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Setembro Verde

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HRSM prepara equipes para identificar potenciais doadores e acolher famílias

Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. Sua família sabe que você gostaria de ser doador de órgãos? A pergunta não precisa surgir pela primeira vez dentro de uma unidade de terapia intensiva (UTI), em um momento de dor e despedida. Pode fazer parte de uma conversa em casa, durante um almoço ou em qualquer momento ao lado de quem se ama. No Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, essa é uma das mensagens em destaque: falar sobre doação é uma decisão que pode começar ainda em vida. Uma doação capaz de transformar diferentes histórias começa muito antes do transplante. Depende da identificação de um potencial doador, de profissionais preparados, de protocolos seguros e de uma abordagem cuidadosa à família que atravessa um dos momentos mais delicados de sua vida. Para fortalecer esse processo, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), realizou, nesta quinta-feira (17/9), o 1º Simpósio de Conscientização do Papel da Equipe na Doação de Órgãos, como parte das ações do Setembro Verde. “A doação de órgãos pode devolver qualidade de vida aos pacientes que aguardam por um transplante. Apesar de acontecer em um momento de muita dor para quem perde um familiar, esse gesto pode representar uma nova possibilidade de vida para quem recebe”, afirma o superintendente do HRSM, Lucas da Silva Santos. O encontro reuniu gestores, profissionais assistenciais e administrativos e especialistas envolvidos no processo. Participaram representantes das Equipes de Doação de Órgãos e Tecidos (Edot) do HRSM e do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), do Banco de Olhos do Distrito Federal e da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do DF. Entre os convidados estavam a coordenadora da Edot/HBDF, enfermeira Ângela Aguiar; a representante do Banco de Olhos do DF, enfermeira Viviane Marçal; e o coordenador da OPO/DF, enfermeiro Jean Pierre. Uma doação depende da identificação de um potencial doador, de profissionais preparados, de protocolos seguros e de uma abordagem cuidadosa à família | Foto: Divulgação/IgesDF   Da identificação à doação Durante o simpósio, os profissionais conheceram as diferentes etapas que tornam a doação possível. O processo começa com a identificação do potencial doador e passa pela notificação, avaliação e, quando indicada, determinação da morte encefálica. Envolve ainda a manutenção do potencial doador, o acolhimento e a entrevista da família. Com a autorização familiar, o fluxo segue para avaliação, captação, transporte, distribuição e transplante. A programação esclareceu que doação e transplante representam momentos distintos. A doação corresponde à disponibilização de órgãos ou tecidos para utilização terapêutica, enquanto o transplante ocorre após outras etapas, como captação, logística e distribuição. Para o gerente de Enfermagem do HRSM, Izaías Silva, conhecer esse caminho permite compreender as diferentes dimensões humanas presentes em cada etapa. “Não é um momento fácil. De um lado, existe uma família enfrentando a perda; do outro, pessoas que aguardam a possibilidade de continuar vivendo por meio de um transplante. Por isso, é necessário acolhimento, preparo e uma abordagem adequada junto aos familiares”, destaca. Outro ponto abordado foi a determinação da morte encefálica. Diferentemente do coma, a morte encefálica é um diagnóstico médico estabelecido a partir de critérios específicos e envolve pré-requisitos, exames clínicos, teste de apneia, exame complementar e registro documental. Para o coordenador da OPO/DF, Jean Pierre, ampliar o conhecimento sobre o tema ajuda a reduzir dúvidas e reforça a importância de conversar sobre doação ainda em vida. “Todos nós podemos, em algum momento, precisar de um transplante. Por isso, é tão importante conversar em vida e deixar claro para a família o desejo de ser doador. Precisamos falar sobre a morte, apesar de ser um assunto difícil, porque essa conversa pode ajudar a família a conhecer e respeitar a vontade daquela pessoa”, enfatiza. Doação de córneas A doação de tecidos, especialmente de córneas, ganhou espaço na programação. O Banco de Olhos do Distrito Federal atua na capacitação de equipes multidisciplinares, em campanhas educativas, na busca ativa de potenciais doadores, na entrevista familiar e na captação. A enfermeira Viviane Marçal chamou a atenção para informações equivocadas que podem afastar famílias da possibilidade da doação. “Precisamos desmistificar a doação, principalmente de córneas. Existem situações que muitas pessoas acreditam impedirem automaticamente a doação, mas é necessária uma avaliação clínica. Uma doação de córneas pode beneficiar até quatro pessoas, trazendo a possibilidade de recuperar a visão e retomar atividades da vida cotidiana”, explica. Segundo Viviane, a possibilidade de captação de córneas está relacionada a uma janela de tempo após o óbito. A experiência da família com a assistência recebida durante a internação é outro aspecto considerado nesse processo. “Se a família não percebe um atendimento digno e cuidadoso, a abordagem para a doação se torna ainda mais difícil. Por isso, as equipes precisam estar preparadas, e a conversa sobre doação deve ser conduzida por profissionais capacitados para acolher essa família”, ressalta. Equipes preparadas para acolher O simpósio reuniu aspectos técnicos e humanos de uma cadeia que depende da participação e da articulação entre diferentes áreas. Para a vice-presidente da Edot do HRSM, Érika Melo, compreender o papel desempenhado em cada etapa é parte dessa preparação. “Neste Setembro Verde, nosso foco é também olhar para dentro e conscientizar as equipes que participam diretamente do processo de doação. São várias etapas, e cada profissional precisa compreender o seu papel para que tudo aconteça de forma segura e integrada. Quanto mais preparada estiver a equipe, melhor será a condução do processo e o acolhimento às famílias”, destaca. Atualmente, a Edot do HRSM é formada por enfermeiros e técnicos de enfermagem e conta com um médico como responsável técnico. A equipe atua de forma articulada com outros profissionais e serviços envolvidos na doação. A mensagem que encerra o simpósio, porém, ultrapassa os limites do hospital. A conversa sobre doação pode começar muito antes de uma situação de perda, entre familiares que conhecem a vontade uns dos outros. Dizer “eu quero ser doador” e compartilhar esse desejo com quem está próximo é uma maneira de permitir que essa vontade seja conhecida. No Setembro Verde, o convite é para que essa conversa aconteça em vida.   *Com informações do IgesDF

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Evento encerra Setembro Verde com pacientes, familiares e profissionais de saúde reunidos

Diagnosticada com hepatite autoimune em 2007, a professora aposentada Maria Alice de Souza, 53 anos, recebeu um novo fígado há 12 anos. “A doação de órgãos me deu um tempo inestimável e me transformou depois de processos de espera e de recuperação difíceis”, revela.  Maria Alice se recorda do passado e do esforço para se sentir bem outra vez. Hoje, não esquece de tomar os remédios e segue vigilante ao ritual de cuidados que irão acompanhá-la para sempre.  “O transplante é um tratamento, por isso, é preciso ingerir as medicações continuamente. É um procedimento que, por si só, modifica a vida, mas temos que fazer a nossa parte”, ressalta.  Em evento, o ICTDF comemorou histórias como a de Maria Alice de Souza e de tantos outros pacientes transplantados | Fotos: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF Com o fígado em funcionamento, Maria reconhece que só leva a vida normal de hoje porque alguém aceitou doar os órgãos. “Não há um dia em minha vida que eu não agradeça à família que aceitou a escolha de alguém que se foi. É complicado: ao mesmo tempo em que meus familiares choravam pela incerteza da minha sobrevivência — e depois celebravam o novo fígado —, um outro lado chorava a perda de uma pessoa amada. Em meio à dor, eles ainda tiveram a coragem e a generosidade de autorizar a doação que iria me salvar”, conta.  Celebração Maria Alice de Souza: “Não há um dia em minha vida que eu não agradeça à família que aceitou a escolha de alguém que se foi" Para comemorar histórias como a de Maria Alice e de tantos outros pacientes transplantados, o Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) realizou, na última quinta-feira (25), um evento em alusão ao Setembro Verde.  “Quando um paciente transplantado recebe a oportunidade de uma nova vida, todos nós também ganhamos uma nova perspectiva”, afirma o assessor de Mapeamento e Estratégia Assistencial da Secretaria de Saúde, Lucimir Henrique Pessoa Maia.  Processo de transplantes  [LEIA_TAMBEM]Para que um paciente seja inscrito na lista de espera, é necessário passar por uma avaliação médica com profissionais autorizados. Após a confirmação da necessidade de um novo órgão, a pessoa será inserida na lista única do Sistema Nacional de Transplantes (STN).  Na capital federal, a Central Estadual de Transplante (CET-DF) coordena todo o processo de transplantes, desde o gerenciamento do cadastro de receptores até a logística e a distribuição dos órgãos. A lista é nacional e o gerenciamento passa pelo SUS, ainda que alguns transplantes possam ser realizados na rede complementar.  Atualmente, o DF realiza transplantes de coração, rim, fígado, pele, córnea, medula óssea, válvula cardíaca e músculo esquelético. Na rede pública, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) é a referência para transplantes de pele. Outros procedimentos passam pelas equipes do Hospital de Base (HB-DF), Hospital Universitário de Brasília (HUB) e ICTDF. Já o Hospital da Criança de Brasília (HCB) é responsável pelo transplante de medula óssea autólogo pediátrico. *Com informações da Secretaria de Saúde

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Novo episódio de podcast debate o Setembro Verde

O 13º episódio do Fala Aí, DPDF, o podcast da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) traz uma conversa sobre o Setembro Verde. O movimento aborda a conscientização sobre inclusão e acessibilidade das pessoas com deficiência (PCDs) durante o mês e usa a cor verde como símbolo de esperança, além de conscientizar a população e garantir mais direitos e oportunidades para esse segmento da sociedade.. A equipe do programa ouviu a defensora pública e chefe do Núcleo de Assistência Jurídica de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da DPDF (NDH/DPDF), Amanda Fernandes; e a coordenadora de Articulação e Participação Social da Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (SNDPD/MDHC), Isadora Nascimento. O objetivo do programa é esclarecer questões legais e aproximar a instituição da comunidade, promovendo o entendimento sobre os direitos dos cidadãos. Para o defensor público-geral, Celestino Chupel, o episódio tem um papel fundamental para conscientizar as pessoas sobre as dificuldades vividas por quem tem algum tipo de limitação de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, e de como podemos incluí-las na vivência em sociedade. “O Estatuto da Pessoa com Deficiência nos diz que elas possuem direito à igualdade de oportunidades e que não devem sofrer nenhuma espécie de discriminação. Mas a exclusão não vem apenas na forma como as tratamos, mas também quando ignoramos a falta de acessibilidade tanto nos espaços públicos quanto nos privados”, explica. O movimento aborda a conscientização sobre inclusão e acessibilidade das pessoas com deficiência (PCDs) durante o mês e usa a cor verde como símbolo de esperança | Foto: Divulgação/DPDF A defensora pública e chefe do NDH, Amanda Fernandes, explicou durante a conversa que o Setembro Verde é uma campanha sobre a luta das PCDs. “Eu falo que é para usar o verde da esperança para lembrar que essas pessoas existem. Meses temáticos são importantes porque podemos ir a vários locais, como empresas e escolas, para falar sobre a inclusão no ambiente onde se vive”, narra. A coordenadora de Articulação e Participação Social da SNDPD/MDHC, Isadora Nascimento, falou sobre sua experiência com o tema da inclusão no mercado de trabalho. “Às vezes, as pessoas com deficiência têm um currículo enorme e qualificado, mas quem está realizando a entrevista de emprego nunca vai considerar que ela será capaz de conquistar um cargo de destaque. Já se surpreenderam quando eu digo o que eu faço porque ninguém espera que uma mulher preta e PCD esteja em uma posição com tomada de posição. O próprio capacitismo estrutural atrapalha”, exemplifica. Para escutar o episódio, clique aqui. *Com informações da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF)

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Setembro Verde: Hemocentro de Brasília já fez mais de 5 mil exames pré e pós-transplantes em 2025

A professora Dayane Lopes, 39 anos, passou por um transplante de rim em agosto, após ter rins e pâncreas comprometidos por uma condição congênita. A trajetória da moradora da Candangolândia dá sentido ao Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, e evidencia o papel essencial da Fundação Hemocentro de Brasília (FHB), responsável pelos exames de alta complexidade que viabilizam os transplantes no Distrito Federal. Só em 2025, a fundação já fez mais de 5 mil análises pré e pós-transplantes. Para que pudesse fazer um transplante de rim, Dayane Lopes realizou exames de alta complexidade no Hemocentro de Brasília | Foto: Arquivo pessoal A jornada de Dayane começou quando, ao ajudar uma aluna com deficiência em crise, sofreu uma lesão no joelho que exigiu quase dois anos de tratamento. Durante esse período, o uso de anti-inflamatórios desencadeou 19 episódios de pancreatite. Com o agravamento do quadro, veio o diagnóstico de pâncreas divisum — uma malformação congênita. Em 2020, após a gravidez da filha, sua saúde piorou. Exames mostraram uma capacidade de funcionamento dos rins de apenas 11%, em uma situação irreversível. Ela passou por uma cirurgia para colocação de prótese pancreática, que controlou as crises, mas os danos já eram permanentes. “Naquele momento, eu já havia perdido totalmente a função renal, o que impactou profundamente minha vida”, relembra. Com os dois rins comprometidos, a única alternativa era o transplante. Em junho de 2024, entrou na lista de espera, onde permaneceu até agosto deste ano. Segundo o portal InfoSaúde da Secretaria de Saúde (SES-DF), em 2025, até agosto, foram realizados 427 transplantes no DF. O Laboratório de Imunologia de Transplantes do Hemocentro tem equipamentos de alta precisão, reagentes importados da Alemanha e dos Estados Unidos e equipe especializada | Foto: Divulgação/Hemocentro Suporte Durante todo o processo, Dayane precisou ir ao Hemocentro de Brasília diversas vezes para exames e coletas de sangue. Ela conta que, em cada visita, foi recebida com atenção e acolhimento. Esse suporte humano fez toda a diferença nos momentos de fragilidade e foi decisivo para que se mantivesse firme até a hora da cirurgia. “Todos os profissionais foram amorosos e atenciosos, inclusive com a minha filha, quando me acompanhava”, lembra.  [LEIA_TAMBEM]Antes e depois de qualquer transplante no DF, o Hemocentro realiza uma série de análises para garantir a segurança e o sucesso do procedimento. São testes que verificam a compatibilidade genética entre doador e receptor, a presença de anticorpos que poderiam causar rejeição e a reação direta entre amostras de sangue. Paralelamente, o Laboratório de Sorologia confirma que não há risco de transmissão de doenças como HIV, hepatites, HTLV, sífilis e malária. No Laboratório de Imunologia de Transplantes (LIT), equipamentos de alta precisão, reagentes importados da Alemanha e dos Estados Unidos e uma equipe especializada atuam 24 horas por dia, sete dias por semana, explica o diretor de Procedimentos Especiais do Hemocentro, Pedro Henrique Diogo. “É um trabalho caro e altamente especializado, mas que garante que cada transplante realizado no DF tenha segurança e qualidade máximas. Além de referência em coleta e distribuição de sangue, a instituição reafirma sua relevância no suporte aos transplantes”, afirma. Antes do transplante, o Laboratório de Sorologia confirma que não há risco de transmissão de doenças como HIV, hepatites, HTLV, sífilis e malária | Foto: Divulgação/Hemocentro Recomeço O transplante de rim de Dayane foi realizado no Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF). Ela relembra o momento em que recebeu a notícia: “Eu estava na terceira posição da fila, mas os dois primeiros não estavam aptos. Foi quando o telefone tocou e eu soube que era a minha vez. A emoção foi indescritível, chorei muito, foi a sensação de uma nova chance de vida chegando”. Desde então, segue em recuperação, adaptando-se ao uso de imunossupressores e às restrições do pós-operatório. Dayane recebeu o órgão de um doador falecido, dentro do processo previsto pela legislação brasileira. No país, a doação só ocorre com autorização da família, ainda que a pessoa tenha manifestado o desejo em vida. Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar com familiares sobre essa decisão. No momento da perda, são eles que autorizam ou não o gesto de generosidade que pode salvar várias vidas. Ela expressa sua gratidão a quem tornou possível o recomeço. “Mesmo sem saber quem foi, agradeço profundamente ao meu doador. À sua família, deixo minha mais profunda gratidão. Quero que saibam que, em meio a essa dor imensa, vocês permitiram que outra vida florescesse. Prometo honrar essa oportunidade, vivendo cada dia com esperança e responsabilidade”, afirma. *Com informações da Fundação Hemocentro de Brasília (FHB)

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