Social e Conselho Tutelar, por exemplo), também chamado de demanda externa. Nos dois casos, a pessoa é registrada em um sistema interno de atendimento. Depois, é convidada para uma reunião de acolhida coletiva mensal. Nessa acolhida, é explicado o funcionamento da unidade e os serviços e ações oferecidos pelo Creas da Diversidade. Após o encontro coletivo, é feito um agendamento para atendimento individualizado com um especialista em assistência social. Nesse momento, o profissional realiza escuta qualificada para compreender melhor as necessidades do usuário. Caso seja preciso, a vítima é incluída no acompanhamento realizado por meio das ações do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi). Nesse processo, pode ser construído um Plano Individual de Atendimento (PIA), no qual são estabelecidos objetivos e ações tanto para o Creas quanto para o usuário. “É um serviço de extrema importância para a Política de Assistência Social, pois reafirma o princípio constitucional de que todas as pessoas são sujeitos de direitos, independentemente de raça, credo, orientação sexual ou identidade de gênero”, destaca a gerente do Creas Diversidade, Grazielle Blanco. “Nosso trabalho busca desconstruir a ideia equivocada que ainda persiste em nossa sociedade, de transformar diversidade em desigualdade”, complementou. Entre as principais ações e serviços desenvolvidos no Creas da Diversidade, estão: → Inclusão e garantia dos direitos constitucionais; → Acesso aos serviços e benefícios socioassistenciais, como Cadastro Único, Bolsa Família e benefícios eventuais em razão da vulnerabilidade socioeconômica; → Intermediação para garantia de direitos junto a outras políticas públicas, como saúde, educação e segurança pública; → Atendimento psicossocial individual e em grupo visando o enfrentamento aos crimes de racismo e LGBTfobia; → Demanda por acolhimento institucional; e → Encaminhamento para inclusão no mercado de trabalho. *Com informações da Sedes-DF
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Espaços da Secretaria de Desenvolvimento Social passam por reforma e manutenção
A Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes) tem como missão principal garantir os direitos da população em situação de vulnerabilidade e risco social. É fundamental, portanto, que os espaços físicos dela ofereçam uma sensação de acolhimento e proteção. É exatamente por isso que boa parte dos equipamentos da Sedes está passando por trabalhos de reforma e manutenção. Entre Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), Centros de Convivência (Cecons), Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centros Pop), restaurantes comunitários e demais aparelhos, são 94 espaços, dos quais, 45 passam ou passaram recentemente por obras, segundo o subsecretário de Administração Geral da Sedes, Edward Fonseca de Lima. Só neste ano, foram investidos nos reparos R$ 8,7 milhões. Os equipamentos da Sedes passam por manutenções corretivas ou preventivas para atender melhor à população em situação de vulnerabilidade ou risco social | Fotos: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília “São manutenções corretivas ou preventivas e a gente tem um cronograma para que elas atinjam todas as unidades”, explica o subsecretário. “Tem unidade que estava há 20, 25, até 30 anos sem uma manutenção interventiva, estrutural mesmo, de elétrica, hidráulica, telhado, piso”, acrescenta. Em todo o ano passado, 232 mil famílias foram atendidas pela Sedes. Para este ano, a previsão é de que o número chegue a 282 mil. Até o momento, foram atendidas 132 mil. Há uma preocupação da secretaria em não paralisar esses atendimentos enquanto as obras são realizadas. Dessa forma, a depender do trabalho que esteja sendo realizado, os acolhimentos são feitos em uma parte dos prédios ou mesmo de forma remota. “A gente não pode paralisar, a gente precisa viabilizar esse atendimento. Então, as nossas equipes elaboram uma metodologia de atendimento que vai fazer com que a unidade não pare”, diz Edward. “Quando não tem o espaço adequado, a gente prejudica a política pública” Edward Fonseca de Lima, subsecretário de Administração Geral O subsecretário ainda enfatiza a importância de um espaço bem cuidado no acolhimento à população: “Quando não tem o espaço adequado, a gente prejudica a política pública. Um equipamento bem estruturado vai ter impacto significativo na política pública, não é só a obra efetivamente, mas a capacitação dos servidores, o mobiliário novo, os aparelhos de ar-condicionado, as salas adequadas… O equipamento é, de fato, essencial para o desenvolvimento da política pública”. Que o diga o agente social Eduardo Moraes. Ele trabalha no Cras do P Sul, em Ceilândia — um dos equipamentos entregues recentemente —, e destaca a criação de salas para atendimento individualizado. “Melhorou bastante em questão de privacidade do usuário. Hoje ele pode ter um atendimento mais humanizado, mais especializado”, afirma. “Quando tem essa privacidade, ele consegue ser mais verdadeiro no que está passando, nas suas dificuldades, não tem vergonha de falar suas necessidades”, completa. Eduardo Moraes comemora a reforma no Cras do P Sul, onde trabalha: “Melhorou bastante em questão de privacidade do usuário” Os usuários também aprovaram as instalações reformadas. “É muito bom. Agora está novinho, não pegamos mais chuva ali”, celebra o aposentado Edgar Alves, de 69 anos, referindo-se à entrada do local, agora coberta. “[Ficou] Mais acolhedor, a comunidade merece”, emenda Alice Pereira, 31. Equipamentos De acordo com a Sedes, os Cras são a porta de entrada para a política de assistência social. Eles oferecem, entre outras coisas, atualização de Cadastro Único, inclusão em benefícios de segurança alimentar e demais auxílios, e acompanhamento familiar com especialistas em assistência social a todas as pessoas. Alice Pereira destaca que o novo Cras do P Sul ficou “mais acolhedor” Os Creas, por sua vez, atuam em situações de maior complexidade e gravidade, atendendo pessoas que tenham sido vítimas de algum tipo de violação de direito, como violência física, sexual ou psicológica, afastamento do convívio familiar e abandono. Os Centros Pop servem como um ponto de apoio para guarda de pertences, higiene pessoal, alimentação e provisão de documento às pessoas em situação de rua. Eles não são, contudo, um abrigo. Por fim, os Cecons são espaços públicos onde grupos se encontram para a realização de atividades, tais como debates e oficinas. Esses espaços têm caráter preventivo e proativo, e são voltados à afirmação de direitos e ao desenvolvimento de capacidades.
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Mulheres têm protagonismo na assistência social do DF
A família de Márcia Maria de Araújo, 29 anos, passou aperto no final de 2020. A diarista não conseguia trabalho por conta da pandemia da covid-19. Com um marido vivendo de bicos e um filho para criar, a moradora de Brazlândia decidiu que precisava agir – fez cadastro no programa DF Social e passou a receber R$ 150 mensais para auxiliar nas despesas. [Olho texto=”“Temos a referência feminina em todos os nossos programas. A referência familiar tende sempre a ser a figura feminina”” assinatura=”Mayara Noronha Rocha, secretária de Desenvolvimento Social” esquerda_direita_centro=”direita”] “Meu esposo nunca se mexeu para correr atrás do benefício, ficou tudo nas minhas mãos”, lamenta. “É um dinheiro que faz diferença no nosso mês. Só assim consigo fechar as contas”, conta Márcia Maria. O DF Social foi criado em dezembro de 2021. Apesar de ser voltado para toda a família, o público feminino compõe cerca de 90% dos cadastrados. O programa, de fato, privilegia a mulher provedora – a ajuda financeira é concedida prioritariamente a famílias monoparentais chefiadas por mulheres, com crianças de até 6 anos e renda de até meio salário mínimo. Mas esse modelo familiar retrata apenas 35,24% dos beneficiados. “A assistência social tem seu foco na família, mas de modo que a mulher é o pilar principal. Temos a referência feminina em todos os nossos programas. Seja ela mãe, esposa, filha ou irmã, a referência familiar tende sempre a ser a figura feminina”, enfatiza a secretária de Desenvolvimento Social, Mayara Noronha Rocha. Márcia Maria é beneficiária do DF Social: “Meu esposo nunca se mexeu para correr atrás do benefício, ficou tudo nas minhas mãos” | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília “Ainda vivemos em um patriarcado que imputa às mulheres a responsabilidade pelo lar, não só no que diz respeito às tarefas domésticas, mas também à gestão da casa”, comenta a pesquisadora e doutoranda em Política Social pela Universidade de Brasília Marjorie Nogueira Chaves. “Correr atrás desses benefícios tão essenciais para a manutenção das famílias fica a cargo delas.” [Numeralha titulo_grande=”90%” texto=”dos cadastrados no programa DF Social são mulheres” esquerda_direita_centro=”esquerda”] O DF Social é apenas um dos programas assistenciais oferecidos às mulheres do Distrito Federal. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) também conta com benefícios voltados para situações pontuais ou emergenciais. É o caso do auxílio-natalidade, amparo concedido para recém-paridas em duas opções de formato. “A mãe pode escolher entre receber o benefício em dinheiro, no valor de R$ 200 por criança nascida, ou ganhar uma bolsa-maternidade”, explica a assistente social da Sedes Kariny Alves. O kit contém body fechado, cobertor, cueiro, culote, macacão longo, macacão curto, meia, toalha, casaco com capuz, fralda descartável, lenço umedecido e pomada antiassadura. A Casa Flor oferece 35 vagas para mulheres que precisam de local para dormir, comer e fazer higiene pessoal | Foto: Divulgação/Secti Um teto para elas Mulheres em situação de desabrigo também recebem atenção especial do Governo do Distrito Federal (GDF). Para aquelas que não têm filhos, a esperança pode estar na Casa Flor. A unidade, localizada em Taguatinga Sul, oferece 35 vagas para o público feminino que precisa de um local para dormir, comer e fazer a higiene pessoal. “Temos atendimento socioassistencial feito por psicólogos, assistentes sociais e pedagogos”, detalha Kariny. “Desenvolvemos um plano de acompanhamento tanto para trabalhar as questões que levam à condição de vulnerabilidade quanto para descobrir alguma potencialidade que a mulher tem que permita sua inserção no mercado de trabalho.” O GDF também firmou parceria com instituições da sociedade civil para garantir mais casas de acolhimento específicas para o público feminino. “São dois abrigos para mulheres com crianças, um no Guará e outro em Ceilândia, e um para mulheres solteiras sem crianças, também em Ceilândia”, informa Kariny. [Olho texto=”Quando o assunto é violência, a presença feminina nas unidades de acolhimento ainda é majoritária” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] “Temos ainda as unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) – mas nelas o atendimento não é exclusivo para mulheres”, informa a assistente social. Violência de gênero Quando o assunto é violência, a presença feminina nas unidades de acolhimento ainda é majoritária. O Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) recebe famílias que vivenciam violação de direitos ou agressão – seja ela sexual, física ou doméstica. Ainda que não seja restrito às mulheres, elas representam cerca de 80% dos atendimentos. “Trabalhamos para que elas tenham meios de sair da situação de violência”, explica Kariny. “Muitas se submetem a um relacionamento abusivo por serem dependentes financeiramente, por exemplo. Então, focamos nossa atuação na inserção dessas vítimas no mercado de trabalho.” [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Faz parte do planejamento da Sedes para 2023 a implementação do programa Agentes de Cidadania. A ideia é incentivar o protagonismo feminino, mostrar que as mulheres podem transformar não só sua própria vida, mas também sua comunidade. As participantes serão selecionadas pelas equipes do Cras e do Creas. O projeto será composto por quatro ciclos: autoconhecimento, protagonismo dentro da sociedade, habilidades profissionais e encaminhamento para alguma ação voltada para o trabalho. O Agentes de Cidadania deve ter um ano de duração – enquanto participar do programa, as mulheres devem receber uma mensalidade no valor de R$ 300.
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