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Exercícios orientados podem melhorar qualidade de vida durante tratamento contra o câncer

Quando recebeu o diagnóstico de câncer, em 2020, a profissional de educação física e gestora de academia Maria Erenice Mendonça, conhecida por todos como Berê, viu a rotina mudar completamente. Em meio aos desafios do tratamento, decidiu não abrir mão de algo que sempre fez parte da sua vida: a atividade física. Hoje, em remissão, ela olha para trás com gratidão e acredita que o exercício foi um importante aliado durante esse período. "Foi um período desafiador, mas também de muito aprendizado. Hoje sou profundamente grata por tudo o que vivi", afirma. A decisão de continuar se exercitando não tinha como objetivo manter o desempenho físico ou alcançar resultados estéticos. O foco era preservar a qualidade de vida e enfrentar o tratamento com mais equilíbrio. Berê conta que, mesmo nos dias em que conseguia realizar apenas uma atividade leve, percebia melhora na forma como lidava com a rotina. "Minha maior motivação era preservar minha saúde mental e não permitir que o câncer definisse quem eu era. Sempre que conseguia me exercitar, eu me sentia melhor física e emocionalmente." Nem todos os dias, porém, eram iguais. Os efeitos colaterais do tratamento exigiram uma mudança de perspectiva e ensinaram que respeitar os limites do próprio corpo também faz parte do processo. Ela relembra que houve momentos em que caminhar por alguns minutos já representava uma vitória. "Aprendi que persistir não significa ignorar os limites, mas continuar dentro do que é possível." Maria Erenice Mendonça, paciente em remissão de câncer: "Minha maior motivação era preservar minha saúde mental e não permitir que o câncer definisse quem eu era" | Foto: Divulgação   Embora experiências como a de Berê sejam inspiradoras, os especialistas reforçam que não existe uma recomendação única para todos os pacientes. A oncologista Katia Marchetti explica que a atividade física integra o cuidado oncológico quando há indicação clínica e acompanhamento especializado. "Ela deve ser adaptada à condição clínica, às limitações do paciente e ao momento do tratamento. Em muitos casos, a fisioterapia motora também é uma importante forma de manter o corpo ativo, principalmente entre pacientes mais frágeis", pontua. Além de favorecer a disposição e a funcionalidade, a prática orientada pode trazer benefícios para diferentes aspectos do tratamento. Segundo a médica, estudos indicam que o exercício realizado antes, durante e após o tratamento pode contribuir para manter a capacidade física, auxiliar no controle de alguns efeitos colaterais e favorecer a recuperação após procedimentos cirúrgicos. Em determinadas situações, também pode estar associado a melhores desfechos clínicos. Ela ressalta, no entanto, que o excesso pode trazer consequências negativas. "O exercício nunca deve ultrapassar a capacidade de execução do paciente, pois isso pode provocar lesões físicas ou gerar ansiedade por não conseguir atingir aquilo que foi proposto", salienta. "O exercício nunca deve ultrapassar a capacidade de execução do paciente" Katia Marchetti, oncologista Exercício exige avaliação individual Hoje, de volta ao trabalho e vivendo a remissão, Berê acredita que a atividade física contribuiu para atravessar o tratamento com mais autonomia e confiança. Para ela, cada pequena conquista ajudou a construir o caminho percorrido. "A atividade física me fez sentir viva, capaz e esperançosa. O câncer faz parte da minha história, mas não definiu o final dela." A enfermeira Kelly Marques destaca que os efeitos positivos também são percebidos no acompanhamento diário realizado pela equipe. Segundo ela, pessoas em tratamento que conseguem manter algum nível de atividade física tendem a apresentar mais autonomia para realizar tarefas simples, preservar melhor a força muscular e relatar melhora do humor e da autoestima. "Cada paciente responde de uma forma diferente, por isso todas as orientações são individualizadas e respeitam as condições clínicas e emocionais de cada pessoa", frisa. Kelly lembra que alguns cuidados são indispensáveis antes de iniciar qualquer atividade. Febre, anemia importante, dor intensa, alterações laboratoriais, risco de infecção ou limitações decorrentes de cirurgias precisam ser avaliados pela equipe assistencial. Durante os exercícios, sinais como falta de ar, tontura, dor ou cansaço excessivo merecem atenção e devem ser comunicados aos profissionais responsáveis. "O objetivo nunca é exigir desempenho, mas promover saúde com segurança", acrescenta. O fisioterapeuta André Luiz Maia, especialista em traumato-ortopedia e fisioterapia desportiva, explica que o movimento precisa ser encarado como parte do cuidado, mas sempre acompanhado por profissionais capacitados. Antes da prescrição dos exercícios, a equipe avalia fatores como força muscular, mobilidade, equilíbrio, capacidade cardiorrespiratória, dor, fadiga, risco de quedas, além das características da doença e dos tratamentos realizados. "Não basta dizer ao paciente para se exercitar. É preciso definir qual atividade realizar, em que intensidade, com quais adaptações e qual o nível de supervisão necessário", orienta. Segundo ele, não existe um exercício ideal para todas as pessoas com câncer. Caminhadas podem ser um bom começo para alguns pacientes, enquanto outros precisam priorizar fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio, mobilidade ou fisioterapia específica. "O importante é encontrar uma dose de movimento que seja segura e útil naquele momento, preservando a autonomia e a qualidade de vida durante todo o tratamento", detalha. A atuação multiprofissional permite que cada paciente receba orientações compatíveis com sua realidade, com ajustes sempre que necessário ao longo do tratamento. Mais do que incentivar a prática de exercícios, os especialistas reforçam que o movimento, quando orientado por profissionais e adaptado às condições de cada paciente, pode contribuir para atravessar o tratamento com mais autonomia, segurança e qualidade de vida. Para quem ainda enfrenta o câncer, Berê deixa uma mensagem de esperança. "Cada tratamento é único, e, se houver liberação da equipe de saúde, a atividade física pode ser uma grande aliada. Respeitem seus limites e celebrem cada pequena vitória", afirma. 

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Exercícios físicos fortalecem os ossos e ajudam a preservar a autonomia ao longo da vida

Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada.   Os ossos sustentam o corpo, protegem órgãos vitais e permitem que cada movimento aconteça com segurança. Apesar dessa importância, muitas pessoas só passam a olhar com mais atenção para a saúde óssea quando surgem dores, limitações ou fraturas. A prevenção, contudo, pode e deve começar antes. A prática regular de atividades físicas, especialmente os exercícios de força, está entre as estratégias mais eficazes para preservar a densidade óssea, manter a autonomia e garantir qualidade de vida em todas as idades. Quando o corpo permanece em movimento, os músculos exercem força sobre os ossos durante cada contração. Esse estímulo sinaliza ao organismo a necessidade de manter o tecido ósseo fortalecido, favorecendo sua renovação e reduzindo a perda de densidade mineral.  Uma das formas mais eficazes de preservar a densidade óssea é a prática regular de atividades físicas, principalmente de exercícios de força | Fotos: Divulgação/IgesDF Por isso, a prática regular de exercícios é considerada uma das principais formas de prevenir a osteopenia, caracterizada pela redução da massa óssea, e a osteoporose, doença que torna os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Além disso, contribui para preservar a autonomia e a qualidade de vida durante o envelhecimento.  "O exercício ajuda a conservar a densidade óssea e reduz o risco de fraturas relacionadas ao envelhecimento” Laercio Scalco, chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital de Base do DF Por isso, a prática regular de exercícios é considerada uma das principais formas de prevenir a osteopenia, caracterizada pela redução da massa óssea, e a osteoporose, doença que torna os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Além disso, contribui para preservar a autonomia e a qualidade de vida durante o envelhecimento. Segundo o chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Laercio Scalco, embora os objetivos da atividade física mudem com o passar dos anos, seus benefícios permanecem presentes durante toda a vida. “Até cerca dos 30 anos, a prática favorece a formação da massa óssea. Depois desse período, o objetivo passa a ser preservar esse patrimônio. Sem o estímulo da musculatura puxando o osso, o organismo entende que não precisa manter aquela estrutura tão resistente", explica Scalco. "O exercício ajuda a conservar a densidade óssea e reduz o risco de fraturas relacionadas ao envelhecimento.” Entre as atividades que mais estimulam a formação e a preservação da massa óssea estão aquelas que fazem o esqueleto suportar carga. Diferentemente dos exercícios realizados apenas na água ou em aparelhos que eliminam parte do peso corporal, essas modalidades exigem que os ossos respondam aos impactos e à força produzida pela musculatura. A intensidade, no entanto, deve sempre respeitar a condição clínica e o condicionamento físico de cada pessoa. Fisioterapeuta especialista em traumato-ortopedia desportiva do HBDF, André Luiz Maia destaca que a musculação é uma das estratégias mais eficazes nesse processo, mas lembra que ela está longe de ser a única alternativa. “Agachamentos, exercícios com elásticos, subida de degraus e atividades com o próprio peso corporal são excelentes opções", observa Maia. "Quando há indicação, exercícios com impacto, como dança, corrida e saltos, também contribuem para estimular os ossos. O importante é que tudo seja feito de forma progressiva e individualizada”, orienta.  Além dos exercícios, a qualidade do tecido ósseo depende de outros fatores, como alimentação equilibrada, ingestão adequada de cálcio, vitamina D e funcionamento adequado do sistema hormonal Cuidado integral com o corpo Embora o exercício desempenhe papel central na manutenção da saúde óssea, ele representa apenas um dos fatores envolvidos nesse processo. A qualidade do tecido ósseo também depende de uma alimentação equilibrada, da ingestão adequada de cálcio, da presença suficiente de vitamina D e do funcionamento adequado do sistema hormonal. Alterações nessas condições podem acelerar a perda de massa óssea, principalmente durante o envelhecimento. A chefe do Serviço de Endocrinologia do HBDF, Alessandra Christine Vieira, explica que as mudanças hormonais observadas principalmente após a menopausa merecem atenção especial, mas não são as únicas responsáveis pela fragilidade dos ossos.   "Exercícios simples, como sentar e levantar da cadeira, subir degraus e treinar o equilíbrio, já promovem ganhos importantes. Tenho pacientes com mais de 80 anos que continuam dançando e mostram diariamente que movimento também é sinônimo de autonomia" André Luiz Maia, fisioterapeuta especialista em traumato-ortopedia desportiva do HBDF “A vitamina D atua promovendo melhor absorção de cálcio no intestino e sua deposição no osso, favorecendo a formação óssea, por isso é essencial para a saúde óssea", destaca Alessandra. "Já a alimentação é a melhor fonte de cálcio, essencial para a formação óssea. Como endocrinologista, sempre priorizo oferecer aos pacientes as quantidades diárias de cálcio via alimentação, pois essa forma de absorção não gera pico sanguíneo, reduzindo o risco de calcificação arterial.” Embora muitas pessoas associem a musculação a um risco para idosos ou pacientes com osteoporose, o fisioterapeuta André Luiz Maia afirma que a realidade é justamente o oposto. "O problema não está no exercício, mas na forma como ele é realizado. Quando bem prescrito e acompanhado, o treinamento de força melhora a musculatura, protege os ossos, reduz quedas e preserva a independência. Assim como um medicamento, o exercício precisa da dose certa para cada pessoa", explica. Particularidades que merecem atenção Nos casos de osteopenia, osteoporose ou histórico de fraturas, a prática de atividades físicas continua sendo recomendada, desde que respeite as limitações individuais. De acordo com o ortopedista Laercio Scalco, exercícios como musculação, pilates, caminhada e dança apresentam bons resultados porque estimulam a sustentação do peso corporal. "O sedentarismo é um dos principais fatores modificáveis para a perda de massa óssea. A diferença está em adaptar os movimentos, evitar sobrecargas desnecessárias e garantir acompanhamento profissional para que o exercício seja seguro", explica Scalco. O início da prática também deve considerar a condição funcional de cada pessoa, e não apenas a idade. Crianças e adolescentes costumam se beneficiar de esportes, brincadeiras e atividades que envolvem corrida e saltos. Já adultos devem combinar fortalecimento muscular com exercícios de sustentação do peso corporal. Para idosos e pessoas sedentárias, o caminho é começar de forma gradual.  "Exercícios simples, como sentar e levantar da cadeira, subir degraus e treinar o equilíbrio, já promovem ganhos importantes. Tenho pacientes com mais de 80 anos que continuam dançando e mostram diariamente que movimento também é sinônimo de autonomia", destaca o fisioterapeuta André Luiz Maia.  Investimento para toda a vida Cuidar dos ossos é um investimento para toda a vida. Manter uma rotina de atividades físicas, adotar uma alimentação equilibrada, garantir níveis adequados de vitamina D e cálcio e realizar acompanhamento médico quando necessário são atitudes que ajudam a preservar a mobilidade, prevenir fraturas e promover um envelhecimento mais saudável. Mais do que fortalecer o esqueleto, esses cuidados permitem que as pessoas continuem realizando suas atividades com segurança, independência e qualidade de vida. Além da prática de exercícios, reconhecer quem apresenta maior risco para perda óssea permite agir antes do aparecimento das fraturas. Segundo Laercio, o envelhecimento aumenta naturalmente essa vulnerabilidade, sobretudo após os 60 anos. "Mulheres a partir dos 65 anos e homens acima dos 70 devem realizar a densitometria óssea, mas esse exame pode ser indicado mais cedo para pessoas com fatores de risco, como menopausa precoce, baixo peso, fraturas anteriores ou uso prolongado de determinados medicamentos", orienta. Pessoas com histórico familiar de osteoporose, menopausa precoce, fraturas, dores persistentes ou outros fatores de risco podem procurar a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima para uma avaliação inicial. Nas unidades, a equipe médica pode investigar os sintomas, solicitar exames e, quando necessário, encaminhar o paciente para acompanhamento especializado.  *Com informações do IgesDF

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Exercícios físicos ajudam mulheres a enfrentar os desafios do pós-câncer de mama

A decisão de estudar o impacto do exercício físico em mulheres em remissão do câncer de mama nasceu de experiências pessoais marcantes na vida da professora Gislane Ferreira de Melo. A perda de familiares e de uma orientadora para a doença despertou nela o desejo de compreender não apenas os efeitos físicos do câncer, mas também as dimensões emocionais e sociais que acompanham essa jornada. Hoje, essa vivência se transforma em ciência. Professora dos programas de pós-graduação em Educação Física e em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Gislane coordena, com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), o projeto que investiga como a prática orientada de exercícios físicos pode amenizar os efeitos colaterais da hormonioterapia e melhorar a qualidade de vida de mulheres em fase de remissão. Gislane Ferreira de Melo: “Muitas mulheres chegam às sessões com dores, cansaço extremo e fragilidade emocional, mas saem com outra disposição, outro humor e mais confiança em seus corpos” | Foto: Divulgação/Brunno Garcia da Silva O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil e, mesmo após o término das etapas mais agressivas do tratamento — como cirurgia, quimioterapia e radioterapia — muitas pacientes ainda precisam conviver, por anos, com os efeitos colaterais da hormonioterapia. Dores articulares, fadiga crônica, alterações de humor, distúrbios do sono e impacto na vida social fazem parte da rotina de milhares de mulheres em fase de remissão da doença. É nesse contexto que se insere o projeto “Interação entre Exercício Físico e Hormonioterapia em Mulheres em Remissão do Câncer de Mama”, desenvolvido na UCB, com apoio da FAPDF por meio do edital Demanda Espontânea (2024). A iniciativa investiga de forma integrada como um protocolo estruturado de exercícios físicos pode amenizar os efeitos colaterais do tratamento hormonal e contribuir para o bem-estar físico, emocional e social dessas mulheres. Origem internacional e impacto local Atividades aeróbicas integram o protocolo de exercícios do projeto | Foto: Divulgação O projeto é inspirado no programa internacional Get Real & Heel, desenvolvido há mais de 15 anos na University of North Carolina at Chapel Hill (UNC), nos Estados Unidos. A partir dessa experiência, a pesquisadora foi autorizada a implementar o protocolo no Brasil, dando origem ao Get Real & Heel Brasil, que passou a funcionar de forma contínua na UCB. Atualmente, o programa atende a cerca de 30 mulheres sobreviventes do câncer de mama — muitas delas em uso de hormonioterapia, oferecendo sessões gratuitas de exercício físico supervisionado, três vezes por semana, com duração média de uma hora e meia. Exercício como estratégia terapêutica As sessões coletivas combinam exercícios aeróbicos, força e equilíbrio, promovendo ganhos físicos e também o fortalecimento do vínculo entre as participantes | Foto: Divulgação O diferencial do projeto está na abordagem personalizada e no acompanhamento multiprofissional das participantes. Antes de iniciar as atividades, cada mulher passa por uma avaliação ampla, que inclui histórico clínico e oncológico, tipo de tratamento realizado, uso de medicamentos, além de avaliações físicas, funcionais, psicológicas e sociais. As sessões combinam exercícios aeróbicos, treinamento de força, atividades de mobilidade, equilíbrio e flexibilidade. A intensidade e o volume dos exercícios são ajustados individualmente, respeitando as limitações e necessidades de cada participante, sempre com monitoramento contínuo de sinais vitais, percepção de esforço, presença de dor e resposta ao treinamento. Segundo a coordenadora, o exercício físico deixa de ser uma atividade genérica e passa a atuar como uma estratégia terapêutica não farmacológica, integrada ao cuidado em saúde, especialmente importante durante o longo período de uso da hormonioterapia. Acompanhamento integral Além dos ganhos físicos, o projeto acompanha de forma sistemática os impactos psicológicos, biológicos e sociais da prática de exercícios. São avaliados indicadores como ansiedade, depressão, autoestima, imagem corporal, qualidade do sono, qualidade de vida, suporte social e medo de recorrência da doença. O estudo também analisa biomarcadores moleculares e inflamatórios, além de utilizar ferramentas de inteligência artificial e machine learning para identificar padrões, interações entre variáveis e respostas ao treinamento ao longo do tempo. Essa abordagem permite compreender a saúde das participantes como um processo dinâmico, influenciado pela interação entre tratamento medicamentoso, exercício físico e contexto psicossocial. O acompanhamento individualizado permite que cada participante evolua no seu ritmo, respeitando limites físicos e necessidades específicas durante o uso da hormonioterapia | Foto: Divulgação Entre os principais benefícios relatados estão a redução de dores musculares e articulares, diminuição da fadiga, melhora da disposição para as atividades diárias, maior tolerância ao esforço físico e melhora do sono. “Observamos, ao longo do acompanhamento, que muitas mulheres chegam às sessões com dores, cansaço extremo e fragilidade emocional, mas saem com outra disposição, outro humor e mais confiança em seus corpos. O exercício físico passa a ser um recurso de enfrentamento, de reconstrução da autoestima e de retomada da autonomia”, destaca a pesquisadora. Na prática, essas transformações se refletem em maior adesão ao tratamento, melhora da capacidade funcional, retomada de atividades cotidianas e fortalecimento do senso de pertencimento e de apoio mútuo entre as participantes. Os impactos também se estendem ao bem-estar emocional. Muitas mulheres relatam redução de sintomas de ansiedade e depressão, aumento da autoestima, ressignificação da imagem corporal e maior confiança em seus próprios corpos após o tratamento oncológico. O projeto promove a construção de vínculos afetivos duradouros entre as participantes, formando uma rede de apoio baseada na escuta, na troca de experiências e no sentimento de pertencimento No aspecto social, o projeto promove a construção de vínculos afetivos duradouros entre as participantes, formando uma rede de apoio baseada na escuta, na troca de experiências e no sentimento de pertencimento. Atualmente, o programa apresenta índices mínimos de faltas e não registra desistências, reflexo do modelo de acolhimento adotado. Benefícios para o Distrito Federal Além do impacto direto na vida das participantes, o projeto contribui para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação, fortalece a produção científica na área da oncologia do exercício e gera dados que podem subsidiar políticas públicas de saúde. Entre os desdobramentos previstos estão a realização de palestras em hospitais do Distrito Federal, a divulgação científica dos resultados e a possibilidade de implantação de programas semelhantes como estratégia complementar ao tratamento oncológico na rede pública de saúde. Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, iniciativas como essa destacam o papel da pesquisa aplicada na promoção da saúde e da qualidade de vida da população. “A FAPDF tem como missão apoiar projetos que transformem conhecimento científico em impacto social. Este estudo reúne ciência de excelência, inovação e cuidado humanizado, com benefícios concretos para as mulheres do Distrito Federal.” Para Gislane, a iniciativa tem potencial para se tornar um modelo de referência em cuidado integral e humanizado para mulheres em remissão do câncer de mama, articulando pesquisa, extensão, formação de recursos humanos e impacto social. Além das atividades físicas, o projeto promove momentos de integração e convivência, fortalecendo a rede de apoio e o sentimento de pertencimento entre as mulheres acompanhadas | Foto: Divulgação/Acervo do projeto [LEIA_TAMBEM]A coordenadora ressalta que o apoio da fundação foi decisivo para que a iniciativa pudesse se consolidar como um projeto contínuo, articulando pesquisa, extensão e formação de recursos humanos. “O financiamento permitiu a aquisição de materiais e equipamentos, a formação da equipe, a realização das avaliações clínicas, físicas e psicológicas, além da viabilização da coleta sistemática de dados ao longo do acompanhamento das participantes”, destaca. O fomento ainda garantiu condições institucionais para transformar a iniciativa em uma ação de longo prazo, com impacto social, científico e formativo no Distrito Federal. *Com informações da FAPDF  

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Viva Brasília 64 anos: cidade é um convite à vida saudável

Às vésperas de completar 64 anos, Brasília é uma cidade cheia de estilos. Ruas largas e arborizadas são convidativas para passeios com ou sem destino definido e, para muitos, um chamado para uma vida mais saudável das mais diversas maneiras. Quem vê Laurez Cerqueira pelas ruas de Brasília pode achar difícil de acreditar que o homem de capacete e joelheira que passa ouvindo jazz deslizando no seu monociclo, tem 69 anos. O jornalista recebe alguns olhares de espanto e brinca que isso se deve ao estranhamento causado pela barba e cabelos brancos. Adepto da prática de esportes há décadas, ele garante que nunca pisou em uma academia, mas não abre mão de se cuidar. Entre os hábitos que Laurez cultiva para manter a forma está nadar. Há mais de 40 anos, a primeira providência do dia dele é seguir para o Parque Nacional de Brasília, a popular Água Mineral. Só depois ele vai para o trabalho, muitas vezes, de monociclo. Independentemente de qual seja o trajeto, ele aproveita a mobilidade da cidade para conhecer cada canto do Quadradinho. Laurez Cerqueira: “A pessoa que mora na cidade vive em três bolhas: de casa, do carro e do trabalho. Andando você acaba vendo a cidade por outro ângulo” | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília Ele conta que teve que treinar antes de sair por aí. Foram sete dias fazendo os exercícios recomendados antes de subir no equipamento, que chega a 60 quilômetros por hora. Mas, Laurez garante que agora tomou “juízo” e regulou a velocidade máxima para 30 quilômetros por hora. “É puro equilíbrio, mas o segredo é dominar o monociclo. O único problema é que a gente não sabe o que fazer com as mãos”, brinca. Nos momentos de folga, Laurez aproveita para caminhar pela cidade. “Sou andarilho. Vou do final da Asa Norte ao final da Asa Sul. É um dia de caminhada. Por onde sigo, aproveito para curtir as galerias de árvores, cheias de pássaros”, ressalta. “A pessoa que mora na cidade vive em três bolhas: de casa, do carro e do trabalho. Andando você acaba vendo a cidade por outro ângulo”. Laurez diz que pelas andanças descobre inúmeras árvores frutíferas e volta com a mochila cheia de acerola, lima-da-pérsia, manga, pinha e diversas outras frutas. “O estilo de vida saudável aumentou muito e a cidade tem tudo para isso. Brasília é uma cidade saudável”, pontua. Cura por meio do esporte Para Mara Barbosa, o programa Escola Comunidade Ginástica nas Quadras trouxe um renascimento | Foto: Joel Rodrigues/ Agência Brasília “A atividade física tem sido minha cura”, diz a aposentada de 60 anos, Mara Barbosa. Participante do programa Escola Comunidade Ginástica nas Quadras, da Secretaria de Educação (SEE-DF), desenvolvido dentro do Parque Ecológico de Águas Claras, Mara encontrou nos exercícios semanais uma maneira de amenizar a dor com a perda do marido e do filho mais novo. Integrante do programa há quase cinco meses, ela acredita que as aulas têm sido essenciais nesta nova etapa da vida. “Encontrei na atividade física o meu viver. Estou renascendo. Apesar do pouco tempo, o projeto tem sido muito importante. Estava em uma depressão profunda, venho três vezes por semana e considero a minha terapia”, relata a aposentada. Já a professora Eunice Reis, de 53 anos, que faz as atividades com quase toda a família, destaca que o esporte e a integração com os colegas de turma têm sido a principal distração após a aposentadoria das salas de aulas. “A aposentadoria me trouxe uma falta de convivência social. Como trabalhava em escola, era muito ativa, e de repente me vi parada. Aqui me encontrei em um grupo novamente e com resultados positivos para a minha saúde”, destaca. Hélio do Prado: “Quando estou fazendo os exercícios, estou fortalecendo o corpo e a cabeça não está pensando em um monte de coisas que não deveria pensar” | Foto: Joel Rodrigues/ Agência Brasília Sempre pensando na qualidade de vida e em uma velhice mais ativa e independente, o aposentado Hélio do Prado, 74 anos, já é um veterano nas atividades físicas, pois pratica exercícios desde a adolescência. Ele está no projeto de ginástica há três anos. “A atividade física faz parte da minha vida, ela me traz um equilíbrio físico, mental e espiritual. Quando estou fazendo os exercícios, estou fortalecendo o corpo e a cabeça não está pensando em um monte de coisas que não deveria pensar”, diz. “Imagina se eu ficasse sentado no sofá mexendo no controle remoto, o que seria de mim hoje? O exercício me traz equilíbrio nas minhas ações do dia a dia, até para caminhar com segurança”, completa Hélio. O Programa Ginástica nas Quadras é realizado desde o fim da década de 1980 por professores de educação física da SEE e tem como objetivo levar saúde ao público de maneira gratuita, por meio de atividades físicas, de modo a evitar doenças ligadas ao sedentarismo. São oferecidas diversas modalidades como natação, hidroginástica, ginástica localizada, yoga, condicionamento físico, entre outras. As atividades são praticadas dentro das unidades escolares ou nos espaços públicos próximos às escolas. “Atendemos alunos de variadas idades, dos 18 aos 90 anos. Além da parte física para dar uma qualidade de vida melhor, temos como premissa trabalhar a socialização, o senso de comunidade, com foco na saúde mental, elevando a autoestima e buscando atingir objetivos, como dormir melhor, diminuir as dores e consequentemente o físico”, destaca o professor de educação física da secretaria, Ricardo Costa. Nas rodas do skate Andar de skate entrou na vida de Willian Marques como uma brincadeira e agora é um meio de transporte para o trabalho | Foto: Lúcio Bernardo Jr./ Agência Brasília As ruas da cidade são um convite para quem se locomove de casa para o trabalho e para a faculdade. Desde criança William Marques, 24 anos, anda de skate. Mas foi quando cursava gestão de políticas públicas na Universidade de Brasília (UnB) que o objeto passou a ser usado como meio de transporte para se deslocar dentro do Campus Darcy Ribeiro. Quando começou a trabalhar na Esplanada dos Ministérios foi um processo natural continuar se deslocando de skate. Todos os dias, William vai de Taguatinga de ônibus e faz o trajeto da Rodoviária do Plano Piloto até a Esplanada deslizando pelas calçadas. O jovem também é um adepto da vida saudável não apenas para se deslocar. Ele costuma correr no Taguaparque e, no embalo, aproveita para se preparar para as provas de aptidão física dos concursos públicos de que está participando dentro e fora do DF. “É um ganho psicológico andar de skate em meio aos monumentos. Já chego mais animado no trabalho. É ganho de tempo, de vida. Uma atividade muito prazerosa”, garante. Produção sustentável Ana Carolina Rios comanda uma loja de açaí: “Alimentação saudável é uma consciência coletiva” | Foto: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília A empreendedora Ana Carolina Rios, 35 anos, colocou em prática um projeto muito especial e que tem tudo a ver com o estilo saudável vivido por cada vez mais brasilienses. Ela tem uma loja de açaí na Asa Norte, a Igapó, que segue uma proposta inclusiva ao privilegiar produtores rurais familiares e cooperativas que comercializam produtos orgânicos e veganos. Por isso, nada de açaí com xarope de guaraná, leite condensado ou em pó por lá. Mas se engana quem pensa que ela sente falta do açaí adoçado consumido fora da Região Norte do país. Tâmaras ou melado de cana-de-açúcar cumprem muito bem o papel de suavizar o sabor terroso característico da fruta. Para acompanhar, a nossa castanha-do-Cerrado baru; gersal, feito com gergelim cultivado por comunidades quilombolas da Chapada dos Veadeiros, os Kalungas, e sal marinho; ou licuri puro ou caramelizado, produzido por cooperativas do Sul da Bahia. “Aqui damos destaque para o Cerrado e, também, para a Mata Atlântica. Acreditamos na comida viva. A alimentação saudável é uma consciência coletiva. Por isso, recebemos também muitas mães que nos escolhem para auxiliar na introdução alimentar de bebês a partir dos seis meses”, conta Ana Carolina. E garante que “quem prova volta e traz outras pessoas. É uma grande troca.” O contador Paulo Bruno Farinazzo, 36 anos, morador do Cruzeiro Novo, é uma das pessoas que se identificaram com a proposta. Adepto de esportes, ele afirma que a alimentação saudável faz toda a diferença no seu desempenho. “Eu gosto de alimentos orgânicos vindos da agricultura familiar e gosto de cuidar da saúde. Comer bem ajuda na performance e na recuperação do corpo. As pessoas estão se conscientizando. É um movimento que está crescendo”, avalia. *Colaborou Josiane Borges

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