No Dia Mundial do Câncer, diagnóstico rápido devolve tempo e esperança a pacientes do DF
Aos 31 anos, André Luiz Bezerra viu a rotina virar do avesso. Trabalhando na pista do Aeroporto de Brasília, ele começou a sentir um incômodo na região do rosto e, em pouco tempo, constatou a suspeita de câncer. O diagnóstico foi rápido. O impacto, profundo. A expectativa inicial era simples: resolver tudo com uma cirurgia. André chegou a ser internado e aguardava o procedimento quando novos exames mudaram completamente o rumo da história. Os médicos identificaram metástase no pulmão, quando a doença se espalha para outros órgãos. A cirurgia foi descartada. O tratamento precisaria começar o quanto antes. Veio a alta hospitalar e, com ela, o medo da espera. “Quando a gente recebe um diagnóstico desses, cada dia conta”, resume André. Foi nesse momento que a agilidade do programa “O Câncer não espera. O GDF também não” fez a diferença. Chamado para a primeira consulta, André iniciou a quimioterapia e deu sequência ao tratamento. Hoje, é acompanhado pelo Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e realiza sessões de radioterapia no Hospital Anchieta, unidade privada conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do programa. “O que mais me marcou foi não me sentir sozinho. Ser atendido rápido muda tudo”, diz. Gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), o HBDF foi o primeiro serviço da rede pública a realizar a avaliação inicial dos pacientes que se enquadravam nos critérios do programa | Foto: Divulgação/IgesDF Menos espera, mais chance de cura A história de André se repete em milhares de atendimentos no DF. Lançado em julho de 2025, o programa do Governo do Distrito Federal (GDF), executado pela Secretaria de Saúde (SES-DF), mudou a lógica do atendimento oncológico no SUS: reduziu filas, acelerou diagnósticos e antecipou o início do tratamento. Dados da SES-DF, divulgados no site oficial do programa, mostram que o tempo médio de espera para a primeira consulta oncológica caiu de cerca de 80 dias para 15, uma redução superior a 80%. A fila de pacientes aguardando atendimento também diminuiu de forma expressiva: de mais de 1.500 pessoas para cerca de 194, com tendência contínua de queda. “O tempo, que historicamente sempre foi um dos maiores inimigos de quem enfrenta o câncer, passou a ser tratado como prioridade absoluta na rede pública do Distrito Federal”, afirma o secretário de Saúde, Juracy Lacerda. “A elaboração e implantação de uma linha de cuidado oncológica estruturada permitiu avanços concretos na organização do acesso, na integração das etapas assistenciais e na continuidade do tratamento, reduzindo atrasos, qualificando a resposta clínica e ampliando os ganhos assistenciais para a população." Hospital de Base O Hospital de Base do Distrito Federal teve papel decisivo na implantação do programa. Gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), o HBDF foi o primeiro serviço da rede pública a realizar a avaliação inicial dos pacientes que se enquadravam nos critérios do programa. Segundo o chefe do Setor de Oncologia do hospital, Victor Oliveira, a avaliação inicial foi essencial para organizar o atendimento. “Nosso papel foi identificar o perfil dos pacientes que poderiam ser atendidos na rede privada conveniada ao SUS, especialmente aqueles com chance de cura”, explica. Durante quatro meses, o Hospital de Base realizou 403 avaliações iniciais, direcionando os pacientes para tratamento na rede pública ou para hospitais e clínicas particulares conveniadas ao SUS, conforme o perfil clínico. Atualmente, a avaliação inicial passou a ser realizada exclusivamente pela Oncoclínicas, conveniada ao SUS, e o atendimento é organizado de forma compartilhada entre a rede pública, os serviços conveniados e a Secretaria de Saúde. “O tempo, que historicamente sempre foi um dos maiores inimigos de quem enfrenta o câncer, passou a ser tratado como prioridade absoluta na rede pública do Distrito Federal” Juracy Lacerda, secretário de Saúde do DF Além da avaliação inicial, o Hospital de Base ampliou sua capacidade de atendimento. Entre julho e dezembro de 2025, foram realizadas 810 consultas de primeira vez, mais de 12 mil consultas de retorno, 5.214 sessões de quimioterapia ambulatorial e 289 quimioterapias em regime de internação. “Houve ampliação de vagas ambulatoriais, aumento de leitos e maior volume de atendimento na sala de quimioterapia”, detalha Victor. “Agora, seguimos alinhados com as equipes cirúrgicas para dar continuidade ao tratamento dos pacientes.” Atenção aos sinais No Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é uma das principais armas contra a doença e destacam a importância de procurar atendimento médico diante de sinais persistentes ou fora do padrão. Perda de peso sem causa aparente, sangramentos anormais, nódulos, feridas que não cicatrizam, tosse prolongada, alterações intestinais e dores contínuas estão entre os principais alertas. “Nem todo sintoma é câncer, mas todo sinal persistente precisa de avaliação médica”, orienta o oncologista Victor Oliveira. A recomendação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Havendo suspeita clínica ou exame sugestivo, o paciente é inserido em fila única pela Central de Regulação do DF, responsável por organizar os encaminhamentos e atendimentos especializados, e passa por avaliação especializada. A partir da definição de prioridade, o tratamento é iniciado na rede pública ou em serviços credenciados. Para quem vive o diagnóstico de um câncer, o impacto é devastador. “Assusta muito, mas esperar sem resposta assusta ainda mais”, diz André Luiz Bezerra. “Começar o tratamento rápido me deu força para enfrentar e ter esperança”, desabafa. *Com informações do IgesDF
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Profissionais do Hospital de Base realizam oficina de lenços com pacientes oncológicos
A data de 4 de fevereiro celebra o Dia Mundial do Câncer, uma campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientização da população sobre a importância da prevenção e o diagnóstico precoce da doença. Porém, poucos sabem que também se comemora, nessa data, o Dia do Lenço. Pensando na importância da peça para pacientes de câncer, o Serviço de Saúde Funcional do Hospital de Base (HBDF), com o apoio dos profissionais assistenciais da equipe multiprofissional da oncologia, promoveu uma oficina de lenços, que ensinou amarrações variadas, e a entrega de um fôlder com o passo a passo da técnica. “O lenço é um símbolo da luta contra o câncer. Ele representa a solidariedade e o apoio às mulheres que estão enfrentando a doença. Além disso, o lenço também simboliza a esperança e a resiliência dessas guerreiras”, afirma a chefe do Serviço de Saúde Funcional, Agda Ultra. Na oficina, as pacientes puderam aprender várias técnicas de amarração de lenços, peça que, além de enfeitar, resgata a autoestima das mulheres com câncer | Fotos: Divulgação/IgesDF O evento também contou com uma sessão de capoterapia, vertente da capoeira que utiliza elementos para a prática de atividade física adaptada e orientada aos idosos. Criada em 1998 pelo brasiliense mestre em capoeira Gilvan Alves de Andrade, a técnica adaptou os movimentos da modalidade esportiva e musical às necessidades das pessoas que geralmente não tinham o hábito de praticar atividades físicas. “Pacientes oncológicos enfrentam desafios emocionais significativos. Eventos como esses oferecem apoio e conforto, ajudando a aliviar o estresse e a ansiedade da doença e do processo de internação e isolamento social, favorecendo a reintegração social e o resgate da autoestima”, explica Agda. O evento deixou as pacientes oncológicas entusiasmadas e emocionadas As pacientes reagiram de forma positiva ao evento, demonstrando entusiasmo e interesse em aprender a fazer os amarrados de lenço, e participaram das práticas da capoterapia. Durante a oficina, elas se mostraram emocionadas, animadas e motivadas, compartilhando experiências e histórias. Muitas expressaram gratidão e satisfação com a experiência, destacando a importância de momentos como esse para o seu bem-estar emocional. “Ações como essas demonstram que o Hospital de Base e a equipe de saúde estão comprometidos em apoiar seus pacientes de uma forma abrangente, abordando não somente os aspectos físicos, mas também os emocionais e psicológicos”, finalizou Agda. *Com informações do IgesDF
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Dia Mundial do Câncer: Hospital de Base realizou mais de 34 mil atendimentos em 2024
O dia 4 de fevereiro foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial do Câncer. O momento serve como uma forma de alertar e informar a população sobre a prevenção a todos os tipos de câncer, uma doença que hoje atinge, aproximadamente, 20 milhões de pessoas por ano no mundo todo. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Distrito Federal pode ter, entre 2023 e 2025, por volta de 7.330 novos casos por ano, o que daria quase 22 mil novos casos. Em Brasília, o Hospital de Base do Distrito Federal é referência do Serviço Único de Saúde para o atendimento de oncologia clínica e cirúrgica. Apenas em 2024, foram realizados 1.786 procedimentos cirúrgicos de oncologia e de especialidades que também tratam câncer como mastologia, ginecologia, ortopedia, cirurgia torácica, cirurgia de cabeça e pescoço e cirurgia geral. Em Brasília, o Hospital de Base do Distrito Federal é referência do Serviço Único de Saúde para o atendimento de oncologia clínica e cirúrgica | Fotos: Divulgação/IgesDF Além disso, foram realizados, entre janeiro e dezembro de 2024, 34.093 atendimentos oncológicos no ambulatório do Hospital de Base e mais de 11.800 sessões de quimioterapia oncológica. Também foram realizadas mais de 7.300 sessões de quimioterapia da onco-hematologia (leucemia). O Hospital de Base tem, hoje, o maior serviço de oncologia do Distrito Federal e é credenciado pelo Ministério da Saúde como Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon). “Isso significa que aqui são tratados todos os tipos de câncer, tanto com quimioterapia quanto com radioterapia e também com cirurgias. O HBDF é o único hospital público que consegue oferecer esse tratamento completo para todos os tipos de câncer que existem”, explica Daniel da Motta Girardi, chefe da Oncologia do Hospital de Base. A importância da prevenção O câncer, como todos sabem, é uma doença muito agressiva e, muitas vezes, fatal. Por isso, quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de sucesso. “É muito importante ter essa conscientização da população e que ela fique atenta e procure imediatamente os estabelecimentos de saúde em caso de algum sintoma e faça os acompanhamentos preventivos. No caso da mulher, a mamografia e o exame de Papanicolau, e no caso da população adulta em geral, exames de colonoscopia e check-ups em geral”, lembra Girardi. O Hospital de Base tem, hoje, o maior serviço de oncologia do Distrito Federal e é credenciado pelo Ministério da Saúde como Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) Girardi lembra, ainda, que o diagnóstico precoce do câncer está inserido no SUS de forma geral dentro da atenção primária. “A porta de entrada é nas Unidades Básicas de Saúde, no postinho, onde você faz as primeiras consultas e recebe os pedidos de exames de rastreamento. É lá que acontece a investigação inicial”, explica. O Hospital de Base, por ser uma unidade de atendimento terciário, vai receber o paciente já no momento de realizar o tratamento com o diagnóstico definido. O Hospital de Base oferece hoje o tratamento completo para os pacientes com câncer, tanto em termos de internação, tratamento ambulatorial, cirurgias oncológicas, radioterapia e quimioterapia, além de tratamentos sistêmicos também. “Além disso, nós temos equipes multidisciplinares, com profissionais de nutrição, fisioterapia, enfermagem, cuidados paliativos, entre outros, que fazem toda uma rede necessária de multidisciplinaridade para o atendimento do paciente com câncer”, conta Girardi. Seguindo em frente O paciente diagnosticado com câncer sabe que vai ter pela frente, uma verdadeira batalha. É o caso de Regina Souza Bispo, que realiza seu tratamento no Hospital de Base. Mesmo tendo realizado cinco mamografias, só teve a confirmação de que o seu câncer era maligno depois de uma biópsia. “Primeiro, fiz a cirurgia, depois passei com um oncologista e fiz sessões de quimioterapia. E hoje terminei as 15 sessões de radioterapia”, comemora. Regina descreveu os desafios enfrentados no tratamento. “Não é fácil receber um diagnóstico de câncer. O processo de cura é muito cansativo e desgastante. Tem dias que você está feliz, chora, e no outro dia levanta disposta a vencer, vivendo um dia de cada vez, porque não tem outro jeito a não ser esse. Você precisa enfrentar. É importante ficar tranquila, calma, procurar ser feliz, não ficar chorando, porque o câncer adora gente infeliz. Quanto mais você chora, mais você alimenta ele, mais sua imunidade baixa. Então, é importante procurar passear, ficar com a família, fazer coisas que fazem bem, comer bem, fazer uma caminhada, praticar esporte. Todas essas coisas ajudam você a dar um passo de cada vez, rumo à sua cura”, lembra Regina. Sobre a importância do Dia Mundial do Câncer, Regina ressalta que os casos de câncer de mama, como o dela, têm aparecido em mulheres cada vez mais jovens. “Não tem mais idade. Antes, era comum aparecer em mulheres de 40, 45 anos. Hoje, está em meninas de 20 anos, até menos. Então, é essencial sempre se observar. Se perceber algo diferente, faça exames. Não se satisfaça com um único diagnóstico, procure investigar bastante. Se eu tivesse parado no primeiro diagnóstico, talvez quando fosse procurar tratamento, já não teria mais solução. Vá ao médico, procure um ginecologista, faça exames periódicos. Porque tudo que é descoberto no começo é mais fácil de ser tratado. Se deixar avançar, fica mais complicado”, reforça. Regina fez questão de elogiar o tratamento que recebe no Hospital de Base. “Os médicos daqui são maravilhosos. O atendimento deles é humanizado, eles têm paciência, explicam tudo, pedem exames, cuidam de você e se preocupam. Passei o Natal internada aqui, e todos os médicos que me atenderam foram muito atenciosos. Tenho gratidão por isso”, lembra, emocionada. Regina agora vai seguir com os exames periódicos e realizar o acompanhamento. “Tenho de tomar uma medicação pelos próximos cinco anos. Em breve devo ser chamada para realizar a reconstrução da mama. Enquanto isso, sigo trabalhando e vivendo minha vida. Não tem outra maneira de viver se não for pela fé. Você precisa acreditar que cada dia será bom e que é possível vencer os medos”, finaliza. *Com informações do IgesDF
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