Seminário debate direitos humanos e inclusão na rede pública
Educadores da rede pública de ensino do DF participaram, nesta quinta-feira (28), do IV Seminário de Direitos Humanos e Diversidade: Pluralidade e Inclusão na Educação. Promovido pela Secretaria de Educação (SEEDF), o encontro teve como foco debates sobre inclusão, diversidade e o enfrentamento das violências estruturais no ambiente escolar. Seminário teve como foco o respeito à diversidade e o combate à discriminação em ambiente escolar | Foto: Mary Leal/SEEDF “Precisamos ensinar às crianças que ser diferente é natural e que ninguém é melhor ou pior por isso” Iêdes Braga, secretária de Educação interina A secretária de Educação interina, Iêdes Soares Braga, enfatizou a importância de promover, desde a primeira infância, uma educação baseada no respeito às diferenças e na inclusão. Segundo ela, muitas pessoas cresceram em uma sociedade em que a exclusão era vista como algo comum, e a escola tem papel fundamental na construção de uma nova cultura de convivência e respeito. “Precisamos ensinar às crianças que ser diferente é natural e que ninguém é melhor ou pior por isso”, declarou. “A escola tem um papel essencial na formação de cidadãos mais humanos, respeitosos e conscientes. Essas discussões precisam fazer parte do cotidiano das escolas. Temos orientações, cadernos e protocolos disponíveis para apoiar esse trabalho. É importante que os profissionais conheçam esses instrumentos e levem essa pauta para dentro das salas de aula.” Acolhimento no ambiente escolar A primeira mesa-redonda do seminário teve como tema “Violências estruturais e letramentos urgentes na educação: questões de gênero e diversidade na Secretaria de Educação”. O debate destacou a importância do respeito à diversidade e do combate a todas as formas de discriminação e violência no ambiente escolar. “É importante que professores, orientadores e toda a equipe escolar saibam o que está acontecendo para acolher esses alunos e ajudar no enfrentamento dessas situações” Rúbia Estefânia da Silva, professora e pesquisadora Participaram da mesa a professora da rede pública de ensino e pesquisadora Rúbia Stefânia Pinto da Silva, que atua em estudos sobre o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes e políticas públicas educacionais, e o professor Leonardo da Cunha Mesquita Café, pesquisador das áreas de gênero, diversidade sexual e educação. Rúbia Stefânia alertou para situações de violência que fazem parte do cotidiano escolar e enfatizou a importância de a comunidade estar preparada para identificar e acolher os estudantes. A docente chamou a atenção para casos de assédio, compartilhamento de conteúdo íntimo, misoginia online, chantagem digital e sofrimento emocional enfrentado por crianças e adolescentes, especialmente meninas. “Essas violências estão dentro das escolas, e precisamos tratar esse assunto com seriedade”, pontuou. “Muitas vezes, os estudantes sofrem calados, têm vergonha e até deixam de frequentar a escola. É importante que professores, orientadores e toda a equipe escolar saibam o que está acontecendo para acolher esses alunos e ajudar no enfrentamento dessas situações.” [LEIA_TAMBEM]A professora também defendeu o fortalecimento das equipes escolares para lidar com situações de violência e acolher os estudantes de forma adequada: “Precisamos trabalhar o respeito e enfrentar todos os tipos de violência, inclusive a digital, que hoje faz parte da realidade dos estudantes. A escola não pode se calar diante das denúncias. Como servidores públicos, temos o dever de acolher, ouvir e agir”. Reflexões em sala de aula Leonardo Café ressaltou que trabalhar questões de gênero na escola não significa criar conteúdo fora da realidade dos estudantes, mas promover reflexões no dia a dia escolar. Segundo ele, atitudes simples como combater piadas preconceituosas e incentivar atividades mais inclusivas, ajudam na construção de um ambiente mais respeitoso. “Falar sobre gênero na escola é fazer intervenções quando surgem situações de machismo, homofobia ou preconceito”, afirmou. “Não é inventar algo novo, mas transformar esses momentos em oportunidades de aprendizado e respeito. A escola precisa criar espaços mais inclusivos, onde diferentes vozes, corpos e experiências sejam reconhecidos.” *Com informações da Secretaria de Educação
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Empoderamento feminino: diversidade marca cargos estratégicos na TCB
Quando chegou à Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB), em 2019, Maria Cecília Martins encontrou um cenário comum no setor: nas reuniões de gestão, era a única mulher. “Quando entrei, ainda como assessora jurídica, a diretoria e o conselho de administração eram compostos exclusivamente por homens”, lembra. A TCB, fundada em 8 de maio de 1961, já tinha tradição de inovação: nos anos 1970, foi considerada modelo nacional e pioneira na implementação do câmbio automático em seus veículos. Essa tradição de pioneirismo também passou a se refletir na ampliação da liderança feminina ao longo dos anos. Na TCB, Maria Cecília passou por diferentes funções, de gerente de projetos especiais a chefe de gabinete, até assumir a presidência, em maio de 2025. “Ter recebido a confiança do governador para dirigir uma empresa de um setor historicamente masculino revela uma visão contemporânea de gestão pública, baseada em mérito e credibilidade”, reconhece. Segundo ela, essa mudança também está presente no cotidiano da empresa. Hoje, dois dos três principais cargos da alta direção são ocupados por mulheres — a diretora-presidente e a diretora técnica. Na TCB, Maria Cecília passou por diferentes funções, de gerente de projetos especiais a chefe de gabinete, até assumir a presidência, em maio de 2025 | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília “Pela primeira vez, todos os contratos da empresa são assinados por mulheres. Foi o chefe do jurídico quem chamou minha atenção para esse fato, e foi um momento de orgulho. A TCB se tornou um espaço em que as mulheres ocupam posições de liderança com naturalidade e competência”, comemora Maria Cecília Martins. A diretoria técnica, ocupada por Lilian Carolina Borges, também desempenha papel estratégico na condução da empresa. “A presença feminina em uma área historicamente masculina reafirma que a gestão técnica se sustenta na competência e no preparo”, ressalta. Outro destaque é o Conselho Fiscal formado totalmente por mulheres. O colegiado é responsável por acompanhar e fiscalizar a gestão econômico-financeira da empresa. “É a abertura de um caminho concreto para que outras mulheres ocupem espaços de decisão e controle, sempre com base em competência técnica e independência”, destaca a conselheira-presidente Ivanise Machado. Mulheres no volante A presença feminina na empresa vai além dos gabinetes. No transporte escolar supervisionado pela TCB, há equipes com motoristas, monitoras e gestoras formadas exclusivamente por mulheres, graças ao projeto Mulheres no Volante. “Decidimos valorizar as profissionais e mostrar que as mulheres têm plena capacidade técnica e emocional para atuar no transporte. Ver mulheres na presidência e na diretoria é inspirador — mostra que podemos estar tanto na operação quanto na gestão”, explica a gerente administrativa, Mozzana Araújo. Para a diretora-presidente, a experiência da TCB mostra que mulheres podem ocupar espaços estratégicos com firmeza, sensibilidade e alegria. “Para as mulheres fora da empresa, a mensagem é de encorajamento. Ocupação de espaços estratégicos exige preparo, constância e coragem, mas não precisa significar isolamento ou endurecimento”, finaliza Maria Cecília Martins.
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DF Folia 2026: diversidade e públicos gigantes marcam fim de semana de Carnaval
O Carnaval ainda não acabou, e a edição de 2026 do DF Folia já é histórica. O sábado (14) e o domingo (15) foram marcados por desfiles de grandes blocos no centro da cidade, abrindo alas para a diversidade e para a brincadeira com respeito e segurança. No sábado, o Bloco do Amor transformou a região do Museu Nacional — onde fica a plataforma Carnaval Monumental — em um mar de gente. No domingo, o Bloco das Montadas reuniu mais de 100 mil foliões, com muita fantasia, música, dança, performances e show da cantora Gretchen. Respeito era palavra de ordem no bloco, que levantou a bandeira da comunidade LGBTQIAPN+. Bloco do Amor, há 11 anos saindo nas ruas: diversidade e respeito marcaram os desfiles de domingo, selando o caráter seguro do Carnaval no DF | Foto: Mendez/Divulgação Campanhas de conscientização e o reforço na segurança com a presença de policiais garantiram momentos intensos de celebração e tranquilidade. Dados do Governo do Distrito Federal (GDF) apontam para uma queda de 42% das ocorrências no final de semana do Carnaval, em comparação ao ano passado. Esse número coloca Brasília no topo dos carnavais mais seguros entre as capitais. No domingo, no Gran Folia, o Bloco dos Raparigueiros reuniu cerca de 40 mil brincantes, que curtiram clássicos do carnaval baiano. Diversidade “O DF Folia reafirma o compromisso do Governo do Distrito Federal com uma política cultural que valoriza a diversidade, fortalece a economia criativa e, sobretudo, cuida das pessoas”, avalia o secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes. “Ver as ruas ocupadas com alegria, respeito e segurança mostra que é possível promover grandes eventos populares com organização, inclusão e responsabilidade pública.” “Eu venho aqui porque é um lugar seguro, de campanha pelo respeito à comunidade LGBT+ e pela acessibilidade; é um bloco muito carinhoso e cuidadoso com o folião” Ana Flávia, atriz Os blocos das Montadas e do Amor são destaque no Carnaval da capital da República, tanto por atrair um público gigantesco quanto por promover o respeito à diversidade de gênero e sexualidade. Era a primeira vez da atendente Stefany Souza, 26 anos, no Montadas. “Gostei muito porque o pessoal é bastante animado e bastante acolhedor. E não vi nenhuma confusão ou briga até agora”, observou. Já a drag queen Leo Skiims, 25, marca presença no bloco todos os anos: “Para mim, esse bloco é liberdade, ser quem eu sou e vir do jeito que eu me sentir à vontade”. Carnaval renovado [LEIA_TAMBEM]Em Águas Claras, sete mil foliões vibraram na mesma energia de respeito e acolhimento, no Baile da Piki. “Mais do que um bloco, é um movimento cultural que reafirma o direito da comunidade de ocupar as ruas, celebrar sua existência e contribuir ativamente para a construção e renovação do Carnaval”, assinala o responsável pelo bloco, Matheus Maia. O Bloco do Amor também pediu passagem para a diversidade no coração de Brasília. A atriz Ana Flávia, 53, diz que acompanha o grupo desde a estreia nas ruas da cidade. “Eu venho aqui porque é um lugar seguro, de campanha pelo respeito à comunidade LGBT+ e pela acessibilidade; é um bloco muito carinhoso e cuidadoso com o folião”, afirma. “São 11 anos de Bloco do Amor e é um bloco sem incidentes, muito tranquilo, todo mundo com essa vibe de amor e de compartilhar com o próximo”, sublinha a coordenadora-geral do bloco, Letícia Helena. O DF Folia 2026 é uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) promovida por meio de chamamento público, com investimento total de R$ 10 milhões, em parceria com a Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade. A programação completa pode ser conferida no site e nas redes sociais do DF Folia. *Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa
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Exposição no CEF 410 Norte revela transformações pela arte e ancestralidade
A exposição Entre Olhares da Arte, Detalhes que Encantam e Histórias que Inspiram, no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410 Norte, apresenta trabalhos que transformaram a forma como os estudantes do 9º ano relacionam-se com a arte, integrando literatura, história e artes visuais. Eles criaram obras que dialogam com a ancestralidade, a diversidade e as práticas antirracistas, ampliando o seu olhar sobre o mundo. A coordenadora pedagógica, Andréia Modtkowski, explica que a mostra marcou uma mudança importante na postura dos alunos ao longo do ano. Para ela, o principal avanço é que os estudantes reconheceram o valor da criação: “Eles entenderam que a arte transforma e mostra que todos são capazes de produzir. Não se trata de ser excelente, mas de perceber que conseguem fazer coisas incríveis. A exposição mostra que esse reconhecimento é construído aos poucos.” O Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410 Norte apresenta trabalhos dos alunos, integrando literatura, história e artes visuais. | Fotos: Mary Leal/SEEDF Os trabalhos expostos dialogam com eixos transversais definidos pelos docentes de literatura, história e artes, com ênfase na leitura de autoras negras e na investigação de temas relacionados às ancestralidades. Referências de criadores negros e pesquisas sobre símbolos culturais, como o Baobá, aprofundado pelo professor e pesquisador André Lúcio Bento, ampliaram o repertório desenvolvido em sala de aula. Para a professora de português, Luane Almeida, essa integração entre áreas é fundamental para expandir a leitura de mundo dos estudantes. “Quando você fala de eixos transversais, fala da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Currículo em Movimento, que cobram eixos da educação inclusiva. Trabalhamos com múltiplas linguagens, pintura, visual, gestual, icônico, porque não há como desenvolver uma perspectiva artística integrada sem considerar essas semióticas, como vemos nas telas expostas”, explica. Oliver Ciro Teixeira Silva destaca que o projeto ajuda a aprofundar o entendimento sobre temáticas fundamentais da cultura brasileira Aprendizagem e identidade A produção dos estudantes evidencia diversidade, inclusão e práticas antirracistas, temas presentes no cotidiano escolar. A docente destaca ainda que o projeto segue rigorosamente as orientações pedagógicas do componente curricular. “O Currículo em Movimento pede que os alunos saiam do 9º ano com um repertório crítico fundamentado. Nada mais interessante do que trazer projetos que tornem isso visível na prática. Seguimos o currículo e cruzamos esses eixos com a legislação que torna obrigatório o ensino das matrizes africanas e afro-brasileiras. Esse compromisso ficou muito evidente no desenvolvimento da mostra”, afirma. [LEIA_TAMBEM]Estudante do 9º ano, Oliver Ciro Teixeira Silva, de 14 anos, relata que o projeto ajuda a aprofundar o entendimento sobre temáticas fundamentais da cultura brasileira. “Eu acho que é muito importante a gente estudar bastante sobre isso, saber e aprender sobre essa cultura, que é muito importante tanto para o Brasil quanto para muitos acontecimentos históricos. Acho que dessa forma a gente está resgatando e valorizando as origens da cultura brasileira”, afirma. O aluno participou de diferentes etapas da mostra e desenvolveu diversas obras ao longo do ano. “Eu fiz o cartaz do afro, como se fosse uma árvore, e também trabalhei com realismo, pintando flores e plantas de forma mais detalhada. Teve ainda um trabalho de nome artístico, em que a gente desenhava o nosso nome com letras artísticas, grafite, várias expressões diferentes”, conta. O processo criativo da mostra envolveu estudo teórico, análise de contos e criação de interpretações visuais sobre as temáticas propostas. As obras reforçam o papel da linguagem visual como forma de expressão e reflexão, especialmente em um contexto social marcado pela força das imagens. A exposição permanece aberta ao público escolar até 17 de janeiro. *Com informações da Secretaria de Educação
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Feira Cultural do CEL exalta diversidade e protagonismo estudantil
Em evento aberto à comunidade, o Centro Educacional do Lago (CEL) promoveu, na terça-feira passada (18), a Feira Cultural Raízes do Saber, com projetos desenvolvidos ao longo deste ano por estudantes e professores. A programação reuniu produções autorais, apresentações artísticas, práticas pedagógicas e atividades que valorizam a diversidade cultural, o protagonismo estudantil e as múltiplas linguagens presentes no cotidiano escolar. Entre as atividades desenvolvidas durante a feira, a maior parte teve como foco a conscientização sobre a importância do combate ao racismo | Fotos: Bruno Grossi/SEEDF O diretor do CEL, Vitor Rios, lembrou que a feira marca a consolidação de um trabalho contínuo composto por diferentes projetos. Para ele, a formação dos estudantes precisa dialogar com as raízes culturais do povo brasileiro. “A escola tem o papel de educar no sentido contrário às práticas de racismo que se disseminam nas redes”, disse. “Nosso trabalho valoriza a diversidade cultural e étnica, reconhecendo que a história do Brasil é indissociável das culturas indígenas, africanas e europeias.” “Nosso objetivo é que cada estudante compreenda o valor de ser uma pessoa antirracista, por isso reunimos exposições, palestras e apresentações que dialogam com a lei, com a cultura e com a vida da população negra” Deise Souza, supervisora pedagógica Famílias, parceiros e visitantes aproveitaram um grande espaço de convivência, com troca de saberes e celebração das identidades que compõem a comunidade escolar. A iniciativa foi planejada como oportunidade de socialização dos trabalhos e de integração entre escola e território, reforçando o compromisso do CEL com uma educação inclusiva e antirracista. Antirracismo como prática pedagógica A supervisora pedagógica da escola, Deise Souza, reforçou que a feira é resultado de um trabalho estruturado para fortalecer, durante todo o ano letivo, práticas educativas alinhadas ao combate ao racismo: “Nosso objetivo é que cada estudante compreenda o valor de ser uma pessoa antirracista, por isso reunimos exposições, palestras e apresentações que dialogam com a lei, com a cultura e com a vida da população negra”. A programação levou à escola convidados de religiões de matriz africana, com bate-papos sobre saúde mental da população negra e empreendedorismo. Também houve apresentações culturais, como a do grupo de percussão Congoná. “Não poderia faltar a capoeira, que é uma expressão viva da resistência e da ancestralidade presentes na formação do nosso país”, ressaltou a supervisora. “Trabalhamos para desmistificar práticas racistas que muitos consideram normais. A educação é o nosso caminho para combater essas ideias e reafirmar a dignidade das culturas negras e indígenas” Janete Silva, professora de sociologia Para a professora de sociologia Janete Silva, a valorização da cultura afro-brasileira nas escolas públicas do DF precisa ocorrer como prática contínua, integrada ao currículo e ao cotidiano pedagógico. “A culminância que vivemos hoje celebra um trabalho que acontece desde o início do ano, honrando Zumbi dos Palmares e permitindo que os estudantes exponham suas produções, aprendam uns com os outros e construam uma consciência antirracista”, lembrou. “Trabalhamos para desmistificar práticas racistas que muitos consideram normais. A educação é o nosso caminho para combater essas ideias e reafirmar a dignidade das culturas negras e indígenas.” Protagonismo e identidade A aluna Sara Reis representou o projeto Meninas.com, da UnB: “Hoje estamos aqui para dar voz a mulheres que fizeram muito pelo país” Aluna da 2ª série, Sara Reis, 17 anos, participou da feira representando o projeto Meninas.com, grupo da Universidade de Brasília (UnB) que incentiva a presença de mulheres nas áreas de tecnologia e ciência da computação. O objetivo da apresentação foi destacar a contribuição de mulheres negras e brasileiras que tiveram papel fundamental nessas áreas, mas que ainda recebem pouca visibilidade. “Mesmo com avanços, a tecnologia e a ciência ainda são majoritariamente ocupadas por homens brancos, então hoje estamos aqui para dar voz a mulheres que fizeram muito pelo país, como a pesquisadora Jaqueline Góes, responsável com sua equipe pela identificação de um novo genoma da covid”, declarou. Para ela, o contato com outras mulheres da área ampliou perspectivas profissionais e acadêmicas, fortalecendo seu desejo de seguir carreira na engenharia mecatrônica. “Esse espaço foi essencial para conhecer o mercado, ouvir experiências de quem já está na universidade e sentir que nós também podemos ocupar esses lugares; isso me inspira e incentiva muitas outras meninas da escola”, observou. Ash Lima apresentou um trabalho de preservação ambiental desenvolvido pelas comunidades quilombolas Também aluno da 2ª série, Ash Lima, 16, apresentou as maquetes produzidas na sala de recursos, que retratam diferentes quilombos e sua relação histórica e territorial com o Cerrado. O trabalho mostra como as áreas de preservação ambiental são mantidas por comunidades quilombolas. “Os quilombos surgiram como espaços de sobrevivência para negros fugidos da escravidão, e mesmo depois da Lei Áurea eles não receberam apoio do Estado, por isso muitos permaneceram nesses territórios, como a comunidade Calunga no Cerrado, preservando o ambiente e a própria história”, ilustrou. Atividades constantes A coordenadora pedagógica Tessia Goulart lembrou que a feira consolida estudos, leituras e atividades que o CEL promove de forma frequente, e não apenas no mês da Consciência Negra. Ela citou iniciativas como o clube de leitura antirracista e ações de diferentes áreas do conhecimento. “A feira é um momento de conquista”, apontou. “Nada aqui foi feito por obrigação: todos estão participando porque esse trabalho faz sentido, seja nas exposições, nas falas, no plantio das sementes crioulas ou nas trocas de saberes”. Outro projeto apresentado foi o Máscaras Africanas, fruto de parceria com o Museu Baobá, acervo digital de culturas africanas, por meio de modelagens em 3D. As peças expostas foram produzidas a partir de visitas da equipe da UnB a embaixadas de países africanos, onde digitalizaram máscaras tradicionais. A iniciativa envolve estudantes de diversas áreas, como psicologia e engenharia, e é coordenada pelo projeto Homo Ludens, que desenvolve ações educacionais de impressão 3D. Tessia também chamou atenção para a participação de grupos externos, como psicólogas convidadas e estudantes da UnB que discutiram o antirracismo no campo da psicologia. Também participaram representantes do templo Rosa de Oxalá, que compartilharam experiências sobre o enfrentamento ao preconceito religioso. “Hoje é um dia de celebrar a vida da escola, de ocupar nossos espaços e reafirmar que educação e antirracismo caminham juntos”, concluiu a coordenadora. *Com informações da Secretaria de Educação
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Ceilândia recebe, no próximo sábado (22), o 1° Festival Desportivo Inclusivo
A Praça dos Direitos da QNN 13, em Ceilândia, estará movimentada neste sábado (22), das 8h às 13h, com o 1° Festival Desportivo Inclusivo, que reunirá esporte, serviços gratuitos e ações de promoção da cidadania. A iniciativa é da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), em parceria com o Instituto Procip e o Bravus Esporte Clube, e contempla um público numeroso, com atenção especial à comunidade LGBT+, mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e com deficiência (PcD). O Beribazu é uma das atrações confirmadas para o festival | Foto: Jhonatan Vieira/Sejus-DF “Quando governo e sociedade se unem em ações como esta, construímos uma cidade mais humana, mais justa e mais inclusiva para todos” Marcela Passamani, secretária de Justiça e Cidadania A programação inclui torneio de futebol de campo e de quadra, vôlei de areia, bem como apresentações artísticas e culturais que fortalecem o sentimento de pertencimento e diversidade. Entre as atrações, estão previstas as apresentações do Grupo de Capoeira Beribazu e a dança das Vovós do Carimbó. Também serão oferecidos diversos serviços de saúde, bem-estar e orientação — um ambiente pensado para fortalecer o respeito, a convivência comunitária e a inclusão dentro e fora das quatro linhas. Serviços gratuitos Durante toda a manhã, o público terá acesso a assistência jurídica e psicológica, aulas de defesa pessoal, corte de cabelos, equipe de enfermagem, atendimento oftalmológico, massagem, ventosa, auriculoterapia, avaliação física, bioimpedância e spa dos pés. “Quando governo e sociedade se unem em ações como esta, construímos uma cidade mais humana, mais justa e mais inclusiva para todos”, enfatiza a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani. [LEIA_TAMBEM]“Esta iniciativa mostra que o esporte também é um espaço de acolhimento e de garantia de direitos”, avalia Eduardo Fonseca, da Coordenação LGBT da Sejus-DF. “Criamos um ambiente onde todas as pessoas podem participar, se expressar e se sentir seguras. É um movimento de fortalecimento da cidadania, do respeito e da convivência com diversidade.” Parcerias O festival conta com o apoio de instituições e parceiros da sociedade civil, fundamentais para ampliar os serviços oferecidos. Estão entre os apoiadores estão Caesb, Riex-DF, Grupo Cirandinha, Alerta Saúde, Academia NewHit, Mulheres em Ação, Associação Jurídica e Social (Ajus), Uneforense, Fashion Campus, Suyanne Lorena Nutricionista, Oftalmed, Drogasil, Beyond Comunicação, De Paula – Gestão de Atendimento, Printcor DF – Comunicação Visual, Arthur Gabriel – Medicina Chinesa, Celi - Spa dos Pés e A.M. Terapia. 1º Festival Desportivo Inclusivo ⇔ Sábado (22), das 8h às 13h, na Praça dos Direitos da QNN 13 – Ceilândia. *Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania
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Especialistas debatem inclusão, diversidade e saúde integral na UnDF
Promover um ambiente universitário que consolide uma cultura acadêmica baseada no respeito, na diversidade e na humanização. Esse e outros desafios presentes no ensino superior serão discutidos durante a 2ª Semana da Inclusão, Diversidade e Saúde Mental numa perspectiva interseccional, entre segunda (22) e sexta-feira (26), no Campus Norte da Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF). O evento é gratuito e aberto à população. A programação contará com a presença de especialistas no painel de discussão Inclusão, Diversidade e Saúde Mental numa perspectiva interseccional, além de ter o lançamento do projeto de extensão Saúde em Foco: Reflexões e Ações, que oferecerá oficinas e atividades práticas voltadas à promoção da saúde integral, também na perspectiva interseccional. Abordagem crítica “A visão crítica nos capacita a questionar as estruturas e normas que perpetuam a exclusão, como também os processos de medicalização de questões sociais" Raquel de Alcântara, gerente de Assistência e Humanização Estudantil da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Universitário da UnDF Refletir sobre inclusão, diversidade e saúde mental a partir de uma perspectiva crítica e interseccional é fundamental para ir além das soluções superficiais e combater as raízes dos problemas. “A visão crítica nos capacita a questionar as estruturas e normas que perpetuam a exclusão, como também os processos de medicalização de questões sociais. Simultaneamente, a lente interseccional reconhece que as identidades das pessoas se sobrepõem (como gênero, raça ou deficiência), gerando experiências únicas e combinadas de discriminação e vulnerabilidade, que são mais complexas do que a soma de suas partes”, explica Raquel de Alcântara, gerente de Assistência e Humanização Estudantil da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Universitário da UnDF. Raquel lembra que a semana tem como meta fortalecer uma abordagem crítica, coletiva e sistêmica, entendendo a universidade como um todo. “Isso significa engajar todas as esferas da comunidade — estudantes, professores e demais servidores — na promoção de um espaço que assegure a acessibilidade e a permanência dos estudantes, integrando a diversidade em sua essência”, conclui. Acolhimento estudantil Cerca de 200 alunos da UnDF são atendidos em projetos da instituições voltados ao acolhimento da comunidade | Foto: Divulgação/UnDF [LEIA_TAMBEM]A GAHE desempenha um papel central e estratégico no suporte à trajetória acadêmica dos estudantes da UnDF, é um ponto de apoio e referência, oferecendo acolhimento, escuta, orientação e encaminhamento, conforme as situações que impactam a vida dos estudantes. Isso, com o objetivo de contribuir para que todos que necessitam tenham condições de desenvolver melhor seu potencial acadêmico e humano dentro da instituição. O público assistido atualmente pela gerência, seja por meio dos projetos, seja do apoio individualizado, se aproxima de 200 estudantes, sendo eles com necessidades educacionais específicas; ou com transtornos psicológicos/psiquiátricos; ou em condições temporárias decorrentes de questões pedagógicas ou de saúde; além dos que enfrentam dificuldades de adaptação à vida universitária; ou que lidam com barreiras de inclusão relacionadas a questões étnico-raciais, gênero, idade, localização geográfica ou vulnerabilidade socioeconômica. *Com informações da UnDF
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Projeto Empregabilidade Inclusiva e Especial promove acesso ao mercado de trabalho
Com o objetivo de viabilizar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, foi lançado, nesta terça-feira (19), o Projeto Empregabilidade Inclusiva e Especial. Destinada a ex-alunos da rede pública do Distrito Federal, a iniciativa foi desenvolvida pela Subsecretaria de Educação Inclusiva e Integral, da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-DF) e com o apoio da Universidade de Brasília (UnB). O projeto é mais uma porta que se abre à inclusão, uma vez que oferece curso de formação e contrato de trabalho a pessoas com deficiência que preencham outros dois pré-requisitos: ter mais de 18 anos e ter concluído o ensino médio em alguma unidade da rede de ensino público do Distrito Federal. Iniciativa visa à inserção profissional de ex-estudantes da rede pública de ensino | Fotos: Felipe de Noronha/SEEDF A subsecretária de Educação Inclusiva e Integral (Subin), Vera Lúcia Barros, descreveu a parceria como uma oportunidade de promover uma verdadeira cultura de inclusão. “Estamos num momento muito especial, no início de um processo extremamente importante de inclusão. A partir de agora, os nossos estudantes podem apresentar os seus talentos, as suas vocações. Estamos reafirmando um compromisso de garantir que cada pessoa com deficiência seja vista pelo que pode fazer, que seu valor seja medido pelo talento e dedicação, e não por preconceitos ou estereótipos." [LEIA_TAMBEM]Parceria O programa tem uma metodologia, que envolve a triagem inicial dos candidatos e a elaboração dos currículos, atividades desenvolvidas em conjunto pela Subin e pelo Senac. Na fase seguinte, ocorre o encaminhamento para as empresas, que avaliam o perfil dos candidatos e a viabilidade de acessibilidade no ambiente laboral. Os aprovados passam para a última fase, iniciando a formação já contratados, com todos os direitos trabalhistas assegurados. A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, destacou a relevância da união entre os diferentes agentes sociais para promover a inclusão no mercado de trabalho: “A educação se faz com parcerias. E quando se trata de um aluno com deficiência, é preciso sensibilizar as empresas para recebê-los. Não basta formar os estudantes, é preciso garantir oportunidades de emprego também”. Mudança de vida Carlos Alberto Lopes Magalhães acredita que o projeto é uma oportunidade de mudar de vida: “Eu não esperava ter acesso a essas oportunidades” A primeira turma é composta por 13 participantes que terão aulas híbridas para o cargo de assistente administrativo, e já estão em processo admissional com carteira assinada em empresas como Hospital Daher, Comper, Fort Atacadista e Confederal. O curso tem carga horária de 160 horas e duração aproximada de dois meses. Segundo os representantes da SEEDF e do Senac, há previsão de novas turmas ainda este ano, e a expectativa é de que seja uma ação de longo prazo. O estudante Carlos Alberto Lopes Magalhães acredita que está diante de uma possibilidade única de mudar sua vida. “Começaremos trabalhando e, ao mesmo tempo, faremos o curso. Eu não esperava ter acesso a essas oportunidades. De repente, as coisas foram se concretizando. Eu me inscrevi pelo site e meu currículo foi selecionado. Sou muito grato por estar ingressando nesta empresa. Estou muito feliz, muito feliz mesmo e ansioso para começar as aulas”, celebrou. *Com informações da Secretaria de Educação
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