Bancos de leite humano do DF precisam de frascos de vidro para armazenamento de doações
Os bancos (BLHs) e os postos de cleta de leite humano (PCLHs) da Secretaria de Saúde (SES-DF) convidam a população a doar frascos de vidro de boca larga com tampa plástica, como os modelos utilizados na venda de café solúvel. Os recipientes são essenciais para armazenamento, transporte e processamento do leite materno coletado. As doações podem ser entregues diretamente no banco ou posto de coleta mais próximo. É possível, ainda, solicitar o recolhimento dos frascos pelo telefone 160, opção 4, informando à equipe que possui recipientes disponíveis para doação. Não é necessário higienizar os potes antes da entrega, uma vez que todos passam por rigorosos processos de limpeza, desinfecção e esterilização. Os frascos de vidro com tampa plástica desempenham papel estratégico em toda a cadeia de coleta do leite materno. São esses recipientes que permitem às doadoras armazenar o leite coletado em seus domicílios de forma segura, garantindo a qualidade do produto até sua chegada aos BLHs | Foto: Divulgação/Agência Saúde DF Embora a SES-DF esteja conduzindo o processo de aquisição desses materiais, as doações são fundamentais para assegurar a continuidade das atividades até a conclusão da compra e a reposição dos estoques. Item essencial Os frascos de vidro com tampa plástica desempenham papel estratégico em toda a cadeia de coleta do leite materno. São esses recipientes que permitem às doadoras armazenar o leite coletado em seus domicílios de forma segura, garantindo a qualidade do produto até sua chegada aos BLHs. Alimento que salva O leite humano doado é destinado, principalmente, aos recém-nascidos internados em unidades neonatais, especialmente prematuros e bebês de baixo peso que, por diferentes razões, não podem ser amamentados diretamente por suas mães. Reconhecido como alimento essencial para a recuperação e o desenvolvimento desses bebês, o leite materno contribui significativamente para a redução de infecções, complicações neonatais, tempo de internação e mortalidade infantil, sendo um importante aliado na assistência aos recém-nascidos mais vulneráveis. *Com informações da Secretaria de Saúde do DF
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Mais de 4 mil recém-nascidos foram beneficiados com leite humano no Distrito Federal este ano; saiba como doar
Há 14 anos, na primeira maternidade, Graciele da Silva tinha leite em abundância para amamentar a filha recém-nascida. Hoje, a moradora do Recanto das Emas vive o outro lado dessa rede de cuidado: é a filha mais nova, Maitê, que depende do leite doado para se recuperar. A rede de leite humano do DF conta com 14 bancos de leite e sete postos de coleta | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF "A Maitê nasceu prematura no dia 28 de março. Ela teve convulsões e ficou intubada durante dez dias. Agora, minha filha está internada no Hospital Regional de Taguatinga e se alimenta por uma sonda no nariz. A Maitê é meu milagre”, diz a vendedora de 41 anos. A história de Graciele reflete a importância da doação de leite humano no Distrito Federal. Entre janeiro e março de 2026, 4.089 recém-nascidos foram beneficiados no Distrito Federal, segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF). O número é ligeiramente superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando 4.028 bebês receberam o alimento. Mesmo assim, a coleta ainda está abaixo do ideal. 1,7 mil quantidade de litros de leite humano coletados em março Segundo a coordenadora substituta das Políticas de Aleitamento Materno da pasta, Graça Cruz, a meta mensal é de 2 mil litros. “A prioridade são sempre os recém-nascidos prematuros de baixo peso e bebês doentes. Desde novembro, tivemos uma queda maior nas doações, principalmente por causa das férias. Normalmente, em março já melhora, mas mês passado foram coletados apenas 1,7 mil litros”, explica. Rede ativa No DF, a rede de leite humano conta com 14 bancos de leite e sete postos de coleta. Os bancos são responsáveis por todo o processo: apoiam as mães na amamentação, recebem o leite doado, realizam o controle de qualidade e a pasteurização antes da distribuição aos bebês. Já os postos de coleta funcionam como pontos de apoio, oferecendo orientação às mães e recolhendo o leite, que depois é encaminhado aos bancos. Esse trabalho contínuo de acolhimento e assistência se reflete no volume de atendimentos realizados na rede. Entre janeiro e março deste ano, foram registrados 44.309 atendimentos individuais em amamentação, contra 50.546 no mesmo período de 2025. Apesar da queda, a coleta de leite humano cresceu: passou de 4.365,9 litros no primeiro trimestre do ano passado para 4.675,2 litros em 2026. “O leite humano é considerado padrão ouro na alimentação infantil até a primeira infância, inclusive preconizado pelo Ministério da Saúde” Graça Cruz, coordenadora substituta das Políticas de Aleitamento Materno “O leite humano é considerado padrão ouro na alimentação infantil até a primeira infância, inclusive, preconizado pelo Ministério da Saúde. Depois de seis meses deve-se introduzir a alimentação complementar, mas a amamentação deve continuar até pelo menos os 2 anos”, diz Graça Cruz. Como doar Mães saudáveis, que estejam amamentando e tenham leite excedente, podem se cadastrar pelo programa Amamenta Brasília, pela internet ou pelo telefone 160 (opção 4). Após o contato, a doadora é encaminhada ao banco de leite mais próximo, onde recebe orientações completas sobre higiene, coleta e armazenamento. Graciele resume, na prática, por que a doação faz diferença: “Se não fosse o banco de leite, eu não sei o que seria da minha Maitê. O leite está ajudando na melhora dela, ela está saudável, ganhando peso e em breve vai sair do hospital”.
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Arrecadação de leite materno no DF apresenta melhora no primeiro bimestre
O Banco de Leite Humano do Distrito Federal coletou 3.134 litros no primeiro bimestre de 2023. Em janeiro, foram doados 1.559 litros, o que representa 77% da meta mensal. No mês seguinte, a quantidade foi maior: a doação alcançou 1.574 litros, mas, mesmo assim, ainda está abaixo do esperado. “Temos novas demandas. Hoje nossa necessidade é de 2 mil litros de leite por mês”, destaca a coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno do Distrito Federal, Miriam Santos. “Para a gente, é só leite, mas para os prematuros é a vida deles. Por isso, convido outras mulheres a doarem também”, diz Letícia Nascimento, mãe de Isabella Louise | Foto: Divulgação/SES Com a solidariedade das mães doadoras e as campanhas de conscientização promovidas pelo Banco de Leite, 2.673 bebês foram beneficiados nos primeiros meses deste ano. Foram 1.425 atendidos em janeiro e 1.248 em fevereiro. Na comparação com o ano passado, os dados melhoraram. No primeiro bimestre de 2022, 2.248 bebês receberam doação de leite materno, tendo sido coletados 2.472 litros de leite humano. Para atender cada vez mais bebês, a contribuição das mães lactantes é fundamental. Sanmya Meneses, servidora pública, dá o exemplo. Ela teve Lara em outubro do ano passado e, desde novembro, compartilha seu leite com os estoques da SES. “Desde que comecei a amamentação, tenho muita produção de leite, e a minha bebê não dá conta de tudo. Por isso, não pensei duas vezes e decidi fazer a doação”, conta. Sanmya é uma das 1.383 doadoras deste ano. Assim como ela, 752 mães tiveram a iniciativa de doar no primeiro mês de 2023. Em fevereiro, as doadoras somaram 631. Ela chegou a entregar mais de um litro por mês. “Sei que cada gota importa, e o que me motiva é saber que eu e a Lara estamos ajudando a salvar vidas”. [Olho texto=”“Quando eu doei, ajudei alguém. Quando eu precisei, alguém me ajudou. Uma mão lava a outra, e a doação ajuda todo mundo”” assinatura=”Mylena Alencar, mãe de Maria Elisa” esquerda_direita_centro=”direita”] E cada gota importa mesmo. O volume de leite recebido por cada bebê depende do tempo de gestação, da idade de vida, do peso e da patologia. “Alguns prematuros tomam de 1 a 20 ml por vez, enquanto os pacientes cardiopatas podem tomar 45 ml”, explica Miriam Santos. Além de atender aos pacientes das unidades de terapia intensiva neonatais da rede pública de saúde, o Banco de Leite do DF pretende distribuir leite materno para os bebês cardiopatas do Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) e aos recém-nascidos internados no Hospital da Criança de Brasília (HCB). Entretanto, para isso precisam chegar 2 mil litros por mês. Por isso, a doação de cada mãe é tão importante. A mão que ajuda Quinta-feira é dia de Letícia Nascimento entregar a doação de leite materno que coleta durante a semana. O vínculo entre Letícia e o Banco de Leite começou há três meses, com o nascimento da pequena Isabella Louise, primeira filha da universitária. “Assim que ela nasceu e eu organizei melhor a rotina, decidi doar. Doar leite é bom até para mim, porque ajuda a não empedrar meu leite e amamentar melhor minha filha”, ressalta. O Banco de Leite do DF pretende distribuir leite materno para os bebês cardiopatas do Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) e aos recém-nascidos internados no Hospital da Criança de Brasília (HCB) | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde Em janeiro, a estudante de Farmácia ligou no telefone 160 e fez cadastro no site Amamenta Brasília. Após o cadastramento, a equipe responsável entrou em contato e, nos dias seguintes, Letícia recebeu o kit para fazer a coleta. Atualmente, a mãe da Isabella consegue coletar quatro potes de leite, cada frasco com 350 ml, toda semana. “Para a gente, é só leite, mas para os prematuros é a vida deles. Por isso, convido outras mulheres a doarem também”, reforça. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) passa semanalmente na residência de cada mãe para receber a doação e deixar novos potes para coletas futuras. A mão que recebe Sabe quando os papéis se invertem e, no lugar de fazer o bem, você recebe o bem? Isso aconteceu com Mylena Alencar, que era doadora, mas após uma automedicação não conseguiu mais produzir leite para amamentar a filha única, Maria Elisa, que começou a precisar da doação de leite. “Quando eu doei, ajudei alguém. Quando eu precisei, alguém me ajudou. Uma mão lava a outra, e a doação ajuda todo mundo”. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Ainda na gravidez, Mylena já tinha decidido que seria doadora de leite materno. “Eu via a propaganda, achava interessante e decidi que, se tivesse muito leite, iria doar”. Mas, com a dificuldade para amamentação da primogênita, ela passou a ser beneficiada pelo banco de leite materno. Maria Elisa nasceu prematura e precisou ficar internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). A criança continua na UTI, sem previsão de alta e recebendo leite materno doado de três em três horas até a relactação de Mylena. A mãe da Maria vai iniciar tratamento, com acompanhamento médico, para voltar a amamentar a filha, mas continua incentivando o ato de doar. “O leite que muitos desperdiçam pode ser a cura, a salvação para outras crianças. Vale bastante a pena a doação”, afirma. Doe você também Para também ser doadora de leite materno e fazer parte desta corrente do bem, basta ligar para o número 160 (opção 4) ou acessar o site do Amamenta Brasília. Depois disso, as equipes vão entrar em contato para agendar a visita do Corpo de Bombeiros. Assim, você colabora com o aleitamento materno e com a saúde infantil. Acesse aqui para ter mais informações sobre os bancos de leite humano do DF. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Rede de apoio auxilia mães com dificuldades para amamentar
Muitas vezes, é a pega do bebê no peito que não encaixa. Noutras, a falta de estímulo de quem está próximo é que faz a mãe desistir de amamentar o filho com seu próprio leite. Preocupadas com outras demandas da maternidade, muitas mulheres recorrem aos suplementos alimentares para nutrir os recém-nascidos, descrentes do potencial – inclusive imunizante – que carregam em si e são fundamentais para o desenvolvimento da criança, principalmente nos primeiros meses de vida. [Olho texto=”“Muitas mulheres acham que não estão produzindo muito leite e que, por isso, o bebê fica desassistido. Na verdade, o problema pode estar na embocadura da criança no bico do peito, na posição. E isso é solucionado quando bem orientado”” assinatura=”Patrícia Milhomem, nutricionista da equipe multidisciplinar do Hospital Regional de Samambaia” esquerda_direita_centro=”direita”] Para estimular as mães, desfazer mitos e ensinar puérperas, principalmente as de primeira viagem, o Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Saúde, mantém uma rede de suporte a mulheres em fase de amamentação. O atendimento ambulatorial ocorre em 13 hospitais públicos, podendo ser presencial ou por teleconsulta. Anualmente, uma campanha de incentivo à amamentação é feita no Distrito Federal para orientar as mulheres que o leite materno é o melhor alimento para o bebê: o Agosto Dourado. A escolha da cor tem o sentido de mostrar que, por tudo que representa, o leite humano vale “ouro”. O aleitamento materno é recomendado até os 2 anos ou mais da criança e pode prevenir diversas doenças no organismo infantil, como diabetes, diarreia, hipertensão e pneumonia. Para as mulheres, a amamentação acelera a redução do peso obtido durante a gestação e diminui o risco de câncer de mama. “Muitas mulheres acham que não estão produzindo muito leite e que, por isso, o bebê fica desassistido. Na verdade, o problema pode estar na embocadura da criança no bico do peito, na posição. E isso é solucionado quando bem orientado”, afirma a nutricionista da equipe multidisciplinar do Hospital Regional de Samambaia, Patrícia Milhomem. A campanha Agosto Dourado tem esse nome para mostrar que, por tudo que representa, o leite humano vale “ouro”: incentivo à amamentação | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília De acordo com a coordenadora de Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do Distrito Federal, Miriam Santos, o ideal é que a mulher procure orientações sobre a amamentação desde a gestação. “O ato é biológico, mas também socioculturalmente condicionado. Lógico que em uma família na qual a amamentação é uma tradição haverá mais apoio, diferente de uma mãe que vem de uma família em que ninguém amamentou”, observa. “Há estudos que comprovam que crianças amamentadas pelo leite humano têm capacidade de desenvolvimento cerebral mais elevado na fase adulta, justamente pelos nutrientes compostos no leite humano”, acrescenta Miriam. Rede de apoio A jornalista Rafaela Atta, 36 anos, tem duas filhas. A primeira mamou até os 3 meses de idade, mas as dores no bico do peito e o leite que saía pouco a fez desistir e apelar para a mamadeira. Ainda assim, o peito continuava a encher e o que era produzido começou a empedrar. Na segunda filha, Rafaela, que mora em Águas Claras, fez diferente. Estimulada pelo marido, procurou o banco de leite do Hospital Regional de Taguatinga para pedir ajuda. Aprendeu a pega correta para a filha sugar o leite e a amamentou até os 2 anos de idade. O resultado a deixou feliz. “O que faz diferença é ter uma rede de apoio. As pessoas colocam dificuldade como se amamentar fosse um problema para a mãe, mas é momento de conexão com o filho.” Mulheres que estiverem passando por dificuldades no aleitamento devem procurar o Banco de Leite do DF para receberem orientação profissional. Informações sobre amamentação, doação e coleta de leite podem ser acessadas neste link.
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DF está com estoque baixo nos bancos de leite humano
[Olho texto=”“Um estoque maior pode significar um número maior de crianças atendidas. É fundamental contar com a participação das doadoras”, diz Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] O Distrito Federal está com estoque baixo nos bancos de leite humano. Desde outubro não é alcançada a meta mensal de 1.500 litros. Em fevereiro, quando 1.066 crianças precisaram do leite humano doado, foram coletados 1.188 litros. O quantitativo está abaixo da meta e representou uma queda de 2,5% frente às doações de janeiro e de 8,4% quando comparado a fevereiro de 2021. “Até o momento não precisamos deixar de fazer nenhum atendimento. Mas se continuar desse jeito daqui a pouco vamos ter que escolher”, alerta Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF. Segundo ela, o aumento das síndromes gripais registrado no início de 2022 pode ter contribuído para a queda do quantitativo de doações. Uma equipe do Corpo de Bombeiros irá até a residência da doadora para fazer a coleta do leite humano – uma parceria que existe no Distrito Federal há 33 anos | Foto: Geovana Albuquerque/Arquivo Agência Saúde DF De acordo com Miriam Santos, as doações são fundamentais para crianças recém-nascidas. Uma única doadora pode fazer a diferença para um grande número de crianças. As doações são encaminhadas para hospitais de toda a rede pública e podem ser armazenadas por até seis meses. Contudo, com o baixo estoque, as equipes hoje precisam ter cautela. “Um estoque maior pode significar um número maior de crianças atendidas. É fundamental contar com a participação das doadoras”. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] Toda mulher que estiver amamentando pode ser uma doadora. Basta ligar para o número 160 e, na opção 4, fazer o cadastro. Serão passadas as orientações de como coletar e armazenar o leite. Uma equipe do Corpo de Bombeiros irá até a residência da doadora para fazer a coleta – uma parceria que existe no Distrito Federal há 33 anos. Para mais informações, acesse a página dos bancos de leite: https://www.saude.df.gov.br/banco-de-leite/ *Com informações da Secretaria de Saúde
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Mês da prematuridade resgata a importância da presença da mãe com o bebê
A pequena Diana, que nasceu de 33 semanas e teve a companhia da mãe Fayane Dourado nos primeiros 26 dias no Hospital Regional de Ceilândia, seguiu depois para o método canguru, medida que ajudou no bom desenvolvimento da criança | Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Brasília Quando Augusto nasceu de 34 semanas, não houve um dia em que a professora Mayrla dos Santos tenha ficado distante do filho. Foram 83 dias com o bebê no Hospital Regional de Taguatinga. O mesmo aconteceu com a dona de casa Fayane Dourado. Ela ficou 26 dias ao lado de Diana, que nasceu de 33 semanas, de parto normal, no Hospital Regional de Ceilândia. A realidade vivida pelas duas em 2019 não foi a mesma de algumas mães que tiveram nenéns prematuros após o início da pandemia de covid-19. Devido à doença, as mães e os pais tiveram acesso restrito aos bebês durante os períodos mais intensos da crise sanitária para evitar o risco de contaminação. [Olho texto=”“Tive apoio de toda a minha família. Sentia saudade de casa, mas ao mesmo tempo ela precisava de mim”” assinatura=”Fayane Dourado, dona de casa” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Por isso, durante o Mês da Prematuridade, celebrado em novembro, a intenção é resgatar essa relação de proximidade entre prematuros e família, parte importante do tratamento. “Estamos preconizando o resgate ao que sempre teve: a separação zero das mães e o acesso livre dos pais. Esse é o tema da campanha deste ano. A família é de extrema importância para o tratamento da criança, para que ela consiga sobreviver e tenha um vínculo familiar”, explica a pediatra Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF. Essa importância da presença materna é reforçada pelas mães de bebês prematuros. “Tive apoio de toda a minha família. Sentia saudade de casa, mas ao mesmo tempo ela precisava de mim”, conta Fayane Dourado. A dona de casa lembra que, após o período na UTI neonatal, Diana foi para o método canguru, em que o bebê é colocado em contato pele a pele, de forma gradativa, com os pais. [Olho texto=”“Lembro do momento do toque parado, que é quando colocamos as mãos para que o bebê sinta que há alguém por perto. Depois teve o aconchego do método canguru. É importante para a criança se sentir acolhida, porque ela fica ali dentro da caixinha da incubadora”” assinatura=”Mayrla dos Santos, professora” esquerda_direita_centro=”direita”] O tratamento canguru foi um momento de emoção para Mayrla, já que Augusto passou por uma série de intercorrências durante a internação, como convulsão, hemorragia e parada cardiorrespiratória. “Lembro do momento do toque parado, que é quando colocamos as mãos para que o bebê sinta que há alguém por perto. Depois teve o aconchego do método canguru. É importante para a criança se sentir acolhida, porque ela fica ali dentro da caixinha da incubadora”, comenta. Prematuridade O Mês da Prematuridade nasceu a partir do Dia Mundial da Prematuridade, lembrado em 17 de novembro. O período é conhecido também como Novembro Roxo. A cor foi escolhida por representar a sensibilidade e a individualidade do prematuro, além de simbolizar transmutação e mudança. Ao longo do mês, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal terá ações de conscientização nas unidades, com ensaios de bebês internados e palestras sobre os cuidados. É considerado prematuro o bebê que nasce antes da 37ª semana de gestação. Aqueles que vêm ao mundo com menos de 28 semanas são classificados como prematuros extremos. O atendimento e o tipo de tratamento dos bebês dependem da gravidade. Há bebês que precisam de assistência ventilatória, hidratação venosa, nutrição parenteral e antibioticoterapia e suplementação de vitamina. O tratamento leva em conta a idade gestacional e o peso. [Numeralha titulo_grande=”4.754″ texto=”nascimentos prematuros foram registrados no DF até setembro de 2021″ esquerda_direita_centro=”esquerda”] No DF, os casos mais graves são encaminhados para as UTIs neonatal no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Hospital Regional de Sobradinho (HRS) e Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). Os demais casos são atendidos no Hospital Regional de Planaltina (HRP), Hospital da Região Leste (Paranoá) e Hospital Universitário de Brasília (HUB/UnB). Também há centros de reabilitação para atendimento das crianças que atingiram o seu potencial. Até setembro de 2021, o Distrito Federal registrou 4.754 nascimentos prematuros, destes 3.376 nascidos de mães residentes da capital federal. Em relação ao mesmo período do ano passado, o número teve queda. “Tivemos um número menor de prematuros, entretanto, temos que ver se tivemos um número menor de nascimentos. O que sabemos é que, quando comparamos aos dados nacionais, o DF tem a prematuridade maior que a média nacional. A média está em 11% e estamos com 12,2%”, revela Miriam dos Santos. Precaução [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] A pediatra Miriam Santos alerta para a necessidade de conscientização dos pais. Ela diz que é de extrema importância um planejamento familiar, para que as mulheres engravidem num momento de decisão própria. “Para isso, ela precisa ter acesso à informação em relação a métodos contraceptivos para que possa engravidar quando desejar”, afirma. O planejamento também pode resultar no início rápido do pré-natal, momento em que as equipes médicas podem identificar problemas que possam propiciar um parto prematuro, como diabetes, infecção urinária, entre outros.
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Doar leite materno, uma atitude que não pode ser interrompida
As doações de leite materno são responsáveis por salvar a vida de centenas de recém-nascidos em todo o Distrito Federal. Para que esses bebês não fiquem sem alimento, os estoques dos bancos de leite humano precisam sempre estar em alta, tendo em vista que a demanda é muito grande. Para manter os estoques de forma estável e poder contemplar mais crianças, é necessário manter 1,5 mil litros ou mais por mês | Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF Em janeiro deste ano foram coletados 1.332 litros de leite humano. Em fevereiro, as doações foram de 1.285,7 litros. Em março, ocorreu aumento e foram coletados 1.586,8 litros de leite humano. Em abril, o quantitativo chegou a 1.563,3 litros, totalizando, nesse primeiro quadrimestre, 5.767,8 litros de leite materno coletados. O total registrado no mesmo período de 2020 foi de 5.164,1 litros. Para manter os estoques de forma estável e poder contemplar mais crianças, é necessário manter 1,5 mil litros ou mais por mês. [Olho texto=”“Apesar da melhora deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado, a necessidade de doação é sempre presente. Quanto maior o volume coletado, maior será o número de recém-nascidos atendidos”” assinatura=”Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF” esquerda_direita_centro=”direita”] “Apesar da melhora deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado, a necessidade de doação é sempre presente. Quanto maior o volume coletado, maior será o número de recém-nascidos atendidos”, explica Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF. Toda mulher que estiver amamentando é uma doadora em potencial. A coordenadora faz um apelo às mães que estejam amamentando, no sentido de que contribuam para aumentar os estoques do Banco de Leite Humano do Distrito Federal. “A doação de leite humano fará a diferença na vida de muitas mulheres e crianças. Temos diariamente cerca de 250 bebês internados nas UTIs neonatais que necessitam deste alimento tão precioso”, enfatiza Miriam. Pandemia A coleta de leite humano sempre foi cercada de muitos cuidados, e a covid-19 trouxe uma nova dimensão e implantação de regras mais rígidas com relação à higienização, que foram reforçadas pelas equipes dos bancos de leite humano e pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Miriam destaca ser importante que as mães continuem doando leite materno e tomando os mesmos cuidados com a higiene durante a coleta. “Lembrem-se sempre de proteger as vias respiratórias e de lavar muito bem as mãos”, complementa. Além disso, a gestora lembra que a mulher não precisa sair de casa para entregar o leite. “Basta entrar em contato, que vamos buscar”, afirma. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] Como doar Toda mulher que está amamentando pode ser voluntária e ajudar a salvar a vida de vários recém-nascidos. Para se tornar doadora, basta ligar para o telefone 160, opção 4, ou acessar o site Amamenta Brasília e se inscrever. Depois disso, as equipes do Banco de Leite Humano entrarão em contato para agendar a visita do Corpo de Bombeiros. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Doações de leite humano em 2020 superam ano anterior
Os militares utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para coletar o material | Foto: Divulgação/SSP As doações de leite materno em 2020 superaram o total recolhido em 2019. Mesmo diante da pandemia, a coleta do material continuou a ser feita pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Foram 17.976 litros de leite, o que corresponde a 5,7% a mais que em 2019, quando 17.003 foram doados. O serviço, essencial para abastecimento dos dez bancos de leite e dos dois postos de coleta da rede pública de saúde, passou por modificação nas escalas de trabalho e adaptações para atender demandas seguindo as normas de segurança sanitária. “A permanência do serviço era imprescindível para a continuidade dos cuidados com os recém-nascidos. Adaptamos nossa rotina e reduzimos o recolhimento para dois dias. Nenhuma doadora ficou sem entregar o leite, pois direcionamos toda a demanda da semana para ser recolhida em menor tempo, ou seja, aumentamos o número de visitas diárias. Importante ressaltar que contamos com o apoio dos servidores da Secretaria de Saúde na coleta”, explicou o comandante do Grupamento de Proteção Civil e Projetos Sociais do CBMDF, tenente- coronel Sinfrônio Lopes. Aos poucos, os militares retomaram a rotina de recolhimento, que atualmente é feita de segunda a quinta-feira, como explica Lopes. “Entregamos todo o material coletado até quinta-feira para que na sexta-feira o leite seja pasteurizado, pois o processamento feito na semana seguinte ao recolhimento pode ocasionar na perda da validade do produto”, conta. Proteção Os militares utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para coletar o material. “Eles utilizam máscara e luvas, além de álcool nas mãos e no material de transporte do leite. Ainda assim, os bombeiros reduziram ao máximo o contato da equipe com as doadoras. Felizmente não houve relato de nenhuma infecção tanto dos militares como das mães devido a coleta”, afirma. Parceria Há mais de 30 anos o CBMDF e a Secretaria de Saúde fazem esse trabalho em conjunto. “Já são quase 32 anos de parceria, que é de extrema importância para o Banco de Leite Humano do DF. A confiança e compromisso do Corpo de Bombeiros são fatores importantes e resultam em vidas salvas. Somos muito gratos a cada doadora, funcionário do Banco de Leite Humano, aos bombeiros militares e aos amigos que compartilharam essa corrente do bem. Esperamos que 2021 seja repleto de doações”, comemorou a coordenadora dos Bancos de Leite Humano do DF, Miriam Santos. Serviço: O agendamento para que os bombeiros busquem a doação pode ser feito pelo Disque Saúde 160, opção 4, pelo site Amamenta Brasília ou, ainda, por meio do aplicativo disponível em IOS e Play Store. Para saber o protocolo que deve seguir para fazer a doação, acesse o site da Secretaria de Saúde. *Com informações da Secretaria de Segurança Pública
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