Redes de assistência social, educação e trabalho garantem ao DF o topo em ranking de desenvolvimento humano
O Distrito Federal alcançou o topo do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil em 2024, com a marca histórica de 0,866, e conquistou a faixa de "muito alto desenvolvimento humano", acima do resultado nacional (0,805). Esse índice não é apenas uma estatística fria em um relatório. Por trás dos números que medem saúde, educação e renda estão milhares de vidas que encontram na rede de proteção e incentivo do Governo do Distrito Federal (GDF) a força necessária para reescrever as próprias histórias. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Samambaia Sul chega a atender quase 30 mil famílias por ano “Para as famílias que mais precisam, as políticas sociais talvez sejam as únicas formas de garantir o mínimo, como a comida na mesa" Giselle Ferreira, secretária de Desenvolvimento Social Giselle Ferreira, secretária de Desenvolvimento Social Entre 2021 e 2024, o índice brasiliense teve avanço de 0,043, ou 5,2%, quando ficou em 0,823. Em 2012, o resultado do DF era de 0,824. O IDHM, uma adaptação do índice global para avaliar a realidade das unidades federativas e municípios, avalia o bem-estar e o progresso de longo prazo da população. A escala varia de 0 a 1 e é calculada com base no desempenho em três dimensões fundamentais do desenvolvimento humano: a garantia de uma vida longa e saudável (longevidade e saúde), o acesso ao conhecimento (educação) e um padrão de vida decente (renda e trabalho). O Radar IDHM 2024 é o documento com os dados mais recentes. A publicação é elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para sustentar esse topo e transformar o vigor econômico em bem-estar social nas regiões administrativas, o GDF atua de forma integrada: a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) lidera uma rede de proteção com programas inovadores como o Cartão Prato Cheio e o DF Social, que garantem segurança alimentar e dignidade; a Secretaria de Educação impulsiona os índices educacionais com a menor taxa de analfabetismo do país e o avanço histórico do programa Alfaletrando, que já alfabetizou 65% das crianças até o 2º ano; enquanto a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Trabalho e Renda (Sedet) fecha o ciclo de desenvolvimento humano, ao fomentar a autonomia financeira por meio da capacitação profissional do QualificaDF e da revitalização comunitária do RenovaDF. Gerente do Cras de Samambaia Sul, Paolo Sousa: "Há famílias que tinham uma condição precária de alimentação e, hoje, após o Prato Cheio, têm dignidade na alimentação” Luz no fim do túnel A cozinheira Diana Patrícia Moura sabe bem o que esse amparo significa. Diagnosticada com uma doença grave em outubro do ano passado, ela se viu impossibilitada de trabalhar. Sem renda, morando de aluguel e focada no tratamento médico, o medo da fome bateu à porta. A resposta veio por meio do Cartão Prato Cheio, que garante R$ 250 mensais para a compra de alimentos a 130 mil famílias no DF, em 18 parcelas. "Vai ajudar muito, porque tem que pagar aluguel, né? Fora o aluguel, o mais caro é a comida. Então, vai ser bem-vindo", desabafa a moradora de Samambaia Sul, agora com a tranquilidade de ter o alimento garantido durante sua luta pela saúde. O diferencial de acolher os cidadãos nos momentos mais críticos e garantir o mínimo para recomeçar é o que sustenta essa ampla rede de apoio. A secretária de Desenvolvimento Social, Giselle Ferreira, explica que para muitas pessoas o Estado é a única porta possível a bater. “Para as famílias que mais precisam, as políticas sociais talvez sejam as únicas formas de garantir o mínimo, como a comida na mesa, com o benefício do Cartão Prato Cheio, o Cartão Gás e o DF Social, que complementam a renda e reduzem o impacto nos orçamentos dessas pessoas”. Tamires Nigre, mãe de recém-nascida, sentiu o alívio de ter a alimentação da família assegurada pelo Prato Cheio O amparo, no entanto, não se restringe à transferência de renda, mas exige um olhar humanizado que atua na raiz do bem-estar social. “Seja com um pernoite no Hotel Social para garantir dignidade e oportunidades para outras políticas públicas ou com acompanhamento adequado dos Cras, além de garantir direitos, essas políticas socioassistenciais reconstroem vidas e também previnem vulnerabilidades e reduzem as mazelas, melhorando a qualidade de vida para toda a população do DF”, complementa a secretária. "A gente foi a uma consulta da neném e precisa de um remedinho, que não tenho como comprar neste momento. Mas, quando vier, esse benefício vai dar uma ajuda" Tamires Negre, dona de casa, mãe de recém-nascida Essa reconstrução de vidas busca, acima de tudo, construir uma ponte para a autonomia. Tamires Negre, mãe de uma recém-nascida de apenas 22 dias, vive em uma casa com seis pessoas e já sentiu o alívio de ter a alimentação da família assegurada pelo Prato Cheio. Agora, a dona de casa precisa da Bolsa Natalidade, que oferece kit com enxoval e R$ 200 para famílias vulneráveis, para ajudar nas despesas com a bebê. "Ajuda muito. A gente foi a uma consulta da neném e precisa de um remedinho, que não tenho como comprar neste momento. Mas, quando vier, esse benefício vai dar uma ajuda", relata a moradora de Samambaia Norte, que encontra na rede de assistência um amparo para o desgaste físico e mental da maternidade. Nas trincheiras do atendimento diário, gestores testemunham essas transformações de perto. Paolo Sousa, gerente do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Samambaia Sul — unidade que chega a atender quase 30 mil famílias por ano —, explica a dimensão desse impacto. "Há famílias que tinham uma condição precária de alimentação e, hoje, após o Prato Cheio, têm dignidade na alimentação”, relata. Autonomia e desligamento dos benefícios O objetivo central, no entanto, é devolver a independência aos cidadãos. O diretor se emociona ao contar sobre as famílias que pedem o desligamento voluntário dos benefícios porque alcançaram a autonomia. “O nosso trabalho gera frutos", comemora. Ele relembra o agradecimento recente de uma mãe atendida na unidade: "Ela falou: 'Muito obrigado, porque vocês, enquanto equipamento público, nos proporcionaram acesso ao estudo'. Com o dinheiro que ela recebia, ela se qualificou, conseguiu pagar um estudo mínimo para a filha, que depois passou em um concurso”, conta Sousa. Avanço alcançado pelas famílias depois de receber desmistifica preconceito de muitas pessoas sobre os programas sociais Para o diretor, o avanço real dessas pessoas desmistifica qualquer preconceito sobre os programas sociais. "Isso tira a ideia que, infelizmente, muitas pessoas têm de que quem recebe algum benefício fica acomodado. Não, isso não existe. Hoje os números mostram a diferença. Os programas de transferência de renda trazem, sim, autonomia para que essas famílias consigam sair da insegurança alimentar e gerir a própria vida", completa. Educação é o pontapé inicial Para que as famílias consigam dar esse salto definitivo, a base educacional é imprescindível. Hoje, o DF tem a menor taxa de analfabetismo do país para maiores de 15 anos e pode celebrar a marca de 65% das crianças alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental, índice que supera a meta nacional. "Cada estudante que permanece na escola e conclui sua trajetória educacional representa um avanço concreto para o desenvolvimento humano do DF” Iêdes Soares Braga, secretária de Educação interina Ao refletir sobre como essas salas de aula constroem a liderança do DF no desenvolvimento humano, a secretária de Educação interina, Iêdes Soares Braga, enfatiza que o conhecimento é o principal instrumento de transformação social e desenvolvimento humano. “Quando ampliamos o acesso à escola, fortalecemos a alfabetização, garantimos a permanência dos estudantes e investimos na formação profissional, estamos impactando diretamente a qualidade de vida da população." Os avanços educacionais do Distrito Federal refletem não apenas em melhores indicadores de escolaridade, mas também em mais oportunidades, geração de renda, inclusão social e perspectivas de futuro para nossos jovens. Cada estudante que permanece na escola e conclui sua trajetória educacional representa um avanço concreto para o desenvolvimento humano do DF”, avalia a secretária. Novos capítulos [LEIA_TAMBEM]Com cidadãos amparados e educados, as portas do mercado se abrem, completando o ciclo virtuoso que impulsiona o IDHM. Apenas nos primeiros meses de 2026, as agências do Trabalhador disponibilizaram quase 25 mil vagas de emprego. Em paralelo, o vigor econômico se comprova nos números do programa Emprega DF, programa de incentivo do GDF que dá benefícios fiscais a empresas que investem, mantêm e geram emprego no DF. Além de alcançar firmas já instaladas na capital federal, a iniciativa procura atrair novos empreendimentos e, assim, alavancar a economia local. Entre 2019 e 2024, houve aumento superior a 3.200% na geração de empregos diretos (saltando de 321 para 10.608 postos), além de crescimento dos investimentos de empresas, de R$ 37,1 milhões para R$ 189,3 milhões. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet), Thales Mendes, explica a engrenagem por trás dessa economia pulsante: “O Distrito Federal tem se consolidado como um lugar cada vez mais atrativo para viver, trabalhar e investir. Além da localização estratégica e da diversidade econômica, o DF conta com pessoas empreendedoras e dispostas a aproveitar novas oportunidades. A expectativa é seguir ampliando a geração de empregos, fortalecendo os negócios locais e levando mais qualificação profissional para todas as regiões administrativas. Quando criamos oportunidades perto de onde as pessoas vivem, impulsionamos o desenvolvimento e melhoramos a qualidade de vida de toda a população".
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Hotel Social supera 21 mil acolhimentos nos primeiros meses de 2026
Ao longo dos seus 45 anos, Alex Damasceno já viveu em diversas cidades do Brasil e do mundo. A mais recente foi Aracaju (SE), de onde saiu após enfrentar problemas financeiros. “Pensei: ‘A única oportunidade que eu tenho é ir para Brasília, que é um centro econômico, um centro de oportunidades, tentar fazer a vida’”, lembra. Na capital federal, porém, ele voltou a ficar sem dinheiro. Foi então que encontrou um lugar que lhe abriu as portas: o Hotel Social, equipamento da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) que oferece pernoite gratuito a pessoas em situação de vulnerabilidade. “Realmente o equipamento funciona, ele te dá a oportunidade de você pensar, de criar uma estratégia e ver como você vai sair, o que você vai fazer daqui para a frente. Eu digo que é um trampolim para quem chega desorientado, chega descapitalizado, chega perdido, da forma que seja. Ninguém vai te tratar diferente conforme você chegou, de onde você veio. Vai ser atendido como todo mundo, tratado com dignidade e com respeito. E depois a equipe técnica vai te abordar para ver o que eles também podem fazer para te ajudar de alguma forma a sair dessa situação e se reencontrar, se recolocar no âmbito social, de ter um trabalho, um lugar para morar. O que ele te proporciona é exatamente isso: um respiro digno para você recomeçar”, conta Alex, que hoje conseguiu um emprego e já não dorme mais no local. Alex Damasceno já foi acolhido pelo Hotel Social: "Realmente o equipamento funciona, ele te dá a oportunidade de você pensar, de criar uma estratégia e ver como você vai sair, o que você vai fazer daqui para a frente" | Fotos: Matheus Borges/Agência Brasília A história dele não é única. Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, o Hotel Social registrou 21 mil acolhimentos. Desde a criação, em julho do ano passado, o total de atendimentos já supera os 50 mil. O espaço funciona diariamente, das 19h às 8h, para que até 200 pessoas em situação de vulnerabilidade possam passar a noite. Além de cama e cobertor para dormir, os acolhidos têm direito a banho quente e duas refeições — jantar e café da manhã. O equipamento ainda é um dos únicos do país a aceitar animais de estimação, contando com um espaço reservado para eles. “Quem está em situação de rua também quer um lugar bom para dormir, com segurança, tranquilidade, sem tanto barulho, sem tanta perturbação. Quer um lugar para poder se alimentar e dormir, e para ter dignidade. Essas pessoas precisam desse serviço pela dignidade que ele oferece”, aponta Daura Meneses, diretora dos Serviços de Acolhimento da Sedes, que também destaca outras ações promovidas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) voltadas à população em situação de rua. “O Distrito Federal tem se destacado por meio do Plano Distrital para a População em Situação de Rua, uma iniciativa que realmente é de extrema importância.” O local é gerido pelo Instituto Mãos Solidárias, organização contratada por meio de licitação. De acordo com a presidente da entidade, Juliana Alves, desde a abertura do Hotel Social, 105 pessoas acolhidas no equipamento foram reinseridas no mercado de trabalho. “Nós temos uma equipe técnica, psicólogos, assistentes sociais, que fazem esse encaminhamento, tanto para empregos quanto para outros estados, no caso daqueles que vieram de fora e desejam voltar. Para nós, é gratificante. Esse é o intuito do instituto: acolher e dar oportunidade”, pontua. Grato por ser uma dessas pessoas, Alex Damasceno agora dá um conselho para quem enfrenta a mesma situação que ele viveu. “Se você precisar de um espaço, de dignidade, de respeito, de se sentir querido de alguma forma, venha para cá. Eu não precisei ficar na rua, mas ouvi relatos de pessoas aqui de que a rua não é um lugar muito bom. Então, se você está passando por alguma necessidade, procure o equipamento, que eles vão te orientar e, com certeza, vai haver uma condição para você poder se hospedar enquanto procura uma reorganização da vida.” O Hotel Social funciona diariamente, das 19h às 8h, para que até 200 pessoas em situação de vulnerabilidade possam passar a noite, com direito a cama, cobertor, banho quente e duas refeições Política distrital O Distrito Federal foi a primeira unidade da Federação a apresentar um plano de política pública após a suspensão das ações de abordagem à população em situação de rua pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações de acolhimento começaram a ser implementadas após uma fase de testes em maio de 2024, quando o GDF realizou visitas na Asa Sul e em Taguatinga, atendendo cerca de 50 pessoas com assistência social e oferta de serviços públicos. Em 27 de maio de 2024, o GDF oficializou o Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua. Desde então, ocorrem ações semanais em diversos pontos do Distrito Federal. Os órgãos do governo já passaram por regiões como Plano Piloto, Vila Planalto, Taguatinga Norte e Sul, Ceilândia, Águas Claras e Arniqueira. Em julho de 2025, a governadora Celina Leão, então em exercício, assinou decreto que criou o programa Acolhe DF. A iniciativa propõe busca ativa e oferta de tratamento a pessoas em situação de rua com dependência de drogas ilícitas, álcool e tabaco, criando uma linha de atendimento específica e ampliando as ações já existentes do GDF voltadas a esse público.
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Ação de acolhimento atendeu a 47 pessoas em situação de rua no DF na última semana
Entre os dias 20 e 25 de janeiro deste ano, 47 pessoas foram atendidas pelo Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua do Governo do Distrito Federal (GDF), coordenado pela Casa Civil. As equipes, com a participação integrada de secretarias e órgãos do governo, atuaram em diferentes áreas do Plano Piloto, Taguatinga e Guará, totalizando 18 pontos de intervenção. Ao longo de toda a semana, as ações resultaram na desconstituição de 34 estruturas precárias e na remoção de nove caminhões de entulho, consolidando o trabalho integrado do GDF no atendimento à população em situação de rua. O secretário da Casa Civil e coordenador do plano de ação integrada, Gustavo Rocha, afirmou que a pasta atua na articulação entre os diferentes órgãos do GDF para garantir que as ações sejam coordenadas, efetivas e respeitosas, oferecendo alternativas de acolhimento e proteção social. “Esse trabalho representa uma resposta concreta a uma realidade complexa, com foco na dignidade das pessoas e na efetivação de políticas públicas que vão além da emergência, promovendo reinserção, cuidado e cidadania”, declarou. Ao longo de toda a semana, as ações resultaram na desconstituição de 34 estruturas precárias e na remoção de nove caminhões de entulho, consolidando o trabalho integrado do GDF no atendimento à população em situação de rua | Foto: Arquivo/Agência Brasília Durante as abordagens, as equipes do GDF oferecem diversos serviços públicos que incluem saúde, educação, assistência social, orientação sobre cuidados com animais de estimação e benefícios como deslocamento interestadual — além de um auxílio excepcional de R$ 600 para aqueles sem condições de pagar aluguel. Também são disponibilizadas vagas em abrigos e programas de qualificação profissional, como o RenovaDF, e cadastro para unidades habitacionais. Participam dos trabalhos os profissionais das secretarias de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), de Saúde (SES-DF), de Educação (SEEDF), de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) e de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF). Também atuam agentes da Segurança Pública (SSP-DF), das polícias Militar e Civil, do Corpo de Bombeiros Militar, do Conselho Tutelar, da Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal), do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), da Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab) e do Departamento de Trânsito (Detran-DF). “Esse trabalho representa uma resposta concreta a uma realidade complexa, com foco na dignidade das pessoas e na efetivação de políticas públicas que vão além da emergência, promovendo reinserção, cuidado e cidadania” Gustavo Rocha, secretário-chefe da Casa Civil e coordenador do Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua Balanço da semana Na terça-feira (20), a ação ocorreu em quatro pontos no Plano Piloto, onde oito pessoas foram encontradas e atendidas pelas equipes. Durante a operação, foram retiradas sete estruturas precárias, construídas com lonas e madeiras. Ao final do dia, houve a remoção de dois caminhões de entulho, com os materiais inservíveis encaminhados para a Unidade de Recebimento de Entulho (URE). Já na quarta-feira (21), as equipes atuaram em três pontos do Plano Piloto, situados no Setor de Quadras Sul (SQS) 904 e Setor Comercial Sul (SCS). Durante as abordagens, oito pessoas receberam atendimento e quatro estruturas precárias foram removidas, além de um caminhão de entulho. Na quinta-feira (22), a operação ocorreu em dois pontos no Guará: na QE 38 e na QE 36. No total, sete pessoas foram atendidas e cinco estruturas precárias foram desconstituídas, com um caminhão de entulho sendo encaminhado à URE. Na sexta-feira (23), as equipes passaram por três pontos em Taguatinga, onde 12 pessoas foram atendidas e 8 estruturas precárias foram removidas, além de dois caminhões de resíduos. Dando continuidade ao cronograma, no sábado (24), quatro pontos no Plano Piloto foram alvos da ação: o Setor Hoteleiro, a SQN 601 e as SQNs 908 e 916. Nos locais, oito pessoas foram acolhidas pelas equipes e dez estruturas precárias foram removidas, além de dois caminhões de entulho. Para encerrar o fim de semana, no domingo (25), o trabalho foi realizado em dois pontos no Plano Piloto, onde quatro pessoas foram atendidas e dois caminhões de entulho saíram dos locais. Abordagem ampliada O Distrito Federal foi a primeira Unidade da Federação a apresentar um plano de política pública após a suspensão das ações de abordagem à população de rua pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações de acolhimento começaram a ser implementadas após uma fase de testes em maio de 2024, quando o GDF promoveu visitas na Asa Sul e em Taguatinga, atendendo a cerca de 50 pessoas com assistência social e oferta de serviços públicos. [LEIA_TAMBEM]Em julho de 2025, a vice-governadora Celina Leão, então em exercício como governadora, assinou decreto que lançou o programa Acolhe DF, que propõe busca ativa e oferta de tratamento a pessoas em situação de rua com vício em drogas — tanto as ilícitas quanto álcool e tabaco —, criando uma linha de atendimento a essas pessoas e, consequentemente, aprimorando as ações já existentes do GDF voltadas a esse público. Também em 2025, Brasília recebeu o primeiro hotel social da capital da República, destinado a acolher e abrigar a população em situação de rua. O equipamento oferece 200 vagas para pernoite e recebe também animais de estimação. Só na primeira semana, foram registrados mais de mil acolhimentos no local. Além disso, desde 2022, o GDF promove, em períodos de baixas temperaturas, a chamada Ação Contra o Frio, com oferta de espaços públicos para pernoite de pessoas em situação de rua. Apenas neste ano, a unidade aberta na Asa Sul registrou 6,6 mil atendimentos. No local, também são oferecidos casacos e cobertores arrecadados por meio da campanha Agasalho Solidário, da Chefia-Executiva de Políticas Sociais.
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Primeiro Hotel Social do Distrito Federal ultrapassa a marca de 30 mil acolhimentos em cinco meses
Desde a inauguração, em julho de 2025, o Hotel Social já acolheu 30.793 pessoas em situação de rua, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), responsável pelo equipamento. A unidade oferece 200 vagas pernoite para homens, mulheres, crianças e idosos, além de espaço para receber os animais de estimação das pessoas acolhidas. Em funcionamento das 19h às 8h, os visitantes contam com um ambiente confortável, camas para dormir, espaço para guardar pertences, tomar banho e duas refeições: jantar e café da manhã. A biblioteca comunitária inaugurada em novembro destaca os espaços de interação e convívio social que contribuem para a autonomia e a construção de vínculos. A unidade está localizada no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN). "O Hotel Social representa o fortalecimento da Política Distrital para a População em Situação de Rua. Um espaço pensado para acolher e garantir a dignidade assegurada por lei a essas pessoas. O equipamento é a principal porta de entrada para políticas públicas de longa duração voltadas a quem vive em extrema vulnerabilidade. Ultrapassar a marca de 30 mil atendimentos confirma a importância desse espaço e a confiança dessas pessoas depositada em nosso governo", afirmou o secretário-chefe da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha. A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, enalteceu a atuação da unidade inédita no DF e a importância dela no processo de saída das ruas dos acolhidos nos pernoites. Em funcionamento das 19h às 8h, os visitantes contam com um ambiente confortável, camas para dormir, espaço para guardar pertences, tomar banho e duas refeições: jantar e café da manhã | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília “O Hotel Social tem cumprido o papel de ser mais uma porta de entrada para garantir a dignidade das pessoas em situação de rua e transformar suas vidas. De lá, pessoas já conseguiram emprego, outras foram acolhidas em uma de nossas casas de acolhimento, outras foram encaminhadas para comunidades terapêuticas… Ou seja, o Hotel Social também tem nos ajudado a entender melhor esse público tão heterogêneo no sentido de termos soluções diferentes para os variados problemas que apresentam”, pontuou Ana Paula. Pets Desde sua criação, o abrigo conta com um canil para receber os pets dos acolhidos, e nos primeiros cinco meses em funcionamento, já recebeu mais de 500 pets das pessoas em situação de rua. O espaço foi pensado para atender as demandas dos acolhidos que utilizam o serviço e precisam acomodar seus animais de estimação em segurança enquanto descansam. Os cidadãos que desejarem ajudar e contribuir para o funcionamento do Hotel Social podem participar realizando doações de livros, roupas e itens de higiene, entregues diretamente no local, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. *Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF)
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Hotel Social integra rede do GDF e leva acolhimento e segurança para pessoas em situação de rua
Inaugurado em julho pelo Governo do Distrito Federal (GDF), o primeiro Hotel Social do Distrito Federal é administrado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) e já ultrapassou 30 mil acolhimentos noturnos. O espaço funciona das 19h às 8h, oferece 200 vagas e recebe também os animais de estimação das pessoas acolhidas. Coordenador do Plano Distrital para a População em Situação de Rua, o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, explica que o Hotel Social integra um conjunto de ações desenvolvidas pelo GDF para permitir que as pessoas saiam das ruas com condições reais de autonomia. O espaço funciona das 19h às 8h, oferece 200 vagas e recebe também os animais de estimação das pessoas acolhidas | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Segundo ele, a política representa uma ruptura com práticas anteriores. “Não adianta ver uma pessoa em situação de rua e apenas retirá-la dali. Tirava de um lugar e ela ia para outro. A ideia do plano distrital é dar condições para que a pessoa possa sair da rua. O êxito do programa é fazer com que ela tenha onde dormir, onde trabalhar e como reconstruir a própria vida.” Rocha destaca que o plano foi elaborado com base em estudo técnico conduzido pela Casa Civil e mais sete órgãos do governo. “Foi feito o mapeamento, o perfil dessas pessoas e o levantamento do que faltava ser oferecido. Moradia, local para ficar à noite, qualificação técnica, escola para os filhos e até local para deixar os animais de estimação”, afirma. Ele reforça que aceitar animais não foi detalhe, mas necessidade identificada. “Quando abordávamos as pessoas, muitas se recusavam a ficar em acolhimento porque não tinham onde deixar seus cachorros. Eu mesmo tenho sete. Se estivesse na rua e não tivesse onde levá-los, eu também não iria.” Para ele, o Hotel Social cumpre exatamente esse papel. “As vagas ficam praticamente lotadas todos os dias. Já atendemos a mais de 30 mil pessoas há poucos meses. A ideia do governador é abrir outras unidades em outras regiões para que mais pessoas tenham onde dormir.” O secretário-chefe da Casa Civil também faz uma síntese da função estratégica do equipamento: “O foco não é tirar da rua. O foco é acolher. Acolher e dar condições para que as pessoas possam sair da rua.” Maicon Gonçalves é um dos acolhidos do Hotel Social Atendimento diversificado O serviço atende diferentes perfis: idosos, mulheres, crianças e pessoas em tratamento contra dependência química. Há cama, banho quente, guarda de pertences, ventiladores, jantar e café da manhã. Em novembro, o espaço ganhou também uma biblioteca comunitária, com livros para leitura e empréstimo. A unidade faz parte da rede de apoio do GDF, que inclui o Centro Pop, a concessão de passagens interestaduais para quem deseja retornar ao estado de origem, refeições gratuitas nos restaurantes comunitários, além de programas de qualificação e emprego como o RenovaDF e o QualificaDF. Dormir com segurança O Hotel Social nasceu como resposta emergencial durante a pandemia de Covid-19, quando o GDF abriu dois alojamentos provisórios para acolher pessoas em situação de rua durante o fechamento do comércio. A lotação rápida mostrou que o pernoite poderia ser porta de entrada para outros serviços. A partir dessa experiência, o edital foi lançado e, em julho, a primeira unidade passou a funcionar de forma contínua. A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, explica que o pernoite aproxima quem ainda não está pronto para ingressar em casas de acolhimento. “O pernoite melhora a adesão”, diz. Para ela, dormir em segurança abre caminho para tratamento, reconstrução de vínculos familiares, alimentação gratuita, retorno para a cidade natal e inclusão produtiva. “A assistência garante o mínimo para que a pessoa tenha dignidade e esperança.” “Na rua, já dormi e acordei sem mochila, sem chinelo, sem documento. Já sofri agressões por ser homossexual e por estar na rua. Aqui, eu consigo dormir sem medo" Maicon Gonçalves, acolhido A vida antes do Hotel Social Entre os acolhidos está Maicon Gonçalves, que veio de Goiás para estudar e trabalhar, mas não conseguiu manter aluguel e faculdade. Depois de perder o emprego, passou dois meses nas ruas de Taguatinga. “Por ficar dois meses na rua, eu peguei pneumonia e depois agravou para uma tuberculose.” Ele relata que a falta de endereço formal bloqueia qualquer chance de trabalho. “Se você está na rua, mesmo com currículo bom, não consegue emprego. Se você dá o endereço do Centro Pop ou da casa de passagem, não chamam para a vaga.” Dormir no Hotel Social mudou sua capacidade de se reorganizar. “Aqui dá para acordar, tomar banho, comer e tentar um emprego no outro dia.” Ele destaca ainda que no hotel, se sente mais seguro. “Na rua, já dormi e acordei sem mochila, sem chinelo, sem documento. Já sofri agressões por ser homossexual e por estar na rua. Aqui, eu consigo dormir sem medo.” Maicon comenta ainda sobre o atendimento humanizado do hotel. “Aqui você consegue falar e ser ouvido. Eles tratam a gente como pessoa.” Para ele, o acolhimento somado à estrutura faz toda a diferença. “A cama é quentinha, a coberta é cheirosa, tem ventilador quando esquenta, água gelada, e a comida é feita na hora.” Planos para o futuro Maicon reorganiza suas metas após recuperar a saúde. “Quero voltar para o mercado de trabalho, cuidar da minha saúde emocional e medicamentosa, e ter uma base familiar. Família pode ser quem te estende a mão.” Para ele, o Hotel Social representa uma pausa na violência e no ciclo da rua. “Muita gente deixou alguma coisa quando escolheu estar aqui dentro. Só de ter segurança e gente que te trata como pessoa, isso quebra o ciclo da rua.” Olhar individualizado e continuidade Ana Paula afirma que cada caso exige resposta diferente. “Se você tem 100 pessoas em situação de rua, você vai ter 100 histórias distintas.” A partir do pernoite, podem ocorrer encaminhamentos para tratamento, passagens interestaduais, refeições gratuitas, vagas reservadas em obras públicas, cursos de qualificação e benefício excepcional de aluguel por até seis meses. Para Gustavo Rocha, essa integração é central. “A porta de entrada é o acolhimento, mas a saída depende de trabalho. Sem emprego, as pessoas continuarão na rua. O foco é qualificar, acolher e dar condições para trabalhar.” Ele destaca que as ações já têm resultados mensuráveis. “Só nesse período empregamos mais de 200 pessoas”, afirma. Sobre a política de retorno familiar, ele acrescenta: “Em 2024, mais de mil pessoas voltaram para suas cidades de origem. Este ano já estamos perto de 800 passagens. É a pessoa que decide. É direito de ir e vir.” Rocha resume o impacto das iniciativas: “Você vê gente chorando porque conseguiu um lugar para morar e um trabalho depois de passar o ano inteiro na rua. Isso mostra que o programa está funcionando.” "Você vê gente chorando porque conseguiu um lugar para morar e um trabalho depois de passar o ano inteiro na rua. Isso mostra que o programa está funcionando" Gustavo Rocha, secretário-chefe da Casa Civil e coordenador do Plano Distrital para a População em Situação de Rua Doações O Hotel Social recebe doações de roupas, livros e itens de higiene pessoal. As entregas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, no SAAN/SIA, Trecho 17, Conjunto 3.
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Hotel Social ultrapassa 20 mil acolhimentos noturnos e inaugura biblioteca para acolhidos
O primeiro Hotel Social do Distrito Federal, administrado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), ultrapassou a marca de 20 mil acolhimentos noturnos desde a inauguração, em julho. O espaço, que também recebe animais de estimação dos acolhidos, representa um novo modelo de acolhimento humanizado para pessoas de todas as idades. Foram realizados 20.105 acolhimentos em pouco mais de três meses de funcionamento. O Hotel Social tem se tornado um apoio especialmente para pessoas idosas, que já somam mais de 8,6 mil acolhimentos nesse período. Também há registro de atendimentos a mulheres, pessoas trans, crianças e até 277 animais de estimação que acompanharam seus tutores. Nesta semana, o Hotel Social ganhou mais um reforço: a inauguração de uma biblioteca comunitária, que permite aos acolhidos ler dentro do espaço ou levar os livros emprestados, incentivando o hábito da leitura e o acesso ao conhecimento. Hotel Social ultrapassou a marca de 20 mil acolhimentos noturno desde a inauguração, em julho | Foto: Divulgação/Sedes “O Hotel Social é sobre recomeços. Aqui, cada pessoa é chamada pelo nome, é vista, escutada e acolhida com respeito. O olhar atento, o olho no olho, é o que transforma o atendimento em uma nova chance. E agora, com a biblioteca, queremos abrir mais uma porta, a da leitura e do conhecimento, caminhos fundamentais para a autonomia”, destaca a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra. “O Hotel Social é sobre recomeços. Aqui, cada pessoa é chamada pelo nome, é vista, escutada e acolhida com respeito. O olhar atento, o olho no olho, é o que transforma o atendimento em uma nova chance" Ana Paula Marra, secretária de Desenvolvimento Social Além de garantir hospedagem segura, alimentação e acompanhamento técnico especializado, o Hotel Social também possibilita que os cidadãos participem ativamente dessa corrente solidária. Doações de livros, roupas e itens de higiene podem ser entregues diretamente no local, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (Saan), localizado na região do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Trecho 17, conjunto 3. Desde sua criação, o Hotel Social tem contribuído para a ampliação da rede de acolhimento do DF e reforça a atuação intersetorial do GDF no enfrentamento à situação de rua, com foco na reinserção social e construção de autonomia dos acolhidos. O serviço funciona das 19h às 8h, com 200 vagas para pernoite. No local, os acolhidos tem cama limpa para dormir, espaço para guardar pertences, banho quente, além de receber duas refeições: jantar e café da manhã. *Com informações da Sedes-DF
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Acolhe DF encaminha pessoas em situação de rua para comunidades terapêuticas e abre caminho para novas histórias
Na mochila de Antônio (nome fictício) cabiam apenas um par de roupas, alguns trocados e a vontade de recomeçar. Serralheiro de profissão e adestrador de cavalos por vocação, o rapaz está determinado a deixar para trás uma vida marcada pelo encontro com as drogas e pela dor da separação da família. “Meu maior sonho hoje é sair das drogas. Eu estou dando o primeiro passo e o apoio do governo vai me ajudar muito nesse objetivo”, disse, ao lado de outros sete colegas em situação de rua do Hotel Social, que aceitaram voluntariamente o acolhimento proposto pelo Governo do Distrito Federal (GDF) em uma comunidade terapêutica conveniada. Antônio (nome fictício) aceitou o acolhimento proposto pelo GDF para iniciar sua luta contra as drogas: "Eu estou dando o primeiro passo e o apoio do governo vai me ajudar muito nesse objetivo” | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília A iniciativa faz parte do Acolhe DF, coordenado pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), que oferece tratamento de até 12 meses a pessoas em situação de rua com dependência química. O programa reúne equipes multiprofissionais de saúde, assistência social, cidadania e educação em um trabalho que combina acolhimento e dignidade. Desde julho, quando foi reestruturado pelo Decreto nº 47.423, já foram realizadas mais de 300 abordagens, e cerca de 50 pessoas aceitaram ser encaminhadas para uma das seis comunidades terapêuticas conveniadas. Para a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, o Acolhe DF é hoje uma referência nacional. “O programa garante que pessoas em situação de rua encontrem no Estado a força que faltava para dar o pontapé e sair desse momento. É uma chance real de reescrever uma nova história e salvar vidas”, afirma. Ela lembra ainda que a inauguração do Hotel Social, em julho, ampliou a adesão do público ao permitir o pernoite junto aos animais de estimação, o que tem facilitado o trabalho de busca ativa feito pelas pastas do GDF. O secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, coordenador do Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua no Distrito Federal, aponta que a transferência dos acolhidos para uma comunidade terapêutica é uma mostra da integração das iniciativas do GDF para esse público. “Dentro da Política Distrital para a População em Situação de Rua, o Acolhe DF reforça nosso compromisso de unir saúde, assistência social e cidadania em um trabalho verdadeiramente integrado. Esse programa mostra que é possível desenvolver políticas públicas efetivas quando diferentes áreas do governo atuam de forma articulada e com sensibilidade. Cada encaminhamento, cada atendimento, é uma chance de transformar uma realidade e abrir caminhos para que essas pessoas tenham um futuro mais digno e com novas oportunidades de reintegração social”, reforça Gustavo Rocha. A chegada ao Centro de Reintegração Deus Proverá (CRDP), em Planaltina, representa mais do que um tratamento: é o início de um processo de reconstrução. Lá, os acolhidos recebem acompanhamento terapêutico, participam de atividades de formação, têm acesso a cuidados de saúde e oportunidades de capacitação para retornar ao mercado de trabalho. “O grande desafio é convencê-los a aceitar e mostrar que essa é uma boa opção para eles, porque muitos ainda estão sob efeito das substâncias quando a gente aborda. Por isso voltamos duas, três vezes, até que estejam lúcidos e dispostos. O acolhimento só acontece de forma voluntária”, explica o subsecretário de Enfrentamento às Drogas da Sejus, Diego Moreno. Marcela Passamani, titular da Sejus-DF: “O governo tem avançado para oferecer não só tratamento, mas também qualificação profissional, vagas de emprego e moradia digna” Com o apoio e as políticas públicas traçadas pelo GDF, histórias como a de Antônio ganham cada vez mais visibilidade. É o caso de Patrick Rodrigues, de 31 anos, hoje estudante universitário. Ele testemunha que a mudança é possível: “Cheguei aqui com a vida destruída, estava em situação de rua, no uso e abuso de álcool e drogas. Hoje sou voluntário do centro, faço faculdade e tenho como propósito de vida cuidar das pessoas, assim como fui cuidado um dia, aqui neste mesmo lugar”. A secretária Marcela Passamani reforça que esse é apenas o começo. “O governo tem avançado para oferecer não só tratamento, mas também qualificação profissional, vagas de emprego e moradia digna. É um conjunto de políticas públicas voltadas a devolver autonomia e cidadania às pessoas em situação de rua”, destaca. Patrick Rodrigues, ex-dependente químico: “Hoje sou voluntário do centro, faço faculdade e tenho como propósito de vida cuidar das pessoas, assim como fui cuidado um dia, aqui neste mesmo lugar” Hotel Social O primeiro equipamento permanente da capital da República destinado ao pernoite de pessoas em situação de rua prestou mais de 3,1 mil atendimentos desde a inauguração, em 23 de julho, até o último dia 18. Criado e mantido pelo GDF, o Hotel Social garante noites de sono tranquilas, com segurança e conforto, para pessoas de todas as idades, acompanhadas de seus animais de estimação. O serviço funciona das 19h às 8h e oferece 200 vagas para pernoite, incluindo banho quente e duas refeições — jantar e café da manhã. Também são disponibilizados ônibus para quem deseja chegar ao hotel, saindo do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), na Asa Sul. Em menos de um mês, o Hotel Social já prestou mais de 3,1 mil atendimentos, oferecendo um local confortável para dormir, além da possibilidade de tomar um banho quente e fazer duas refeições Política pública integrada Sob coordenação do secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, o Distrito Federal foi a primeira unidade da Federação a apresentar um plano de política pública após a suspensão das ações de abordagem à população de rua pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações de acolhimento começaram a ser implementadas após uma fase de testes em maio de 2024, quando o GDF promoveu visitas na Asa Sul e em Taguatinga, atendendo cerca de 50 pessoas com assistência social e oferta de serviços públicos. [LEIA_TAMBEM]Em 27 de maio de 2024, o Executivo local tornou oficial o Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua. Desde então, ocorrem ações semanais em diversos pontos do Distrito Federal. Já foram contempladas regiões como Plano Piloto, Vila Planalto, Taguatinga Norte e Sul, Ceilândia, Águas Claras e Arniqueira. Além do Hotel e do Acolhe DF, desde 2022 o governo promove, em períodos de baixas temperaturas, a chamada Ação Contra o Frio, com oferta de espaços públicos para pernoite de pessoas em situação de rua. Apenas neste ano, a unidade aberta na Asa Sul registrou 6,6 mil atendimentos. No local, também foram oferecidos casacos e cobertores arrecadados por meio da campanha Agasalho Solidário, da Chefia-Executiva de Políticas Sociais. Esse público também tem direito a refeições gratuitas em todos os restaurantes comunitários. Café da manhã, almoço e jantar são oferecidos sem custo. O número de refeições servidas a pessoas em situação de rua subiu de 200 mil em 2021 para 1,2 milhão em 2024.
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Política para atender pessoas em situação de rua é tema de videocast
A boa adesão da população em situação de rua ao Hotel Social e a importância do trabalho dos centros de referência para população em situação de rua (Centros Pop) e das equipes de abordagem social na garantia de direitos desse público foram alguns dos temas tratados em um videocast especial lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) nesta quinta-feira (21), no canal da pasta no YouTube. Em alusão ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, comemorado em 19 de agosto, o Papo Social foi produzido em formato de entrevista para detalhar as ações da Sedes-DF no atendimento a esse público. Segundo o subsecretário de Assistência Social da pasta, Coracy Chavante, é importante que a política para a população em situação de rua seja diversificada, porque são diferentes questões que levam essas pessoas a morar na rua. O Hotel Social é um dos projetos mais recentes da Sedes-DF | Renato Raphael/Sedes “Temos um plano distrital que tem uma série de ações justamente para atender essa complexidade. Não é simples atender a população em situação de rua. Na verdade, é um dos maiores desafios do Estado, porque eles romperam vínculos familiares, comunitários. A partir desse plano, já conseguimos o feito histórico, por exemplo, de lançar um edital para ampliar o acolhimento institucional em até duas mil vagas, incluindo o serviço de abrigo e o pernoite, que é o Hotel Social. Hoje, conseguimos fazer uma regulação mais ajustada à população que está nesse contexto, por meio do aprimoramento da central de vagas”, explicou o gestor, em entrevista ao canal do YouTube da Sedes. Coracy Chavante falou sobre os equipamentos que atendem esse público: “Temos o Centro Pop, referência de atendimento socioassistencial durante o dia. Já o pernoite é uma estadia provisória durante a noite. E o abrigo institucional que é ofertado pela Sedes tem uma diferença, porque ele tem uma regulação de vagas a partir do público, que, não necessariamente, são pessoas em situação de rua. No abrigo contra o frio, tivemos uma história interessante: uma pessoa veio a Brasília fazer o curso de formação da Polícia Militar, não conseguiu ficar na casa de um amigo e ficou desabrigada. Ela foi atendida na nossa unidade.” “Temos de estar onde as pessoas vão demandar atendimento" Coracy Chavante, subsecretário de Assistência Social Foto: Luma Lima/Sedes Na entrevista, o subsecretário destacou um estudo prévio para definir onde vai ser instalado cada serviço ofertado. “Temos de estar onde as pessoas vão demandar atendimento. O pernoite, por exemplo. O ideal é que ele fique nas regiões centrais, onde tem maior concentração de pessoas em situação de rua. O Centro Pop fica no Plano Piloto pelo mesmo motivo, conforme mostrou pesquisa qualitativa recente que nós fizemos em parceria com o IPEDF [Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal]. E não adianta só deslocar pessoas em situação de rua de um local para o outro, precisamos atuar de forma efetiva”, enfatizou. [LEIA_TAMBEM]Coracy Chavante destacou o trabalho do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas): “A abordagem social não retira as pessoas dos espaços públicos. O profissional faz o atendimento daquela pessoa para estabelecer um vínculo, uma relação de confiança, para conhecer aquela história. Um caso recente que atendemos foi de uma pessoa de Sobradinho que estava na rua por um conflito familiar e estava morando na rua. Foi preciso fazer uma intervenção para entender também o contexto daquela família. O Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social] foi acionado para atuar junto à família e intervir para construir uma solução. Nenhuma ação é simples quando se fala em população em situação de rua, precisamos, de fato, ir à fundo, entender a história, os vínculos, a condição efetiva porque, a partir daí, vamos construir um plano para que a pessoa saia daquela vulnerabilidade”. O Papo Social é veiculado nas redes sociais da Sedes-DF com um resumo das notícias de destaque da pasta. O programa, que está na edição 98, foi reformulado para formato de videocast a ser divulgado no YouTube com entrevistas que aprofundam temas importantes dentro da política de assistência social. *Com informações da Sedes-DF
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Saiba como funciona o serviço de acolhimento institucional do DF
Você sabe como funciona o serviço de acolhimento institucional no DF? O Governo do Distrito Federal (GDF) tem, hoje, cerca de 90 unidades de acolhimento gerenciadas pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) e indiretamente pela rede parceira, que inclui ainda o Hotel Social. Dessas, 19 são somente para famílias e mulheres distribuídas pelas regiões administrativas. Pessoas em situação de vulnerabilidade contam com diferentes canais de atendimento da Secretaria de Desenvolvimento Social | Fotos: Renato Raphael/Sedes-DF Trata-se de uma rede de acolhimento institucional, mas as unidades não são iguais e funcionam de forma diferente, separadas por públicos, de acordo com perfil, idade, gênero e condições especiais - se é pessoa com deficiência, por exemplo. Esses espaços não recebem somente pessoas em situação de rua; o acolhimento é voltado também para pessoas em situação temporária de desabrigo ou que estejam passando por violências ou violação de direitos. Há que atendem somente mulheres, pessoas cis e transgêneros; que recebem somente crianças e adolescentes; que atendem somente famílias de mães e crianças, idosos, jovens, pessoas com deficiência e as que atendem só homens e famílias. Casas de passagem “Esses locais são instalados em regiões que ofereçam viabilidade para que esses acolhidos tenham vida integrada à sociedade. Os locais são escolhidos após estudo prévio que leva em conta o público acolhido nessas unidades, se são crianças, idosos, famílias” Ana Paula Marra, secretária de Desenvolvimento Social Normalmente, a população escuta os termos albergue, abrigo, casas de passagem. Mas você sabe a diferença entre cada um? No DF, não existe “albergue” no acolhimento institucional. Abrigos e casas de passagem são unidades de acolhimento que funcionam como uma espécie de residência para pessoas em situação de desabrigo temporário, por calamidade ou não - o que não necessariamente configura se se trata de pessoa em situação de rua. Esses locais têm vagas pré-estabelecidas e atendem pequenos grupos. Os acolhidos são encaminhados após triagem na Central de Acolhimento. “Isso significa que uma região que tem uma unidade de acolhimento não vai atrair pessoas em situação de rua pelo simples fato de estar lá”, explica a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra. “As unidades já têm o número de acolhidos estabelecidos, ou seja, não vai haver aglomeração de pessoas na região, porque eles não terão acesso ao acolhimento dessa forma.” O tempo de permanência na instituição varia de acordo com a modalidade de acolhimento e do público atendido, prossegue a gestora. “Esses locais são instalados em regiões que ofereçam viabilidade para que esses acolhidos tenham vida integrada à sociedade. Os locais são escolhidos após estudo prévio que leva em conta o público acolhido nessas unidades, se são crianças, idosos, famílias. As unidades têm que ser instaladas em áreas onde não haverá impacto na comunidade”. Pontos de apoio Essas unidades de acolhimento têm funcionamento diferente do Hotel Social, que oferece um pernoite por dia, com capacidade para 200 atendimentos. “O Hotel Social, sim, é voltado para população em situação de rua, garantindo a eles uma dignidade noturna; é onde eles têm acesso a duas refeições por dia [café da manhã e jantar], cama, banho quente, cobertor e espaço para seus animais de estimação”, detalha a secretária. Com funcionamento das 19h às 8h, as vagas abrem diariamente. O Centro de Referência para a População de Rua (Centro Pop) não faz parte do serviço de acolhimento institucional do GDF. É uma unidade da Sedes-DF que serve de ponto de apoio para esse público, que funciona somente durante o dia e onde as pessoas em situação de rua recebem atendimento socioassistencial, podendo guardar os pertences, tomar banho, emitir documentos pessoais, ter acesso a benefícios e ser encaminhadas para políticas da assistência social, como o serviço de acolhimento institucional, e de outras áreas, como saúde e emprego e renda. O DF tem dois centros Pop - um na Asa Sul e outro em Taguatinga. Rede de acolhimento Fluxograma de atendimento O encaminhamento para o serviço de acolhimento institucional é feito somente pela Central de Acolhimento, avalia e direciona o usuário para o local adequado. Para acionar a central, os interessados devem procurar as unidades socioassistenciais, como os centros Pop e as unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e do Centro de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). No Hotel Social, o cidadão pode solicitar pessoalmente um pernoite Órgãos públicos externos, como o Ministério Público e a Defensoria Pública do DF, também podem acionar a Central de Acolhimento, assim como as equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas), que fazem acompanhamento in loco da população em situação de rua. Somente no pernoite, no Hotel Social, o cidadão pode solicitar o acolhimento noturno diretamente. [LEIA_TAMBEM]Em todas as unidades de acolhimento do DF, os acolhidos são acompanhados por uma equipe socioassistencial e têm acesso a benefícios - como o Auxílio-Aluguel - e serviços da assistência social e de outras áreas, recebendo também acompanhamento de saúde. As equipes contam com cuidadores e orientadores sociais. O objetivo do serviço é oferecer suporte integral para que eles tenham autonomia. Essas unidades de acolhimento, diferentemente de equipamentos públicos como o Centro Pop ou o Hotel Social, são casas familiares, sem fachada ou identificação. Os acolhidos têm que respeitar, obrigatoriamente, as regras do local, da vizinhança, com horário para entrar e sair, para fazer as refeições e não podem usar drogas. Para saber mais sobre o serviço e as unidades de acolhimento de execução direta, acesse o site da Sedes-DF. *Com informações da Sedes-DF
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