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Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV)

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Mães atípicas: entre desafios diários, o acolhimento transforma rotinas no DF

  O Dia das Mães lembra também a rotina de quem é mãe atípica: para muitas, o cuidado é integral, constante e atravessado por incertezas. Nessa realidade, histórias como a da aposentada Cleide Maria Magalhães Matos, de 56 anos, ganham força. E também a ajuda de programas do Governo do Distrito Federal (GDF), como o Melhorias Habitacionais, e de órgãos como a Secretaria de Educação (SEEDF), que mantém a rede pública de ensino especial. Mãe de Jessé Magalhães, de 28 anos, Cleide Maria traduz o peso e o amor da jornada, que começou quando o pequeno chegou à porta dela, com 40 dias. Determinada a criá-lo, ela conta que a descoberta do diagnóstico do filho, de autista suporte 3 severo, foi difícil: “Eu fui para a beira do lago chorar. Você cria expectativa com um filho. Então, foi um balde de água fria. Mas por ele eu faria tudo novamente — tudo, sem tirar uma vírgula”, afirma.  Depois do desespero com o diagnóstico de Jessé, a rotina de Cleide Maria Matos tornou-se de acolhimento e reconstrução | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília A rotina mudou de desespero para acolhimento quando Cleide conheceu um dos 13 centros de ensino especial do Distrito Federal, onde ela reconquistou a própria autonomia, além de ver uma mudança profunda em seu filho. Jessé, que constantemente apresentava rompantes agressivos, hoje consegue se regular e até pintar quadros na escola. Cleide, que deixou o trabalho para cuidar do filho, redescobriu a própria vida a partir do apoio da escola. Com uma equipe para atender as necessidades de Jessé, ela começou a se exercitar e perdeu 34 quilos, ganhando saúde física e mental para continuar a maternidade. “Esqueci totalmente de mim. Foi depois do centro que eu voltei a fazer atividade física e a cuidar da minha saúde. Hoje eu sei que preciso estar bem para cuidar dele. A escola foi meu refúgio.” A governadora Celina Leão se mostra solidária a essas mães. “Tem algumas mamães que são mais do que especiais, são sinônimo do amor puro, São as nossas mães atípicas, que lutam com coragem, com perseverança, com a certeza de que o amor pode vencer todos obstáculos. A todas vocês, um Feliz Dia das Mães. Que a gente possa governar a cidade com esse olhar materno de que uma mãe faz sempre o que é melhor para os seus filhos”, compartilhou. No Distrito Federal, mais de 27,4 mil estudantes são atendidos pela educação especial, distribuídos em 675 escolas, sendo 13 centros de ensino especial, além de 520 salas de recursos. Os centros da rede pública atendem mais de 3,5 mil alunos com deficiências intelectuais, sensoriais, físicas ou múltiplas. Essas unidades especializadas, incluindo o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV) e a Escola Bilíngue de Taguatinga, integram a política de inclusão da Secretaria de Educação do DF. "A escola tem a função social de acolher esses alunos e isso nos leva a olhar também para essas mães" Iêdes Braga, secretária de Educação Segundo a secretária de Educação, Iêdes Braga, o olhar do governo vai ー  e precisa ir ー  além do estudante. “A escola tem a função social de acolher esses alunos e isso nos leva a olhar também para essas mães. Elas recebem um diagnóstico e caminham a vida inteira com essa responsabilidade. Por isso, a escola precisa ser também um espaço de conforto, orientação e apoio”, declara. Mãe em tempo integral Os números refletem um impacto direto nas famílias, especialmente nas mães, que muitas vezes assumem sozinhas o cuidado integral dos filhos. A dona de casa Rute Ferreira de Oliveira, de 55 anos, é mãe de Davi, de 12, e descreve a intensidade da rotina. “A gente vive para eles. Eu não trabalho fora, meu tempo é todo para o meu filho: terapia de manhã, escola à tarde e à noite continuo cuidando em casa. Não é fácil, é muito difícil, e a gente precisa de apoio”. Ana Silva: "A gente precisa aprender a se olhar também, entender o tempo do nosso filho e o nosso tempo, porque essa jornada muda completamente quem a gente é" | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília Já nos primeiros anos após o diagnóstico, o impacto é imediato. A dona de casa Daniele Lourenço, 43, mãe do pequeno Moisés, 4 anos, relata o processo de adaptação: “No começo, é um turbilhão de informações e terapias. A gente não consegue fazer outra coisa. O Moisés fazia horas seguidas de atendimento e a gente entrou nisso sem entender direito. Com o tempo, aprendemos que também precisamos viver e conhecer nosso filho, mas até chegar a esse equilíbrio é um processo". Ao longo do tempo, essa dedicação exclusiva da maternidade atípica também transforma a identidade dessas mulheres. A dona de casa Ana Silva, de 45 anos, mãe de Paulo Daniel, de 9 anos, aborda esse impacto: “A mãe deixa um pouco de ser mulher e vive só a vida de mãe. É uma rotina muito corrida e pesada, até na mente, que não para. A gente precisa aprender a se olhar também, entender o tempo do nosso filho e o nosso tempo, porque essa jornada muda completamente quem a gente é". O acolhimento Os serviços da rede pública abrangem centros de ensino especial, escolas bilíngues para surdos e salas de recursos multifuncionais, que complementam o ensino regular e auxiliam na inclusão. No Centro de Ensino Especial da 912 Sul, por exemplo, o atendimento visa o acolhimento às famílias, orientação e suporte emocional, criando uma rede que ajuda a reorganizar não apenas a vida dos alunos, mas de todo o núcleo familiar. "A escola trabalha diretamente na estrutura familiar, trazendo mais equilíbrio e qualidade de vida"  Ana Paula Ventorim Rodrigues de Oliveira, diretora do Centro de Ensino Especial 1 Na prática, esse apoio se traduz em mudanças reais dentro das famílias, acompanhadas diariamente pela diretora do Centro de Ensino Especial 1, Ana Paula Ventorim Rodrigues de Oliveira. “Temos relatos de famílias que conseguiram viajar juntas pela primeira vez, que voltaram a frequentar restaurantes e conseguiram reorganizar a rotina dentro de casa. A escola trabalha diretamente na estrutura familiar, trazendo mais equilíbrio e qualidade de vida”, detalha. O espaço recebe alunos a partir de 15 anos até a idade que precisam ficar na escola. Atividades como artes, música, educação física e vivências sociais ajudam a desenvolver habilidades muitas vezes invisíveis no início. “O aluno que vem para cá já não consegue trabalhar na matriz curricular do ensino regular. Então, trabalhamos a manutenção pedagógica do que existe de ganho do estudante, além da funcionalidade, autonomia e socialização”, acrescenta a diretora. Para as mães, o impacto também é pessoal. Esse sentimento é compartilhado por mães como a artesã Rejane de Freitas Kubiszeski, de 62 anos, que encontrou no ambiente escolar novas possibilidades, como o crochê e o artesanato. “A gente se apoia muito. Aprendi coisas novas, me sinto mais independente, mais empreendedora. A troca de experiência entre as mães é muito importante, porque só quem vive entende”, ressalta. Dentro da escola, projetos voltados às mães incentivam o autocuidado e o convívio social. A dona de casa Francisca Alves Brandão, de 68 anos, é mãe de Allan Alves Faria, de 40, e reforça o papel do espaço como ponto de encontro e trocas importantes: “Aqui é vida para nós. A gente aprende, conversa, apoia uma à outra. Não é obrigação vir, é um lazer. Quando ficamos longe, sentimos falta, quase como os meninos". Enquanto as mães encontram suporte, os estudantes também desenvolvem vínculos e autoestima. João Pedro Angotti Medeiros Araújo, de 19 anos, é diagnosticado com o transtorno do espectro autista (TEA). Em uma oratória articulada que desenvolveu com a escola e a família, ele resume o sentimento de pertencimento: “Aqui eu me sinto muito em casa. Muito acolhido, muito feliz. Nas outras escolas faziam bullying comigo, aqui não fazem". João Pedro Angotti Medeiros Araújo: "Eu quero dar parabéns a todas as mães do Brasil, do mundo inteiro. Especialmente à minha mãe, ela é a minha vida" | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília Dele vem um recado simples e direto, mas carregado de significado para quem vive essa realidade todos os dias: “Eu quero dar parabéns a todas as mães do Brasil, do mundo inteiro. Especialmente à minha mãe, ela é a minha vida. Mamãe, te amo”. Mãe atípica transforma a vida do filho com apoio habitacional no DF “Tia, me espera que eu vou arrumar a minha mochila.” Foi com essa frase simples que Emanuel Ferreira, de 28 anos, um jovem com deficiência intelectual, deixou o abrigo rumo a um novo começo, nos braços de quem escolheu ser sua mãe. Neste Dia das Mães, a história dele e de Maria do Socorro Ferreira, de 52 anos, mostra como o afeto transforma vidas. Beneficiado pelo programa Melhorias Habitacionais, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab), Emanuel hoje vive com mais dignidade ao lado da mãe de coração, que também teve a rotina e a qualidade de vida transformadas. Maria do Socorro Ferreira vai comemorar o primeiro Dia das Mães na casa nova, ao lado do filho, Emanuel | Foto: Matheus Borges/Agência Brasília Antes, Maria do Socorro vivia em uma casa pequena, com apenas um quarto, banheiro e cozinha, espaço onde Emanuel também dormia desde os 9 anos, quando foi adotado. Sem infraestrutura adequada, a rotina de cuidados com o filho era limitada e desafiadora. “Quando entregaram as chaves para a gente, falei: Emanuel, seu quarto agora já está pronto, sua cama está lá. Vamos lá ver?”. A lembrança do momento da mudança ainda emociona. “A gente tinha planos de arrumar a casa, mas não sabia quando nem como.” Foi por meio de uma amiga da família que Maria soube das inscrições abertas da Codhab para um programa voltado a famílias com pessoas com deficiência. “Como mãe atípica, sei que tudo aconteceu por causa do Emanuel. Não foi fácil, e ainda não é fácil cuidar dele, mas eu passaria por tudo de novo. Ele sabe que tem uma família, que tem uma casa nova.” Há dois meses, os dois celebram essa nova fase, com mais conforto e dignidade. Prioridade social Dentro do programa Melhorias Habitacionais, hoje referência no país, as pessoas com deficiência (PcD) têm prioridade no atendimento. Desde 2018, 239 pessoas já foram beneficiadas, sendo 62 famílias com integrantes com deficiência. Atualmente, outras 42 famílias aguardam na fila. 62 Número de famílias com integrantes com deficiência atendidas pelo projeto Melhorias Habitacionais Segundo a Codhab, 95% dos atendimentos são destinados a mulheres, muitas delas responsáveis pelo cuidado diário de filhos com deficiência, realidade que reforça o papel central das mães atípicas e dá ainda mais significado às ações do programa. A assistente social da Codhab, Marilurde Lago, explica que o atendimento começa com a inscrição e uma visita social para verificar se a família atende aos critérios do programa. Para ser beneficiado, é preciso morar no Distrito Federal há pelo menos cinco anos, ter renda de até três salários mínimos, ser dono do imóvel, não possuir outra residência e viver em área de regularização de interesse social. Para famílias com PcD, é necessário apresentar o laudo médico da pessoa e a carteira da pessoa com deficiência (obrigatoriamente). Para isso, também pode ser utilizado a comprovação do Benefício de Prestação Continuada (BPC). “Acompanhar Maria e Emanuel foi muito gratificante. Na primeira visita, vimos de perto a vulnerabilidade em que a família vivia, foi muito emocionante. Poder entregar uma casa nova, com um quarto para o Emanuel, com iluminação e ventilação adequadas, é algo que marca. É a realização de um sonho, tanto para o morador quanto para quem participa desse processo”, afirma Marilurde. [LEIA_TAMBEM]Casa nova A intervenção habitacional do Governo do Distrito Federal (GDF) representou, nesse contexto, muito mais do que uma obra física, foi uma transformação concreta na qualidade de vida dessa família. A residência passou por uma reconstrução e ampliação, com área aproximada de 71,70 m², com o objetivo de regularizar as condições de salubridade e à adequação da edificação aos parâmetros mínimos de habitabilidade, segurança e desempenho. A casa, que antes era um ambiente único e sem divisões, passou a contar com sala, cozinha e quartos bem definidos. A ampliação também considerou aspectos ambientais, como a orientação solar e a integração de uma árvore já existente no lote, utilizada como elemento natural de sombreamento. A cobertura foi totalmente substituída por telha sanduíche, para garantir melhores condições térmicas no interior da residência. Com o investimento da Codhab de R$ 99,8 mil, a moradia foi transformada em um espaço estruturalmente seguro, organizado e mais eficiente. Mas, acima de tudo, tornou-se um verdadeiro lar.  

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Sessão especial de cinema promove inclusão para estudantes com deficiência no DF

Aos 14 anos, Lurdes Khamilly Quinteiro já havia ido ao cinema, porém tinha dificuldades para compreender os filmes. A estudante surda do 9º ano do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 07 de Ceilândia reclamava de “legendas muito rápidas” e sentia falta de intérpretes de Libras. No entanto, nesta quinta-feira (4), ela assistiu a um filme com total acessibilidade durante a sessão especial de Chico Bento e a goiabeira maraviósa, promovida pela Subsecretaria de Educação Inclusiva e Integral (Subin) da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), no escopo do projeto Cinema Brasileiro de Todos para Todos.  A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, acompanhou a sessão de cinema e enfatizou a importância da acessibilidade:  “Nós temos que caminhar para isso, e a sociedade precisa ajudar” | Fotos: Mary Leal/SEEDF Em outubro, haverá quatro sessões inclusivas no Cine Brasília, com expectativa de atender 2,4 mil estudantes dos centros de ensino especial A experiência de Lurdes reflete a realidade de muitos estudantes com deficiência que, pela primeira vez, puderam assistir a um filme com total acessibilidade no CineSystem do CasaPark. “Tem muitos surdos, e estou gostando”, disse, por meio do intérprete Ramon Mota, durante a sessão especial. A sessão das 10h reuniu alunos do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), da Escola Bilíngue Libras e Português Escrito do Plano Piloto e do CEF 07 de Ceilândia.   Para Vera Barros, subsecretária de Educação Inclusiva e Integral, o evento representa muito mais do que uma sessão de cinema. “A importância é você poder dar visibilidade à acessibilidade; o que garante a inclusão é acessibilidade”, enfatizou. “Nós teremos uma extensão desse projeto agora em outubro no Cine Brasília, com quatro sessões para atender em torno de 2.400 estudantes dos centros de ensino especial”. A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, também acompanhou a sessão e lembrou que a acessibilidade não é uma concessão, mas um direito. “Nós temos que caminhar para isso, e a sociedade precisa ajudar”, declarou. Tecnologia a serviço da inclusão Em uma das salas, o filme foi exibido com descrição em Libras projetada diretamente na tela  Durante a sessão, foram testadas diferentes tecnologias assistivas. Uma sala contou com audiodescrição para pessoas com deficiência visual, enquanto outra exibiu o filme com a projeção de Libras diretamente na tela, uma novidade que não é comum nos cinemas convencionais. [LEIA_TAMBEM]Leandro de Sousa Mendes, secretário de Regulação da Ancine, explica que a agência trabalha desde 2023 para melhorar o cumprimento da lei que obriga a acessibilidade nas salas de cinema. “Hoje temos cinco aplicativos em todos os cinemas, então é possível que todo deficiente auditivo e visual consiga ver um filme com acessibilidade”, explicou. O objetivo da ação desta quinta também foi coletar a impressão dos estudantes para aprimorar as políticas de acessibilidade e estudar a viabilidade de tornar obrigatórias algumas sessões especiais para esse público. Mudança na vida dos estudantes “Sem a parceria da secretaria, não seria possível trazer essas crianças para ter essa experiência” Alex Braga Muniz, diretor-presidente da Ancine Para Lurdes, que não frequentava o cinema devido à falta de acessibilidade, a experiência abre novas possibilidades. Questionada se frequentaria mais cinemas, caso esse sistema fosse implementado em todas as salas, ela prontamente respondeu: “Claro, com certeza”. A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Ana Paula Feminella, ressaltou a importância de proporcionar essas experiências desde o ensino fundamental:  “É a vivência da cidadã e do cidadão conseguindo acessar a cultura nacional. Este é o começo de uma parceria importante do governo federal com a Secretaria de Educação”. O diretor-presidente da Ancine, Alex Braga Muniz,  reforçou que o projeto Cinema de Todos para Todos só é possível com o apoio da Secretaria de Educação. “Sem a parceria da secretaria, não seria possível trazer essas crianças para ter essa experiência”, afirmou. “É o primeiro passo de uma caminhada que leva à efetiva inclusão de pessoas com deficiência nas salas de cinema”. *Com informações da Secretaria de Educação    

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Museu Nacional da República recebe quadros táteis feitos em coautoria com deficientes visuais

O Museu Nacional de Brasília recebe, desde a última terça-feira (5), a exposição Sob os pés do mundo, uma experiência sensorial que apresenta 17 quadros táteis criados a partir das calçadas e espaços públicos do Distrito Federal. As obras são relacionadas às vivências de pessoas cegas e com baixa visão. Obras são dispostas de maneira que as pessoas conseguem entendê-las a partir do tato | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília Desenvolvido com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), o projeto conta com o apoio institucional do Museu Nacional da República, do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV) e da Biblioteca Braille Dorina Nowill. A mostra, que está em cartaz na Galeria 2 do museu, é resultado do projeto artístico-sociocultural “Arte no Espaço Público x Arte como Espaço Público: Arte e Inclusão Social”. A exposição faz parte também do Festival Mês da Fotografia (FMF). Para a diretora do Museu Nacional, Fran Favero, há uma fruição da obra por meio do toque, além de uma experiência da cidade. “Nessa exposição, especificamente, as pessoas vão experimentar a relação com as calçadas da cidade, com esse lugar urbano”, explica. Fran afirma que essa não é a primeira exposição com esse tipo de proposta no museu: “Notamos uma identificação imediata, um senso de pertencimento e de representação, que é muito especial”. Flavio Marzadro, idealizador do projeto, lembra que a mostra tem a meta de provocar reflexões sobre pertencimento e acessibilidade: “Trabalho por aquilo que percebo como arte pública, no sentido de promover espaço público e política pública”  O projeto, idealizado pelo artista visual e sociólogo Flavio Marzadro, adotou técnicas como os decalques táteis em base siliconada, para transformar superfícies urbanas em obras sensoriais. Além de uma forma de levar as artes visuais às pessoas com deficiência visual por meio de experiências táteis, a mostra tem o objetivo de provocar reflexões sobre acessibilidade, pertencimento e direito à cidade. Os quadros são compostos por superfícies comuns ao cotidiano urbano, como pedras portuguesas, azulejos e pisos táteis. Marzadro conta que as obras nasceram de uma dinâmica de duas partes, na qual o deficiente visual tem a possibilidade de tocar as obras para interpretá-las. “A gente faz o descarte do chão, que é um objeto urbano, uma memória histórica, mas também uma memória poética, porque faz parte da atividade da pessoa”, comenta. “Trabalho por aquilo que percebo como arte pública, no sentido de promover espaço público e política pública”. Coautoria e inclusão A iniciativa surgiu de diálogos com pessoas cegas e de baixa visão do DF que atuam como coautoras das obras ao partilhar memórias e escolher os caminhos a serem moldados. As obras retratam os lugares percorridos e sentidos durante o projeto. Os trabalhos contam com títulos em Braille, letras ampliadas, audiodescrição e paisagens sonoras de 20 minutos, com os ruídos originais de cada local. Gilfrank Nunes enfatiza a importância da iniciativa: “Esses momentos nos dão a oportunidade de mostrar para a sociedade que nós existimos, somos cidadãos, somos capazes e merecemos fazer parte do cotidiano” Com turmas de cinco a 20 pessoas, as oficinas foram promovidas em Brasília, sendo quatro no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV) e uma na Biblioteca Braille Dorina Nowill. Todos os participantes moram no Distrito Federal e assinam, com suas escolhas, memórias, impressões e mãos, a autoria das obras. [LEIA_TAMBEM]Entre as pessoas com deficiência visual que participaram da produção das obras, está Gilfrank Pimentel Nunes. Para ele, a iniciativa trouxe a oportunidade de afirmar a cidadania. “Perante a sociedade, nós perdemos a visão, mas somos nós que nos tornamos invisíveis”, pontua. “E esses momentos nos dão a oportunidade de mostrar para a sociedade que nós existimos, somos cidadãos, somos capazes e merecemos fazer parte do cotidiano. Podemos ser produtivos, podemos colaborar com o desenvolvimento socioeconômico do nosso país, da nossa cidade. A gente só precisa de oportunidade. A gente só precisa ter os espaços”. Outra participante, Aparecida Moreira Machado, afirma que a exposição serve também para mostrar ao público as dificuldades diárias de um deficiente visual: “Gostaria de dizer às pessoas que nunca se esqueçam de nós, que a gente é capaz de muitas outras coisas. Basta ter interesse em trabalhar com nosso potencial”. Serviço Exposição Sob os pés do mundo: uma experiência sensorial em Brasília ► Data: até 7 de setembro ► Horário de visitação: de terça-feira a domingo, das 9h às 17h ► Local: Museu Nacional da República. Classificação indicativa livre. Entrada franca.  

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