Setembro Amarelo: Saiba onde e como buscar apoio em saúde mental no DF
A campanha Setembro Amarelo traz a oportunidade de refletir sobre a importância de cuidar da saúde mental e reforçar as orientações de acesso aos serviços de suporte emocional. A rede pública de saúde do Distrito Federal dispõe de atendimento estruturado por níveis de complexidade, de acordo com a faixa etária e a gravidade de cada caso. O cuidado ocorre de modo contínuo ao longo de todo o ano, com foco no acolhimento, na prevenção de agravos e na abordagem não estigmatizante. A assistência conta com equipes multiprofissionais compostas por médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros, farmacêuticos e outros especialistas. Como apoio na identificação de sinais de sofrimento psíquico, o cidadão dispõe da assistente virtual SAMia, uma ferramenta digital e gratuita e em que o usuário é anônimo e que utiliza escalas validadas para indicar o serviço mais adequado. A rede de saúde do DF conta com equipes multiprofissionais com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros e farmacêuticos para o atendimento de casos de saúde mental | Fotos: Divulgação Atenção primária e casos leves a moderados ⇒ As unidades básicas de saúde (UBSs) são a porta de entrada preferencial para o acolhimento de casos leves a moderados, a exemplo de sintomas de ansiedade, depressão e estresse. ⇒ Público atendido: crianças, adolescentes, adultos e idosos. ⇒ Forma de acesso: demanda espontânea, sem a necessidade de agendamento prévio para a recepção inicial. ⇒ Endereço e localização: a orientação é ir à UBS de referência da região de residência, com consulta de endereços na ferramenta Busca Saúde UBS. Se houver necessidade de conduta especializada, a própria equipe da UBS solicita o encaminhamento. Cuidados voltados ao público infantojuvenil Para crianças e adolescentes com sofrimento emocional de intensidade moderada, a atenção primária e secundária opera mediante acesso regulado, ou seja, é necessário passar por consulta na UBS para ser encaminhado. Centro de Orientação Médico-Psicopedagógica (ComPP): ⇒ Perfil: atende transtornos mentais e sofrimento de intensidade moderada. ⇒ Público: crianças de até 11 anos, 11 meses e 29 dias. ⇒ Acesso: regulado, com consulta e encaminhamento prévio pela UBS. ⇒ Endereço: Setor Médico Hospitalar Norte (SMHN), Quadra 3, Conjunto 1, Bloco A. ⇒ Telefones: (61) 3449-4763 / (61) 98184-2216. O ComPP atende casos de transtornos mentais e sofrimento de intensidade moderada Adolescentro ⇒ Perfil: assistência multiprofissional para quadros moderados e necessidades do desenvolvimento juvenil. ⇒ Público: adolescentes de 12 a 17 anos, 11 meses e 29 dias. ⇒ Acesso: regulado via encaminhamento da UBS. ⇒ Endereço: SGAS 605, Lotes 33/34. ⇒ Telefones: (61) 3449-4748 / (61) 99271-6800. Nos casos de transtornos graves, persistentes ou crises psíquicas intensas para o público de até 17 anos e 11 meses, a referência são os centros de atenção psicossocial infantojuvenil (Capsis). O atendimento funciona por demanda espontânea (sem agendamento nem encaminhamento prévio), de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h. ⇒ Capsi Asa Norte: SMHN, Quadra 3, Conj. 1, Bloco A | Telefones: (61) 3449-4754 / (61) 98184-2495. ⇒ Capsi Taguatinga: QNF, Área Especial nº 24, Taguatinga Norte | Telefones: (61) 3449-6682 / (61) 99124-2067. ⇒ Capsi Recanto das Emas: Quadra 307, Área Especial 1 | Telefone: (61) 3449-6903. ⇒ Capsi Sobradinho: Quadra 4, Área Especial, Lote 6 | Telefones: (61) 3449-5643 / (61) 99444-1343. O acolhimento é destinado a pessoas de todas as idades Atendimento a adultos nos Caps Os centros de atenção psicossocial (Caps) prestam suporte a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, além de atendimento especializado para demandas decorrentes do uso de álcool e outras drogas. A entrada ocorre por acolhimento direto e demanda espontânea. Caps II e Caps III (transtornos mentais graves e persistentes) ⇒ Público: adultos a partir de 18 anos nos Caps II e III (o Caps I, em Brazlândia, atende diversas faixas etárias). ⇒ Caps I Brazlândia (atendimento infantil, juvenil e adulto): Quadra 01, Área Especial 02, Setor Veredas | Telefones: (61) 2017-1300 / (61) 3449-6399. ⇒ Caps II Brasília: SHCE/Sul, Quadra 1409, Lote 01, Cruzeiro Novo | Telefones: (61) 3349-4755 / (61) 98184-2577. ⇒ Caps II Taguatinga: QNA 39, Área Especial 19, Taguatinga Norte | Telefones: (61) 3449-6680 / (61) 99294-0377. ⇒ Caps II Paranoá: Quadra 02, Conjunto K, Área Especial nº 01 | Telefones: (61) 3449-5317 / (61) 99103-7790. ⇒ Caps II Planaltina: Via W/L 04, Setor Hospitalar Oeste | Telefone: (61) 3449-5828. ⇒ Caps II Riacho Fundo: EPNB, km 04, Área Especial | Telefones: (61) 3449-5001 / (61) 3449-4998. ⇒ Caps III Gama: SNO, Quadra 02, Ponte Alta Norte. ⇒ Caps III Samambaia (aberto 24 horas): Quadra 302, Conjunto 05, Lote 01 | Telefone: (61) 3449-6906. Caps AD (Álcool e outras drogas) ⇒ Público: adultos e jovens a partir de 16 anos. ⇒ Caps AD II Guará: QE 23, Área Especial S/N, subsolo do Centro de Saúde nº 02, Guará II | Telefone: (61) 2017-1145, ramais 3781, 3782 e 3783. ⇒ Caps AD II Itapoã: Quadra 378, Conjunto A, Área Especial nº 04, Del Lago | Telefones: (61) 3449-5315 / (61) 99113-0736. ⇒ Caps AD II Santa Maria: Quadra 312, Conjunto H, Casa 12 – Santa Maria Norte | Telefone: (61) 2017-1145, ramais 5640 e 5641. ⇒ Caps AD II Sobradinho II: AR 17, Chácara 14 | Telefones: (61) 2017-1145, ramal 2115 / (61) 99830-4348. ⇒ Caps AD III Brasília Candango (aberto 24 horas): Setor Comercial Sul, Quadra 05, Bloco B, Loja 73 | Telefone: (61) 3349-4751. ⇒ Caps AD III Ceilândia (aberto 24 horas): QNN 16, Área Especial (próximo à estação Guariroba) | Telefone: (61) 3449-6151. ⇒ Caps AD III Samambaia (aberto 24 horas): QS 107, Conjunto 7, lotes 3 e 4, Samambaia Sul | Telefone: (61) 3449-6902. O Hospital de Base é um dos centros de referência em atendimento de saúde mental do DF | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília Urgência, emergência e situações de crise Para quadros de risco iminente de suicídio, crises psiquiátricas graves ou tentativas de suicídio, o atendimento emergencial fica disponível 24 horas por dia nas seguintes estruturas: ⇒ Samu (192): acionamento telefônico de emergência em casos de risco iminente. ⇒ Unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais gerais: acolhimento contínuo para a estabilização de crises agudas. ⇒ Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e Hospital São Vicente de Paulo (HSVP): centros de referência para urgências e emergências psiquiátricas especializadas.
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Governadora inaugura Caps III no Gama com atendimento 24 horas em saúde mental
A rede pública de saúde do Distrito Federal ganhou um reforço no atendimento em saúde mental. A governadora Celina Leão entregou, nesta quinta-feira (2), o novo Centro de Atenção Psicossocial (Caps III) do Gama, em que foram investidos cerca de R$ 4 milhões. A unidade, localizada na Quadra 2 do Setor Norte, foi construída para atender, principalmente, moradores do Gama e de Santa Maria com transtornos mentais graves e persistentes. Durante a solenidade, a chefe do Executivo destacou a importância do acolhimento na saúde mental e descreveu o equipamento como uma ampliação ao atendimento para além das unidades de pronto atendimento (UPAs). Celina Leão: "Muitas pessoas procuravam a emergência por uma crise de ansiedade, uma depressão ou uma tentativa de suicídio. Uma pessoa nesse quadro precisa de acolhimento. Esse espaço é especializado para a saúde mental" | Fotos: Matheus Borges/Agência Brasília "Quase 30% dos atendimentos nas UPAs foram para saúde mental. Isso significa que muitas pessoas procuravam a emergência por uma crise de ansiedade, uma depressão ou uma tentativa de suicídio. Uma pessoa nesse quadro precisa de acolhimento. Esse espaço é especializado para a saúde mental, com uma equipe que vai conseguir fazer esse tipo de acolhimento, cuidar de quem muitas vezes não consegue expressar o que está sentindo", afirmou Celina Leão. Com investimento de cerca de R$ 4 milhões, o novo Caps III, com 741 m², fortalece a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria de Saúde e amplia o acesso aos serviços especializados em saúde mental na Região Sul. A unidade atenderá, principalmente, moradores do Gama e de Santa Maria, beneficiando uma população estimada em 260 mil habitantes. A previsão é que outras unidades do Centro de Atenção Psicossocial sejam inauguradas em breve. “Faz parte de um conjunto de emendas. Dois Caps já estão prontos: aqui no Gama e o do Recanto das Emas. Nós temos mais duas unidades para as quais vamos assinar as ordens de serviço, em Taguatinga e Ceilândia”, anunciou Celina Leão. Segundo o secretário de Saúde, Juracy Lacerda, o novo Caps do Gama vai impactar a qualidade de vida e o acolhimento da população. "Essa entrega e as muitas outras que virão relacionadas à saúde mental vão trazer melhor qualidade de vida, vão cuidar de famílias, porque uma pessoa depressiva, uma pessoa com ansiedade, a família toda adoece. Não é só a pessoa, e sim uma família adoecida que não consegue ter uma vida vida normal”, afirmou o gestor. Atendimento especializado O novo Caps terá atendimento 24 horas, com equipe multiprofissional de prontidão para acolhimento noturno também O Caps III é um serviço especializado do Sistema Único de Saúde (SUS) voltado para o atendimento de pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. O diferencial é o funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, incluindo acolhimento noturno para pacientes em situação de crise, com multiprofissionais. A inauguração representa o fim de uma espera histórica para os moradores da região e fortalece a rede de saúde mental do DF. Para a gerente da unidade, Adriana Câmara, a entrega do equipamento é um presente para a comunidade, fruto de uma demanda de mais de 15 anos. "Inicialmente, vamos atender até as 22h, até organizar a equipe e o trabalho todo. Mas já vamos estar de portas abertas, é um serviço de portas abertas. Esses pacientes hoje são atendidos no Riacho Fundo. Então, agora eles vão ser atendidos no próprio território", celebra a gestora, ao destacar que a nova estrutura possui leitos de acolhimento integral. "Esse paciente tem que voltar a estudar e a trabalhar. O nosso trabalho é esse, isso faz parte do tratamento" Adriana Câmara, gerente do Caps III do Gama Segundo a gerente, o foco será o atendimento humanizado e a reinserção social dos usuários por meio de oficinas e atividades externas. "O modelo de Caps não é trabalhar só dentro da estrutura, a gente trabalha no território também. Então, esse paciente tem que voltar a estudar e a trabalhar. O nosso trabalho é esse, isso faz parte do tratamento”, ressalta Adriana, ao comentar a estrutura da unidade. A unidade do Gama entra, agora, na etapa final de preparação para o início das atividades. Nesse período, serão concluídos os treinamentos das equipes, a instalação dos equipamentos e a organização dos fluxos de atendimento. O espaço dispõe de duas salas grandes para grupos, pacientes e familiares. A previsão é que o local ofereça cursos para geração de renda, como crochê e horta. A expectativa é que o Caps acolha em média 100 pessoas por dia. Moradora do Gama, Maria José Rezende, de 83 anos, destacou a qualidade da nova estrutura e o impacto positivo para a região. "Vai ser um bálsamo para as pessoas e vai ajudar a desafogar um pouco as outras cidades. Está muito bonito. Tem lugar para tudo, salões para atividades, as salas são muito arejadas. O Gama merece. Acho que é um dos melhores Caps que temos. As pessoas que precisam de um psicólogo, de um psiquiatra, de um acompanhamento, de um tratamento sério agora não vão ter que se deslocar para outros lugares", celebrou a aposentada. Maria José Rezende: "Vai ser um bálsamo para as pessoas e vai ajudar a desafogar um pouco as outras cidades" [LEIA_TAMBEM]Novos Caps no DF Atualmente, o Distrito Federal conta com 18 Caps distribuídos pelas regiões de saúde conforme a demanda da população e a complexidade do atendimento. As unidades oferecem assistência especializada a pessoas com transtornos mentais e problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, com equipes multiprofissionais e diferentes modalidades de cuidado, que incluem atendimentos diurnos e, em alguns casos, acolhimento integral. A rede será ampliada com mais novas unidades. Além dos Caps inaugurados no Gama e no Recanto das Emas, o GDF prevê o início das obras de um Caps Infantojuvenil em Ceilândia e de um Caps Álcool e Outras Drogas em Taguatinga, com investimento superior a R$ 10 milhões. As futuras estruturas contarão com consultórios, enfermarias, salas de medicação, áreas de convivência e espaços voltados ao acompanhamento clínico e psicossocial dos pacientes. Além disso, recentemente a governadora entregou a nova sede do Caps no Cruzeiro. O local já está aberto ao público, com capacidade para atender até 1,2 mil pessoas com transtornos mentais severos e sofrimento psíquico. *Colaborou Jak Spies
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Nova sede do Caps II, no Cruzeiro, triplica capacidade e passa a atender 1,2 mil pessoas
O Centro de Atenção Psicossocial II (Caps II), ganhou nova sede, localizada na Quadra 1409 do Cruzeiro. Nesta terça-feira (1º), a governadora Celina Leão inaugurou o espaço, que funciona no antigo prédio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e já está aberto ao público, com capacidade para atender a até 1,2 mil pessoas com transtornos mentais severos e sofrimento psíquico. A governadora Celina Leão destacou a importância de se cuidar da saúde mental da população e ressaltou os benefícios de uma nova sede para a região de saúde, que, até então, dividia espaço com a UBS (unidade básica de saúde) localizada na Quadra 905 Norte. Ela comentou, ainda, que outras quatro unidades de atenção psicossocial serão inauguradas no DF. Celina Leão: "O governador que não se preocupa com a saúde mental não consegue entender qual é a sociedade em que estamos vivendo" | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília “A saúde mental não espera. O governador que não se preocupa com a saúde mental não consegue entender qual é a sociedade em que estamos vivendo. Saúde mental faz parte do dia a dia de todas as famílias. Eu desafio que exista uma família que não precise, hoje, de um suporte na saúde mental”, comentou. O Caps II é o órgão diretamente responsável pelo acompanhamento especializado de pessoas em sofrimento psíquico grave ou com transtornos mentais severos e persistentes que demandam um cuidado territorial, contínuo e estritamente multiprofissional. A nova sede, agora com cinco consultórios, será responsável por atender a áreas da região central do Distrito Federal, compreendendo Asa Norte, Asa Sul, Lago Norte, Lago Sul, Varjão, Sudoeste e Octogonal, além do próprio Cruzeiro. A nova sede do Caps II terá cinco consultórios e atenderá pacientes de Asa Norte, Asa Sul, Lago Norte, Lago Sul, Varjão, Sudoeste, Octogonal e Cruzeiro O espaço foi construído com o objetivo de proporcionar uma integração maior à rede de Atenção Primária à Saúde (unidades básicas de saúde), à rede de urgência e emergências e hospitais gerais, além da rede de assistência social (Cras, Creas) e demais políticas públicas setoriais, fortalecendo a linha de cuidado e a coelaboração de Projetos Terapêuticos Singulares (PTS). [LEIA_TAMBEM]Para a diretora regional de Atenção Secundária à Saúde, Graciele Pollyanna Mertens Mariath, responsável pela unidade, a nova sede atende a uma demanda de 9 anos de espera por um espaço próprio e pode até triplicar o atendimento, atualmente estimado em 400 pessoas. “A equipe terá consultórios prontos para receber esses pacientes, de portas abertas, além das consultas agendadas, com atendimento especializado em psiquiatria e psicologia”, explicou. Ela diz ainda que o novo Caps II contará com atividades ao longo de todo o dia e fornecerá alimentação para os pacientes.
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Conscientização combate estigmas e amplia acesso ao tratamento de esquizofrenia
Estudos recentes apontam que cerca de meio milhão de brasileiros adultos vivem com esquizofrenia, doença mental que influencia a forma como uma pessoa pensa, sente e interpreta a realidade. Instituído pela Lei n 14.860, o Dia Nacional de Conscientização sobre Esquizofrenia, comemorado domingo (24), chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo e, principalmente, para a quebra de preconceitos relacionados à doença. A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica crônica que requer cuidado ao longo de toda a vida. É uma enfermidade que causa a hiperestimulação da atividade dos neurônios, levando a uma atividade cerebral aumentada. “Durante os episódios de crise, a pessoa com esquizofrenia vive sob ameaça persistente. Seja por meio da errônea interpretação da realidade, seja pela experiência de alucinações auditivas que comentam ou que ameaçam o paciente”, explica o médico e referência técnica distrital em psiquiatra da Secretaria de Saúde (SES-DF), Thiago Blanco. "Pessoas com esquizofrenia tendem a ser mais retraídas, fechadas em si mesmas e introspectivas" Thiago Blanco, psiquiatra Apesar de o imaginário popular frequentemente associar a doença à imprevisibilidade e ao risco de violência, o especialista reforça que esse estigma não corresponde à realidade da maioria dos casos. “Pessoas com esquizofrenia tendem a ser mais retraídas, fechadas em si mesmas e introspectivas. Elas experimentam uma sensação de angústia persistente relacionada a maior parte das vezes a uma crença conspiratória inabalável que provoca uma sensação permanente de ameaça”, esclarece. Diagnóstico e desafios O diagnóstico da esquizofrenia é realizado com base nos critérios clínicos, a partir da observação, do diálogo e do vínculo | Fotos: Matheus Oliveira/Agência Saúde O diagnóstico é realizado com base nos critérios clínicos, a partir da observação, do diálogo e do vínculo. Eventualmente, exames podem ser úteis para descartar outras causas de alucinações e delírios. Um dos principais desafios do tratamento, porém, é a dificuldade do próprio paciente em reconhecer os sintomas. “Pela doença por si só, a pessoa não consegue perceber a irrealidade das suas crenças e acaba não se enxergando como doente. Isso dificulta a adesão ao tratamento, mas esse desafio é enfrentado junto com a família e os profissionais de saúde das equipes multidisciplinares, ajudando o paciente a entender que o tratamento pode ajudá-lo a ter uma vida com autonomia e funcional”, destaca Blanco. As UBSs e os Caps atuam juntos para atender os pacientes com esquizofrenia com qualidade | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF O tratamento envolve medicamentos antipsicóticos, programas de treino de habilidades cognitivas e sociais, reforço da rede de apoio familiar e comunitária, psicoterapia e educação em saúde. Na rede pública de saúde, as equipes multiprofissionais das unidades básicas de saúde (UBSs) e dos centros de atenção psicossociais (Caps) atuam em conjunto para atender o paciente com integralidade. Participam do cuidado os psicólogos, para ajudar no convívio e na adesão ao tratamento; os profissionais do serviço social, para auxiliar na garantia dos direitos; os nutricionistas, para garantir a alimentação adequada; e os enfermeiros, para o cuidado no dia a dia e monitoramento. “É um cuidado em rede”, enfatiza Blanco. “Uma pessoa com esquizofrenia não é um usuário permanente e persistente do Caps. O Caps é para quando quem está em crise, que precisa de um apoio mais frequente e intensivo. É muito possível e desejável, que após cessados os episódios de crise, a pessoa possa continuar o tratamento na UBS”, esclarece. [LEIA_TAMBEM]Quebra do estigma Na data criada para conscientização da doença, Blanco também destacou que portadores da enfermidade são totalmente aptos a conviver em sociedade. “Uma pessoa com esquizofrenia deve conviver com outras pessoas, trabalhar, ter uma vida inserida socialmente, claro que com os desafios próprios de uma pessoa com doenças crônicas”, reforçou. Para isso, a quebra do preconceito é fundamental. “Diminuir este estigma e esse preconceito é fundamental para gerar uma mudança na imagem da experiência da doença, na imagem que temos da experiência dessa doença”, conclui. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Capsi da Asa Norte celebra 28 anos de assistência infanto-juvenil
O Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi) da Asa Norte celebrou, nesta terça-feira (31), 28 anos de atuação na assistência em saúde mental de crianças e adolescentes no Distrito Federal. A programação reuniu brincadeiras, show de mágica e um lanche especial, aproximando profissionais, usuários e familiares em um clima leve, de convivência e troca. E, para completar a festa, teve parabéns para celebrar a trajetória da unidade. “Comemorar os 28 anos do Capsi Asa Norte representa um marco significativo. Este foi o primeiro Capsi do Distrito Federal, e minha trajetória nessa unidade se estende por 21 anos, então faço parte dessa história. No último ano, mantivemos os atendimentos, assegurando qualidade e quantidade de acordo com as demandas da nossa população”, destacou a gerente substituta, Tathiana Accioly. Impactos O Capsi acolhe crianças e adolescentes de até 18 anos com sofrimento psíquico, além de jovens de até 16 anos em uso de álcool e outras drogas | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF Com cerca de 3 mil atendimentos anuais, o Capsi acolhe crianças e adolescentes de até 18 anos com sofrimento psíquico, além de jovens de até 16 anos em uso de álcool e outras drogas. O acompanhamento envolve atendimentos individuais e coletivos, organizados por faixa etária, com atividades voltadas para a socialização, reinserção social, esporte, lazer, arte, cultura etc. Rafael Modesto, 12 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), enfrenta desafios de interação e, por vezes, resistência às regras em atividades coletivas. Segundo a mãe dele, Tieila Modesto, 46 anos, desde o início do ano passado, ele é acompanhado pelo Capsi, onde vem desenvolvendo habilidades sociais e aprendendo a lidar com essas situações. “Esses eventos são bons, porque, no caso do Rafael, as atividades o auxiliam a aprender a esperar a sua vez e a ouvir”, contou. Ao lado do filho, Ryan, Fabiana Ferreira elogia a iniciativa: "Momentos assim fazem diferença. Hoje ele está mais sociável e consegue ficar em ambientes com outras pessoas” A experiência se repete em outras famílias. Ryan Ferreira, 15 anos, foi diagnosticado com Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e passou a ser acompanhado na unidade após vivenciar uma situação familiar delicada que impactou sua saúde mental. Desde então, tem recebido apoio da equipe e apresentado avanços no comportamento e na convivência social. “Este espaço acolhe de verdade e se preocupa com a gente. Momentos assim fazem diferença, porque ajudam nossos filhos a se sentirem melhor e mais tranquilos. Hoje ele está mais sociável e consegue ficar em ambientes com outras pessoas”, relatou a mãe, Fabiana Ferreira, 36 anos. Serviço O primeiro acesso ao Capsi Asa Norte ocorre por meio do acolhimento, não havendo necessidade de agendamento prévio. Essa assistência é garantida a todo cidadão. A pessoa será recebida por um profissional da equipe, que fará a classificação da demanda. Pacientes encaminhados de outras unidades da rede pública, como unidades básicas de saúde (UBSs), também são atendidos. O Capsi Asa Norte funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Caps de Santa Maria celebra semana da mulher com ações de bem-estar
O grupo de mulheres do Centro de Atenção Psicossocial para Tratamento de Álcool e Outras Drogas II (Caps ad II) de Santa Maria realizou, nesta terça-feira (10), um encontro especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8). A atividade teve como propósito valorizar cada participante em sua trajetória, reconhecendo histórias, desafios e conquistas. “Esses momentos são importantes porque mostram para cada mulher que ela é muito mais do que as dificuldades que enfrenta. Aqui trabalhamos autoestima, pertencimento e apoio para que elas se sintam capazes de construir novos caminhos”, afirma a gerente da unidade, Adriana Câmara. Bem-estar João Coiff ofereceu cortes de cabelo e design de sobrancelhas às mulheres participantes | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF A programação foi marcada por ações gratuitas voltadas ao cuidado e ao bem-estar. Além da pintura de unhas feita por servidoras da unidade, um dos pacientes do local, João Coiff, conhecido por participar de projetos sociais na região, ofereceu cortes de cabelo e design de sobrancelhas às participantes. “Muitas mulheres em situação de vulnerabilidade têm se beneficiado de projetos que atuam no desenvolvimento da autoestima. Acredito que esta iniciativa continuará a crescer e se tornará um modelo a ser seguido por outras cidades”, diz. “Cuidar da autoestima ajuda a gente a se fortalecer e continuar seguindo no tratamento” Maria Luciene Gomes Entre as participantes estava Maria Luciene Gomes, 52 anos, que integra o grupo terapêutico há um ano e nove meses. Desde que iniciou o acompanhamento, ela afirma ter encontrado uma rede de apoio importante. “Cuidar da autoestima ajuda a gente a se fortalecer e continuar seguindo no tratamento”, conta. Segundo a enfermeira Angelita Bandeira, uma das responsáveis pelo grupo das mulheres, o objetivo da celebração foi concretizar temas abordados rotineiramente no grupo, como a importância da autoimagem e da autoestima. “Essa ação também se alinha com o protocolo de atendimento que busca oferecer protagonismo às pacientes”, ressalta. Entre elas O grupo terapêutico exclusivo para mulheres foi criado para oferecer um espaço de escuta, troca de experiências e fortalecimento entre as participantes. Nos encontros, são abordados temas ligados ao autoconhecimento, às vivências pessoais e ao processo de tratamento. As reuniões são realizadas às terças-feiras, das 14h às 15h, com cerca de dez participantes. O Caps ad II de Santa Maria também conta com grupos terapêuticos mistos, com homens e mulheres. Para aquelas que preferem um ambiente mais reservado, o grupo feminino surge como uma alternativa acolhedora. “Em muitos grupos a maioria é masculina, e algumas mulheres podem se sentir inibidas. Por isso, pensamos em um espaço só para elas, onde possam falar com mais liberdade”, explica Bandeira. Interessadas em participar podem procurar a unidade presencialmente para o acolhimento inicial. Após escuta da equipe, aquelas que demonstrarem interesse e perfil para a atividade podem ser encaminhadas ao grupo. Além de Santa Maria, o serviço atende moradoras do Gama que enfrentam prejuízos relacionados ao uso abusivo de substâncias. [LEIA_TAMBEM]Atendimento Especializado em saúde mental, o Caps ad II de Santa Maria atende pessoas a partir de 16 anos com quadros graves e persistentes relacionados ao uso de álcool e outras drogas. A unidade tem caráter aberto e comunitário e acolhe tanto demandas espontâneas quanto encaminhamentos da rede de saúde e de outros serviços. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 22h. O acolhimento, momento de escuta e compreensão do histórico do paciente, vai das 8h às 20h. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Grupo multidisciplinar é criado na UBS 1 de Taguatinga para cuidados integrais de doenças crônicas
A Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 de Taguatinga abriu, nesta quinta-feira (19), um grupo coletivo voltado ao cuidado e à atenção integral de pacientes com doenças crônicas. O Viva Leve reúne uma equipe composta por nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudióloga, assistente social e farmacêutica. A proposta aborda o sobrepeso considerando aspectos físicos, emocionais e comportamentais. Os encontros são semanais, sempre às quintas-feiras. A turma terá acompanhamento por três meses, quando um novo grupo será formado. Os intregrantes do grupo dão força uns aos outros para poderem enfrentar as doenças tratadas no projeto | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF O projeto é resultado de uma observação da equipe: pacientes que, mesmo inseridos em diferentes atividades da unidade, apresentavam problemas semelhantes. “Todos tinham várias condições médicas em comum, como sobrepeso, dores crônicas, ansiedade, depressão, má qualidade de sono, entre outras”, elenca a nutricionista do grupo, Raquel Cota. A profissional destaca que a proposta é promover um cuidado integral, centrado na pessoa e não apenas na doença: “Estudos recentes indicam a importância de uma abordagem holística. Então, vamos tratar todas as questões — atividade física, estresse, saúde mental, sono, alimentação — simultaneamente”. Cuidado simplificado Eline Maria Brito: "No final desses três meses, pretendo estar com um peso menor, comendo mais saudável e controlando as minhas doenças" A fisioterapeuta da UBS 1 de Taguatinga, Maria Aparecida Moreira, explica que o grupo busca soluções práticas e acessíveis para o autocuidado no dia a dia. “Por exemplo, fazer atividade física em casa. Se o paciente não tem acesso a uma academia, como vai se exercitar? A gente pensa em uma solução para o problema. Assim, vamos identificando os dificultadores até a pessoa perceber que é capaz e que consegue sair de um processo não saudável”, indica. Com a expectativa alta e positiva, Eline Maria Brito, 61, está na primeira turma e espera controlar o diabetes e a hipertensão. “Cuidar da alimentação e do corpo pode ser bem complicado. Então, muitas vezes, precisamos buscar por um incentivo, uma ajuda, como o Viva Leve. Pretendo no final desses três meses estar com um peso menor, comendo mais saudável e controlando as minhas doenças”, revela. [LEIA_TAMBEM]A moradora de Taguatinga conta que o apoio coletivo é um dos diferenciais do grupo. “Acredito muito que vou alcançar as minhas metas porque, além de contar com excelentes profissionais, há os amigos do lado, que também são grandes incentivadores", afirma Eline. Nesse primeiro encontro, cerca de 20 usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) atendidos no território da unidade participaram das atividades. Para ampliar o suporte ao acompanhamento, cada integrante recebeu uma cartilha elaborada pela própria equipe da UBS 1 de Taguatinga. Na caderneta há espaços para registro da evolução individual, orientações de planejamento alimentar, definição de metas e monitoramento de hábitos. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Novo Capsi do Recanto das Emas vai ampliar acesso ao cuidado infantojuvenil
Em fase final de obras, o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi) do Recanto das Emas vai ampliar a oferta de atendimentos especializados. Com investimento de R$ 4,7 milhões, a previsão de entrega da unidade é em março deste ano. "O novo Capsi representa um avanço importante para o cuidado infantojuvenil, com um espaço mais amplo e estruturado" Márcia Rodrigues, superintendente da Região de Saúde Sudoeste “O novo Capsi representa um avanço importante para o cuidado infantojuvenil, com um espaço mais amplo e estruturado para atender melhor a população e fortalecer a Raps [Rede de Atenção Psicossocial] em todo o DF”, destaca a superintendente da Região de Saúde Sudoeste, Márcia Rodrigues. Localizada no setor hospitalar da entrequadra 104/105, a unidade vai beneficiar cerca de 850 mil moradores de Taguatinga, Samambaia, Vicente Pires, Águas Claras, Recanto das Emas, Gama, Santa Maria, Guará I, Guará II, Estrutural/SCIA, Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Riacho Fundo II e Parkway. Novo espaço O Capsi atende crianças e adolescentes de até 18 anos incompletos com sofrimento psíquico grave e persistente, bem como jovens de até 16 anos incompletos com histórico de uso abusivo de álcool e outras drogas | Fotos: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF Atualmente, o atendimento do Capsi no Recanto das Emas é realizado em um espaço da Unidade Básica de Saúde (UBS) 1, situada na Quadra 307 da região. Com a nova sede, o serviço passa a contar com uma estrutura maior e mais adequada às necessidades do público atendido. A unidade terá cerca de 610 metros quadrados de área construída, com salas para atendimentos individuais, espaços destinados a oficinas e grupos terapêuticos, farmácia, salas administrativas, banheiros, refeitório, cozinha, estacionamento e área externa de convivência. O Capsi ficará próximo à UBS 3 e ao futuro Hospital Regional do Recanto das Emas (HRE), favorecendo a integração entre os serviços de saúde. Cuidado especializado Com cerca de 610 metros quadrados de área construída, a estrutura possui salas para atendimentos individuais, espaços para oficinas e grupos terapêuticos, farmácia, refeitório e ampla área externa O Capsi é voltado ao atendimento de crianças e adolescentes de até 18 anos incompletos (17 anos, 11 meses e 29 dias) com sofrimento psíquico grave e persistente, além de jovens de até 16 anos incompletos (15 anos, 11 meses e 29 dias) com histórico de uso abusivo de álcool e outras drogas. O cuidado também envolve parentes, reconhecendo a importância do apoio familiar no processo terapêutico e na reinserção social. "A nova unidade amplia o acesso a espaços que favorecem a convivência, o vínculo e a participação em atividades terapêuticas. Quando o paciente se sente pertencente, ele cria vínculo e o tratamento torna-se mais fácil”, avalia o diretor de Atenção Secundária da Região de Saúde Sudoeste, Marcos André Viana. [LEIA_TAMBEM]Rede em expansão O DF conta com 18 unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Somente em 2024, foram prestados mais de 354 mil atendimentos nessas unidades. Em 2025, até novembro, o número havia ultrapassado 386 mil. A rede de saúde mental da Secretaria de Saúde (SES-DF) é composta por UBSs, centros especializados em saúde mental, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu DF) e unidades de pronto atendimento (UPAs). Além do Capsi do Recanto das Emas, a SES-DF vai ampliar a rede com a implantação de outros três centros dedicados à saúde mental: um novo Capsi em Ceilândia e duas unidades do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (Caps AD) III no Guará e em Taguatinga. Está prevista, ainda, uma unidade no Gama destinada ao cuidado de pessoas com sofrimento psíquico severo e persistente. *Com informações da SES-DF
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Excesso de festa e falta de sono durante o Carnaval afetam corpo e mente
Para muita gente, o Carnaval é a época mais esperada do ano. É quando a rotina dá uma pausa e a cidade vira festa: bloquinhos, viagens, música, encontros, fantasia e aquele sentimento de liberdade. Mas, para outras pessoas, o Carnaval tem outro significado. É o momento perfeito para ficar em casa, dormir até mais tarde, organizar a vida, assistir a filmes, ler um livro ou simplesmente descansar. O que deveria ser apenas alegria, porém, pode virar também um momento de exaustão física e emocional. A mistura de noites mal dormidas, calor, bebida alcoólica, multidões e excesso de estímulos pode causar irritação, cansaço extremo, queda de pressão, desmaios e até crises de ansiedade. Muitas vezes o corpo dá sinais claros de que passou do limite, mas a pessoa insiste em ignorar para não “perder a festa”. Ao mesmo tempo, quem prefere ficar em casa pode enfrentar outro problema: a culpa por não estar na rua “aproveitando”. Tanto descansar como curtir são opções legítimas durante o Carnaval | Foto: Divulgação/IgesDF Segundo a psicóloga do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) Dúlcila Galvão, esse sentimento é mais comum do que parece. “Muita gente sente que precisa viver o Carnaval de um jeito específico, como se fosse obrigatório estar na rua, em festa, sorrindo e aproveitando. Mas isso não é uma regra. Descansar também é uma escolha saudável e legítima”, explica. Recarregar as energias A administradora Marina Azevedo, 29 anos, é do time que se prepara o ano inteiro para o Carnaval. Ela organiza roteiro, escolhe os blocos e faz questão de aproveitar cada dia. “Eu amo Carnaval. É a época que eu mais espero. Eu gosto de música alta, de dançar, de estar no meio das pessoas. Parece que eu renovo minha energia”, conta. Já o professor Eduardo Lima, 41, prefere passar o feriado de outro jeito, longe da agitação. “Para mim, Carnaval é descanso. Eu gosto de ficar em casa, dormir mais, colocar as coisas em ordem e aproveitar o silêncio. Se eu viajar, é para um lugar tranquilo, com natureza”, diz. A psicóloga explica que essas diferenças estão relacionadas às características individuais de personalidade e à forma como cada pessoa lida com as próprias emoções. Enquanto algumas se sentem energizadas e confortáveis em ambientes mais movimentados, outras precisam de contextos mais tranquilos para descansar e se recuperar das demandas e do estresse do dia a dia. "O mais importante é reconhecer quais contextos favorecem o seu bem-estar e respeitar seus próprios limites" Dúlcila Galvão, psicóloga “Algumas pessoas se sentem revitalizadas em situações de maior interação social, como festas e bloquinhos de rua, enquanto outras recuperam sua energia em ambientes mais silenciosos e reservados. Essas diferenças estão relacionadas a traços de personalidade, como introversão e extroversão. O mais importante é reconhecer quais contextos favorecem o seu bem-estar e respeitar seus próprios limites”, orienta. Ela destaca que introversão não é sinônimo de timidez. Em geral, quem apresenta essa característica tende a se sentir melhor em ambientes mais tranquilos e pode se cansar mais rapidamente em locais muito cheios ou com excesso de estímulos. Falta de sono Além da saúde mental, o Carnaval pode impactar diretamente no corpo. A privação de sono, por exemplo, prejudica a imunidade e altera o funcionamento do organismo, aumentando o risco de mal-estar e acidentes. “Dormir pouco deixa o corpo mais vulnerável. A pessoa fica mais irritada, mais impulsiva, mais sensível emocionalmente e mais cansada fisicamente. E quando isso se junta com calor e bebida alcoólica, o risco de desmaios e quedas aumenta”, alerta Dúlcila. Ela explica que o sono é um momento em que o corpo se recupera e o cérebro se reorganiza. Sem esse descanso, o organismo começa a dar sinais de desgaste. “Não é só cansaço. A privação de sono compromete funções cognitivas como atenção, memória e tomada de decisão, além de impactar o humor. A pessoa pode ficar mais propensa a brigas, aumento da ansiedade e maior sensibilidade emocional, incluindo episódios de choro ou reações desproporcionais”, completa. Excesso de estímulos [LEIA_TAMBEM]Ambientes muito cheios, barulho intenso e sensação de aperto podem desencadear crises de ansiedade, principalmente em pessoas que já têm histórico ou que estão vivendo uma fase emocional mais sensível. “A crise pode se manifestar com sintomas como taquicardia, falta de ar, tremores, tontura e uma sensação intensa de ameaça ou de que algo ruim está prestes a acontecer. Em alguns casos, a pessoa acredita estar vivenciando um problema cardíaco, quando, na verdade, trata-se de um episódio de ansiedade”, explica. Dúlcila também alerta que o álcool pode intensificar essas sensações e aumentar a instabilidade emocional. “O álcool pode piorar a ansiedade e diminuir o controle emocional. Algumas pessoas ficam mais impulsivas, outras ficam mais tristes e vulneráveis. Por isso, é importante ter equilíbrio”, orienta. Dúlcila alerta sobre alguns sinais que indicam que o corpo ou a mente chegaram ao limite e, por isso, é importante buscar atendimento. “Se a pessoa apresenta crises de ansiedade intensas, falta de ar, desmaios, confusão mental ou sensação de pânico recorrente, é fundamental procurar ajuda. Saúde mental também é urgência”, reforça. Segundo ela, o descanso também deve ser visto como parte do autocuidado. “Descansar não é perder tempo. Descansar é recuperar o corpo e a mente. E muitas vezes é justamente o que a pessoa precisa para voltar bem para a rotina”, diz. Para curtir com equilíbrio: Durma bem antes de sair e recupere-se no dia seguinte; Intercale festa com descanso; Faça pausas em locais tranquilos; Beba água com frequência; Evite exageros no álcool; Respeite limites físicos e emocionais; Não se compare com outras pessoas nas redes sociais. Procure ajuda se houver: Crises de ansiedade intensas; Falta de ar; Desmaios; Confusão mental; Sensação de pânico recorrente. Onde buscar atendimento no DF Quem precisa de apoio psicológico pode procurar atendimento pelo SUS no Distrito Federal. A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de casa, que realiza o acolhimento e, se necessário, faz o encaminhamento para acompanhamento especializado. Em casos de sofrimento emocional mais intenso, a população pode buscar atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que oferecem suporte voltado à saúde mental. Já em situações de urgência e emergência, como crises de ansiedade graves, surtos ou risco à própria segurança, a orientação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou acionar o Samu, pelo telefone 192. Durante o período de Carnaval, o atendimento psiquiátrico estará disponível nas UPAs Núcleo Bandeirante, Sobradinho e Vicente Pires. O DF também conta com atendimento especializado no Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga, referência em saúde mental. *Com informações do IgesDF
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Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista fortalece o desenvolvimento de crianças de até 10 anos no DF
Aos 5 anos, Jorge Augusto Sena encontrou no Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista (Cretea) um ambiente que estimula o seu desenvolvimento e amplia as possibilidades de convivência. Diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA), ele frequenta a unidade todas as quartas-feiras, participando de atividades terapêuticas que fortalecem a autonomia e a interação social. “O acompanhamento tem sido bastante útil para a socialização dele com as outras crianças. Além disso, a estrutura é fantástica, os profissionais são muito qualificados e o grupo de pais ajuda muito na troca de experiências. A gente se sente mais segura e preparada para apoiar o desenvolvimento do nosso filho”, conta a mãe de Jorge Augusto, Amanda Ferreira, 22 anos. No Cretea, crianças de até 10 anos são diagnosticadas com TEA e recebem condições para o desenvolvimento cognitivo, social e comportamental | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF Inaugurado em dezembro do ano passado, o Cretea é a primeira unidade do DF com foco exclusivo em autismo. O centro atende a crianças de até 10 anos já inseridas nas filas da rede pública. O objetivo é diagnosticar a condição e intervir em tempo adequado, algo essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e comportamental. Atendimento O acesso ocorre por meio da Central de Regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Ao chegar, a criança passa por acolhimento e por três avaliações multiprofissionais. Esse processo permite compreender tanto as características do espectro quanto outros aspectos do desenvolvimento do paciente. O centro oferece atendimento integrado com fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas “Após essa etapa, a equipe se reúne com a família para apresentar o plano terapêutico, definindo os atendimentos necessários, como fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, nutrição e participação em grupos”, afirma a gerente da unidade, Viviane Felipe Veras. A estrutura foi planejada para oferecer conforto, estímulo e funcionalidade. São oito consultórios, salas para atendimentos em grupo, ginásio terapêutico, sala multissensorial, cozinha terapêutica e ambientes voltados ao acolhimento e às atividades lúdicas. Os atendimentos incluem sessões individuais, grupos para interação social e ações direcionadas às famílias. A equipe multiprofissional é composta por psiquiatra infantil, neuropediatra, pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta. O centro atende a crianças com diagnóstico confirmado e também aquelas com suspeita de TEA, sempre a partir do encaminhamento da rede pública. [LEIA_TAMBEM] Vagas Inicialmente, foram disponibilizadas 50 vagas, todas preenchidas até o dia16, com previsão de novas aberturas a cada mês. “Parte dos encaminhamentos não se enquadrava no perfil de TEA, o que levou à reorganização dos fluxos”, ressalta Veras. A definição da frequência dos atendimentos é feita de forma individualizada, levando em conta as necessidades clínicas da criança e a rotina da família. O tempo de permanência também varia conforme cada caso. Crianças com demandas mais pontuais podem receber alta após cerca de seis meses. Após os três primeiros meses, o paciente é reavaliado para acompanhamento da evolução. Uma nova análise ocorre em 180 dias para definir continuidade ou encaminhamento para a rede. Todo o processo é articulado com as unidades básicas de saúde e as escolas, mantendo o vínculo com a atenção primária. *Com informações da Secretaria de Saúde
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