Projeto transforma escola pública em referência no enfrentamento à depressão entre jovens
Há seis anos, um movimento vem mudando a realidade de centenas de estudantes do Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit). Trata-se do Grupo de Enfrentamento à Depressão e ao Suicídio (GEDS) – carinhosamente chamado de “Gerando Amor” –, uma iniciativa coordenada com o apoio dos Educadores Sociais Voluntários (ESVs) que tem acolhido, escutado e conscientizado jovens sobre saúde mental. “Mostramos que autoestima é ação. Quando o jovem começa a praticar isso no cotidiano, ele entende que pode lidar com as emoções de outras formas, sem recorrer à comida como alívio”, disse a psicóloga Beatriz Reis, em palestra no Cemeit | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Com o apoio de professores, servidores e voluntários da saúde mental, o grupo aborda temas delicados, mas urgentes, como ansiedade, depressão, autoestima e comportamento alimentar. São palestras, dinâmicas de escuta ativa e ações simbólicas como “Caixa do desabafo”, “Abrace-me”, “Se expresse” e “Correio da Gratidão”. Ao todo, estima-se que cerca de 16 mil pessoas já tenham sido impactadas direta ou indiretamente pelas atividades. A coordenadora do projeto, Vitória Kalil, diz que iniciativa contribui para a expressão de emoções e a comunicação entre os jovens “Às vezes, é uma coisa tão simples, como um abraço, mas que eles não têm em casa. E quando recebem na escola, dizem: ‘Era tudo que eu precisava’”, conta Vitória Kalil, coordenadora do projeto e ex-aluna do Cemeit. Para ela, o diferencial está justamente no protagonismo estudantil: “É de jovem para jovem. Muitos não conseguem se abrir com os pais ou com o psicólogo, mas conseguem conversar com colegas”. Trabalho voluntário A aluna Catarina Benedeti elogia o projeto: "É um momento para falar sobre autoestima, sobre família" O GEDS também conta com o apoio da Secretaria de Educação do DF, por meio da atuação de Educadores Sociais Voluntários (ESVs), como Vitória. A rede pública tem hoje cerca de 7.300 ESVs em escolas de todas as regiões administrativas. [LEIA_TAMBEM]Hoje, com cerca de 20 voluntários em atuação, entre estudantes, ex-alunos e profissionais da saúde, o GEDS já foi reconhecido nacionalmente. Em 2019, o projeto foi finalista do Desafio Criativos da Escola, que celebra iniciativas lideradas por estudantes em todo o país. A psicóloga Beatriz Reis, uma das voluntárias, esteve na escola nesta quarta-feira (30) para conduzir uma palestra sobre autoestima, ansiedade e a relação emocional com a comida. “Mostramos que autoestima é ação. Quando o jovem começa a praticar isso no cotidiano, ele entende que pode lidar com as emoções de outras formas, sem recorrer à comida como alívio”, explica. A estudante Catarina Benedeti, de 17 anos, afirma que encontrou no projeto um espaço seguro para dialogar. “Gostei bastante. É um momento para falar sobre autoestima, sobre família, é um momento de conversa mesmo. Isso falta muito”, diz. Já Thiago Tavares, também de 17, acredita que projetos como o GEDS deveriam ser parte do currículo educacional: “Tinha que ter toda semana, ou pelo menos uma eletiva. Seria muito importante”.
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Em Taguatinga, escolas mostram melhorias
[Olho texto=”“Estamos enfrentando problemas históricos da região de Taguatinga e todo o Distrito Federal, virando o jogo na educação e fortalecendo o ensino público, gratuito e de qualidade” ” assinatura=”Leandro Cruz, secretário de Educação” esquerda_direita_centro=”direita”] Reformas, melhorias e aquisição de equipamentos com recursos do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf) movimentaram pelo menos R$ 1,2 milhão em seis escolas da regional de ensino de Taguatinga. O secretário de Educação, Leandro Cruz, visitou todas elas nesta semana e conheceu de perto o que está sendo feito para recuperar a infraestrutura educacional do DF. Durante a visita, ele inspecionou a construção do Centro de Ensino Integrado 10 (CEI 10), que já recebeu recursos de R$ 500 mil para os serviços em execução. Centro de Ensino Integrado 10 recebeu R$ 500 mil em recursos | Fotos: Álvaro Henrique/SEE “São inúmeras obras”, destacou o secretário. “Estamos enfrentando problemas históricos da região de Taguatinga e todo o Distrito Federal, virando o jogo na educação e fortalecendo o ensino público, gratuito e de qualidade.” O coordenador regional de Ensino de Taguatinga, Murilo Marconi Rodrigues, reforçou: “A importância das obras na área da educação de Taguatinga está em atender melhor a comunidade escolar como um todo, ampliar a oferta para vários estudantes”. Acompanhe, abaixo, a situação das escolas visitadas. Escola Classe 11 Inaugurada em 1979, a EC 11 recebeu, recentemente, reforma no piso, nas salas de aula, nos armários e janelas. Durante conversa com o secretário, a diretora, Tatyane Emídio, falou sobre a importância de a EC 11 funcionar de forma adequada tanto no formato presencial quanto no remoto. “Aqui, a escola é um canteiro de obras para o futuro presencial”, disse. “A escola está bombando nas aulas virtuais. A gente não tem estudante perdido; todos eles conversam com professores, inclusive aqueles que pegam material impresso.” Escola Classe 11 ganhou reformas nos pisos, salas, armários e janelas Centro de Educação Infantil Águas Claras Com 350 estudantes, o Centro de Educação Infantil Águas Claras ganhou, entre outros destaques, reforma completa na área de recreação. A vice-diretora, Cândida Amaral, disse estar ansiosa para a volta das atividades presenciais. “Toda essa luta do secretário para vacinar todos os profissionais da educação que estão envolvidos no contexto escolar, tanto os funcionários da limpeza quanto os da cozinha, do administrativo, os professores e direção, é algo que deixa a gente mais otimista em acreditar que a educação possa voltar no sistema híbrido e presencial, atendendo a todos de uma maneira mais tranquila nessa pandemia”, afirmou. Centro de Educação Infantil Águas Claras: área de recreação interna renovada Centro Educacional 7 Com 432 alunos e 17 salas de aula, o Centro Educacional 7 tem dois laboratórios de informática e um refeitório. As obras abrangem, entre outros setores, a área esportiva. A diretora, Ana Célia Costa, disse que a escola é como uma casa para cada estudante, e se mostrou confiante com a atuação do secretário na missão de valorizar o ambiente escolar. Quadra esportiva da CE 7 tem obras concluídas Escola Classe 50 [Olho texto=”Segundo a vice-diretora Débora Maria Souza, é a primeira vez que a EC 50, em 34 anos, recebe uma reforma” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Atualmente, a EC 50 tem 14 salas de aula, sala de leitura, laboratório de informática e cantina. De 2020 até aqui, a escola recebeu R$ 92 mil em recursos do Pdaf, por meio da Secretaria de Educação (SEE) e de emendas parlamentares. Com essa verba, foi feita a reforma do parque, dos bebedouros, da copa, dos banheiros e do espaço de convivência. A escola segue em obras, com conserto de telhado, troca de forro e modernização de rede elétrica. “A primeira grande importância das obras na nossa escola é a melhora da formação acústica das salas de aula”, explicou a vice-diretora, Débora Maria Souza. “Inicialmente como escola temporária, ela iria durar apenas um ano. Hoje, 34 anos depois, recebe a primeira reforma. Agora, com um ambiente mais agradável, a volta da educação presencial vai ser muito mais acolhedora.” Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit) Cemeit foi reformado em todas as instalações Com 2.383 estudantes, o Cemeit tem 26 salas de aula, biblioteca, laboratórios de informática, biologia e física. Entre 2020 e 2021, a escola recebeu R$ 976,6 mil em recursos do Pdaf, via SEE e emendas parlamentares. Com o investimento, foi feita a reforma de todas as salas de aula, com instalação de multimídia, além da construção de passarela e rampa elevatória. Este ano, as obras seguem com manutenção do espaço físico, reforma da secretaria e estruturação do arquivo. Centro de Ensino Fundamental 19 [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] O colégio cívico-militar atende 678 estudantes. Com biblioteca, sala multimídia, quadra poliesportiva e quadra de voleibol, a escola recebeu R$ 213,2 mil em recursos do Pdaf, por meio da SEE e de emendas parlamentares, para aperfeiçoar a ventilação das salas de aula, fazer reparos na entrada principal, reformas gerais e pintura, tanto nas salas quanto na biblioteca. “Nós temos recebido obras da Secretaria de Educação com melhorias para a escola”, ressaltou a vice-diretora, Cristina Hosken. “Só de o espaço ser renovado, já traz mais segurança e conforto para os estudantes.” *Com informações da Secretaria de Educação
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União leva novas cores a Taguatinga
Resultado do trabalho de 11 artistas, as pinturas renovaram todo o ambiente | Fotos: Acácio Pinheiro/Agência Brasília Há 16 anos morando no Distrito Federal, a baiana Elisângela Bispo dos Santos, 41 anos, desde que chegou, vende bijuterias numa banca em frente à fachada do Centro de Ensino Médio EIT (Cemeit) de Taguatinga. Sentada num banco de costas para a Avenida Comercial, há cerca de dois meses ela acompanha a transformação radical pela qual aquele espaço vem passando. E não foram poucas mudanças. Antes cheio de mato, com as paredes desgastadas e grades antigas enferrujadas, o lugar, que virou morada de pessoas em situação de rua, ganhou visual alegre. Agora, cores vivas de 11 artistas da cidade e do entorno fazem parte do cenário, junto a novos alambrados coloridos instalados, grama plantada e o piso da calçada reformado. A entrega dessa primeira parte do projeto de reforma foi feita na manhã desta terça-feira (5). “Tenho minha banquinha aqui há 15 anos e nunca vi uma obra tão bonita como essa nesse lugar”, conta Elisângela. Por sua vez, o coordenador regional de Ensino de Taguatinga, Juscelino Nunes Carvalho, responsável pela iniciativa do projeto, reforça: “Nasci em Taguatinga, passei minha infância nessa rua, ficava inconformado de ver o lugar largado do jeito que estava”. Elisangela Bispo: “Tenho minha banquinha aqui há 15 anos e nunca vi uma obra tão bonita como essa nesse lugar” Os painéis pintados por grafiteiros trazem temas diversos que homenageiam a cidade. Lá estão a ave branca, símbolo de Taguatinga, além de referências à arte urbana – como o hip-hop –, educação e exaltação às áreas verdes da Região Administrativa (RA). Os artistas entraram com o talento e a criatividade. A administração local valeu-se de recursos de emenda parlamentar de R$ 170 mil, montante destinado por dois deputados distritais – R$ 125 mil por Leandro Grass e R$ 45 mil por Reginaldo Veras. É a união fazendo a força para o bem-estar da comunidade local. “Amei participar desse projeto e tentar falar um pouquinho de Taguatinga”, comenta o artista visual Minoru Kasegava, 41 anos, que estilizou a famosa águia de Taguatinga num espaço entre 4 m de altura por 6 m de largura. “Fiz a águia mais realista que pude, mantendo as cores da bandeira de Taguatinga”, explica, destacando o azul e o branco. Parque da Praça O administrador de Taguatinga, Bispo Renato Andrade, destaca a importância do trabalho em equipe na realização dessa ação de resgate do espaço. “Foram várias mãos trabalhando para que essa ação pudesse acontecer”, relata. “O próximo passo nosso é a revitalização do Teatro da Praça”. Parte da verba para essa segunda etapa do projeto de reforma do Centro Cultural da Praça já está garantida por meio de emenda parlamentar – R$ 125 mil aportados pela deputada distrital Júlia Lucy. Essa verba será utilizada no reparo das instalações elétricas, do ar-condicionado e de parte dos estofados, que serão trocados. “Esses trabalhos representam um pontapé no projeto de retomada da autoestima da cidade, para as pessoas notaram que algo está sendo feito”, avalia Juscelino Carvalho. E todo mundo percebe. “Fiquei muito feliz de passar na frente da escola em que estudei e ver que estão cuidando bem dela”, elogiou a empresária Cândace Costa, 52 anos, de passagem na região. [Olho texto=” “Esses trabalhos representam um pontapé no projeto de retomada da autoestima da cidade” ” assinatura=”Juscelino Nunes Carvalho, coordenador regional de Ensino de Taguatinga” esquerda_direita_centro=”centro”] Escola pioneira Espaço Cultural: vida nova ao contexto no qual se destaca parte da história de uma cidade que faz parte dos primórdios de Brasília A história do Cemeit de Taguatinga se confunde com o surgimento da própria cidade, uma das pioneiras do DF. Idealizada em 1959 pelo poeta Caldêncio Mewton de Carvalho Souza – então funcionário do Ministério da Educação –, o espaço nasceu primeiro como Escola Industrial de Taguatinga (EIT), para ensinar filhos de operários que trabalhavam duro na construção da nova capital a se especializarem em algum curso profissionalizante. Dois anos depois, o local se tornaria a primeira escola de ensino médio de Taguatinga. Já o Teatro da Praça, criado em 1966 e desvinculado da escola desde os anos 1990, faz parte de complexo cultural que abriga a Biblioteca Pública Machado de Assis, a Academia Taguatinguense de Letras e a Biblioteca Braille Dorina Nowil.
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Música é estimulada nas escolas integrais
As vozes juvenis dos estudantes do Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit) entraram na sala de música nesta quarta-feira (11) para celebrar o recebimento de 80 instrumentos musicais comprados com recursos do Ministério da Educação (MEC). A unidade é uma das onze escolas de ensino médio em tempo integral (EMTI) beneficiadas com cerca 1 mil instrumentos musicais e estantes para partitura. No DF, quatro mil estudantes foram favorecidos com o atendimento. “Temos dois mil estudantes e 200 são atendidos em tempo integral. Eles participam de aulas de música, informática, robótica, horta, língua portuguesa e matemática”, informa a coordenadora pedagógica do Cemeit, Kátia Nóbrega. Segundo a subsecretária de Educação Integral da SEEDF, Vera Lúcia de Barros, os instrumentos coroam o excelente trabalho desenvolvido na unidade escolar – onde 30 estudantes participam do projeto de música. Tais ações têm refletido no impacto da escola na comunidade: recentemente, o Cemeit foi agraciado com o Certificado de Melhor Gestão de Taguatinga. Para a diretora de Educação Integral, Amélia Nakao, os recursos do MEC são fruto de um trabalho coletivo. “Aos poucos, avançamos nesta jornada e os estudantes são, sem dúvida, agentes da mudança”, elogiou Amélia. Patrimônio cultural Em 2014, a escola foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Distrito Federal e, desde as bandas marciais nos anos 1980, têm desenvolvido um trabalho musical exitoso. Neste ano, a banda Meia Lua venceu a 5ª edição do Festival Interescolar de Música de Taguatinga (FIMT) com a música Cachoeira, de autoria dos alunos Kayla de Albuquerque e Natã Buriti. Além do prêmio, uma parceria com o Estúdio Social vai proporcionar a realização do sonho de gravar um álbum com quatro composições da banda, um EP (extended play). A gravação é fruto de uma parceria entre o Governo do Distrito Federal, por meio das Secretarias de Desenvolvimento Social, de Cultura e Economia Criativa e da Juventude, e o Instituto Blaise Pascal. Cinquenta bandas, grupos ou músicos serão favorecidos. Para o compositor e instrumentista Natã Buriti, contar com os novos instrumentos musicais motiva os alunos a participarem das aulas de música. “Temos a oportunidade de desenvolver e divulgar nossos talentos por meio da orientação de um professor de música, o que é essencial”, afirma o estudante. Educação musical Foto: Secretaria de Educação/DF A história do professor Geovanne Santoli com a música vem desde a infância. “Meu pai era músico nos bailes da Bahia, onde morávamos. Aos 10 anos, eu já estudava canto. Quando me mudei para Brasília, passei a me dedicar mais. Leciono desde os 17 anos, o que me motivou a cursar canto lírico na Escola de Música de Brasília (EMB) e, posteriormente, na Universidade de Brasília (UnB)”, conta o professor. O docente se diz motivado pelo contato com os estudantes. “Procuro fazer com que todos, mesmo com experiências diferentes, personalidades e gostos musicais entrem no mesmo ritmo”, diz ele. Por isso, ele se considera privilegiado por poder mostrar uma vivência de educação musical. “Eu não tive na escola essa prática no Ensino Médio. O ensino integral possibilita que eles possam aprender não somente a teoria, mas também a prática”, afirma. * Com informações da Secretaria de Educação
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