Ordem de serviço dá início às obras de reforço estrutural na Central Flores, na Ceasa-DF
A Central Flores, localizada nas Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), passará por uma reforma completa. A ordem de serviço foi assinada nesta terça-feira (3) e autoriza investimento de R$ 2,3 milhões na manutenção do local. O espaço dispõe de 2.365 m² e é responsável por parte significativa do mercado de floricultura da capital federal, que somou R$ 265.987.611 em produção em 2024, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF). A ordem de serviço para a reforma completa da Central Flores foi assinada nesta terça (3) pela vice-governadora Celina Leão | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília A obra atende a uma demanda histórica dos mais de 500 produtores e permissionários que atuam no local e tem como objetivo melhorar as condições estruturais do espaço, garantindo mais conforto e segurança para trabalhadores e clientes. Os serviços serão executados em duas etapas, para não interromper o funcionamento das atividades, com previsão de entrega ainda neste ano. Durante a assinatura, a vice-governadora Celina Leão destacou o volume de investimentos destinados à Ceasa-DF e reforçou o compromisso com a modernização do espaço. “Quando entregamos a Ceasa, foi um desafio, porque a gente precisava mexer em muita coisa para melhorar. Nunca se fez um investimento dessa envergadura aqui como esse que faremos. Vamos investir aproximadamente R$ 35 milhões na Ceasa, somando as obras e o asfalto novo. O nosso compromisso é continuar fazendo aquilo que a população do Distrito Federal espera, que é trabalho”, afirmou. O presidente da Ceasa-DF, Bruno Sena Rodrigues, ressaltou que a reforma da Central Flores integra um conjunto mais amplo de intervenções realizadas no local. “Sem dúvida, esse é o governo que mais investiu na Ceasa. Foram R$ 18 milhões aportados de 2023 para cá. Estamos reformando telhados, parte elétrica, iluminação, rede de água e esgoto, além de um novo pavilhão”, explicou. Bruno Sena Rodrigues, presidente da Ceasa-DF: "Sem dúvida, esse é o governo que mais investiu na Ceasa. Foram R$ 18 milhões aportados de 2023 para cá" Polo da floricultura No Distrito Federal, segundo dados mais recentes da Emater-DF, há 491,045 hectares destinados à floricultura. São cerca de 200 produtores cadastrados na empresa que destinam sua produção a flores, sendo 87 deles produtores de cactos ou suculentas e 69 de plantas de vaso em geral. [LEIA_TAMBEM]A Central Flores concentra parte significativa dessa atividade econômica. No espaço, trabalham 567 pessoas, considerando associados e familiares. A estimativa é de que aproximadamente 12,5 mil pessoas circulem diariamente pelo local. O presidente da Associação Brasiliense de Produtores de Flores e Plantas, André Marques, destacou que a cobertura atual era provisória e aguardava substituição há mais de duas décadas: “Essa estrutura ficou provisória por 24 anos. Era para ser algo temporário, mas se tornou permanente. Agora vai ser uma estrutura de aço, com telhado que permite [a entrada de] luz natural, robusta e definitiva. É um sonho que a associação sempre teve”. André Marques, presidente da Associação Brasiliense de Produtores de Flores e Plantas: "Agora vai ser uma estrutura de aço, com telhado que permite [a entrada de] luz natural, robusta e definitiva. É um sonho que a associação sempre teve" Segundo ele, a nova cobertura representa mais do que uma melhoria física. “Não é só uma cobertura, é como se fosse um novo capítulo da história da associação. Quando você valoriza um ponto de comercialização como esse, toda a cadeia produtiva recebe esse benefício. Vai trazer mais segurança, mais conforto e valorizar os produtores e os produtos daqui de Brasília”, completou. De acordo com Bruno Sena Rodrigues, o investimento faz parte do conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da Ceasa-DF como centro estratégico de abastecimento e comercialização. “A Central Flores vai ser um ponto turístico da cidade. A gente quer que quem venha conhecer Brasília venha também conhecer esse espaço. Estamos revitalizando telhado, piso, parte elétrica e iluminação. É uma nova Ceasa, um novo mercado de flores e uma nova história para a nossa cidade”, concluiu.
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Monumentos de Brasília representados em flores e plantas
As águas do Lago Paranoá virassem hortênsias azuis e os arcos da Ponte JK, folhas de palmeiras. Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília Imagine se as águas do Lago Paranoá virassem hortênsias azuis e os arcos da Ponte JK, folhas de palmeiras. Ou se as conchas do Congresso fossem feitas não de ferro e concreto armado, mas de coité (cabaça) e bambu. E se a Torre Digital de Sobradinho se transformasse num imenso arranjo de ipês amarelos a partir de um tronco chamuscado encontrado na rua? Pois, graças à habilidade e sensibilidade de dois artistas florais e a generosidade dos produtores de flores da cidade, essa arte pode ser vista até o dia 30 numa exposição na Associação Brasiliense de Produtores de Flores e Plantas do DF, a Central Flores, localizada na Ceasa. A iniciativa é uma homenagem da categoria aos 60 anos da nossa capital. “Brasília é a capital da esperança. E é nisso que acreditamos, em esperança de que tudo vai melhorar. E nós produtores, funcionários, artistas florais reforçamos a importância das flores em nossas vidas”, destaca a empresária e produtora de flores, Márcia Jakubowski, idealizadora do projeto. “Essa pandemia veio para nos ensinar que o amor ao próximo é essencial, então através da minha arte eu tento passar para as pessoas amor, paz de espírito, leveza e muita fé em Deus” ensina o designer floral, Higor Lima, há 18 anos emprestando seu talento à essa técnica milenar. “Tento, por meio do meu trabalho, realizar sonhos e levar alegria para as pessoas”, emenda o artista, que dividiu os trabalhos com o colega Rogério Firmino Salustiano. “Brasília é a capital da esperança. E é nisso que acreditamos, em esperança de que tudo vai melhorar”, diz a empresária e produtora de flores, Márcia Jakubowski, idealizadora do projeto. Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília Ao todo, serão expostos no local, seis trabalhos, todos feitos com as flores e plantas produzidas no cerrado brasiliense e comercializadas pelos empresários do ramo na Ceasa. A ideia inicial era promover um concurso de arte floral tendo como inspiração os 15 monumentos mais representativos da cidade. Mas devido às limitações impostas pelo crise do coronavírus, que impende aglomerações de pessoas, o evento foi readaptado. Por enquanto. “Tivemos que readequar o evento ao momento em que vivemos, mas no ano que vem a ideia e transformar essa exposição num concurso”, avisa Mária Jakubowski. Flores solidárias Além da Ponte JK, do Congresso e da Torre Digital outros espaços icônicos da cidade ganharam uma versão. Os deslumbrantes vitrais da artista pernambucana, Marianne Peretti, por exemplo, foram representados por um belo arranjo feito por uma flor tropical, chamada Heliconia Sassy. O Jardim de Burle Marx, paisagista que decorou com beleza alguns pontos da cidade, foi feito com diversas folhagens do cerrado num painel. “A gente gosta de trabalhar com material diferente, mas não estranho, o trabalho foi fluindo e assim nossos arranjos foram nascendo”, conta Higor. “Há uma simbologia por trás de cada trabalho. O tronco queimado encontrado na rua, por exemplo, é para as pessoas verem como Brasília fica na época da estiagem, quando não tem chuva e o ipê, que um símbolo da cidade, a grandeza”, explica o artista. Não é a primeira vez que a Associação Brasiliense de Produtores de Flores e Plantas do DF se solidariza com a pandemia. Em março, a categoria doou flores a hospitais da cidade, em apoio aos profissionais da saúde.
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Delivery de flores para reduzir a sensação de isolamento
Símbolos de amor, carinho e cuidado, as flores costumam servir, para muitas pessoas, como um alimento à alma. Com base nessa ideia, a Emater-DF decidiu estimular ainda mais a venda por tele-entrega de flores de produtores locais como forma de aliviar o isolamento social causado pelo coronavírus. Mesmo com a orientação para que todos fiquem em casa, o envio de flores pode ser uma opção para se fazer presente e também ajudar pequenos produtores do Distrito Federal. Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília Na capital, pelo menos 140 pequenos produtores de flores atendidos pela Emater-DF, com diversidade de 87 variedades de espécies, dependem da atividade para se manter e buscam superar o momento para comercializar seus produtos. Para a coordenadora de Floricultura da Emater-DF, Loiselene Trindade, o momento é delicado para todos, mas em especial para os produtores de flores. “Se os consumidores tiverem a oportunidade de comprar flores, comprem. Esse é um momento em que as pessoas vão estar em casa e precisam receber um carinho de quem está distante. As flores trazem harmonia para o meio ambiente e proporcionam bem-estar”, afirmou Loiselene. No Distrito Federal, o mercado de flores movimenta cerca de R$ 200 milhões ao ano e emprega aproximadamente 3,5 mil pessoas. A capital é maior mercado consumidor per capita de flores do país. Em 2019, a área plantada dedicada a cultivares diversas como crisântemos, lisianthus, girassóis, copos-de-leite, palmeiras, gramas, suculentas e cactos era de 570 hectares. Por conta disso, a Emater, em parceria com os produtores, encaminhou uma carta à Secretaria de Agricultura no último dia 24 solicitando apoio aos pequenos produtores de flores do DF. O desenvolvimento da cadeia produtiva de flores é um dos objetivos da Emater-DF e faz parte do planejamento estratégico do Governo do Distrito Federal para a área rural. “É um setor importante, que gera emprego e renda para os nossos produtores. Além disso, temos um mercado enorme que podemos atender em boa parte com a produção local, o que estimula o setor e a economia do Distrito Federal como um todo”, afirmou a presidente da empresa, Denise Fonseca. “Temos muito espaço para crescer.” O diretor-financeiro da Central Flores, Kiko Jakubowsky de Carvalho, que representa cerca de 25 pequenos produtores que comercializam na Ceasa, destaca que pessoas de outros estados que tenham parentes em Brasília podem comprar por telefone ou online e presentear alguém que esteja na capital. “Nesse momento, em que não podemos visitar, mandar flores é um gesto de carinho com seu familiar ou amigo, que seria revertido em outro gesto solidário gerando renda para os nossos produtores”, ressaltou. Contatos de tele-entrega Atualmente, a Central Flores está trabalhando com tele-entrega pelo número (61) 99800-5778. Para pedir pela Flora Ebenezer, que produz áster, rosas e orquídeas, o contato é (61) 99147-0505. O Orquidário Colorado também está atuando com tele-entrega pelo número (61) 98334-3263. Ele trabalha com orquídeas, substrato, vasos e cachepôs. A Flora Santo Antonio oferece áster, tango, hortaliças, plantas medicinais, rosas e adubos. O telefone para pedidos é o (61) 99655-6756. Já o Orquidário Hiléia, que oferece diversas orquídeas, atende pelo telefone (61) 98184-4333. Todos os produtores que quiserem divulgar contatos para pedidos devem procurar a Emater, para que os telefones e e-mails sejam disponibilizados na página da empresa. Coronavírus Com o avanço dos casos confirmados de coronavírus na capital do país, o Governo do Distrito Federal decretou diversas medidas de combate e controle ao vírus, entre elas está o fechamento do comércio e a instrução para que as pessoas não saiam de casa. O fechamento de feiras pela cidade fez com que produtores que vendem na Central Flores, na Ceasa, procurassem saídas para escoar a produção. Produtores de flores, que têm a peculiaridade de venderem produtos perecíveis em curto espaço de tempo, acabam tendo sua situação agravada pelo fato de flores não serem itens de extrema necessidade. Loiselene conta que a Emater-DF está trabalhando junto com os produtores para tentar minimizar os impactos e criar novas oportunidades de negócio e comercialização. “Diante do momento, houve uma queda expressiva na comercialização de flores e isso acarreta um problema sério no setor”, disse. Dificuldades de vendas Na Ceasa, a Central Flores fechou as portas e os produtores que comercializavam no espaço tiveram que criar suas estratégias de vendas. Desde o último sábado, eles anunciaram o serviço de tele-entrega. No entanto, segundo Kiko, a tentativa ainda tem surtido resultados tímidos. “O negócio tá muito difícil e os produtores estão perdendo suas produções na roça mesmo, tendo que cortar e jogar fora. Na Ceasa, tudo que tem lá essa semana já tem que jogar fora”, disse o diretor-financeiro da Central Flores. Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília Na última semana, cerca de 800 rosas, mais arranjos e mudas de plantas que seriam comercializadas na Central Flores foram entregues a doadores de sangue no Hemocentro (foto) e também a servidores da saúde em cinco hospitais da capital. Essa foi uma forma que os produtores encontraram de reverter os prejuízos em solidariedade e homenagear os que se propuseram a sair de casa em prol do bem coletivo. Produtora de flores no núcleo rural Rio Preto, Rosimeyre Morais, de 44 anos, vive apenas da floricultura. Segundo ela, a queda no movimento se agravou desde o início de março. Sua mercadoria era escoada em feiras da cidade e, aos sábados, na Ceasa. Diante do surto na capital e do fechamento do comércio, ela afirmou que as vendas caíram consideravelmente. Por meio da Cooperativa Multiflor, a expectativa é a de que um pouco da sua produção e de outros produtores sejam expostas para venda em um mercado no Lago Norte. “Plantamos muito e perdemos muitas remessas. Infelizmente, os grandes atacadistas e redes de mercados do DF não compram flores do produtor local. Não valorizam o produtor local”, afirma. De acordo com ela, quando a oportunidade surge, fica inviabilizada devido à quantidade da demanda e os custos com logística. “Às vezes alguém até pede um buquê de flores, mas se não forem várias entregas juntas, a gente não consegue porque não compensa devido ao transporte”, aponta. Takao Akaoka, produtor no núcleo rural de Alexandre Gusmão, em Brazlândia, que emprega atualmente oito funcionários, ressalta a dificuldade de comercialização diante dos grandes mercados. “Quem ainda está vendendo são os grandes supermercados e nesses a gente não consegue comercializar. A negociação é diferente e a gente precisa ter grande volume”, lamenta. Enquanto isso, sua produção se perde no campo. * Com informações da Emater-DF
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