Planificação do cuidado aprimora atenção a pacientes com diabetes
No Distrito Federal, quem convive com o diabetes mellitus tem acesso a uma ampla rede de cuidados da Secretaria de Saúde (SES-DF), com serviços que vão da atenção básica ao atendimento especializado. Esse ordenamento é possível graças ao processo de Planificação da Atenção à Saúde (PAS), permitindo que o paciente receba assistência multidisciplinar em uma mesma unidade e em um só turno, de manhã ou à tarde. Paciente mostra o registro de consulta no Centro Especializado em Diabetes, Hipertensão e Insuficiência Cardíaca (Cedhic): análises são feitas por vários especialistas | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF “Diante de condições crônicas como o diabetes, é necessário que a rede de atenção se organize para que o fluxo dos pacientes seja contínuo e integrado, com estratificação de risco, cuidado compartilhado e estímulo ao autocuidado apoiado” Yesca Oliveira, médica de família e comunidade “A PAS representa uma mudança no modelo de gestão e de organização no âmbito da Secretaria de Saúde desenvolvida pelo Conass [Conselho Nacional de Secretários de Saúde]”, explica a médica de família e comunidade Yesca Oliveira, da Região de Saúde Centro-Sul. “O objetivo central é tirar o sistema de saúde do ‘modo reativo’, em que se espera a crise acontecer, e colocá-lo no ‘modo preventivo e resolutivo’.” No cuidado planificado, há maior grau de integração entre a Atenção Primária — refletida pela Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada preferencial da população aos serviços da rede pública no DF — e a Atenção Especializada. O resultado é uma gama ampla de especialistas que, composta por endocrinologista, cardiologista, enfermeiro, psicólogo, fisioterapeuta, assistente social, nutricionista e um gestor do cuidado como ponto de apoio, permanece no mesmo nível de atendimento, analisando o paciente simultaneamente. [LEIA_TAMBEM]É o que ocorre, exemplifica Yesca, quando um paciente com diabetes é encaminhado de uma UBS planificada para o Centro Especializado em Diabetes, Hipertensão e Insuficiência Cardíaca (Cedhic). “Diante de condições crônicas como o diabetes, é necessário que a rede de atenção se organize para que o fluxo dos pacientes seja contínuo e integrado, com estratificação de risco, cuidado compartilhado e estímulo ao autocuidado apoiado”, detalha. Região Centro-Sul A Região de Saúde Centro-Sul compreende as regiões administrativas de Candangolândia, Cidade Estrutural, Guará, Park Way, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Riacho Fundo II, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA). Há, ao todo, oito UBSs planificadas na Região Centro-Sul. Atualmente, essas unidades prestam 116 atendimentos mensais, com 36 pacientes acessando as UBSs pela primeira vez e 80 fazendo consultas de retorno, isso é, após terem sido atendidos no Cedhic. A expectativa é que, até o fim deste ano, a planificação na região chegue a 18 unidades. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Atendimento personalizado para pacientes crônicos do HRGu
Aos 67 anos, Joaquim Marques tem uma rotina bem definida para tratar a diabetes. Ele controla a alimentação, faz atividade física e mede os níveis de insulina no sangue diariamente. Além disso, realiza exames e segue à risca as orientações médicas recebidas pela equipe multidisciplinar do Centro Especializado em Diabetes, Hipertensão e Insuficiência Cardíaca (Cedhic), localizado no Hospital Regional do Guará (HRGu). A cada três meses, ele é acompanhado por médicos e profissionais de enfermagem, nutrição, assistência social e fisioterapia. “O atendimento aqui é nota 10. Há dois anos faço esse acompanhamento. Após ser atendido na UBS 3, fui encaminhado para cá. Há mais de 20 anos eu não tinha sido tão bem atendido”, conta Joaquim. Há dois anos, Joaquim Marques, 67, trata a diabetes com profissionais do Cedhic, localizado no Hospital Regional do Guará | Fotos: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF Assim como ele, outros 56 pacientes da rede pública do Distrito Federal – diagnosticados com diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca – recebem, mensalmente, atendimento personalizado e de forma integrada no Cedhic. O objetivo é melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. O centro é responsável pelos cuidados dos usuários adultos e idosos que têm essas doenças crônicas com alto ou muito alto risco. Ao chegar ao local, o paciente passa pela triagem e pela sala de acolhimento, onde são verificados os sinais vitais como frequência cardíaca, pressão arterial e temperatura, além de medidas, como peso, altura e circunferências da barriga e tornozelo, por exemplo. Após essa primeira etapa, segue para a sala de enfermagem, como explica a enfermeira do Cedhic, Glenda Cesário. “Realizamos o atendimento de forma totalmente integrada. Reforço a orientação que o médico passou, verifico as solicitações de exames, tiro dúvidas do paciente, pergunto sobre sintomas, administração de medicamentos e, no caso do Joaquim, que é diabético, verifiquei se a aplicação da insulina estava sendo feita de forma correta e no local adequado. Fazemos também o que chamamos de análise para ajudar no rastreamento do pé diabético”, detalha a profissional. A fisioterapeuta Polyana Guimarães atende Joaquim Marques na última etapa do circuito e fala sobre a importância das atividades físicas Na última etapa de seu atendimento, realizado neste mês de junho, Joaquim foi atendido pela fisioterapeuta cardiovascular, Polyana Guimarães, que também é tutora do local. “Muitas vezes a gente vai cuidar de diabetes, mas precisa também ajudar o paciente a entender suas emoções e a lidar com o diagnóstico. Nossa missão aqui é fazer com que o paciente se sinta amado e esses cuidados vão além do trivial. O emocional também altera o nível de açúcar no sangue e precisamos estar atentos. No caso do Joaquim, que é um paciente estável, passamos alguns exercícios para fortalecer a musculatura e tiramos algumas dúvidas sobre atividades físicas”, afirma a fisioterapeuta. Atendimento integrado Para ser atendido no Cedhic, o paciente precisa de encaminhamento médico. É na UBS que será realizada a avaliação e necessidade de atendimento especializado. O médico e superintendente da Região de Saúde Centro-Sul do DF, Ronan Araújo, ressalta que a equipe tem o cuidado de agendar as consultas do circuito em um único dia, o que facilita o tratamento. “O paciente é atendido em um único turno, minimizando deslocamentos desnecessários. No mesmo dia, ele consegue todo esse acolhimento e direcionamento multidisciplinar”, afirma. Nilsete Mota, 51 anos, também faz tratamento para hipertensão e diabetes no Cedhic. Ela conta que a concentração das consultas em uma única data é fundamental para sua qualidade de vida. “Em um único dia você tem vários atendimentos. Aqui você vem à tarde e já resolve tudo. Já passei pela nutricionista, pela médica e depois eu vou ao cardiologista. É uma maravilha”, relata. A paciente Nilsete Mota elogia a concentração das consultas em um único dia pela equipe multidisciplinar. Em sua última ida ao Cedhic, foi atendida por mais de três profissionais Cada profissional tem acesso ao plano de autocuidado, um formulário onde as informações são disponibilizadas. Em cada etapa, ele é preenchido com a avaliação do especialista e do próprio usuário, que participa ativamente no preenchimento de informações pessoais e responde a perguntas, como “Para melhorar a minha saúde, o que é importante para mim?” e “O que você precisa fazer?”. A avaliação vai sendo construída conforme avança o circuito. Cada profissional obtém informações da etapa anterior, podendo, assim, construir, em conjunto, uma análise mais ampla da situação do paciente. Ao fim do atendimento, o último profissional fecha o plano de autocuidado, que também fica disponível aos profissionais da Atenção Primária, nas UBSs. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] De acordo com a nutricionista e tutora do Cedhic, Maria Luiza Naves, o atendimento integrado otimiza tempo e evita retrabalho. “Como temos uma equipe multidisciplinar, evitamos a repetição de perguntas e ampliamos o escopo da análise. No meu caso, faço uma anamnese para ver como está o histórico alimentar, qual é o hábito que aquele paciente possui, quantas refeições realiza ao longo do dia e a qualidade desses alimentos”, enumera. Funcionamento Atualmente, o Cedhic atende pacientes provenientes das seguintes UBSs: Guará (UBS 3), Riacho Fundo (UBS 2) e Estrutural (UBS 2). O Centro Especializado funciona às terças-feiras, de 7h às 12h e às quintas-feiras, das 13h às 18h. A expectativa é que os atendimentos sejam ampliados para pacientes de outras unidades da região de saúde. Há ainda um projeto de expansão da capacidade instalada e ampliação do horário de atendimento. *Com informações da Secretaria de Saúde
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DF é referência para o Brasil no tratamento do diabetes mellitus
O Distrito Federal possui um trabalho de referência no tratamento do diabetes mellitus, reconhecido inclusive pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A saúde pública do DF vem sendo acompanhada de perto pelo Conass – por meio do projeto de Planificação da Atenção à Saúde – e tem no diabetes um ponto alto. A expertise local está sendo levada para outros estados para tratar essa condição de saúde que acomete mais de 500 milhões de brasileiros, entre 20 e 79 anos, segundo dados do Atlas do Diabetes 2021. Com o atendimento em dia, a capital do Brasil se tornou um centro colaborador em saúde no que diz respeito ao diabetes, conforme explica a assessora técnica do Conass, Maria José Evangelista. “O DF faz um serviço de excelência. Dessa forma, estamos trazendo profissionais de outros estados para acompanhar o tratamento e serem treinados por equipes de Brasília”, pontua a médica. O Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh) conta com uma equipe multidisciplinar composta por nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, entre outros profissionais | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília Centro especializado no Plano Piloto Profissionais de saúde da Bahia, de Goiás, do Maranhão, entre outros estados, já passaram por Brasília e tiveram contato com o dia a dia do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh) da Secretaria de Saúde. Localizado na entrequadra 208/408 Norte, o Cedoh faz consultas ambulatoriais individuais e em grupo e conta com uma equipe multidisciplinar composta por nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, entre outros profissionais. Leonardo Cortez, 19 anos, portador do diabetes autoimune, revela se sentir muito bem acolhido no Cedoh “Fazemos um atendimento em conjunto, pois o diabetes é uma doença complexa. O paciente precisa de todo esse apoio em cada área”, observa a gerente do Cedoh, Alexandra Rubim. “E é fundamental que o diabético aos poucos tenha a autonomia e o conhecimento para que ele possa também se cuidar”, diz a endocrinologista. A assistência médica integral está na rotina do estudante Leonardo Cortez, 19 anos, portador do tipo 1 da doença, também chamada de diabetes autoimune. Diagnosticado aos 3 anos de idade, Leonardo revela se sentir muito bem acolhido no centro de saúde por onde passa a cada dois meses e frequenta desde 2017. Sensor moderno para aferir a glicose A rede pública, inclusive, já disponibiliza um sensor chamado Libre, que monitora os níveis de glicemia no sangue dos diabéticos tipo 1, conforme o protocolo da Secretaria de Saúde. Trata-se de um equipamento moderno que substitui o glicosímetro e suas recorrentes agulhadas nos dedos do paciente. Equipamento moderno, o Libre substitui o glicosímetro para monitorar os níveis de glicemia no sangue dos diabéticos tipo 1 “Aqui é sensacional, não tenho nem palavras pra agradecer a todo mundo que me auxilia. As orientações, os itens que uso, como a caneta de insulina, o Libre; tive acesso a tudo isso no Cedoh”, afirma Leonardo. “Eu mesmo aplico insulina em média seis vezes ao dia, para se ter uma ideia. Mas, faço tudo com a supervisão das médicas do posto”, acrescenta o jovem. Já a endocrinologista Katianny Araújo é uma das profissionais especializadas em diabetes do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Lá, ela frisa que o paciente recebe todo o encaminhamento necessário. “Temos um sistema de dados, o Sisreg, no qual conseguimos fazer esse link entre o diabético e o especialista na região onde ele mora. Penso que o DF está muito bem assistido, tanto em relação ao diabetes 1 e 2, quanto no gestacional também”, aponta Katianny. Atenção ao pé diabético A capital conta, ainda, com duas unidades voltadas para o tratamento da doença: o Centro Especializado em Diabetes, Hipertensão e Insuficiência Cardíaca (Cedhic), no Guará, e o Centro de Atenção ao Diabetes e Hipertensão Adulto (CADH), no Paranoá. Cada paciente é referenciado para uma unidade, de acordo com o local onde mora. Já em Taguatinga, o ambulatório de endocrinologia do Hospital Regional, o HRT, também é expert no assunto. A unidade atende regularmente pacientes com pé diabético no DF – nome dado às úlceras que aparecem nos membros em decorrência da doença.
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Região de Saúde Centro-Sul ganha ambulatório para doenças crônicas
Pacientes da região são beneficiados com centro especializado em doenças crônicas | Foto: Agência Saúde A Região de Saúde Centro-Sul * recebeu o primeiro Centro Especializado em Diabetes, Hipertensão e Insuficiência Cardíaca (Cedhic), núcleo especializado em atendimento ambulatorial. A unidade começou a funcionar no Hospital Regional do Guará nesta quarta-feira (9) e amplia, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a oferta de serviços especializados para os moradores da região. [Olho texto=”“O paciente passa por um circuito de várias especialidades no mesmo dia: cardiologista, endocrinologista, psicologia, enfermeira, assistente social e fisioterapia. Agora os atendimentos são integrados”” assinatura=”Flávia Costa, superintendente da Região de Saúde Centro-Sul” esquerda_direita_centro=”centro”] Com atendimento multidisciplinar, o novo ambulatório é destinado para pacientes da Região de Saúde Centro-Sul classificados como de alto e muito alto risco para hipertensão e diabetes. O atendimento aos pacientes com doenças crônicas na região já era oferecido, mas de forma não integrada. “O paciente passa por um circuito de várias especialidades no mesmo dia – cardiologista, endocrinologista, psicologia, enfermeira, assistente social e fisioterapia. Agora os atendimentos são integrados. No mesmo dia o paciente passa por diferentes especialistas, tendo em vista serem pacientes de alto e muito alto risco”, explica a superintendente da Região de Saúde Centro-Sul, Flávia Costa. Com o atendimento multidisciplinar, o resultado esperado é aumentar a resolutividade regional, de modo a serem reduzidas as ocorrências de infarto, acidente vascular cerebral e amputações. “Há substancial melhora na qualidade de vida de pacientes portadores de doenças crônicas, sem aumentar custos para o sistema de saúde”, analisa a gestora. Atendimentos são agendados pela Central de Regulação da Secretaria de Saúde | Foto: Agência Saúde A expectativa é de atender cerca de 60 casos novos por mês, com perspectiva de multiplicação desse número por cinco ou seis vezes nos próximos seis meses. Porta de entrada Os pacientes atendidos pelo Cedhic são encaminhados para o ambulatório pelas unidades básicas de saúde (UBSs). São as UBSs que realizam o primeiro atendimento, avaliam cada caso e direcionam aqueles de alto e muito alto risco para as atenções secundária ou especializada. Ao fundo, a superintendente Flávia Costa e o diretor administrativo da Cedhic, Evilásio Sousa Ramos, ao lado da cardiologista Luciane Santoro (de jaleco) e o diretor de Atenção Secundária, Thiago Braga | Foto: Agência Saúde Esse atendimento é feito nos ambulatórios e policlínicas que funcionam em todas as regiões de saúde. Com o modelo de atendimento integrado, a expectativa é de mais adesão e continuidade no tratamento dos doentes crônicos e de acesso à rede de atenção especializada. O novo ambulatório é mais um avanço da Região de Saúde Centro-Sul na proposta de Planificação de Atenção à Saúde, projeto viabilizado pelo Proadi-SUS, do Ministério da Saúde. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] O ambulatório O Centro Especializado em Diabetes, Hipertensão e Insuficiência Cardíaca funciona no Hospital Regional do Guará. Trata-se de uma policlínica vinculada à Gerência de Serviços da Atenção Secundária. Os atendimentos serão realizados sob forma de circuito multidisciplinar composto por especialistas em cardiologia – especialmente insuficiência cardíaca e hipertensão arterial –, endocrinologistas, enfermeiras especializadas em cuidados com “pé diabético”, atendimento psicoterapêutico, nutricional, fisioterapêutico e com assistente social. * Com informações da Secretaria de Saúde. ** A Região de Saúde Centro-Sul é formada pelas seguintes regiões administrativas: Guará, Estrutural, Setor de Indústria e Abastecimento, Setor Complementar de Indústria e Abastecimento, Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Park Way, Riacho Fundo e Riacho Fundo II.
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