Atendimentos ortopédicos no Hospital de Base passam de 10 mil em quatro meses
Referência em ortopedia e traumatologia para casos de média e alta complexidade no Distrito Federal, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) mantém alta produtividade mesmo diante da crescente procura por atendimentos e cirurgias. Em 2025, a unidade realizou 2.943 cirurgias ortopédicas e mais de 30 mil atendimentos de urgência e emergência na especialidade. Entre janeiro e abril deste ano, já foram contabilizados 850 procedimentos cirúrgicos e mais de 11,5 mil atendimentos. Os números refletem o volume de pacientes atendidos pelo serviço de trauma do hospital, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), que recebe pacientes regulados de diferentes regiões do DF e do Entorno. Segundo o chefe do serviço de Ortopedia do HBDF, Laércio Scalco, a unidade opera acima da capacidade inicialmente planejada para a especialidade, principalmente devido ao perfil dos casos atendidos. “O Hospital de Base é referência para traumas graves e procedimentos ortopédicos de alta complexidade. Recebemos pacientes vítimas de acidentes de trânsito, quedas, fraturas complexas e outras situações que exigem atendimento especializado e imediato. Isso gera uma procura muito elevada e dinâmica”, explica. Entre janeiro e abril deste ano, já foram contabilizados 850 procedimentos cirúrgicos e mais de 11,5 mil atendimentos | Fotos: Divulgação/IgesDF Ele destaca que, mesmo diante desse cenário, o hospital mantém o funcionamento contínuo das cirurgias e dos atendimentos. “As equipes trabalham diariamente para garantir assistência aos pacientes mais graves e dar continuidade aos procedimentos programados. Existe um esforço permanente para otimizar salas cirúrgicas, fluxos e internações”, afirma. Assistência contínua Os indicadores da ortopedia do Hospital de Base mostram a dimensão da assistência prestada diariamente pela unidade. Em 2025, foram registradas mais de 2,6 mil internações ortopédicas, com média de permanência hospitalar de sete dias nos casos de traumatologia. A maior parte dos pacientes atendidos é formada por adultos entre 30 e 69 anos, principalmente vítimas de fraturas, acidentes e traumas graves. Os dados da unidade mostram, ainda, um crescimento contínuo da procura pela especialidade. No ano passado, o hospital registrou média superior a 2,5 mil atendimentos ortopédicos mensais, entre urgência, emergência e ambulatório. Esses números reforçam o papel estratégico do Hospital de Base na assistência ortopédica da rede pública de saúde do DF, mesmo diante do crescimento contínuo da procura pelos serviços. O diretor de Atenção à Saúde do IgesDF, Edson Gonçalves, reforça que a ortopedia está entre as especialidades de maior demanda na rede pública e exige organização permanente das equipes assistenciais. “Estamos falando de uma especialidade que funciona sem interrupção. O Hospital de Base recebe casos complexos e isso naturalmente impacta o volume de atendimentos. Ainda assim, a unidade mantém elevada capacidade assistencial, com monitoramento diário das cirurgias e dos leitos para garantir segurança e continuidade do cuidado”, pontua. Recuperação e recomeço Manuel da Silva convivia com dores há 16 anos e colocou uma prótese no quadril no último sábado (23) Por trás dos números da ortopedia do Hospital de Base estão histórias de pacientes que voltaram a recuperar movimentos, autonomia e qualidade de vida. Uma delas é a do aposentado Manuel da Silva, de 69 anos, que colocou uma prótese no quadril no último sábado (23). Ele conta que convivia com dores há 16 anos e aguardava pela cirurgia havia bastante tempo. “Eu fui avisado num dia, e no outro eu já estava aqui fazendo raio-x. E, para minha surpresa, operei no mesmo dia”, relata. Em recuperação, Manuel destaca o atendimento recebido pelas equipes da unidade. “Está tudo uma belezinha, não tenho do que reclamar. Os médicos são excelentes, são caras muito bacanas”, avalia. A expectativa dele agora é retomar a rotina sem dor e com mais qualidade de vida após o implante da prótese. “Agora vou conseguir andar normal. Me disseram que só não vou poder carregar peso, mas, na minha idade, eu já nem devia fazer isso”, brinca. Além das cirurgias, o HBDF também mantém acompanhamento ambulatorial e atendimento contínuo aos pacientes ortopédicos, incluindo reabilitação e monitoramento pós-operatório. *Com informações do IgesDF
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Projeto social traz alívio para pacientes com infecção óssea
Um projeto implantado pela equipe da Unidade de Ortopedia para tratar infecção óssea está mudando a vida de pacientes no Hospital de Base (HB). Mais de 40 já foram beneficiados pela nova técnica. Joeri Alves, 45 anos (foto abaixo), é um deles. Depois de noites inteiras sem dormir por causa de uma dor intensa na perna, ele foi diagnosticado com osteomielite, uma infecção no fêmur. O alívio só chegou após ser submetido ao tratamento que conta com uma abordagem inovadora e de forte caráter social. Davidyson Damasceno/Iges-DF “Acordei com uma dor muito forte que teve continuidade nos dias seguintes. Se eu me deitasse, uma hora depois já estava de pé, porque sentia muita dor. Passava a noite pulando da cama para o sofá na tentativa de um cochilo. Graças a Deus esse sofrimento acabou. Hoje durmo a noite inteira”, relatou. O cirurgião da Unidade de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de Base Mário Soares foi quem operou o paciente e teve a iniciativa de implementar o projeto. Ele explicou que conheceu essa abordagem fora do Brasil e que ela promove a cura em mais de 90% dos casos. “O mundo inteiro tem dificuldade de tratar essa infecção. Essa técnica existe há alguns anos em parte da Europa e nos Estados Unidos. Aprendi o tratamento na Alemanha e trouxe esse conhecimento para o Brasil. Com o apoio do Hospital de Base, preparamos a equipe e compramos o material para colocá-la em aplicação”, ressaltou. O cirurgião esclarece que já foram beneficiados mais de 40 pacientes com a nova técnica e faz questão de reforçar que os ganhos para os pacientes são diversos, principalmente nas esferas social, pessoal e econômica. “ Eles sofrem muito, durante um bom tempo, sem uma solução definitiva para o caso. São inúmeros dias internados, várias cirurgias sem sucesso e uso de antibióticos por longos períodos, além de todos os efeitos colaterais” disse. Mário Soares relata, ainda, que muitos pacientes acabam abandonando o emprego e tendo sempre uma história de sofrimento familiar. “Esse projeto de luta contra a osteomielite é a grande oportunidade desses pacientes e a grande contribuição do Hospital de Base para a comunidade do DF. Além de representar uma medida coerente e inteligente para economia de recursos que poderão ser destinados a outros tipos de tratamentos. Nosso objetivo é curar essa doença da maneira mais rápida e eficiente possível”, destacou. O diretor-presidente do Iges-DF, Francisco Araújo, elogia a técnica que está sendo utilizada e ressalta a importância desse projeto para “a diminuição do tempo de internação, do número de cirurgias por paciente, além da redução de gastos com antibióticos e de tratamentos que não resultam em sucesso”. Francisco Araújo também destacou o aspecto social do projeto e o trabalho multidisciplinar feito pelos profissionais de saúde do Hospital de Base. Bactéria O projeto consiste em algumas etapas importantes. Antes de tudo, é identificada a bactéria causadora da infecção para melhor definição do antibiótico. Posteriormente, é feita a cirurgia. Durante a operação, o médico limpa o local para retirada de todos os tecidos infectados e dos implantes ortopédicos, quando for o caso. Depois, são colocados os implantes ortopédicos. O cuidado com as partes moles, que são peles e tecidos ao redor, é responsabilidade da equipe de cirurgia plástica. Posteriormente é feita a cirurgia geral. O tratamento cirúrgico pode ser realizado em um tempo, quando na mesma cirurgia é retirado o tecido infectado e inserida a prótese ou outro material. A segunda opção consiste em fazê-la em dois tempos, quando se opta por retirar o tecido morto, aguardar a recuperação e realizar uma segunda cirurgia em até 60 dias para inserção da prótese. “A indicação do tipo de tratamento cirúrgico dependo de cada caso. Fazemos sempre o que é melhor para o paciente. O resultado é parecido, mas a vantagem é que em um tempo é mais cômodo para o paciente e permite uma otimização do tempo das salas cirúrgicas”, explicou. Davidyson Damasceno/Iges-DF O médico ressaltou que é de grande importância também a atendimento multidisciplinar. O paciente é atendido por enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos, farmacêuticos clínicos, infectologistas, geriatra, técnicos de enfermagem e de gesso, assistentes sociais, além de cirurgião plástico, que cuidam do paciente em todas as esferas. Doença A osteomielite é a infecção do osso causada por uma bactéria que provoca gradativamente a morte do tecido. A bactéria pode chegar aos ossos pela corrente sanguínea. Pacientes que sofreram fraturas, principalmente, as expostas também podem ter a infecção, já que muitas vezes o osso entra em contato com terra, asfalto e outras superfícies que têm bactérias. “No Hospital de Base, recebemos muitos pacientes nessa situação. Uma vez que a bactéria contamina e mata o osso, somente a cirurgia tem potencial curativo”, ressaltou. Os sintomas mais comuns incluem dor, vermelhidão local, vazamentos nas feridas, febre e calafrios. Os fatores de risco são desnutrição, obesidade, diabetes descompensado, pacientes fumantes, aqueles que fazem uso de corticóide e que têm doenças que causam baixa imunidade. * Com informações do Iges-DF
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