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Ação leva saúde bucal à população de rua em projeto no Centro Pop Brasília

O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) Brasília, em parceria com o Departamento de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB), tem ofertado atendimento odontológico aos frequentadores desde 2025. O projeto Odontologia na Rua proporciona acesso à promoção da saúde bucal e cuidado contínuo para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Segundo dados da UnB, foram realizados 528 atendimentos entre julho de 2025 e março de 2026. Atualmente, os atendimentos ocorrem nas sextas-feiras, das 13h30 às 17h. Em média, 20 pessoas são atendidas por período. O Centro Pop Brasília fica localizado na 903 da Asa Sul e é gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF). Os atendimentos são integrados ao acolhimento que os frequentadores recebem na unidade, respeitando o tempo e a realidade de cada pessoa. Primeiro, é realizada uma escovação supervisionada, seguida de uma avaliação clínica, limpeza, tratamentos restauradores e orientações sobre higiene bucal. Os casos mais complexos são encaminhados para a clínica odontológica da UnB. A gerente do Centro Pop Brasília, Kátia de Castro, destaca que o trabalho vai além do tratamento. “Ele também é fortemente voltado para prevenção e educação em saúde. Orientamos, acompanhamos e ensinamos, dentro do que é possível naquele contexto, para que a pessoa consiga cuidar melhor da própria saúde bucal no dia a dia”, afirmou a gerente. O projeto Odontologia na Rua proporciona acesso à saúde bucal e ao cuidado contínuo para pessoas em situação de vulnerabilidade social | Foto: Divulgação/Sedes-DF O projeto nasceu da articulação entre a UnB e o Centro Pop Brasília, envolvendo a Sedes, a Secretaria de Saúde (SES-DF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Por meio da integração e união das equipes com os professores e estudantes, o trabalho é realizado de forma estruturada, adaptando as consultas à realidade das pessoas em situação de rua que não têm acesso a esse recurso fora da unidade. “Parcerias como esta com a UnB contribuem para que essa parcela tão vulnerável e estigmatizada da sociedade tenha acesso a tratamentos que, em muitas vezes, nunca tiveram na vida. É não invisibilizar, mas olhar as pessoas em situação de rua como seres humanos com direitos que são”, pontua a secretária de Desenvolvimento Social, Jackeline Canhedo. Centro Pop A unidade funciona como um local de apoio para pessoas em situação de rua. Na unidade é possível guardar pertences, realizar higiene pessoal, ter acesso a alimentação (café da manhã, almoço e lanche). É possível também receber atendimentos socioassistenciais, solicitar documentos e usar o endereço do Centro Pop como referência quando precisar de um comprovante de residência. Nessas unidades também são ofertadas oficinas e ações que incentivem o protagonismo e a participação social. Atualmente, o Distrito Federal conta com duas unidades para atendimento a pessoas em situação de rua. *Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF)

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Pesquisa com apoio da FAPDF estuda uso do pequi em tratamento de feridas e inflamações

Os tratamentos para feridas de difícil cicatrização — como as associadas ao diabetes — podem ganhar um novo aliado vindo do Cerrado. Uma pesquisa fomentada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do edital FAPDF Learning (2023), desenvolve formulações à base de óleo de pequi com potencial para auxiliar na cicatrização e na redução de processos inflamatórios. Desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB), o estudo é liderado por Graziella Anselmo Joanitti e aposta na combinação entre fitoterapia e nanotecnologia para criar soluções mais eficazes e acessíveis, com perspectiva de aplicação futura na prática clínica. O pequi é rico em substâncias bioativas, reunindo ácidos graxos, vitaminas e antioxidantes associados a efeitos anti-inflamatórios e cicatrizantes | Foto: Divulgação/Freepik O que está sendo desenvolvido O projeto tem como foco a criação de formulações nanofitoterápicas — medicamentos derivados de plantas que utilizam estruturas em escala nanométrica para melhorar sua atuação no organismo. A proposta inclui duas formas principais: uma versão em gel, voltada à aplicação tópica, e outra em suspensão, ampliando as possibilidades de uso terapêutico. “Estamos desenvolvendo formulações que combinam o potencial terapêutico do óleo de pequi com tecnologias capazes de melhorar sua absorção e eficácia, pensando em aplicações futuras na área da saúde”, explica Graziella Anselmo Joanitti. Por que o pequi? O uso do óleo de pequi está ligado à sua composição rica em substâncias bioativas. Tradicionalmente utilizado por comunidades brasileiras, o composto reúne ácidos graxos, vitaminas e antioxidantes associados a efeitos anti-inflamatórios e cicatrizantes. “O pequi já é conhecido por suas propriedades medicinais. O que buscamos é ampliar esses efeitos e suas possibilidades de uso terapêutico”, destaca a coordenadora. A pesquisa estuda o uso do óleo de pequi como tratamento de feridas de difícil cicatrização, como as úlceras de pé diabético | Foto: Acervo pessoal O diferencial da nanotecnologia A inovação do estudo está na aplicação de estruturas em escala nanométrica ao óleo de pequi, o que pode melhorar sua absorção pelo organismo, aumentar a eficácia e prolongar o tempo de ação. Esse processo também contribui para maior estabilidade das formulações e melhor interação com células e tecidos, ampliando o potencial terapêutico. “A nanotecnologia permite que o ativo atue de forma mais eficiente, favorecendo sua interação com as células e os efeitos observados em laboratório”, completa Graziella. A base tecnológica do projeto se apoia em pesquisas anteriores conduzidas na UnB, nas quais o grupo desenvolveu nanoemulsões à base de óleo de pequi. Como resultado, foi concedida, em 2022, carta patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), contemplando aplicações biomédicas, nutracêuticas e cosméticas. Esse reconhecimento reforça o caráter inovador da tecnologia e amplia suas possibilidades de aplicação. [LEIA_TAMBEM]Avanço no tratamento de feridas Um dos principais focos da pesquisa é o tratamento de feridas de difícil cicatrização, como as úlceras de pé diabético. Essas lesões representam um desafio para a saúde pública, pois estão associadas a complicações graves, como infecções e, em casos mais severos, amputações. Com o aumento do número de pessoas com diabetes no Brasil, cresce também a necessidade de alternativas mais eficazes e acessíveis. Do laboratório à aplicação Além dos estudos laboratoriais, o projeto inclui etapas de validação em modelos experimentais e o desenvolvimento de um produto mínimo viável (MVP), com foco na futura aplicação prática. Atualmente, a solução está em nível de maturidade tecnológica TRL 4, caracterizado pela validação em ambiente de laboratório, com perspectiva de avanço para etapas mais próximas da implementação. “Nosso objetivo é avançar até que a tecnologia possa, no futuro, chegar à população e contribuir para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, afirma a pesquisadora. Outro aspecto relevante é o impacto além da área da saúde. Ao utilizar um recurso natural do Cerrado, a pesquisa contribui para a valorização da biodiversidade brasileira, fortalece a bioeconomia e incentiva práticas sustentáveis de produção. *Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)

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Máscara criada com apoio da FAPDF inativa vírus respiratórios

Diante de novas variantes e do aumento de casos de doenças respiratórias, um estudo desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), ganha ainda mais relevância ao propor uma máscara capaz de inativar não apenas o coronavírus, mas também outros vírus respiratórios. A máscara Vesta representa um avanço ao ir além da proteção física tradicional. Diferentemente dos modelos convencionais, que atuam apenas como barreira mecânica, a tecnologia incorpora nanotecnologia à base de quitosana — substância extraída da carapaça de crustáceos, como caranguejo, camarão e lagosta. Inserida entre as quatro camadas de tecido TNT, essa barreira atua diretamente sobre o vírus, envolvendo e degradando sua membrana, o que leva à inativação. Além disso, a estrutura do material contribui para impedir a passagem de micro-organismos. No modelo PFF2, a máscara recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e apresenta propriedades virucidas, bactericidas e fungicidas, sendo capaz de atuar contra vírus, bactérias e fungos. Além de atuar como barreira mecânica, a máscara Vesta incorpora uma nanotecnologia à base de quitosana que age sobre o vírus degradando sua membrana | Foto: Anastácia Vaz/UnB Impacto duradouro O projeto teve início em 2021, no contexto da pandemia de covid-19, período em que a comunidade científica foi mobilizada globalmente em busca de soluções para conter a disseminação do vírus. No entanto, os resultados da pesquisa ultrapassam esse momento. A tecnologia foi desenvolvida com potencial de atuação contra diferentes vírus respiratórios, o que amplia sua relevância em cenários atuais e futuros, como surtos sazonais de gripe e outras síndromes respiratórias. Com coordenação da professora Suélia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa, da UnB, o projeto também contou com a atuação de pesquisadoras como Graziella Anselmo Joanitti e Kelly Grace Magalhães. Da pesquisa à validação clínica A máscara apresenta propriedades virucidas, bactericidas e fungicidas | Foto: Divulgação/SES-DF A máscara Vesta percorreu diferentes etapas de desenvolvimento, desde testes laboratoriais até a validação em condições reais de uso. Em 2023, o projeto alcançou a fase final dos ensaios clínicos, etapa essencial para comprovar a eficácia e a segurança da tecnologia. Essa fase contou com a atuação do professor da UnB e coordenador do ensaio clínico, Rodrigo Luiz Carregaro, contribuindo para o avanço da solução rumo à aplicação prática. Com isso, a tecnologia se encontra em um estágio avançado de maturidade, compatível com fases de validação em ambiente real (TRL 7 a 8), aproximando-se da aplicação prática e da produção em escala. Ciência aplicada com apoio do DF O projeto contou com investimento de R$ 76.825, viabilizado por meio do convênio Transparência Covid (2020), em parceria entre a UnB, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e a FAPDF, além de R$ 1 milhão provenientes do edital Demanda Induzida (2021), com fomento exclusivo da Fundação. [LEIA_TAMBEM]“A trajetória da máscara Vesta demonstra a capacidade do ecossistema de ciência e inovação do Distrito Federal de desenvolver soluções com alto nível de maturidade tecnológica. Trata-se de uma iniciativa que percorre todas as etapas da pesquisa aplicada, desde a concepção até a validação em ambiente real, o que reforça a importância de instrumentos de fomento contínuos e estruturados. A FAPDF tem atuado justamente nesse sentido, apoiando projetos que não apenas geram conhecimento, mas que se traduzem em inovação com potencial de transformação social”, destaca o presidente da Fundação, Leonardo Reisman. Além de impulsionar a inovação, o investimento contribui para o fortalecimento da infraestrutura científica e para a geração de soluções com potencial de impacto direto na sociedade. *Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)

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Tremores do Parkinson podem ser reduzidos com tecnologia inovadora

No contexto do Dia Mundial do Parkinson, celebrado em 11 de abril, é importante chamar atenção para os impactos dos tremores causados pela doença, que vão muito além de um sintoma clínico — eles afetam diretamente a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida de quem convive com a condição, dificultando tarefas simples do dia a dia, como escrever, segurar objetos ou se alimentar.  Foi a partir dessa realidade que surgiu uma nova tecnologia desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio da chamada pública BIO Learning, vinculada ao Programa FAPDF Learning (2023). A pesquisa é coordenada pela professora Marcela Rodrigues Machado, do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia da UnB, que lidera uma equipe multidisciplinar dedicada ao desenvolvimento da solução. “A ideia surgiu da necessidade de oferecer mais autonomia e qualidade de vida às pessoas com Parkinson, por meio de uma solução tecnológica que acompanhe a evolução dos tremores ao longo do tempo”, destaca a coordenadora do projeto. A iniciativa resultou em um dispositivo vestível — ou seja, que pode ser utilizado diretamente no corpo — capaz de reduzir esses movimentos involuntários de forma inteligente e adaptável. Protótipo vestível instrumentado com sensores e circuitos eletrônicos para aquisição de dados e validação experimental do controle de tremores. (Foto: acervo do projeto) Como funciona o dispositivo inteligente A tecnologia é baseada em estruturas chamadas metamateriais inteligentes — materiais projetados para responder de forma específica a determinados estímulos, como vibrações e movimentos. Esse tipo de material já é utilizado em tecnologias que controlam ondas sonoras, vibrações mecânicas e até na engenharia aeroespacial para reduzir impactos e ruídos. No caso do Parkinson, os tremores acontecem em frequências específicas, como um “ritmo” repetitivo do movimento involuntário. O dispositivo atua exatamente nessas frequências, funcionando como um filtro que reduz a intensidade dos tremores sem interferir nos movimentos voluntários do usuário. Além disso, o sistema conta com sensores capazes de registrar os padrões de movimento do paciente, permitindo acompanhar a evolução da doença e gerar dados que podem apoiar decisões clínicas. Um dos diferenciais está no uso de materiais piezoelétricos, capazes de transformar movimento em energia elétrica. Na prática, isso permite que o próprio dispositivo aproveite a energia gerada pelos tremores para alimentar seus sistemas internos, tornando a tecnologia mais eficiente. Diferencial em relação às soluções atuais As órteses tradicionais geralmente utilizam estruturas rígidas ou mecanismos passivos que limitam o movimento e precisam ser substituídas conforme a progressão da doença. A proposta do projeto é oferecer uma solução mais leve, adaptável e programável, capaz de acompanhar as mudanças nos padrões de tremor sem necessidade de troca constante do dispositivo. Outro avanço importante é a possibilidade de monitoramento contínuo, algo que ainda não está amplamente disponível nas soluções existentes no mercado. Os testes em laboratório já demonstram resultados promissores, com redução significativa na intensidade das vibrações, inclusive em faixas de baixa frequência — um dos principais desafios nessa área. Impacto direto na qualidade de vida Se chegar ao mercado, a tecnologia pode representar um avanço significativo no cuidado com pacientes com Parkinson, permitindo maior estabilidade e segurança na realização de atividades cotidianas. “Nosso principal objetivo é devolver autonomia às pessoas, permitindo que elas realizem tarefas simples do dia a dia com mais segurança e confiança”, destaca a coordenadora do projeto. Além disso, o projeto já conta com pedidos de patente, evidenciando seu potencial inovador e sua relevância no cenário científico e tecnológico. Formação de talentos e geração de inovação A iniciativa também se destaca pela formação de recursos humanos qualificados, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação em atividades de pesquisa, desenvolvimento de protótipos e experimentação. Com investimento de R$ 1 milhão da FAPDF, o projeto busca avançar no Nível de Maturidade Tecnológica (TRL), escala que mede o grau de desenvolvimento de uma tecnologia, desde os estágios iniciais até sua aplicação no mercado. Atualmente, a solução encontra-se no nível TRL 4 — fase de validação em laboratório — e tem como objetivo avançar para os níveis 5 e 6, que envolvem testes mais avançados e aproximação da aplicação prática. Apoio da FAPDF e próximos passos O apoio da FAPDF tem sido fundamental para viabilizar o desenvolvimento da tecnologia, incluindo a aquisição de equipamentos, a estruturação de laboratório e a formação da equipe. “O apoio da FAPDF foi essencial para que o projeto avançasse do campo teórico para uma aplicação mais próxima da realidade”, destaca a coordenadora. “O fomento permitiu investir em infraestrutura, desenvolver protótipos e formar uma equipe qualificada para transformar essa pesquisa em uma solução concreta.” *Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)

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GDF lança novo mestrado para servidores em parceria com UnB e FAPDF

O governador Ibaneis Rocha assinou, nesta quarta-feira (11), um convênio para a oferta de novo mestrado profissional voltado à capacitação de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF). A iniciativa, promovida em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e com a Universidade de Brasília (UnB), prevê investimento de R$ 2,4 milhões e a formação de até 70 servidores em temas relacionados à inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico. Além disso, serão ofertadas mais dez vagas abertas para toda a sociedade, desde que cumpridos os pré-requisitos. “Estamos reunidos fazendo uma das coisas de que eu mais gosto que é incentivar os estudos nos nossos setores públicos. Nós vamos ofertar 80 vagas de mestrado na UnB: são 40 agora neste semestre e 40 no segundo semestre. Será uma seleção única, que vai começar agora. Vai ser lançado o edital e a gente espera, com isso, melhorar a qualidade dos serviços prestados à população da nossa cidade. Então, quero deixar bem claro o nosso apoio e o incentivo para que os servidores do Distrito Federal se qualifiquem cada vez mais”, afirmou Ibaneis Rocha. O governador Ibaneis Rocha ressaltou que o mestrado lançado pelo GDF visa "melhorar a qualidade dos serviços prestados à população da nossa cidade" | Fotos: Renato Alves/Agência Brasília O programa, chamado de Empreendedorismo, Inovação, Tecnologia e Crescimento Econômico na Era da Inteligência Artificial, tem como objetivo qualificar gestores públicos para lidar com as transformações econômicas impulsionadas pela inovação tecnológica e pela inteligência artificial, além de fortalecer a capacidade institucional do governo na formulação de políticas públicas. De acordo com o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF, Leonardo Reisman, a temática, em voga nos dias atuais, vai acrescentar na gestão pública: “A parte da economia é porque a gente entende que dados econômicos embasam uma decisão de política pública, são transversais enquanto base do conhecimento. E inovação porque a gente está falando de inteligência artificial e de tantas outras tecnologias que estão mudando a nossa forma de trabalhar. Então, trazer um problema em stricto sensu com a qualidade que a UnB traz nessas duas áreas, focando no GDF, nos parece um arranjo de sucesso”. Leonardo Reisman destaca a inovação no programa do curso Empreendedorismo, Inovação, Tecnologia e Crescimento Econômico na Era da Inteligência Artificial O secretário de Economia, Daniel Izaias, destacou que parcerias como essa “são fundamentais não só para a capacitação dos servidores, mas para trazer para a administração pública ferramentas novas, percepções novas para dar um ar fresco na forma como se elabora políticas públicas e oferta serviços públicos”. “Esses cursos não são feitos de maneira exclusiva para servidores, entram também pesquisadores e estudantes da sociedade, o que faz com que a gente consiga ter uma interação com experiências e habilidades também do setor público e da sociedade de um modo geral. Isso faz com que a administração pública ganhe uma percepção nova sobre economia e tecnologia e que a gente consiga aplicar isso na melhoria dos serviços públicos.” A nova edição do convênio prevê a formação de até 70 servidores do GDF, organizados em duas turmas de 35 participantes. Para a sociedade em geral, serão dez vagas, sendo cinco em cada turma. A Universidade de Brasília será responsável pela condução das atividades acadêmicas e pelo desenvolvimento das pesquisas relacionadas ao programa. [LEIA_TAMBEM]Além da formação acadêmica, a iniciativa prevê pesquisas aplicadas sobre inovação, tecnologia e crescimento econômico. Os estudos devem contribuir para subsidiar políticas públicas e estratégias voltadas ao fortalecimento do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação do Distrito Federal. O convênio é a segunda edição da parceria entre o GDF, a UnB e a FAPDF. A primeira iniciativa, lançada em 2024, ofertou 40 vagas de mestrado profissional gratuito voltado a servidoras e servidores do governo, com foco em gestão, inovação, economia e tecnologia aplicadas à administração pública. Nesta nova etapa, o programa amplia a iniciativa ao dobrar o número de vagas e consolidar a cooperação entre governo e universidade para qualificação do quadro técnico da administração pública. Inovação na gestão pública Por meio da Egov, O GDF oferece cursos voltados a temas como fundamentos e aplicações de inteligência artificial para gestores e servidores A oferta do mestrado integra uma agenda mais ampla do Governo do Distrito Federal voltada à qualificação de servidores e à incorporação de inovação tecnológica na gestão pública.  Nos últimos anos, o GDF tem ampliado ações de capacitação por meio da Escola de Governo (Egov) e de parcerias institucionais, com cursos voltados a temas como fundamentos e aplicações de inteligência artificial para gestores e servidores, além de programas de formação para o desenvolvimento de soluções voltadas a cidades inteligentes, sustentáveis e resilientes. Entre as iniciativas estruturadas pelo governo está também o Centro Integrado de Inteligência Artificial, criado para desenvolver soluções tecnológicas aplicadas à administração pública e fortalecer a articulação com universidades e centros de pesquisa. O edital para seleção dos servidores participantes do mestrado deve ser lançado em abril, com previsão de início das aulas no segundo semestre deste ano.  

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Pesquisa da UnB apoiada pela FAPDF torna produção de hidrogênio verde mais próxima à realidade

Transformar água em combustível limpo pode parecer algo distante do cotidiano, mas é exatamente isso que um projeto desenvolvido no Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB) está tornando cada vez mais viável. Coordenada pelo professor Jorlandio F. Felix, doutor em física, bolsista de produtividade do CNPq e docente associado da UnB, a pesquisa produz e caracteriza filmes finos (camadas extremamente finas) baseados em materiais de Van der Waals (forças fracas) para aplicação como catalisadores na geração de hidrogênio e também em dispositivos eletrônicos. O projeto foi contemplado pelo edital Demanda Espontânea (2022), da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), com investimento de R$ 179 mil. Esse edital faz parte do Programa de Pesquisa Básica da FAPDF, direcionado a projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação que buscam validar hipóteses, desenvolver conceitos e consolidar bases experimentais, posicionando-se, assim, na esteira de níveis iniciais de maturidade tecnológica. Versão aprimorada do sistema AME, equipada com módulo de controle remoto | Fotos: Divulgação/FAPDF O apoio da FAPDF foi decisivo para estruturar toda a cadeia de pesquisa, desde a adaptação de equipamentos até a aquisição de materiais de alta pureza e a implementação de instrumentação especializada. Além dos resultados científicos, o projeto gera impactos estruturantes: formação de estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado; fortalecimento da infraestrutura científica da UnB; consolidação do DF como polo em nanotecnologia e hidrogênio verde; e potencial criação de um novo setor industrial voltado à produção de dispositivos energéticos de alto desempenho. Para o professor Jorlandio, “essa tecnologia não representa apenas um avanço científico; ela demonstra que é possível produzir energia limpa com menor custo e menor impacto ambiental, criando oportunidades econômicas e formando profissionais altamente qualificados no Distrito Federal”. O diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, destaca: “Apoiar projetos como esse significa investir em soberania tecnológica e em soluções concretas para os desafios da transição energética. Quando fomentamos pesquisas que unem ciência de ponta, sustentabilidade e potencial de aplicação industrial, estamos preparando o Distrito Federal para liderar a nova economia da energia limpa”. Do laboratório ao hidrogênio verde Raios gama atingindo o material bidimensional e criando vacâncias de enxofre O hidrogênio é considerado um dos pilares da transição energética porque pode substituir combustíveis fósseis em setores onde a eletrificação direta é mais difícil, como na indústria pesada e no transporte de cargas. Ele pode ser utilizado como combustível para ônibus, caminhões e trens, gerando apenas vapor d’água como resíduo; em processos industriais que exigem altas temperaturas, como a produção de aço; e como forma de armazenar energia solar e eólica, funcionando como uma espécie de “bateria química” de grande escala. Quando produzido a partir da eletrólise da água usando energia renovável — como solar ou eólica —, ele é chamado de hidrogênio verde, pois não gera emissões de carbono no processo. Sistema de deposição de filmes finos AME (do inglês, Automatic Mechanic Exfoliation), versão original protegida pela patente BR1020240157060 Para produzir esse hidrogênio, é necessário quebrar a molécula da água (H₂O) usando eletricidade. Essa reação, chamada eletrólise, só ocorre com eficiência quando há um catalisador — material que acelera a reação e reduz o gasto energético. Hoje, o catalisador mais eficiente é a platina, um metal raro e caro. É nesse cenário que a pesquisa da UnB apresenta uma alternativa promissora. O grupo trabalha com filmes finos produzidos a partir de materiais bidimensionais (2D). Filmes finos são camadas extremamente finas de material aplicadas sobre uma superfície. Elas podem ser milhares de vezes mais finas que um fio de cabelo e, mesmo quase invisíveis, conseguem conduzir eletricidade ou acelerar reações químicas. Filmes semelhantes já estão presentes no cotidiano — por exemplo, nas telas de celulares sensíveis ao toque, em espelhos e até em alguns tipos de painéis solares. “Ao utilizar materiais bidimensionais, trocamos um material escasso e caríssimo por componentes muito mais abundantes e baratos. Isso torna a tecnologia de energia limpa viável para ser instalada em larga escala, baixando o preço final da energia” Jorlandio F. Felix, professor e doutor em física Entre os materiais utilizados estão os chamados dicalcogenetos de metais de transição (TMDCs), como o dissulfeto de molibdênio (MoS₂) e o dissulfeto de tungstênio (WS₂). O MoS₂ já é utilizado há décadas como lubrificante industrial, reduzindo o atrito entre peças metálicas graças à estrutura em camadas. Na pesquisa da UnB, porém, esses mesmos materiais são aplicados em escala nanométrica — quase atômica — para acelerar reações químicas e produzir hidrogênio verde. “Ao utilizar materiais bidimensionais, trocamos um material escasso e caríssimo por componentes muito mais abundantes e baratos. Isso torna a tecnologia de energia limpa viável para ser instalada em larga escala, baixando o preço final da energia”, explica o professor Jorlandio. Automação e inovação Um dos grandes diferenciais do projeto é o desenvolvimento da técnica chamada Esfoliação Mecânica Automática (AME). De forma simplificada, trata-se de um sistema automatizado que deposita materiais bidimensionais, como MoS₂ e WS₂, sobre uma superfície com controle preciso de pressão e movimento. Esses materiais começam como um pó escuro comum, mas têm uma estrutura formada por camadas muito finas, unidas por forças fracas chamadas forças de van der Waals. Quando pressionadas contra uma superfície, essas camadas se desprendem e formam o filme fino. O sistema funciona como uma “caneta” de alta precisão, guiada por motores que controlam o movimento em diferentes direções e a força aplicada, garantindo uniformidade e padronização. [LEIA_TAMBEM]Essa automação resolve um dos principais desafios da nanotecnologia: a reprodutibilidade, ou seja, assegurar que o material seja produzido sempre com a mesma qualidade. “Na ciência, de nada adianta descobrir um material incrível se não conseguimos fabricá-lo sempre com a mesma qualidade. O sistema AME garante padronização e abre caminho para levar a tecnologia da bancada para a indústria”, afirma o coordenador. O mecanismo foi patenteado sob o número BR1020240157060, consolidando o avanço tecnológico desenvolvido no Distrito Federal. *Com informações da FAPDF  

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Pesquisa demonstra eficácia de fita antimicrobiana à base de cobre em ambiente hospitalar

Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) alcançou repercussão internacional ao validar, em condições clínicas reais, a eficácia de uma fita antimicrobiana à base de cobre para o controle da contaminação em superfícies hospitalares. Os resultados foram publicados em dezembro de 2025 no Antibiotics, periódico científico internacional referência na área de controle de infecções e resistência microbiana. O estudo Atividade antimicrobiana e caracterização de uma fita polimérica complexada com cobre validada para aplicações em desinfecção de superfícies é coordenado pela pesquisadora Andreanne Vasconcelos, biomédica, doutora em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora da University of Lincoln, no Reino Unido. Ela também atua como CEO da empresa People&Science Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, sediada na UnB, e cumpre trajetória acadêmica dedicada à prospecção de substâncias bioativas e ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas à saúde, com foco em doenças infecciosas e inflamatórias. Andreanne foi vencedora do Prêmio FAPDF 2025 na categoria Startup Inovadora — Não Acelerada. Andreanne Vasconcelos é  biomédica, doutora em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora da University of Lincoln, no Reino Unido | Fotos: Divulgação/FAPDF O apoio concedido pela fundação possibilitou a validação da atividade antimicrobiana tanto em laboratório quanto em ambiente hospitalar real, por meio do edital  Demanda Espontânea, garantindo rigor científico e infraestrutura adequada. O fomento também impulsionou a colaboração internacional e a formação de recursos humanos qualificados, viabilizando a visita técnica da pesquisadora à University of Lincoln, no Reino Unido, por meio do edital FAPDF Participa. A pesquisa avaliou a atuação contínua da tecnologia em superfícies de alto toque, como torneiras, corrimãos, maçanetas e braços de cadeiras, demonstrando redução significativa da carga microbiana ao longo de 19 semanas de uso em um hospital universitário brasileiro. O trabalho envolveu colaboração entre instituições do Brasil e do Reino Unido, fortalecendo a inserção da ciência produzida no Distrito Federal no cenário científico internacional. O apoio da FAPDF foi fundamental para a realização e a consolidação da pesquisa, viabilizando desde os testes laboratoriais até a validação em ambiente hospitalar real e a cooperação internacional. O estudo contou com recursos do edital Demanda Espontânea e do edital FAPDF Participa, que possibilitou a visita técnica à instituição britânica. “Esse fomento foi essencial não apenas para a realização do projeto, mas também para minha trajetória como jovem pesquisadora. Fortaleceu minha formação, ampliou minhas oportunidades de colaboração internacional e aumentou meu compromisso em seguir produzindo ciência de impacto no Brasil”, ressalta Andreanne. A partir dos resultados alcançados, a pesquisa avança, agora, para novas etapas, que incluem a ampliação dos estudos para outros ambientes de grande circulação, como transporte público e instituições de ensino, além da busca pelo registro da tecnologia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A equipe também pretende trabalhar em articulação com o poder público para viabilizar, futuramente, a incorporação da solução no Sistema Único de Saúde (SUS). "Quando uma pesquisa apoiada pela FAPDF alcança reconhecimento internacional, isso demonstra que o investimento público em ciência gera resultados concretos e relevantes para a sociedade" Leonardo Reisman, presidente da FAPDF “Quando uma pesquisa apoiada pela FAPDF alcança reconhecimento internacional, isso demonstra que o investimento público em ciência gera resultados concretos e relevantes para a sociedade. Esse estudo mostra a capacidade dos nossos pesquisadores de atuar em redes internacionais, produzir conhecimento de alto nível e transformar ciência em soluções aplicáveis, especialmente em áreas sensíveis como a saúde pública. A FAPDF tem o compromisso de fortalecer esse ecossistema, ampliando oportunidades para que a ciência produzida no Distrito Federal dialogue com o mundo e retorne em benefícios diretos para a população”, afirma o presidente da fundação, Leonardo Reisman. Tecnologia simples, impacto permanente Apesar da aparência simples, a fita antimicrobiana representa uma solução tecnológica sofisticada para um dos grandes desafios da saúde pública: o controle da contaminação em superfícies de alto toque. A tecnologia consiste em um revestimento adesivo flexível, no qual o cobre — metal reconhecido por sua ação antimicrobiana natural — está incorporado a uma matriz polimérica, ou seja, uma base flexível de material plástico que sustenta e distribui o cobre, permitindo sua aplicação em superfícies já existentes, sem a necessidade de reformas estruturais. Etapa de caracterização físico-química da fita antimicrobiana em laboratório internacional Segundo a coordenadora do estudo, a principal vantagem da solução está em sua atuação contínua e passiva. “Diferentemente dos métodos tradicionais, que dependem de limpezas frequentes com produtos químicos e da mudança de comportamento das pessoas, a fita atua o tempo todo, eliminando microrganismos sempre que entram em contato com a superfície”, explica a pesquisadora. Na prática, isso significa que a superfície revestida passa a se “autodesinfectar” de forma permanente, reduzindo significativamente a sobrevivência e a multiplicação de bactérias e fungos. Essa característica é especialmente relevante em ambientes hospitalares, onde superfícies como torneiras, corrimãos, maçanetas e braços de cadeiras são constantemente tocadas e rapidamente recontaminadas, mesmo após procedimentos de higienização. Embora o foco inicial seja o ambiente hospitalar, a tecnologia abre perspectivas para futuras aplicações em outros locais de grande circulação, como escolas, transportes coletivos, aeroportos, repartições públicas e estabelecimentos comerciais, a serem investigadas em etapas posteriores da pesquisa. Validação em ambiente hospitalar brasileiro Aplicação da fita antimicrobiana em ambiente hospitalar real Além dos testes laboratoriais, o estudo se destaca por ter sido conduzido em um ambiente hospitalar real, o que permitiu avaliar a tecnologia diante de variáveis como umidade, fluxo intenso de pessoas e recontaminação constante das superfícies. Os resultados indicaram eliminação praticamente completa de bactérias relevantes para a saúde pública em ensaios controlados e redução sustentada da carga microbiana em condições clínicas reais. Segundo a pesquisadora, essa etapa é fundamental para garantir a aplicabilidade da solução. “Muitas tecnologias funcionam bem em laboratório, mas precisam ser testadas em cenários reais, especialmente em regiões tropicais, onde fatores ambientais influenciam diretamente o desempenho dos materiais”, destaca. Alcance internacional e colaboração científica [LEIA_TAMBEM]A pesquisa integra uma ampla rede de colaboração científica internacional, envolvendo instituições do Brasil, da Europa e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. O estudo contou com a participação do The Bridge e da University of Lincoln, fortalecendo o intercâmbio acadêmico e científico entre o Brasil e o Reino Unido. A parceria internacional permitiu o acesso a metodologias avançadas, equipamentos especializados e à troca de conhecimentos técnicos e científicos, ampliando a robustez dos resultados obtidos. Além disso, o estudo avaliou, em território brasileiro, uma tecnologia desenvolvida originalmente na França, conferindo ao trabalho um caráter global ao testar sua eficácia em diferentes contextos geográficos, climáticos e epidemiológicos. Para a pesquisadora, levar os resultados ao cenário científico internacional é essencial não apenas para dar visibilidade à ciência produzida no Brasil, mas também para contribuir com soluções aplicáveis a desafios globais de saúde pública. “A ciência é, por natureza, colaborativa. Avaliar uma tecnologia europeia em um hospital brasileiro, em parceria com grupos do Reino Unido, gera evidências mais robustas e relevantes para diferentes realidades”, afirma. *Com informações da FAPDF  

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Plataforma desenvolvida com apoio da FAPDF utiliza inteligência artificial e drones no combate a espécies invasoras do Cerrado

A expansão de espécies daninhas é um dos maiores desafios para a agricultura moderna. No Cerrado, bioma que abriga parte significativa da produção de grãos do país, o avanço do Amaranthus palmeri, popularmente conhecido como caruru-palmeri, tem preocupado agricultores e pesquisadores por provocar perdas milionárias na produtividade de soja e algodão. Com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), o professor Edilson de Souza Bias, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), coordena o desenvolvimento de uma plataforma de código aberto integrada a ferramentas de inteligência artificial (IA) voltada à identificação automática de plantas invasoras. A iniciativa é resultado do edital Agro Learning (2023) e envolve parceria do Laboratório de Visão Computacional da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pesquisadores durante missão de mapeamento agrícola em Sapezal (MT), com drone DJI Matrice 300 RTK | Fotos: Divulgação/FAPDF  Tecnologia e precisão no campo O projeto começou a ser idealizado em 2018, mas ganhou força em 2023, quando a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF (Seagri-DF) alertou para o risco da chegada do caruru-palmeri à região. As primeiras análises foram conduzidas no município de Sapezal (MT), onde a infestação já havia provocado prejuízos de até US$ 18,5 milhões em fazendas de soja e algodão. Utilizando drones equipados com sensores de alta resolução (GSD de 2,5 cm, ou seja, capazes de registrar detalhes de até 2,5 centímetros por pixel), a equipe desenvolveu um modelo de aprendizado profundo (deep learning), técnica de inteligência artificial que ensina o sistema a reconhecer padrões visuais a partir de grandes volumes de imagens, alcançando 96% de precisão na identificação das plantas invasoras. Equipe do projeto durante atividades de campo em Mato Grosso O modelo foi construído a partir de milhares de imagens aéreas captadas por aeronaves não tripuladas de mapeamento profissional, em especial um drone DJI Matrice 300 RTK, equipamento de alto desempenho usado em levantamentos topográficos e agrícolas de precisão. O drone foi acoplado a sensores RGB, multiespectral, termal e LiDAR (Light Detection and Ranging, ou Detecção e Medição da Luz), que emitem pulsos de laser para medir o tempo de retorno das reflexões e criar modelos tridimensionais da vegetação e do relevo. Essa combinação de sensores permite capturar diferentes tipos de informação — desde a cor e textura até o calor e a estrutura das plantas. Em campo, a equipe avaliou a resposta de cada sensor para definir quais apresentavam maior eficiência na detecção da espécie Amaranthus palmeri. Esse conjunto tecnológico utiliza o sistema RTK (Real Time Kinematic), que faz correções em tempo real no posicionamento do drone e garante precisão centimétrica — requisito essencial para diferenciar espécies semelhantes em meio às lavouras. O sistema RTK faz correções em tempo real no posicionamento do drone e garante precisão centimétrica   [LEIA_TAMBEM]As imagens passaram por testes de altura de voo e resolução para definir o ponto ideal entre abrangência e detalhamento. Com os dados ajustados, a equipe treinou uma rede neural profunda — estrutura computacional inspirada no funcionamento do cérebro humano — que aprendeu a distinguir automaticamente as plantas invasoras com base em padrões sutis de cor, textura e formato. Foram testadas diferentes arquiteturas de redes, como U-Net, ResU-Net e DeepLabv3+, para alcançar o melhor desempenho na segmentação das imagens. Além do Amaranthus palmeri, a equipe também identificou e mapeou o Amaranthus híbrido, uma variante igualmente resistente aos herbicidas e de difícil controle nas lavouras. O processo contou com a participação de bolsistas de graduação e pós-doutorado da UnB, responsáveis pela coleta de dados e pelo treinamento do algoritmo. O resultado é um sistema capaz de processar imagens de diferentes drones e gerar coordenadas geográficas precisas das áreas afetadas. “A plataforma de código aberto já está pronta e será aplicada no DF como fase final do projeto. O objetivo é permitir que a Seagri utilize a ferramenta para identificar e mapear as áreas afetadas de forma rápida e precisa”, explica o professor Edilson Bias. O projeto conta com bolsistas de graduação e pós-doutorado da UnB e mantém colaboração com o Laboratório de Visão Computacional da PUC-Rio, coordenado pelos professores Raul Feitosa e Gilson Alexandre, referências nacionais em IA aplicada. *Com informações da FAPDF  

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