Resultados da pesquisa

Altas Habilidades

Thumbnail

Dia da Matemática: quando o medo dá lugar à celebração

Pode-se dizer que a matemática é uma das disciplinas que mais assustam os alunos ao longo da vida acadêmica. Para mudar essa visão, foi instituído, em 2013, o Dia Nacional da Matemática, celebrado nesta quarta-feira (6), em homenagem ao nascimento de Malba Tahan, escritor e educador que dedicou a vida a mostrar que a matemática pode ser encantadora. E é justamente assim que algumas alunas da rede pública de ensino do Distrito Federal encaram a matéria.  Com o auxílio de professores das escolas públicas do DF, o medo deu lugar à paixão. Esse é um dos objetivos do projeto Vamos Estudar Matemática (VEM), do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 213 de Santa Maria. "Nosso foco principal é despertar o interesse pela matemática e descobrir talentos nessa área", afirma Leonardo Gonçalves Martins, professor e coordenador do VEM. Desde 2015, o projeto incentiva estudantes a participar de olimpíadas científicas, especialmente na área de exatas. Ao longo dos anos, alguns desses talentos ganharam nome e medalhas.  Rafaela Iasmin Sampaio Castro, 13 anos, aluna do 8º ano do CEF 213, é um desses nomes. A relação com a matemática não era boa, mas isso mudou. "Eu não tinha muita facilidade", lembra. No sexto ano, ao participar pela primeira vez da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), passou da primeira fase e voltou da segunda com o bronze nacional e a prata regional. Pelo Projeto VEM, foi além, prata nacional e ouro regional no ano seguinte. "Eu gostaria de ir para a área de exatas e ser professora para ensinar os outros", diz.  Rafaela e o professor Leonardo, coordenador do projeto VEM Já a trajetória de Maria Clara Pereira de Freitas, 14 anos, do CEF Polivalente, começou antes mesmo de ela entrar na escola. "Quando eu era bem pequena, minha irmã tinha dificuldade em matemática. Aí, meu pai fez umas competições de decorar a tabuada. Fui decorando e foi crescendo esse amor", conta. No sexto ano, orientada pela professora Letícia Fiúsa, inscreveu-se pela primeira vez nas olimpíadas científicas. E, no futuro, ela vislumbra seguir na área da arquitetura ou engenharia.  Aluna do CEF 102 Norte, Emília Coelho Gunther, 14 anos, também tem facilidade com a matéria. "Desde o maternal, eu tenho essa facilidade", diz. Sua primeira OBMEP, no sexto ano, lhe rendeu a segunda maior nota da escola na primeira fase. Depois, vieram os estudos com o professor Rodolfo Ferreira e as medalhas.  Para o professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília, Geraldo Eustáquio Moreira, o medo da matemática foi construído socialmente. "Frases como 'isso não é pra mim' ou 'sou de humanas' reforçam bloqueios que se acumulam ao longo de toda a trajetória escolar, num efeito cascata. Quando mudamos a forma de ensinar, valorizando o erro como parte do processo e conectando a matemática à vida, esse medo vai dando lugar à curiosidade e à aprendizagem", avalia.  Universo masculino  As alunas são desbravadoras de um universo ainda considerado majoritariamente masculino. Estudos indicam que apesar do aumento da participação feminina em cursos de matemática, ciência e tecnologia, a maioria do ingresso é masculino. As próprias estatísticas da OBMEP mostram um quadro de diminuição da participação feminina nas premiações.  Os dados das premiações de 2025 das escolas públicas do DF indicam que, no Nível 1 (6º e 7º anos, alunos de 11 a 13 anos), as meninas representaram 47% dos premiados, praticamente empatando com os meninos. No entanto, essa participação cai para 34% no Nível 2 (8º e 9º anos, 13 a 15 anos) e para 31% no Nível 3 (ensino médio, 15 a 18 anos).  Por isso, referências são essenciais. Assim como Maria Clara, Emília destaca o convívio com a professora Rafaela Cordeiro. "Ela é mulher na matemática. Ela sabe dessa dificuldade e foi uma pessoa que me ajudou muito na minha jornada", ressalta.  Ceilândia: garimpo e fábrica de talentos Emily Súzany, Clara Luciana, o professor Marlon Santos e Ellen Ayla na Sala de Recursos Específica da EC 64 de Ceilândia A Escola Classe (EC) 64 de Ceilândia é uma das mais premiadas da rede pública do Distrito Federal em olimpíadas científicas. Por sua Sala de Recursos Específica (SRE), espaço dedicado a alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) para o desenvolvimento de atividades complementares, já passaram diversos prodígios em matemática, todos sob a orientação do professor Marlon Santos.  Emily Súzany dos Santos Nogueira, 15 anos, do 1º ano do ensino médio, é um dos prodígios matemáticos da EC 64 de Ceilândia. Entrou na SRE aos 8 anos, depois que a professora Daniela Leal identificou seu talento e a encaminhou para avaliação. As medalhas vieram em sequência, mas junto com cada conquista veio também uma percepção incômoda. "Eu sinto falta de uma presença feminina. Essa é a turma que mais tem menina, e só tem três", observa. Não à toa, o projeto que Emily desenvolveu no ano anterior homenageou grandes nomes femininos que ficaram na história. "Estou aqui justamente para inspirar outras meninas, e elas vão inspirar as próximas", diz. [LEIA_TAMBEM] Quem já foi inspirada por Emily foi a própria irmã. Ellen Ayla dos Santos Nogueira, 13 anos. O desenho foi a porta de entrada na Sala de Recursos Específica e a matemática veio depois. "Eu me apaixonei, achei muito legal. Aqui na SRE, você se sente acolhida e consegue desenvolver suas habilidades com pessoas que têm interesses parecidos com os seus."  Clara Luciana Brandão, 12 anos, do 7º ano, trilhou um caminho diferente, nunca precisou ser convencida. "Eu sempre gostei muito de matemática, porque achava muito fácil, mais fácil que as outras matérias. É calcular, lembrar, calcular." Ela entrou na SRE no quinto ano e avançou para a oficina de matemática específica no sexto. Quando formar-se, quer cursar medicina para atuar como pediatra.  As histórias das meninas são apenas uma amostra do que é possível quando o talento encontra oportunidade.  Para saber mais sobre como a SEEDF identifica e apoia estudantes com AH/SD, acesse o Observatório de Educação Inclusiva e Integral da SEEDF. *Com informações da Secretaria de Educação  

Ler mais...

Thumbnail

Estudantes de altas habilidades de Taguatinga publicam coletânea literária

Estudantes com altas habilidades da sala de recursos do Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab) de Taguatinga lançaram, nesta terça-feira (11), o livro Entre Verso, Prosa e Sonhos: Viagens que só a escrita permite. A obra é uma coletânea de produções literárias dos próprios alunos. O livro reúne mais de 40 produções textuais de 28 estudantes-autores. O lançamento ocorreu no espaço cultural do Alameda Shopping, em Taguatinga. Os próprios estudantes-autores abrilhantaram o evento com apresentações de balé, flauta e um sarau de poemas autorais. Manuela de Andrade Montenegro, 12 anos, estudante do Cemab e uma das autoras do livro, descreveu a escrita como uma ferramenta de autogestão emocional. “O livro libera raiva, medo, não necessariamente sentimentos ruins, mas ele me deixa muito aliviada. Eu amo escrever poemas, é uma forma que tenho de liberar meus sentimentos. Desde pequena, minha paixão é escrever”, destacou. Ela também comentou sobre o desafio da produção: “Foi muito difícil. Todos os dias tivemos que estar em determinado horário, tivemos que organizar a sala, fazer as coisas. Mas eu gostei muito de participar”. Manuela de Andrade Montenegro autografou cópias da obra para presentear as famílias: "Eu amo escrever poemas, é uma forma que tenho de liberar meus sentimentos" | Fotos: Felipe de Noronha/SEEDF Autoaceitação Quando perguntada sobre sua produção preferida, Manuela exaltou o texto da irmã mais velha, Isabela de Andrade Montenegro, 16 anos, também coautora da coletânea. A prosa Meu mundo azul narra, em tom autobiográfico, a jornada de autoaceitação e empoderamento de uma jovem com Transtorno do Espectro Autista (TEA), encerrando com o trecho: “Hoje eu percebo que uma onda pode até me derrubar, mas ainda sou capaz de me levantar! Viva o autismo!”. Manuela também destacou as próprias produções: Mente de altas habilidades, que narra seu reconhecimento como estudante de altas habilidades a partir de uma amizade de escola; e O sonho não compreendido, poema sobre sonhos e a construção de um mundo com mais compaixão.  Metodologias que potencializam mentes As professoras Priscila Eduardo, Conceição Guisardi e Marta Mendes exaltaram a metodologia de trabalho usada na sala de recursos do Cemab [LEIA_TAMBEM] As salas de recursos para estudantes de altas habilidades são ambientes educacionais que potencializam o desenvolvimento dos alunos a partir de suas inclinações e aptidões. “A partir da teoria e metodologia de Joseph Renzulli, atuamos em três frentes. Trabalhamos diferentes gêneros textuais, de acordo com as aptidões dos estudantes. Assumimos um papel de mentora, de apoiar os estudantes de acordo com suas escolhas. Essas escolhas dizem mais do que o que está escrito, são os sentimentos”, afirmou a professora Conceição Guisardi, organizadora da coletânea. A professora itinerante Marta Mendes defendeu a estratégia, destacando a importância do enriquecimento curricular. Segundo ela, as condições das salas de recursos proporcionam um desenvolvimento ímpar, permitindo um trabalho de tutoria e a construção de um ambiente propício ao aprendizado. “A abordagem dá suporte e protagonismo para que os estudantes se desenvolvam em suas áreas de preferência”, reforçou. *Com informações da Secretaria de Educação do DF

Ler mais...

Ordenar

Ordenar

Faceta do tipo

Tipo

Filtro personalizado

Faceta da marca

Marcador