Força-tarefa do SLU recolhe 29 toneladas de lixo e devolve ruas limpas após o Carnaval 2026
A Quarta-feira de Cinzas (18) amanheceu com equipes do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU) fazendo o rescaldo nos locais que receberam os blocos de Carnaval na capital. Após dias de intensa circulação de foliões, a autarquia concluiu uma operação que mobilizou 1.200 profissionais em três turnos para garantir a limpeza permanente dos principais pontos da festa. Ao todo, foram recolhidas 29 toneladas de resíduos em todo o Distrito Federal, quase o dobro das 15 toneladas registradas em 2025. Segundo o subdiretor de Limpeza Urbana, Everaldo Araújo, a estratégia foi manter equipes posicionadas para agir imediatamente após o encerramento dos blocos. “Nós empregamos mais de 1.200 trabalhadores, em três turnos. Após o término dos blocos, as equipes já entravam de forma rápida e efetiva para entregar, no dia seguinte, todos os locais limpos”, afirmou. A agilidade do trabalho dos garis garante uma cidade limpa já na Quarta-feira de Cinzas | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília O material coletado será encaminhado às cooperativas, reforçando a renda dos trabalhadores da reciclagem. Mais foliões, mais resíduos Araújo atribui o aumento no volume recolhido à maior presença de público neste Carnaval. “Em 2025 foram 15 toneladas. Em 2026, 29 toneladas. Houve um aumento considerável de foliões”, explicou. “Foi um Carnaval bem organizado, com segurança e, principalmente, cidade limpa" Everaldo Araújo, subdiretor de Limpeza Urbana Ele relaciona o crescimento à ampliação do acesso ao transporte público por meio do programa Vai de Graça e à sensação de segurança gerada pelo planejamento integrado das forças de segurança. “O tempo ajudou, o Vai de Graça também, e a segurança foi fundamental. A população teve tranquilidade para participar dos blocos”, destacou. Para o gestor, o saldo foi positivo: “Foi um Carnaval bem organizado, com segurança e, principalmente, cidade limpa". O olhar de quem faz A gari Hillary Leal participou da operação e também integrou o bloco Vassourinhas, formado por trabalhadores do SLU. “É um momento muito bom, porque a gente vê que o nosso trabalho é notado”, disse. Hillary trabalhou na limpeza nos dois últimos anos e percebeu mudança no comportamento do público. “Teve aumento de pessoas e de lixo, mas também houve mais conscientização. A gente notou uma separação melhor dos resíduos, o que facilita o nosso trabalho.” Maria das Graças Cardoso conta com a ajuda da população na separação do lixo: "A gente corre risco com vidro e material perfurocortante. Se a população colaborar, ajuda a gente e ajuda o meio ambiente" Com 17 anos de atuação na limpeza urbana, Maria das Graças Cardoso reforça o sentimento de dever cumprido: “É gratificante devolver a cidade limpa. A gente faz o máximo que pode”. Ela faz um apelo à população: “Separar o lixo ajuda muito. A gente corre risco com vidro e material perfurocortante. Se a população colaborar, ajuda a gente e ajuda o meio ambiente”. Maria das Graças também orienta que os moradores observem os dias corretos de coleta: “Quando o lixo é colocado na hora certa, evita rasgos e retrabalho”. [LEIA_TAMBEM]Cidade limpa é cartão-postal A professora Aritane Carvalho Nascimento destacou a importância da agilidade do SLU. “Foram 29 toneladas de lixo. É muita coisa. Quando o turista chega e encontra a cidade limpa, ele consegue aproveitar a paisagem”, afirmou. Para ela, o esforço dos trabalhadores é ainda mais relevante porque ocorre enquanto grande parte da população descansa ou aproveita a festa: “Eles começaram às 4h da manhã. É um trabalho que beneficia todo mundo”.
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Coleta de lixo descartado irregularmente no DF custa R$ 5,8 milhões aos cofres públicos todos os meses
O volume de lixo e entulho descartado irregularmente que é recolhido pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU) no Distrito Federal já se equipara ao da coleta regular e gera um gasto de mais de R$ 5,8 milhões todos os meses. Levantamento do órgão mostra que mais de 2 milhões de quilos de resíduos irregulares — cerca de 2,1 mil toneladas — são retirados das vias ou áreas públicas todos os dias, quantidade próxima ao volume de lixo recolhido regularmente e encaminhado diariamente ao aterro sanitário de Brasília, estimado em aproximadamente 2,2 mil toneladas. Esse volume adicional de resíduos irregulares recolhidos diariamente pelo SLU gera impacto direto nas contas públicas, uma vez que exige a mobilização de equipes, máquinas e caminhões além da coleta regular já programada. Apenas com a remoção de lixo e entulho descartados de forma inadequada em ruas, calçadas e terrenos públicos, o Governo do Distrito Federal (GDF) desembolsa cerca de R$ 5,8 milhões por mês, considerando as operações realizadas em 2024 e 2025 — recursos que poderiam ser direcionados a outras ações de manutenção e melhoria urbana. “A população muitas vezes não tem dimensão desses números. O que a gente retira diariamente das ruas por descarte irregular equivale praticamente a toda a coleta regular que chega ao aterro sanitário. É um volume muito alto e totalmente evitável”, afirma a diretora técnica do SLU, Andreia Almeida. Apenas com a remoção de lixo e entulho descartados de forma inadequada em ruas, calçadas e terrenos públicos, o Governo do Distrito Federal (GDF) desembolsa cerca de R$ 5,8 milhões por mês | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Segundo ela, o problema vai além da questão financeira. “Esse material vai parar em bocas de lobo, redes de drenagem e corpos hídricos, provocando alagamentos, erosão do solo e impactos ambientais. Também favorece a proliferação de vetores como ratos, baratas, escorpiões e mosquitos transmissores de doenças”, explica. Infrações e fiscalização O descarte irregular de lixo e entulho é classificado como infração administrativa grave e também como crime ambiental. A fiscalização é realizada pela DF Legal, responsável pela aplicação das penalidades, que variam de R$ 122,28 a R$ 305.803,16. Além da multa, o veículo utilizado no transporte do material pode ser apreendido. A DF Legal esclarece que não possui atribuição para efetuar prisões. Em 2025, a fiscalização realizou 10.806 vistorias relacionadas ao descarte irregular de resíduos da construção civil, resultando em 1.516 notificações e 275 multas. No caso do lixo domiciliar, foram 4.985 vistorias, com 1.170 notificações e 20 multas aplicadas. As ações contam com cerca de 60 auditores e incluem tanto a verificação de planos de gerenciamento de resíduos em obras e empresas quanto fiscalizações em pontos recorrentes de descarte irregular, inclusive com apoio de registros em vídeo. Expansão dos papa-entulhos Para reduzir o descarte irregular, o GDF vem ampliando a rede de equipamentos públicos destinados ao recebimento adequado de resíduos. Atualmente, o Distrito Federal conta com 26 papa-entulhos em operação, número que deve chegar a 43 até o fim do ano, com novas inaugurações em diferentes regiões administrativas. A iniciativa se soma à rede de papa-lixos e papa-recicláveis já existente. “Hoje a população tem onde descartar. Se gerou até um metro cúbico de entulho, poda, galhada ou inservíveis, pode levar ao papa-entulho. Estamos avançando para que esses equipamentos estejam praticamente em todas as regiões do DF”, destaca Andreia Almeida. Em Ceilândia, maior região administrativa do Distrito Federal, o impacto do descarte irregular é sentido no cotidiano. O administrador regional Dilson Resende ressalta os prejuízos diretos. “Afeta a limpeza, a drenagem e aumenta o risco de insetos e doenças, como a dengue. A região tem papa-entulhos e coletas programadas, mas ainda é preciso conscientização”, afirma. Moradores da região relatam a recorrência do problema. Autônomo, Antônio Marcos da Silva destaca a importância da limpeza frequente. “É importante para evitar o mosquito da dengue, ratos e sujeira. Cada um deveria jogar o lixo no lugar certo”, diz. Já o pedreiro Francisco das Chagas dos Santos observa que, mesmo após a retirada dos resíduos, o descarte volta a ocorrer. “Eles limpam, mas depois o pessoal joga de novo. Junta inseto, rato, e fica praticamente na porta da casa da gente”, relata. Programa De Cara Nova Como parte das ações voltadas à redução do descarte irregular e à recuperação de áreas degradadas pelo acúmulo de lixo e entulho, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) também atua por meio do programa De Cara Nova. No Riacho Fundo II, um ponto que era alvo recorrente de descarte irregular passou por uma intervenção recente, com a retirada de cerca de 25 toneladas de resíduos, além do plantio de mudas de árvores, implantação de horta comunitária e criação de um Ponto de Encontro Comunitário (PEC) destinado ao convívio dos moradores. A iniciativa integra o conjunto de medidas adotadas pelo GDF para evitar a reincidência do descarte irregular, aliando limpeza urbana, uso adequado do espaço público e participação da comunidade. Segundo o SLU, a ocupação ordenada dessas áreas é fundamental para coibir novas irregularidades e ampliar a conscientização sobre o descarte correto de resíduos. “O que a gente retira diariamente das ruas por descarte irregular equivale praticamente a toda a coleta regular que chega ao aterro sanitário. É um volume muito alto e totalmente evitável”, afirma a diretora técnica do SLU, Andreia Almeida Como descartar corretamente Para entulho de obras, podas, galhadas e materiais similares, a orientação do SLU é utilizar os papa-entulhos, cujos endereços estão disponíveis no site do órgão. Caso a obra gere mais de 1 metro cúbico de entulho por dia, a legislação determina a contratação de empresa especializada, responsável pela destinação ambientalmente correta dos resíduos. No caso do lixo domiciliar, o descarte correto começa dentro de casa. A recomendação é separar os resíduos em dois grupos: recicláveis e orgânicos/rejeitos. Os recicláveis devem ser acondicionados, preferencialmente, em sacos verdes ou azuis; já os orgânicos e rejeitos, em sacos pretos ou cinza. Os dias e horários da coleta podem ser consultados no site slu.df.gov.br e no aplicativo SLU Coleta DF. Quando a coleta ocorre no período da manhã, os caminhões passam entre 7h e 15h20; no período noturno, a partir das 19h. A orientação é colocar o lixo o mais próximo possível do horário da coleta, evitando que os resíduos fiquem expostos nas vias públicas. Além da coleta convencional e da coleta seletiva porta a porta, o Distrito Federal dispõe de papa-entulhos, papa-lixos e papa-recicláveis. O uso correto desses serviços reduz custos, evita danos ambientais e contribui para uma cidade mais limpa e organizada. “A gestão de resíduos é compartilhada. Da porta para dentro, a responsabilidade é do morador. Separar e destinar corretamente não é opcional, é obrigação legal”, conclui Andreia Almeida.
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Com 58 mil toneladas de lixo processadas em 2024, DF amplia coleta seletiva em 222% desde 2020
Fundamental para a preservação do meio-ambiente, a coleta seletiva no Distrito Federal cresceu 222% nos últimos cinco anos. De acordo com o último Relatório Anual de Atividades do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), foram recolhidas 58 mil toneladas de lixo reciclável no ano passado, ante 18 mil toneladas em 2020. A alta também é verificada no aproveitamento dos resíduos, impactando a geração de renda para os catadores e a redução de matéria prima retirada da natureza. Segundo o levantamento, o índice chegou a 55% em 2024, enquanto há cinco anos era de 37%. Os materiais são separados por cooperativas em 15 pontos do SLU. O melhor aproveitamento dos resíduos tem impacto direto na geração de renda dos catadores | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília Para que os números sejam mantidos em alta, o SLU remodelou os contratos de triagem. O número de cooperativas atendidas pelo órgão passou de 20 para 31 neste ano, com participação de mais de 1.300 catadores. Houve, ainda, mudança nos pontos atendidos pela coleta seletiva porta a porta para abranger localidades que surgiram após a primeira licitação, como condomínios verticais. “Os novos contratos pagam por produção, estimulando a reciclagem de todo e qualquer tipo de material, mesmo que esteja com preço baixo de mercado”, afirma o chefe da Unidade de Sustentabilidade e Mobilização Social do SLU, Francisco Mendes. “O intuito é estimular que os catadores reciclem o máximo possível. E, para isso, precisamos também da população, porque no momento em que os resíduos com potencial de reciclagem estão dentro do lixo convencional, perdem valor, prejudicando os catadores.” Francisco Mendes: "Tem surgido uma nova possibilidade no setor, de que tudo que é material seco, com exceção do vidro, do PVC e dos metais, pode ser transformado em combustível derivado de resíduos urbanos" Entre os materiais que não têm valor de mercado atrativo para reciclagem, mas que devem ser separados na origem e pelos profissionais, estão as sacolas de mercado e sacos de lixo. “Tem surgido uma nova possibilidade no setor, de que tudo que é material seco, com exceção do vidro, do PVC e dos metais, pode ser transformado em combustível derivado de resíduos urbanos (CDRU), que tem um valor perene durante todo o ano, independente do mercado, e é usado por cimenteiras na Fercal”, pontua Mendes. [LEIA_TAMBEM]A medida é benéfica para a longevidade do aterro sanitário, já que menos resíduos não reciclados são enviados para o equipamento. “Conseguimos aumentar a vida útil do aterro e geramos economia para o Estado em termos de operação. Além de que quanto mais a gente conseguir tirar da separação, menos matéria-prima retiramos do meio ambiente, gerando outra cadeia de economia”, explica o especialista. Os recicláveis que são descartados na coleta convencional também passam por separação. O trabalho é feito nas Usinas de Tratamento Mecânico Biológico e, assim como ocorreu com a coleta seletiva, apresentou números positivos no último ano. Em 2024, houve a separação de 14,6 mil toneladas de materiais, mais que o dobro do registrado em 2020, quando foram 6 mil toneladas. Outra atribuição do SLU que beneficia a população e o meio-ambiente é a reciclagem dos resíduos orgânicos. Nas usinas de Tratamento Mecânico Biológico (UTMB) do P Sul e da Asa Sul, os rejeitos são revertidos em compostos orgânicos e doados para pequenos produtores rurais. De 2020 para 2024, a produção passou de 62 mil toneladas para 85 mil toneladas. Uma tarefa de todos Mara Maria de Jesus: "Não conseguimos um bom valor de mercado por causa da falta de qualidade, os equipamentos ficam sobrecarregados e a renda dos catadores é diretamente impactada" Fazer a separação correta do lixo é uma tarefa simples e beneficia milhares de pessoas que dependem da catação para sustentar famílias. “Sem a separação correta na origem, chega muito material orgânico misturado, dificultando a triagem para nós, que estamos na ponta. Não conseguimos um bom valor de mercado por causa da falta de qualidade, os equipamentos ficam sobrecarregados e a renda dos catadores é diretamente impactada”, aponta a presidente da cooperativa Plasferro, no P Sul, Mara Maria de Jesus. A tesoureira da cooperativa, Leiliane Cardoso, endossa o discurso de que a população deve separar os resíduos, no mínimo, entre secos e orgânicos para garantir o bem-estar dos catadores. “Todo dia é um desafio para nós porque nem sempre o material vem limpo e quando não vem separado, tem um valor mais baixo, o que prejudica a renda dos catadores. Papel branco, papelão, tudo isso quando está sujo, perde valor”, comenta. “Se todas as pessoas separassem corretamente os materiais, nos ajudaria muito porque a catação é a única fonte de renda da maioria aqui.” Leiliane Cardoso: "Se todas as pessoas separassem corretamente os materiais, nos ajudaria muito porque a catação é a única fonte de renda da maioria aqui" Ao lidar com resíduos secos, que incluem materiais como papel, plástico, vidro e metais, é importante limpar o excesso de conteúdo dos recipientes antes de descartá-los. Isso evita a contaminação com restos de alimentos ou outros materiais de origem orgânica. Outra dica importante é estar sempre atento aos dias e horários da coleta seletiva e convencional, que ocorrem em períodos distintos. Para isso, a população conta com um importante aliado: o aplicativo SLU Coleta DF. A plataforma oferece ao cidadão a localização dos equipamentos públicos mais próximos e permite acompanhar, em tempo real, a localização do caminhão que ficará responsável pelo recolhimento do lixo na sua região.
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