Saiba como é feita a pasteurização do leite materno
O leite materno doado percorre um caminho de intenso cuidado até chegar aos recém-nascidos que precisam desse alimento nos hospitais da rede pública. Diferentemente do que muitos imaginam, o produto não sai da casa da doadora direto para a unidade neonatal: cada frasco passa por etapas técnicas que garantem um alimento seguro e nutritivo para os bebês internados. Cada lote do produto doado passa por rigorosa inspeção e tratamento nos bancos de leite humano do DF | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF “Quando recebemos o leite, sabemos que ali existe um gesto de solidariedade que pode mudar histórias”, afirma a coordenadora do Centro de Referência em Banco de Leite Humano do DF, Graça Cruz. “Nosso trabalho é assegurar que ele mantenha suas propriedades e seja oferecido com total segurança aos bebês.” “Controlar a temperatura desde a casa da doadora até o processamento é fundamental para preservar as características do leite” Graça Cruz, coordenadora do Centro de Referência em Banco de Leite Humano do DF Ao chegar ao banco de leite humano, o produto é inspecionado. São avaliadas a integridade da embalagem, a presença de impurezas no frasco e as condições de armazenamento, incluindo a temperatura de congelamento desde a coleta domiciliar. Controle de qualidade O leite humano cru pode permanecer congelado por até 15 dias antes de ser pasteurizado — portanto, deve chegar ao banco até pelo menos dez dias, e os lotes são selecionados de acordo com a data de validade do produto. “Controlar a temperatura desde a casa da doadora até o processamento é fundamental para preservar as características do leite”, reforça Graça Cruz. Após essa triagem, o leite selecionado é descongelado a 40°C, com equipamentos próprios. Mesmo após o descongelamento, ele é mantido sob refrigeração a 5°C, temperatura que ajuda a preservar suas características. Uma amostra é retirada para exames físico-químicos, como a medição da acidez Dornic, parâmetro que indica se o leite está apto para seguir à pasteurização. Também é feito o crematócrito, exame que identifica o valor calórico do leite e auxilia a equipe médica na definição da dieta de cada recém-nascido. O pequeno Benício foi um dos bebês que precisaram recorrer ao banco de leite humano logo nos primeiros dias de vida. Ele nasceu prematuro com 35 semanas no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), pesando 1,8 kg. “Nem sempre a gente consegue produzir leite o suficiente, então esse gesto fez toda diferença para a saúde do meu filho”, relata a mãe, Maria Vitória de Medeiros, 24. Pasteurização Uma vez aprovado nas análises, o leite é reenvasado em frascos esterilizados e encaminhado para a pasteurizadora a 62,5°C por 30 minutos, temperatura e tempo definidos para eliminar microrganismos que poderiam afetar a saúde de prematuros e recém-nascidos de baixo peso. Segundo a coordenadora, tempo e temperatura foram definidos por estudos realizados há mais de 40 anos, com o objetivo de eliminar 99,9% desses microrganismos. [LEIA_TAMBEM]Logo após esse período, o leite passa por resfriamento rápido até atingir 5°C. Em seguida, uma nova amostra é coletada para o controle microbiológico. O material fica incubado por 48 horas. Somente após resultado negativo para crescimento de microrganismos o leite é liberado para o estoque do BLH. Finalizado o processo, o líquido é separado individualmente de acordo com a prescrição do médico e do nutricionista para cada recém-nascido. O método garante também o não desperdício: um frasco de 250ml, por exemplo, pode suprir até dez bebês. Rede solidária O DF conta com 14 bancos de leite humano e sete postos de coleta. A Secretaria de Saúde (SES-DF) é responsável por dez bancos e três postos. Nesses locais, é feito o controle de qualidade, pasteurizar e distribuir o leite, também orientam famílias sobre o manejo da amamentação. Em 2025, a Rede de Bancos de Leite Humano do DF (rBLH-DF) atendeu 16,9 mil recém-nascidos, entre prematuros e bebês com baixo peso. Para doar, basta ligar para 160, opção 4, ou acessar o portal Amamenta Brasília. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Profissionais de saúde da Colômbia conhecem Rede Distrital de Bancos de Leite Humano
Representantes da Secretaria de Saúde de Cundinamarca (SSC) — departamento da Colômbia localizado na cidade de Bogotá, capital do país — participaram de uma capacitação sobre a Rede de Bancos de Leite Humano do Distrito Federal (rBLH-DF). Integrado à Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), o DF faz parte da maior e mais complexa rede de bancos de leite do mundo, reconhecida internacionalmente. Servidores da Secretaria de Saúde (SES-DF) conduziram a comitiva durante as atividades realizadas na última semana. O treinamento incluiu o acompanhamento das equipes do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) nas coletas em domicílio e de diversas etapas do processo desempenhado na rBLH-DF, como a recepção e triagem do leite humano cru, armazenamento, controle de qualidade, pasteurização e distribuição. “Trata-se de um momento valioso de intercâmbio de conhecimentos, experiências e culturas, que fortalece nossa atuação em rede”, ressalta a enfermeira Graça Cruz, coordenadora do Centro de Referência em Banco de Leite Humano do Distrito Federal (CRBLH-DF). Representantes da Secretaria de Saúde de Cundinamarca durante capacitação no DF | Foto: Yuri Freitas/Agência Saúde DF Apesar do reconhecimento internacional, a especialista reforça que a atuação da rBLH-DF demanda um engajamento contínuo dos profissionais da SES-DF. “Essa experiência nos inspira e renova nosso compromisso diário com a busca pela excelência na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno." Políticas de amamentação e atenção neonatal O DF é referência em políticas de incentivo à amamentação e conta com 14 BLHs e sete postos de coleta. Em média, 150 a 200 recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dependem todos os meses do leite doado. Durante a semana, a comitiva colombiana pôde conhecer as diretrizes das políticas públicas de promoção do aleitamento materno. O foco maior esteve na Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) e na implementação do Método Canguru. Também foram realizadas visitas técnicas à Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 de Taguatinga, ao posto de coleta de leite humano do Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e aos BLHs do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e do Hospital Universitário de Brasília (HUB). As visitações permitiram a observação de rotinas de trabalho, fluxos operacionais e protocolos técnicos adotados em diferentes níveis da atenção à saúde. “Trata-se de um momento valioso de intercâmbio de conhecimentos, experiências e culturas, que fortalece nossa atuação em rede” Graça Cruz, coordenadora do Centro de Referência em Banco de Leite Humano do Distrito Federal (CRBLH-DF) Antes de voltar à Colômbia, o grupo internacional também se reuniu com os responsáveis técnicos de todas as unidades da rBLH-DF, no intuito de debater os passos que fizeram da capital federal autossuficiente em leite humano. Como complementação, a comitiva se encontrou, ainda, com profissionais da Assessoria de Comunicação (Ascom) da SES-DF para entender as campanhas de doação realizadas nos últimos anos. Jhon Chaparro, da SSC, fez questão de destacar o que mais chamou sua atenção na semana: “Estamos levando muitas ideias para implementar em nosso departamento. Por exemplo, a ênfase em mobilização social, em campanhas de comunicação, desde as UBSs — no acompanhamento a gestantes e crianças —, até o trabalho desenvolvido nos postos de coleta, articulado com atores da sociedade civil, como os bombeiros. Isso nos deixou impressionados." Monica Sandoval, também da SSC, elogiou o trabalho brasileiro e demonstrou interesse em reproduzir essas ações no contexto da Colômbia. “É nossa meta de política pública criar uma rede de bancos de leite humano departamental. Desejamos implementar esses centros de coleta em nosso departamento e, por isso, viemos tomar referência com os melhores." *Com informações da Secretaria de Saúde
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Doação de leite humano no DF: como ajudar os estoques neste fim de ano
Os estoques de leite materno no Distrito Federal estão em baixa, situação que, com a proximidade do fim do ano, se agrava, pois o número de doações tende a diminuir nesta época. Entre janeiro e novembro deste ano, os bancos de leite da capital federal beneficiaram cerca de 14 mil bebês internados, com a arrecadação de 18 mil litros de leite. A média mensal de doações é de 1,7 mil litros. Corpo de Bombeiros Militar do DF é parceiro assíduo na campanha de doação de leite materno, atuando nas coletas | Foto: Divulgação/CBMDF De acordo com a enfermeira Graça Cruz, coordenadora do Centro de Referência em Banco de Leite Humano do DF, novembro foi o pior mês do ano em termos de doações. “Infelizmente, houve uma queda na arrecadação, e gostaríamos de atender a demanda externa, mas dependemos da colaboração das mães do DF”, afirma. O objetivo é reduzir a mortalidade infantil e melhorar a qualidade de vida da população. O leite materno é essencial para garantir a nutrição de milhares de bebês que dependem desse alimento primordial para um desenvolvimento saudável. Como ajudar Bebês prematuros, frequentemente, têm dificuldade para sugar o leite da mãe Toda mulher saudável que esteja em período de amamentação pode se tornar uma doadora de leite materno, independentemente da idade do bebê. No DF, o recolhimento pode ser feito em casa e direcionado a uma das 14 unidades de saúde. As doações podem ser entregues diretamente nos bancos de leite, em potes de vidro com tampas plásticas (como os de cafés solúveis), mas também é possível agendar o serviço pelo telefone 160 (opção 4) ou pelo site Amamenta Brasília. Após o cadastro, uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar do DF entrega o kit de coleta e realiza o transporte até os bancos de leite. O leite coletado no DF é normalmente destinado a bebês internados nas unidades de saúde do Distrito Federal. Graça Cruz explica que bebês prematuros, com menos de 37 semanas de gestação, frequentemente têm dificuldades para sugar o leite da mãe, o que prejudica o aleitamento devido à falta de estímulo para o organismo produzir prolactina, o hormônio responsável pelo aumento da produção de leite. Bebês alimentados De janeiro a novembro de 2024, os bancos de leite do DF beneficiaram mais de 14 mil bebês, com uma média mensal de aproximadamente mil receptores de leite humano. Os bancos de leite do DF são reconhecidos como referência nacional pelo Ministério da Saúde, e Brasília é a única cidade autossuficiente em leite humano do mundo. Além de coletar, processar e distribuir o leite, essas unidades realizam campanhas para captar mais doadoras e prestam assistência à amamentação, o que também ajuda a identificar novas doadoras. “Esses bancos de leite são responsáveis pela seleção, classificação, processamento e controle de qualidade do leite humano pasteurizado, com o objetivo de reduzir a mortalidade infantil e melhorar a qualidade de vida da população”, ressalta Graça Cruz. Doações Bruna Cavalcante passou a doar leite desde que sua filha Maria Cecília nasceu, prematura: “Prometi que, enquanto eu tiver leite para doar, vou fazer isso” Este ano, mais de 6 mil mulheres se tornaram doadoras de leite, com uma média de 500 doadoras mensais. O DF conta com vários bancos e postos de coleta, em hospitais e centros de saúde. A lista completa pode ser acessada no site da Secretaria de Saúde (SES-DF). Entre os locais que recebem doações, estão os hospitais regionais da Asa Norte, Sobradinho, Samambaia, Brazlândia, Ceilândia, Taguatinga, Planaltina, Paranoá e Santa Maria, além do Hospital Materno Infantil de Brasília, a policlínica do Riacho Fundo e o posto de coleta de São Sebastião. A pedagoga Bruna Cavalcante, 27, passou a doar leite para outros bebês do DF este ano, após o nascimento Maria Cecília Santos, atualmente com 3 meses. “Eu vim para o banco de leite porque a Maria Cecília nasceu muito frágil, como se fosse prematura”, conta. “Então, nos primeiros dias, ela não mamava muito bem no meu peito e passou a receber a doação do banco para complementar a alimentação”. Os 10 ml adicionais na nutrição salvaram a vida da filha de Bruna. “Prometi que, enquanto eu tiver leite para doar, vou fazer isso”, revela a mãe. Bruna doa toda a semana, pelo menos, 350 ml para o banco de leite do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), quantidade que pode alimentar até dez prematuros por dia. “Eu não sei o que seria da minha amamentação e da minha maternidade sem o banco de leite”, afirma ela. “A minha relação com a amamentação é de amor. É muito bom saber que você consegue nutrir o seu neném. Ele cresce e se fortalece porque você está ali se dedicando.”
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