Educação e acolhimento fazem parte do tratamento para diabetes no HCB
O tratamento do diabetes vai muito além da aplicação de insulina e da medição de glicose na ponta do dedo. Por trás desse controle diário, existe uma realidade invisível para a maioria das pessoas. São noites sem dormir, medo constante de uma crise de hipoglicemia, receio dos julgamentos sociais ao usar um sensor ou aplicar o medicamento em público e o peso de lidar com uma condição crônica que não tira férias. Por isso, no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), o Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, ganha um significado que vai muito além do ambiente de consultório. Paola Brugnera, endocrinologista pediátrica e médica responsável técnica do Programa de Diabetes do HCB, explica que o hospital atende os pacientes de forma individualizada. Cada criança possui uma rotina, necessidades e hábitos alimentares específicos, demandando um plano de tratamento individualizado que inclui desde os bebês até adolescentes atendidos. "O diferencial do Hospital da Criança de Brasília é ter uma equipe multidisciplinar. O paciente passa por diferentes áreas: endocrinologia, psicologia, enfermagem e técnico de enfermagem que faz o acolhimento, assistência social e nutrição”, destaca Brugnera, reforçando: "Não adianta a gente só entregar a receita de insulina, se não atendermos o paciente nas suas individualidades". Uma das etapas do acompanhamento é a educação nutricional, que funciona como um meio de libertação e não de privação. A nutricionista clínica do HCB, Ana Rosa Arruda, ressalta que o foco do trabalho não é impor restrições severas, mas sim ensinar o que compõe cada alimento e como fazer escolhas inteligentes. "A educação nutricional no diabetes não é só o que eu vou comer e o que eu não posso comer. Vai muito além, vai de saberem do que os alimentos são feitos, de quais alimentos vão poder comer com uma certa frequência, quais os alimentos vão ter que comer com pouca frequência; como podem transformar esses alimentos em mais saudáveis”. O HCB organiza palestras de contagem de carboidratos para explicar como ajustar a dose de insulina à quantidade exata de alimento que vai ser consumido, garantindo liberdade para participar de festas e lidar com mudanças de rotina. A nutricionista orienta não só a saúde nutricional da criança, mas da família também. “O alimento de toda a família deve ser saudável; não precisa comprar dois tipos de iogurte, não precisa comprar dois tipos de biscoitos. Também não é porque a criança é diabética que a alimentação dela é diferente da outra na faixa etária dela, no gênero dela”, afirma Arruda. Ela também incentiva o consumo de alimentos minimamente processados em vez de ultraprocessados. Rafaela Silva, mãe de Fernanda da Silva (foto), 10 anos, relata que o acompanhamento multidisciplinar do Hospital faz uma grande diferença na vida da filha | Foto: Ana Carolina Magela/HCB Além das consultas e palestras, a equipe do HCB realiza o Dia ABCD, que significa “Aprendendo Brincando Com o Diabetes”. É um evento em que os pacientes passam o dia inteiro com a equipe multidisciplinar, participando de jogos e dinâmicas lúdicas voltadas ao aprendizado da condição, que também permitem a criação de laços de amizade entre as crianças e adolescentes. "Às vezes, a criança não conhece outra pessoa que também tem diabetes, que vive a mesma realidade dela. Essa troca, esse se enxergar no outro faz toda a diferença", relata a médica Paola Brugnera. Os responsáveis também participam do Dia ABCD, simulando a rotina de medições e aplicações dos filhos. "Os pais são colocados no lugar dos seus filhos de medir glicemia, de aplicar insulina. Nisso, conseguimos perceber algumas barreiras de empatia, porque quando nos colocamos no lugar do outro, passamos até a entender um pouquinho da nossa postura de cobrança, de brigar", afirma Brugnera. Rafaela Silva, mãe de Fernanda da Silva, 10 anos, relata que o acompanhamento multidisciplinar do Hospital faz uma grande diferença na vida da filha. “Esse atendimento multidisciplinar para ela fez muito efeito, com a nutricionista, junto com a psicóloga, junto com o médico, isso fez total diferença no tratamento dela". Fernanda, que completou quatro anos de diagnóstico na mesma semana em que é comemorado o Dia Nacional do Diabetes, exibe com orgulho o aprendizado adquirido nos momentos passados no HCB: "Eu aprendo como controlar a minha glicemia, fazer contagem de carboidrato, controlar a minha meta. No meu diário alimentar, eu anoto tudo que eu como, a quantidade que como, peso e quantos copos de água eu bebo no dia". A mãe, Rafaela, destaca que as palestras são essenciais para democratizar o conhecimento, servindo como um porto seguro para mães que não têm acesso a cursos externos de capacitação. O impacto emocional do diagnóstico é outra frente de batalha silenciosa que recebe atenção redobrada. A psicóloga hospitalar do HCB, Natália Paz, explica que o cuidado com as emoções é tão fundamental para o tratamento quanto a própria medicação. “Percebemos o impacto emocional neles em relação à dificuldade de aceitação do diagnóstico, de adaptação na rotina, de adesão ao tratamento, às orientações. Não é só medir glicose e aplicar insulina. Tem que cuidar da alimentação, tem que fazer escolhas mais de 100 vezes do que uma pessoa que não tem diabetes. Tem que pensar no que vai comer antes, tem que organizar a rotina. Quando sair precisa levar um kit de insulina, porque se passar mal precisa estar com aquele suporte”, explica a profissional. Paz reforça que essa necessidade de estar atento afeta tanto as crianças quanto seus familiares e cuidadores. Utilizando recursos lúdicos e jogos temáticos desenvolvidos especialmente para a diabetes, a equipe de Psicologia ajuda as crianças a expressarem suas emoções de forma mais leve. Nas palestras, são abordados temas como ansiedade, depressão e autocuidado. “Fazemos uma roda de conversa, um momento com os pais para eles poderem também compartilhar seus desafios, dar suporte emocional e também trabalhar isso com as crianças, para que elas consigam expressar as emoções, verem que não estão sozinhas”, conta Paz. A equipe utiliza essa abordagem para mostrar que, quando se tem um suporte, é possível lidar com o tratamento de forma mais fácil. "O nosso principal objetivo aqui é promover independência, autonomia desses pacientes e liberdade, acima de tudo", explica a psicóloga. O jovem Victor Ferreira, que completou 18 anos em 2026, passou pelo tratamento no Hospital da Criança de Brasília e, agora, se prepara para dar continuidade aos cuidados em outro hospital da rede pública de saúde — preparação iniciada em 2025, quando participou da “formatura” organizada pelo Programa de Diabetes do HCB. Ele destaca que o apoio recebido no Hospital foi essencial para encarar a condição sem limitações e entender que, com a tecnologia atual e a informação correta, as portas estão abertas para qualquer objetivo. “O Dia do Diabetes é muito importante para conscientizar que não é por você ter diabetes que você se limita a algo", afirma. Victor lembra também de atletas profissionais que competem em alto nível mundial que convivem com a condição: “Há duas ou três semanas, um tenista ganhou o primeiro título de Grand Slam, que é o torneio mundial de tênis. Ele tem diabetes tipo 1 e já perdeu diversas oportunidades na carreira por falar que tem diabetes, ter passado por diversas situações — mas hoje o diabetes não é impeditivo para nada que você venha fazer na sua vida. É mais para inspirar, até mesmo outras pessoas que não têm diabetes, a seguir um padrão de vida saudável”. O Dia Nacional do Diabetes traz um papel importante para a condição que muitas vezes permanece invisível aos olhos da sociedade. Além de celebrar as vitórias diárias e a autonomia conquistada pelos pacientes, a data serve como um alerta para que a população saiba identificar os sinais iniciais do diabetes tipo 1, como sede excessiva, perda de peso involuntária, fraqueza e aumento da frequência urinária. Identificar os sintomas precocemente por meio de um exame simples pode evitar complicações graves e salvar vidas. *Com informações do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB)
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Diagnóstico precoce e acompanhamento cuidadoso garantem qualidade de vida a crianças com doença falciforme
De origem genética, a doença falciforme é uma enfermidade crônica, rara e hereditária. É caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que assumem o formato curvo, semelhante a uma foice, tornando-os mais frágeis e aderentes aos vasos sanguíneos. Ao serem diagnosticadas com a doença, também conhecida como anemia falciforme, crianças do Distrito Federal encontram tratamento eficaz no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). Nesta sexta (19) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. “A criança que tem doença falciforme produz uma hemoglobina estruturalmente anormal, que é chamada hemoglobina S”, explica a hematologista e diretora técnica do HCB, Isis Magalhães. Segundo a profissional, a alteração na estrutura diferencia a falciforme de uma anemia comum: “Ela é uma vasculopatia, causa danos na vasculatura. Essa anormalidade causa os dois maiores eventos fisiopatológicos: hemólise e vaso-oclusão”. A hemólise é o rompimento da membrana das hemácias: com a estrutura alterada, a meia-vida dessas células é mais curta, levando a criança a um quadro de anemia hemolítica. “O glóbulo vermelho é produzido e dura menos; a medula óssea tenta se compensar, produzir mais, mas só produz a estruturalmente anormal. Então, a criança tem anemia, tem icterícia, que é o branquinho do olho amarelo”, diz Magalhães. Ao serem diagnosticadas com a doença, também conhecida como anemia falciforme, crianças do Distrito Federal encontram tratamento eficaz no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) | Fotos: Ana Carolina Magela/HCB O segundo evento relatado pela médica, a vaso-oclusão, ocorre por causa da aderência dos glóbulos vermelhos à parede dos vasos sanguíneos, causando obstruções que dificultam a circulação. “Ele faz uma isquemia tecidual, que é falta de oxigênio no tecido. Essa falta de oxigênio leva à disfunção daquele órgão de forma aguda e, também, de forma crônica”, esclarece a diretora. O diagnóstico da doença falciforme é feito pela triagem neonatal (teste do pezinho), garantindo o início rápido do tratamento. Foi dessa forma que Brayan Tomaz, dois anos, chegou ao HCB. “A gente descobriu [a doença] no teste do pezinho, aí encaminharam ele para cá; acho que ele estava com dois meses, foi rapidinho”, relembra a mãe do menino, Milene Tomaz. Sintomas No caso de Yngrid Pereira, 16 anos, foi preciso concentrar atenção aos sintomas. Sua mãe, Ediana Pereira, conta que os primeiros sinais apareceram quando a filha tinha oito meses de idade: “Ela começou a inchar as mãos e os pés e sentia dor. A gente foi ao hospital em Águas Lindas e, de lá, viemos para o Hospital da Ceilândia; ela ficou internada e começaram a fazer os exames”. Isis Magalhães explica que o principal sintoma da doença falciforme é a dor óssea ou articular: “Os bebezinhos têm, principalmente, nos ossos dos dedinhos; se chama dactilite e já começa antes do primeiro ano de vida”. Crianças maiores apresentam dor nos ossos longos e, às vezes, dor abdominal. “Os bebezinhos têm, principalmente, nos ossos dos dedinhos; se chama dactilite e já começa antes do primeiro ano de vida” Isis Magalhães, diretora técnica do HCB Além de causar dor, a doença afeta o baço, órgão importante para a defesa do organismo. As crianças ficam mais vulneráveis a pneumonias, meningite, sepse e outras infecções causadas pelas bactérias pneumococo e Haemophilus influenzae. Por isso, o tratamento é iniciado com vacinas específicas e com o uso profilático de penicilina. “Em décadas passadas, mais de 20% das crianças morriam antes de cinco anos de vida; como estamos diagnosticando no teste do pezinho, vamos fazendo o acompanhamento para perceber crianças em risco de complicações e colocar em programas especiais”, relata Magalhães. Os programas mencionados pela médica são abordagens terapêuticas que variam a depender do paciente. É possível fazer o tratamento com hidroxiureia, medicamento que aumenta a produção de hemoglobina fetal e “dilui” a hemoglobina S, melhorando os sintomas da doença falciforme. Quando o quadro de saúde se agrava, como em casos de sequestro esplênico, é preciso adotar medidas como a transfusão de sangue em intervalos regulares de tempo. O sequestro esplênico é uma emergência que pode acontecer até os cinco anos de idade do paciente: o sangue da circulação vai para o baço, causando um choque. “Ensinamos os pais a apalpar o baço, para que eles ajam rapidamente; a criança fica mais pálida que o normal, faz sinais de choque, irritabilidade, a consciência vai ficando diferente e a criança precisa receber transfusão sanguínea”, destaca Isis Magalhães. Nesses casos, é preciso ir imediatamente para o hospital mais próximo. Foi o que aconteceu com Brayan Tomaz, que passou por três sequestros esplênicos. “Ele estava mole, vomitava e não queria peito; eu levei ao postinho e falaram que a hemoglobina dele estava baixa, que eu tinha que ir para o Hmib. Foi quando ele fez a primeira transfusão dele, de emergência”, recorda a mãe, Milene Tomaz. Hoje, ela acompanha o filho em transfusões mensais no Hospital da Criança de Brasília. O pequeno Brayan Tomaz faz transfusões mensais no Hospital da Criança de Brasília Outro órgão que demanda atenção é o cérebro, já que a vaso-oclusão causada pela doença falciforme pode levar a um acidente vascular cerebral isquêmico. As crianças acompanhadas pelo HCB passam por doppler transcraniano a partir dos dois anos de idade; dessa forma, quando a equipe percebe que os riscos do AVC estão elevados, o paciente também inicia as transfusões regulares de sangue. Pedro Henrique de Oliveira, oito anos, também passa por transfusões regulares. Diagnosticado no teste do pezinho, o menino é paranaense e foi transferido para o HCB quando a família se mudou para Brasília. O tratamento, iniciado na cidade natal, teve continuidade no Hospital e as crises de dor se tornaram raras. Outra forma de tratamento é o transplante de medula óssea. “Ele é uma modalidade de cura, mas ele tem as suas comorbidades; temos que analisar caso a caso, o tipo de doador que é possível, então não é toda criança que vai fazer”, pontua Magalhães. Mesmo se tratando de uma opção mais restrita, o HCB já realizou 21 transplantes de medula óssea em crianças com doença falciforme.[LEIA_TAMBEM] Se a cura não é acessível para todos os pacientes, o diagnóstico precoce é o diferencial para a qualidade de vida. A inclusão da doença falciforme no teste do pezinho garante o início dos cuidados o mais cedo possível; em média, as crianças chegam ao HCB com dois ou três meses de idade, para começar as profilaxias. O tratamento também demonstra a força do trabalho em rede na saúde pública do DF: as amostras são analisadas pelo Hospital de Apoio de Brasília; já o Hospital da Criança de Brasília é responsável pela confirmação do diagnóstico, monitoramento de complicações e uso de terapias que modificam a história natural da doença. A atenção básica oferece os imunizantes para cada idade (embora o HCB disponibilize as vacinas para as bactérias de maior risco, é importante que o Calendário Nacional de Vacinação também seja cumprido) e os hospitais da rede recebem casos de intercorrências. Além disso, a Fundação Hemocentro de Brasília garante a segurança no sangue utilizado nas transfusões e disponibiliza, em seu site, informações tanto para famílias quanto para profissionais de saúde. Esse trabalho conjunto se expressa no cotidiano dos pacientes. Brayan Tomaz é um menino ativo e que gosta de brincar, mas fica tão tranquilo que até dorme durante as transfusões. Yngrid conta que leva uma vida normal de adolescente, apenas mantendo atenção à medicação. Pedro Henrique Oliveira gosta de esportes e já praticou caratê e futebol. “Tenho muita satisfação, porque os médicos de adulto dizem que as crianças estão chegando ótimas; no passado, chegavam à clínica adulta com disfunções crônicas. Nosso papel de pediatria é isso: é fazer com que a criança chegue à hemato adulta com menos sequela possível”, comemora Isis Magalhães. *Com informações do HCB
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Hospital da Criança de Brasília reduz em 50% o tempo de liberação de leitos com nova tecnologia de higienização
O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) implementou um modelo de limpeza hospitalar que une tecnologia de ponta, sustentabilidade ambiental e valorização profissional. Iniciado em maio de 2025, o projeto transformou a higienização, tradicionalmente vista como um serviço de apoio, em uma ferramenta estratégica para a eficiência dos processos assistenciais, segurança do paciente e controle de infecções hospitalares. Com a adoção de sistemas digitais e desinfecção por indução eletrostática, a unidade da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) alcançou a redução de até 50% do tempo de liberação dos leitos das unidades de Internação e Terapia Intensiva (UTI). Isso garante que mais crianças e adolescentes recebam atendimento em menor tempo, mantendo o mais alto padrão sanitário. Uma das mudanças implementadas na gestão do serviço de higienização hospitalar foi a substituição dos antigos checklists de papel por uma plataforma digital para registro. Antes desse aparato tecnológico, o hospital consumia cerca de 180 mil folhas de papel anualmente, apenas com registros de limpeza e documentos que eram passíveis de falhas manuais e difíceis de converter em dados verificáveis em tempo oportuno. Atualmente, todos os ambientes do HCB possuem um QR Code para uso dos profissionais da higienização, profissionais de outras áreas e usuários avaliarem o serviço de higiene. Ao iniciar e finalizar uma tarefa, o funcionário destacado realiza a leitura digital, gerando dados precisos e auditáveis em tempo real. O HCB implementou um modelo de limpeza hospitalar que une tecnologia de ponta, sustentabilidade ambiental e valorização profissional | Fotos: Divulgação/HCB Para Ribamar da Silva, gerente de Apoio Operacional do HCB, a modernização do registro do trabalho permite que a unidade de saúde acompanhe, por meio de um painel de controle (dashboard), o status de higienização de todos os espaços do hospital, identificando gargalos e redirecionando equipes para áreas de maior demanda imediatamente. Para ele, este redesenho do processo de trabalho do setor reflete o compromisso do HCB em sempre situar o paciente no centro do cuidado, não apenas da assistência direta à saúde, mas também das demais áreas consideradas de apoio. "Nossa busca pela modernização não é apenas sobre tecnologia, mas sobre tempo e cuidado. Cada minuto que economizamos na higienização de um leito, por meio da revisão de processos e implementação de novas tecnologias, é um minuto a mais de assistência disponível para uma criança. A excelência da Ona 3 se materializa, aqui, no HCB, na união entre o rigor técnico e a sensibilidade de entender que a limpeza é, fundamentalmente, um ato de segurança assistencial", destaca o gerente. O HCB é uma instituição de saúde pediátrica altamente especializada e que possui o selo de Acreditado com Excelência — Ona 3, o que significa alta conformidade nos requisitos de gestão hospitalar e segurança do paciente, outorga concedida pela Organização Nacional de Acreditação (Ona). Por meio de uma cultura de acreditação hospitalar bem estabelecida, o HCB reafirma sua vocação pela melhoria contínua e pela boa gestão dos recursos públicos, sejam eles financeiros, socioambientais ou humanos. Desinfecção de alta performance por indução e controle microbiológico Para elevar o padrão de segurança microbiológica, o HCB introduziu a tecnologia de limpeza por indução eletrostática. Trata-se de um equipamento de desinfecção que pulveriza partículas carregadas eletricamente de desinfetantes em todo o leito. O sistema alcança áreas de difícil acesso, como atrás de condicionadores de ar e frestas de mobiliário, em apenas cinco minutos. Para elevar o padrão de segurança microbiológica, o HCB introduziu a tecnologia de limpeza por indução eletrostática Essa inovação foi o fator decisivo para reduzir o tempo médio de entrega de um leito: de 42 minutos para aproximadamente 20 minutos. Além disso, a eficácia do processo deixou de ser baseada apenas na ausência de sujidade macroscópica, aquelas facilmente visíveis sem uso de aparelhos. Com o uso de luminômetro — dispositivo portátil que utiliza tecnologia de bioluminescência para detectar sujidades não aparentes —, o hospital agora realiza testes de carga microbiana em superfícies de alto toque (como maçanetas e grades de leitos). Se o equipamento detectar níveis acima do permitido, o processo é refeito imediatamente, garantindo uma barreira real contra infecções. De acordo com o gerente do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (Scih), o médico infectologista pediátrico Bruno Oliveira e Lima, a atualização e modernização do processo de higienização e desinfecção dos espaços no HCB vêm ao encontro de um esforço mundial de combate às bactérias multirresistentes, especialmente desafiadoras quando consideradas as especificidades do ambiente hospitalar. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Resistência Antimicrobiana (Ram) é uma das principais ameaças globais à saúde pública e afeta diversos países, independentemente do nível de renda e desenvolvimento socioeconômico. A organização defende que, entre as prioridades para o combate da Ram, incluem-se o controle e prevenção de infecções e a vigilância da resistência antimicrobiana. "No hospital, nós temos uma série de condutas e ações junto às equipes assistenciais, mas se não tivermos uma boa higienização e uma boa limpeza dos ambientes, isso é perdido, porque uma das características dessas bactérias é conseguir "grudar" nas superfícies e se manter nas superfícies do leito do hospital. Então, a higiene e algumas técnicas e tecnologias que conseguimos adotar recentemente são muito importantes para a gente diminuir a quantidade dessas bactérias no ambiente e garantir a segurança dos pacientes aqui no hospital", explica o gerente do Scih. Outro avanço significativo foi a substituição do sistema de borrifadores e panos comuns pelo uso de lenços umedecidos com peróxido de hidrogênio 4D. Essa mudança eliminou o risco de inalação de produtos químicos pelos funcionários, pacientes e acompanhantes, além de reduzir o desperdício de insumos. Neste sentido, a logística e o manejo de insumos também foi otimizada com a introdução de lacres de segurança para resíduos e produtos específicos, como o neutralizador de odores, que é essencial para o conforto de pacientes em tratamento oncológico, uma vez que estes apresentam alta sensibilidade sensorial; e o "tira-grude" técnico, que preserva o mobiliário hospitalar contra o desgaste de fibras abrasivas. Outro avanço significativo foi a substituição do sistema de borrifadores e panos comuns pelo uso de lenços umedecidos com peróxido de hidrogênio 4D Melhorias na hospitalidade do HCB aproximam ainda mais os usuários do hospital A inovação no HCB alcançou todas as minúcias da hospitalidade e hotelaria da unidade. Também no ano passado, o Hospital da Criança de Brasília introduziu, nas internações e UTIs, novos modelos de enxovais, com o zelo de utilizar os personagens infantis que já compõem a ambientação dos espaços, o que possibilitaria maior identificação por parte dos usuários e acompanhantes. Ainda com foco no aprimoramento da experiência do usuário, o hospital criou a Central de Hotelaria, que faz uso de aplicativo de mensagem instantânea para comunicação direta com a equipe assistencial. Por meio de um atendimento personalizado, o auxiliar de hospitalidade identifica as necessidades de cada paciente ainda no momento da admissão. Dessa forma, o enxoval é dispensado de acordo com a taxa de ocupação real e o perfil dos usuários (tamanho da roupa da criança e do acompanhante), evitando o processamento desnecessário de roupas e possibilitando maior vida útil ao material. Com esta iniciativa, o HCB gera uma economia direta ao erário público e garante que o kit de hotelaria esteja pronto e completo no momento adequado para atender a quem mais importa. A atualização dos processos de higienização e hospitalidade permitiu que o HCB mantivesse a excelência operacional com um quadro otimizado de profissionais, aumentando o engajamento e a qualidade técnica. “Nosso trabalho é tão importante quanto o dos outros profissionais do hospital”, afirma a auxiliar de serviços gerais que atua no HCB, Rosiane de Sousa. “Eu faço a limpeza e higienização do leito com prazer. Nós estamos mexendo com vidas, então eu tenho muito cuidado na limpeza para matar as bactérias e fazer tudo bem-feito porque estamos cuidando de crianças. Então, se nós não fizermos uma limpeza certa, limpar tudo, direitinho, como que a gente vai saber se matou a bactéria? Por isso me dedico para fazer tudo certo!”, afirma Rosiane. Para Scarlet Dias, supervisora de Hospitalidade do HCB, a constante capacitação e a valorização dos trabalhadores da saúde compõem um objetivo estratégico do Hospital da Criança de Brasília, especialmente delimitado como objetivo-chave da instituição para o ano de 2026. "Nosso objetivo foi ganhar produtividade sem sobrecarregar o funcionário e valorizá-lo nesse processo, também. Ao oferecer as ferramentas certas, no tempo certo, como o lençol e pijamas prontos para uso e a desinfecção por indução nos leitos, reduzimos o desgaste físico e focamos na técnica profissional, garantindo um ambiente seguro para os funcionários e, sobretudo, assistência completa e segura para as crianças que cuidamos no HCB", explica a supervisora. * Com informações do HCB
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HCB usa abordagem lúdica para reforçar medidas de segurança do paciente
O cuidado com a segurança do paciente é uma constante no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). Entre as diferentes ações para garantir que todos os funcionários estejam comprometidos com as condutas corretas no atendimento, a equipe do Núcleo de Segurança do Paciente acompanha de perto as áreas assistenciais, verifica o cumprimento das normas e realiza treinamentos periódicos. “Temos o Plano Institucional de Segurança do Paciente e prevemos ações voltadas a reforçar, junto aos funcionários, quais são as práticas adotadas para tornar o cuidado mais seguro”, explica a gerente de Qualidade e Segurança do Paciente do HCB, Laise Moreira. Em março, um desses momentos educativos adotou uma abordagem lúdica para engajar a equipe. Ao longo de uma semana, um carrinho percorreu diferentes alas do hospital, levando peões, dados e a oportunidade de relembrar conhecimentos. Era o PitStop da Segurança do Paciente: uma parada obrigatória para reforçar normas do HCB relativas à higienização das mãos, identificação correta e medicação segura, entre outras. “Fizemos jogo de tabuleiro e campo minado; por meio deles, trouxemos perguntas para que o próprio funcionário consiga responder como se aplicam essas boas práticas. Conforme eles vão jogando e brincando, essas informações são reforçadas”, relata Moreira. O PitStop da Segurança do Paciente ajudou a reforçar, de forma lúdica, as normas relativas à higienização das mãos, identificação correta e medicação segura | Foto: Divulgação/HCB Organizado pelo Núcleo de Segurança do Paciente do HCB, o PitStop foi direcionado a toda a equipe envolvida no cuidado com as crianças. Ágil, permitiu a participação dos profissionais sem impactar a rotina de atendimentos. A metodologia escolhida estimulou a competição saudável, em que os times ajudavam uns aos outros, garantindo que os pacientes sejam sempre os maiores vencedores. “Esse tipo de treinamento acrescenta muito para a gente, enquanto profissionais. É uma forma mais leve e gostosa de aprendermos”, afirma a enfermeira Karen Costa. Atuando como rotineira do transplante de medula óssea, ela destacou o fato de o campo minado trazer perguntas relativas a outros setores do hospital: “É importante, porque são áreas em que não tenho conhecimento tão aprofundado; com esse tipo de atividade, a gente revisita conteúdos que, há muito tempo, não vejo”. [LEIA_TAMBEM]Para a assistente social Elísia Ferreira, os jogos foram uma maneira divertida de integrar colegas com funções diferentes e aprender com as questões direcionadas a eles: “Como eu sou da equipe multidisciplinar, aprendo muita coisa do dia a dia da equipe que está lidando cotidianamente com o paciente”. Segundo Laise Moreira, estimular os profissionais a responder sobre temas que não fazem parte de suas atividades diárias é relevante no contexto assistencial, já que a movimentação entre áreas é bastante dinâmica. Além disso, como as equipes se integram ao longo do tratamento, o cuidado com uma mesma criança passa por diferentes setores. “Quando falamos da jornada do paciente dentro da instituição, vemos que algumas etapas do protocolo de cirurgia segura, por exemplo, não são específicas do centro cirúrgico. Há etapas realizadas na unidade de internação, na UTI e no ambulatório”, reforça a gerente. Ela acrescenta que, embora a atividade tenha sido realizada pontualmente, o HCB segue com outros treinamentos, alcançando quem não pôde participar do PitStop: “Existe, no hospital, toda uma parte educacional voltada para as metas de segurança, por meio de ensino a distância e presencial. Esses jogos e campanhas vêm como um reforço”. *Com informações do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB)
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