Do descarte ao destino, saiba como os resíduos de saúde são tratados
Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. Todos os dias, toneladas de resíduos são geradas nas unidades de saúde. De uma simples embalagem descartada após uma refeição a materiais que tiveram contato com sangue ou medicamentos, cada item precisa seguir um fluxo específico. A separação correta é fundamental para proteger profissionais, pacientes e o meio ambiente. No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), assim como nas demais unidades administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o gerenciamento adequado desses materiais faz parte da rotina e depende da participação de todos os profissionais. De acordo com a bióloga Laura Gatti, responsável pela gestão de resíduos do IgesDF, os materiais gerados em hospitais e unidades de pronto atendimento (UPAs) são classificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em cinco grupos. “Cada um possui características e riscos específicos e, por isso, recebe um tratamento diferenciado. Essa classificação é fundamental para garantir a segurança dos colaboradores, dos pacientes e da população em geral”, explica. O gerenciamento adequado dos resíduos de saúde faz parte da rotina e depende da participação de todos os profissionais | Foto: Divulgação/IgesDF Do descarte ao destino final Os resíduos infectantes, classificados como Grupo A, incluem materiais que tiveram contato com sangue, secreções ou outros fluidos corporais, como gazes, luvas e curativos utilizados em procedimentos assistenciais. Eles são encaminhados a unidades especializadas para o tratamento adequado antes da destinação final. Já os resíduos químicos, do Grupo B, abrangem medicamentos vencidos, reagentes laboratoriais, saneantes e outros produtos com características tóxicas, corrosivas ou inflamáveis. Esses materiais passam por processos específicos, que podem envolver métodos químicos ou térmicos, conforme suas características. Também existem os radioativos, classificados como Grupo C e gerados em serviços específicos, como os realizados no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Os resíduos comuns, do Grupo D, são semelhantes aos gerados em residências e incluem papéis, embalagens, copos descartáveis, restos de alimentos e materiais recicláveis. Os perfurocortantes, do Grupo E, incluem agulhas, lâminas, ampolas e outros materiais capazes de causar cortes ou perfurações. Após a separação, cada tipo segue para a destinação correspondente, de acordo com suas características e com os serviços disponíveis. Embora o tratamento e a destinação sejam etapas fundamentais, uma das medidas mais importantes acontece ainda dentro das unidades: a segregação correta no momento do descarte. “Essa separação protege as equipes assistenciais, os profissionais da limpeza e todos os trabalhadores envolvidos no manejo dos resíduos. Além disso, evita a contaminação do meio ambiente e reduz custos, já que o tratamento de resíduos infectantes e químicos é muito mais caro do que o do lixo comum”, afirma Laura. Erros que podem ser evitados Entre os problemas mais frequentes está a colocação de materiais comuns em recipientes destinados aos infectantes. Os perfurocortantes também exigem atenção especial: agulhas, ampolas e objetos semelhantes devem ser depositados em caixas apropriadas, respeitando o limite de preenchimento indicado. Outro cuidado importante é nunca descartar medicamentos ou substâncias químicas em pias e vasos sanitários. A prática pode provocar contaminação ambiental e comprometer o tratamento adequado do esgoto. Para evitar esses problemas, a orientação é observar a identificação dos recipientes e seguir as diretrizes estabelecidas no Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) de cada unidade. Pequenas atitudes, grande impacto A dimensão desse trabalho pode ser percebida nos números. Somente no primeiro semestre de 2026, o Hospital Regional de Santa Maria gerou cerca de 266,24 toneladas de resíduos, uma média aproximada de 44,3 toneladas por mês. O volume mostra como as atitudes adotadas diariamente fazem diferença para a segurança e a sustentabilidade da unidade. “Cada pequeno gesto realizado à beira do leito ou no posto de trabalho impacta diretamente essas mais de 44 toneladas mensais, contribuindo para uma unidade mais segura, sustentável e eficiente”, observa Laura. *Com informações do IgesDF
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Descarte correto de resíduos hospitalares é reforçado no Hospital de Santa Maria
Colaboradores do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) receberam, nesta semana, um treinamento sobre descarte adequado de resíduos hospitalares, atitude determinante para a segurança de profissionais, pacientes e do meio ambiente. O foco foi o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). Encontro com profissionais ligados ao HRSM abordou o gerenciamento correto de resíduos hospitalares | Foto: Divulgação/IgesDF Organizada em turnos para ampliar o alcance entre as equipes sem comprometer a rotina assistencial da unidade, a atividade foi conduzida pela bióloga Laura Gatti, chefe do Núcleo de Responsabilidade Socioambiental. Durante o encontro, foram apresentadas as diretrizes que orientam todo o fluxo de gerenciamento, desde a geração até a destinação final. Segundo a especialista, o PGRSS estabelece critérios claros para classificação, acondicionamento, transporte e descarte ambientalmente seguro. Classificação correta Ao longo da capacitação, foram detalhadas as cinco etapas do gerenciamento: geração, identificação e classificação, acondicionamento, transporte e destinação final. Entre elas, a classificação foi destacada como ponto crítico, por impactar diretamente todas as etapas seguintes. “Ainda há muita dificuldade na identificação das classes, o que leva à mistura de materiais, como papel e embalagens no lixo infectante”, pontuou Laura Gatti. [LEIA_TAMBEM]Os resíduos, explica a gestora, são divididos em grupos — infectantes, químicos, radioativos, comuns e perfurocortantes, cada um com exigências específicas de descarte: “Trabalhamos em um ambiente com diversos patógenos e estamos sempre suscetíveis à contaminação. O descarte incorreto pode gerar impactos graves, como a contaminação do solo, da água e até do ar, no caso da incineração”. Entre os grupos, os materiais perfurocortantes figuram entre os principais causadores de acidentes de trabalho. A orientação é que o descarte seja feito imediatamente após o uso, sem reencapar ou manipular os itens, seguindo rigorosamente os protocolos de segurança. O PGRSS está disponível para consulta no sistema MV Documentos. “Todos os colaboradores podem acessar o plano, onde estão descritos os fluxos, e também é possível me procurar pessoalmente no setor de hotelaria do HRSM, às terças-feiras”, orientou a bióloga. A transmissão completa da capacitação está disponível no canal do IgesDF no YouTube. *Com informações do IgesDF
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