Controle da asma vai além da medicação e começa dentro de casa
Assim que as temperaturas começam a cair, e o ar fica mais seco, Adelma Pereira da Silva já sabe que precisa redobrar os cuidados. Asmática desde a infância, ela convive com falta de ar, crises respiratórias e noites difíceis quando a doença não está controlada. A experiência da paciente reflete a realidade de milhões de brasileiros e reforça o alerta do Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado neste domingo (21). A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns no mundo e afeta cerca de 10% da população. Embora não tenha cura, pode ser controlada com tratamento adequado, permitindo que os pacientes tenham qualidade de vida e mantenham suas atividades normalmente. A pneumologista Nancilene Melo, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), explica que o acompanhamento correto faz toda a diferença. Adelma Pereira da Silva é asmática desde a infância e convive com falta de ar, crises respiratórias e noites difíceis quando a doença não está controlada | Foto: Divulgação IgesDF “Quando tratada corretamente, a asma costuma ser uma doença tranquila e a pessoa pode levar uma vida completamente normal. Sem acompanhamento, porém, o processo inflamatório pode evoluir para quadros graves e até levar à morte”, alerta. Entre os sintomas mais comuns da doença estão falta de ar, chiado no peito, sensação de aperto no tórax e respiração curta e acelerada. Segundo a especialista, fatores como mudanças climáticas, poeira, mofo, ácaros, fumaça e odores fortes podem desencadear ou agravar as crises. “Assim que esfria, a respiração piora muito. Quando estou usando a medicação corretamente, o impacto é menor, mas mesmo assim procuro evitar sair de casa nessas épocas”, relata Adelma. “Quando tratada corretamente, a asma costuma ser uma doença tranquila e a pessoa pode levar uma vida completamente normal. Sem acompanhamento, porém, o processo inflamatório pode evoluir para quadros graves e até levar à morte” Nancilene Melo, pneumologista Como evitar as crises De acordo com Nancilene Melo, o tratamento inclui o uso regular de medicamentos inalatórios à base de corticoides, muitas vezes associados a broncodilatadores, que atuam diretamente no controle da inflamação e ajudam a prevenir agravamentos. Além da adesão ao tratamento medicamentoso, a médica destaca que o controle do ambiente é fundamental para evitar crises. “Não adianta tomar todos os medicamentos corretamente e conviver diariamente com mofo ou outras fontes de irritação respiratória. O tratamento e os cuidados com o ambiente precisam caminhar juntos”, afirma. Na rotina de Adelma, a limpeza da casa é uma das principais estratégias para reduzir os sintomas. “Preciso tirar a poeira e limpar as superfícies todos os dias. Troco a roupa de cama a cada três dias, mesmo quando não está suja, e ainda assim as crises costumam ser mais intensas durante a noite. Eu preciso dormir usando oxigênio”, conta. Entre as orientações dos especialistas para manter a doença sob controle estão: Utilizar a medicação conforme prescrição médica; Evitar contato com poeira, mofo e ácaros; Manter os ambientes limpos e ventilados; Não fumar e evitar exposição à fumaça; Realizar acompanhamento médico regular; Evitar o contato com produtos e odores que provoquem irritação respiratória. [LEIA_TAMBEM]Referência para casos de difícil controle O Hospital de Base oferece atendimento especializado para pacientes com asma de difícil controle. Essa classificação é destinada aos casos em que a doença permanece sem controle mesmo após o uso correto das medicações e a adoção das medidas recomendadas para reduzir os fatores de risco ambientais. “São situações em que, mesmo com ajustes no tratamento e aumento das doses dos medicamentos, ainda não se obtém um controle satisfatório da doença”, explica a pneumologista. Adelma está entre os pacientes acompanhados pelo serviço especializado do HBDF. Além dos medicamentos utilizados diariamente em casa, ela recebe mensalmente aplicações de medicamentos específicos para auxiliar no controle da doença. Atualmente, o Distrito Federal conta com cerca de 27 centros de referência para atendimento de pessoas com asma, distribuídos entre hospitais regionais e unidades de saúde. Esses serviços oferecem diagnóstico, acompanhamento especializado e acesso à medicação. Para ingressar na rede de atendimento, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS), responsável pela avaliação inicial e pelo encaminhamento dos pacientes quando necessário. Para Adelma, o tratamento adequado representa muito mais do que o controle dos sintomas: significa qualidade de vida. “Sem os remédios é um sofrimento muito grande, fica difícil viver. Quando consigo seguir o tratamento completo, até o som da minha respiração melhora”, comemora. *Com informações do IgesDF
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Sazonalidade exige atenção redobrada com crianças asmáticas e com alguma deficiência
Com a chegada dos meses mais secos no Distrito Federal, não é apenas o desconforto do clima que preocupa. Entre março e julho, a circulação de vírus respiratórios se intensifica e impacta diretamente a saúde infantil, especialmente de crianças asmáticas e com deficiência, que apresentam maior risco de agravamento e hospitalização. Como as crianças têm resposta imunológica imatura, o quadro de saúde logo evolui para gravidade | Fotos: Matheus Oliveira/ Agência Saúde DF Dados da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) mostram que, em 2025, foram registrados mais de 8,4 mil diagnósticos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), dos quais 3.871 (46%) casos e 15 mortes correspondem a crianças menores de 1 ano de idade. Parte significativa dos casos graves corresponde a crianças menores de 5 anos. A resposta imunológica, ainda imatura nessa fase da vida, contribui para a rápida evolução dos quadros, especialmente diante de vírus mais agressivos. "Os principais sinais de gravidade em crianças asmáticas e com deficiência são cansaço visível para respirar, fala entrecortada, febre persistente e a criança pouco responsiva" Andréa Martha Rodrigues, médica especialista em asma “Os principais sinais de gravidade em crianças asmáticas e com deficiência são cansaço visível para respirar, fala entrecortada, febre persistente e a criança pouco responsiva”, alerta a referência técnica distrital de asma da SES-DF, Andréa Martha Rodrigues. Quando procurar atendimento Casos leves de crianças com asma costumam apresentar melhora nas primeiras 24 horas com uso de medicação prescrita pelo médico. No entanto, a ausência de resposta ao tratamento exige atenção imediata. “Se após o uso das medicações habituais não houver melhora ou surgirem sinais de alerta, é fundamental buscar atendimento. Casos leves devem ir às unidades básicas de saúde, enquanto os graves precisam de pronto-socorro”, orienta a especialista. Entre os casos que exigem maior vigilância estão os de crianças menores de 2 anos, principalmente bebês prematuros. Nessa faixa etária, o sistema imunológico ainda não está completamente desenvolvido, o que reduz a capacidade de defesa do organismo e favorece a progressão rápida da doença para quadros mais graves. Imunização De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), infecções virais respiratórias estão entre os principais fatores de desencadeamento de crises de asma. O rinovírus é o mais frequente, mas o vírus influenza também tem papel relevante ao agravar sintomas e aumentar o risco de complicações. A vacina é considerada a principal medida de prevenção da influenza [LEIA_TAMBEM]Outro ponto de atenção é a possibilidade de infecções bacterianas secundárias. Após um quadro viral, as vias aéreas ficam mais vulneráveis, o que pode levar a complicações como sinusite, otite e pneumonia, especialmente em crianças com doenças respiratórias prévias. A vacinação contra a influenza é considerada a principal medida de prevenção. Ao estimular a produção de anticorpos, a vacina fortalece a resposta do organismo e diminui o risco de internações. Crianças de 6 meses a 5 anos, 11 meses e 29 dias fazem parte do público prioritário para a vacinação contra influenza. Além da imunização, medidas como manter ambientes ventilados, evitar aglomerações e reforçar a higiene das mãos seguem como estratégias importantes para reduzir a transmissão. Confira os locais onde a vacina está disponível. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Policlínica do Gama passa a oferecer exame de espirometria infantil
Um novo serviço passou a integrar a rotina assistencial da Policlínica do Gama neste mês: a implantação da espirometria infantil, em atendimento a pedidos de famílias que acompanham crianças com problemas respiratórios. O exame tem como objetivo avaliar a função pulmonar e apoiar o diagnóstico e o monitoramento de doenças como asma e bronquite. Paciente utiliza um tubo bucal e um clipe nasal, fazendo manobras respiratórias orientadas para o exame | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF “A chegada da espirometria infantil é um avanço importante, especialmente porque a policlínica já conta com pneumologia e alergologia”, afirma a técnica de enfermagem e espirometria da unidade hospitalar, Durci Leitão. “O paciente realiza o exame no mesmo local onde já é acompanhado pelo profissional, o que torna o cuidado mais integrado e eficiente.” Etapas do exame [LEIA_TAMBEM]A espirometria é um exame simples, indolor e não invasivo, indicado para crianças a partir dos seis anos de idade. Por meio da avaliação, os profissionais conseguem analisar como o ar entra e sai dos pulmões. Esse passo contribui para a identificação de alterações respiratórias e para a definição da conduta clínica. O acesso ao serviço ocorre mediante regulação pela Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência do paciente. De acordo com Durci Leitão, a criança não precisa estar em jejum e recebe todas as orientações antes de iniciar o procedimento. Durante o exame, o paciente utiliza um tubo bucal e um clipe nasal, fazendo manobras respiratórias orientadas pelo profissional. Na primeira etapa, o teste é feito sem o uso de remédio. Em seguida, a criança recebe um broncodilatador, que ajuda a abrir as vias respiratórias. Após alguns minutos, o exame é repetido. “Essa comparação mostra como o pulmão reage ao medicamento e ajuda a médica a definir o diagnóstico e o tratamento”, explica a técnica. O exame é essencial para diferenciar doenças, como a asma, de outras condições, como alergias. Pacientes com asma precisam do laudo de espirometria para retirar medicamentos na Farmácia de Alto Custo Esse foi o caso da paciente Maria Júlia, 12, que foi submetida a espirometria pela primeira vez devido a crises alérgicas frequentes. Para a mãe, Claudiane Batista, 36, o exame representa um passo decisivo no cuidado da filha: “Ela já passou por vários tratamentos e ainda não tem um diagnóstico preciso; com esse exame, a expectativa é ter mais clareza sobre o quadro e direcionar ao melhor tratamento”. Requisito para medicação Além do suporte ao diagnóstico e ao acompanhamento clínico, o laudo da espirometria também é exigido para que pacientes com asma possam retirar medicamentos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), conhecido como Farmácia de Alto Custo. Há quatro vagas diárias para o exame, que é disponibilizado de terça a sexta-feira, no período da manhã. Os resultados costumam ser vistos na mesma semana, com laudos emitidos às quintas-feiras. A meta é ampliar gradualmente o número de vagas, conforme a capacitação de novos profissionais. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Viver bem com asma é possível: Histórias de superação no Hospital de Base
Celebrado em 21 de junho, o Dia Nacional do Controle da Asma chama atenção para uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns e que, embora não tenha cura, pode ser controlada. No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), pacientes como Márcia Madalena Santos, 78 anos, e Germaila Ribeiro, 40, são exemplos de que é possível viver bem com a condição quando se tem acompanhamento adequado e uma rotina de cuidados. Márcia convive com a asma desde a infância. Hoje, participa das sessões de fisioterapia respiratória oferecidas pelo hospital. “Se a gente não se cuida, vem a crise e derruba mesmo”, conta. “Com o tratamento, consigo fazer minhas coisas com menos cansaço. Mas tem que cuidar todo dia”. Com histórico familiar da doença, ela aprendeu que o controle está nos detalhes da rotina: “Minha mãe teve, meus filhos também. É de família. Eu já sei como é. Hoje, com a fisioterapia, me sinto melhor. Faço minhas coisinhas com menos cansaço”. Márcia Madalena Santos participa das sessões de fisioterapia respiratória no Hospital de Base | Fotos: Divulgação/IgesDF Já Germaila, paciente do HBDF há 27 anos, lembra que enfrentava crises severas durante a infância, no Maranhão: “Desmaiava com falta de ar, era direto no balão de oxigênio. Aqui, com o acompanhamento, tudo mudou. Hoje eu trabalho, cuido da casa e vivo com mais tranquilidade”. O alergologista Vitor Pinheiro, do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), explica que a asma é uma inflamação crônica das vias aéreas, com sintomas como tosse seca, chiado, aperto no peito e falta de ar. A gravidade e a frequência variam, e o controle depende de prevenção, educação e adesão ao tratamento contínuo. “Muitas pessoas só buscam ajuda nas crises, mas isso é um erro. O tratamento é diário, com remédios, mudança de hábitos e atenção aos gatilhos”, alerta Vitor. Ambulatório especializado No Hospital de Base, os casos mais graves da doença recebem atendimento no ambulatório específico para asma moderada a grave, voltado à atenção terciária. O serviço é referência por oferecer acompanhamento especializado e acesso ao que há de mais avançado no tratamento: os imunobiológicos. O acesso a essa medicação com distribuição pelo SUS representa um diferencial importante, especialmente para pacientes com asma grave de difícil controle, que continuam enfrentando crises mesmo com o uso adequado de medicamentos convencionais. Esse tipo de tratamento é fundamental para quem, mesmo seguindo corretamente o tratamento, continua enfrentando crises e limitações no dia a dia. [LEIA_TAMBEM]Cuidado que fortalece Segundo o fisioterapeuta do HBDF, Reubi Farias, o trabalho com os pacientes inclui exercícios para fortalecer a musculatura e reduzir a sobrecarga respiratória: “Com mais força e resistência, os pacientes enfrentam menos crises e diminuem o uso de bombinhas. E isso impacta diretamente na qualidade de vida, especialmente no frio e na seca”. Vacinar é cuidar Entre os principais fatores que agravam a asma estão infecções respiratórias, mofo, poeira, pelo de animais e mudanças bruscas de temperatura. Segundo o especialista, manter a vacinação em dia é fundamental, especialmente contra o vírus influenza. “A gripe pode desencadear crises graves. Por isso, os asmáticos devem se vacinar todos os anos. É uma medida simples, mas extremamente eficaz”, aponta o alergologista. Ele também alerta para os cuidados redobrados no inverno, quando o clima seco e frio favorece infecções respiratórias: “Evitar locais fechados e aglomerações, manter o ambiente arejado e seguir o tratamento corretamente são atitudes que fazem a diferença”. Só em maio de 2025, o Hospital de Base atendeu 198 pacientes asmáticos ambulatorialmente Rede que cuida Referência em média e alta complexidade, o HBDF atendeu 198 pacientes asmáticos ambulatorialmente só em maio deste ano. O acompanhamento começa pelas unidades básicas de saúde (UBSs), responsáveis pelo diagnóstico inicial e encaminhamento ao hospital, quando necessário. O diagnóstico precoce é essencial. Em casos de asma alérgica – o tipo mais comum –, testes de sensibilidade, histórico de rinite e dermatite atópica ajudam a definir o melhor tratamento. “Crianças com histórico familiar têm maior chance de desenvolver a doença. Por isso, sinais como chiado, tosse noturna ou falta de ar devem ser observados desde cedo”, orienta Vitor Pinheiro. “Só tomar remédio não basta. É preciso entender a doença, seguir as orientações médicas, manter o ambiente limpo, evitar gatilhos e, principalmente, se vacinar. Com informação e cuidado, é possível viver bem com asma.” *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
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Hospital do DF é referência em alergologia e oferece atendimento especializado
Maio é o mês de conscientização para problemas de saúde relacionados a alergias, uma iniciativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Neste período, o Dia Mundial da Asma (6) e o Dia Nacional da Prevenção à Alergia (7) reforçam a importância do diagnóstico e tratamento adequado. No Distrito Federal, o Serviço de Alergia do Ambulatório do Hospital de Base (HBDF) se destaca como referência para quem enfrenta essas condições. “Não se pode mais ignorar doenças como rinite ou asma, que afetam a qualidade de vida”, afirma o médico Thales Antunes, chefe do Serviço de Alergia do ambulatório do Hospital de Base | Foto: Alberto Ruy/IgesDF No HBDF, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), o serviço atende cerca de 300 adultos por semana, encaminhados pela regulação da Secretaria de Saúde (SES-DF) ou por outras especialidades do próprio hospital. Os pacientes chegam com asma, rinite, urticária crônica espontânea, angioedema, dermatite atópica, alergia a medicamentos e erros inatos da imunidade. A espera para atendimento no ambulatório do hospital é praticamente zero, segundo o chefe do serviço, Thales Antunes, que é médico alergologista e imunologista do IgesDF. “A regulação tem funcionado bem”, afirma. “Apenas alguns pacientes aguardam em toda a rede, o que mostra uma resposta ágil do trabalho da nossa equipe. Atendemos principalmente casos de asma, rinite e dermatite atópica”. A equipe do Serviço de Alergia conta com seis médicos que atuam de segunda a sexta-feira, com consultas personalizadas, e dispõe de exames específicos para investigação clínica das doenças alérgicas. Foco na experiência Maria Anete de Sousa do Carmo, 53, faz acompanhamento para tratamento de alergia no Hospital de Base há mais de dez anos, tendo recentemente começado a imunoterapia. “A médica é maravilhosa, muito acolhedora”, relata. "As alergias, às vezes, têm a ver com o emocional da pessoa, então ela conversa comigo, explica e orienta direitinho os cuidados que a gente tem que ter em casa”, detalha. “Ela pediu para que eu fizesse o teste de costa para complementar o tratamento e obter um resultado melhor, além da medicação que eu já uso.” O teste de costa, também conhecido como patch test ou teste de alergia de contato, é realizado para identificar substâncias que causam reações alérgicas na pele. “Eles aplicaram uns adesivos nas minhas costas”, conta Maria Anete. Tratamento em várias frentes Para tratar a rinite, o protocolo inclui antialérgicos e corticosteroides tópicos nasais, além de controle ambiental. “Se o paciente tem sensibilidade a aeroalérgenos, como ácaros, e o quadro é grave, indicamos a imunoterapia, um tratamento de dessensibilização”, explica Thales Antunes. O prick test, um exame cutâneo que identifica sensibilização a aeroalérgenos, é uma das ferramentas disponíveis na unidade. Já a asma, embora não tenha cura, é uma doença controlável. Segundo o especialista, o tratamento varia conforme a gravidade. São utilizados desde corticosteroides inalatórios e broncodilatadores até medicamentos imunobiológicos nos casos mais graves. “A asma é uma inflamação pulmonar”, explica o médico. “A hiperreatividade brônquica pode causar crises sérias, com risco de morte, por isso a doença precisa ser levada a sério”. [LEIA_TAMBEM]A dermatite atópica, também comum no ambulatório, é uma das mais desafiadoras. A doença afeta a barreira da pele e envolve fatores alérgicos, emocionais e imunológicos. O tratamento combina hidratação constante, corticosteroides tópicos nas crises e, em casos graves, medicamentos sistêmicos, como imunossupressores ou imunobiológicos. Prevenção e conscientização Entre os cuidados preventivos, o destaque é manter os ambientes arejados, sem poeira, tapetes ou cortinas, e identificar os fatores desencadeantes. “Com o prick test, identificamos os alérgenos e orientamos cada paciente sobre o que evitar”, reforça Thales. A demanda por atendimento especializado tem crescido, e o médico ressalta a importância da conscientização. “Não se pode mais ignorar doenças como rinite ou asma, que afetam a qualidade de vida”, aponta. “Temos ferramentas e medicamentos eficazes, muitos deles na rede pública; e, com acesso e adesão ao tratamento, o risco de crises graves e internações diminui significativamente”. *Com informações do IgesDF
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Temporada de gripe pode agravar crises de asma; veja como evitar
Falta de ar, chiado, sensação de pressão no peito, tosse e cansaço ao falar são alguns dos sintomas de uma crise de asma, doença pulmonar inflamatória e crônica que causa obstrução das vias aéreas, dificultando a passagem do ar. Após passar por sucessivas doenças respiratórias, Rosemeire Pereira faz acompanhamento no Hran: “Sigo o controle diário, faço fisioterapia para fortalecer os pulmões e tomo as medicações corretamente” | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde A pneumologista Andréa Martha Rodrigues, referência técnica distrital (RTD) de asma na Secretaria de Saúde (SES-DF), fala sobre a importância de identificar os fatores desencadeantes das crises: “Pode ser a poeira, uma infecção viral, ácaros, pólen, pelos de animais, fumaça de cigarro, produtos químicos, poluição, exercício físico intenso ou estresse. A lista é grande”. Segundo a especialista, doenças respiratórias, como a gripe e a covid-19, são grandes responsáveis por agravar as crises, pois aumentam as chances de crianças – principalmente – e adultos desenvolverem bronquiolite e pneumonia, por exemplo. Medicações No caso de Rosemeire Pereira, 55, a covid-19 foi o gatilho para a crise mais recente. Ela recebeu o diagnóstico há três anos, após sucessivas doenças respiratórias, e hoje faz acompanhamento no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). “Estou cansada, tenho dificuldade até para fazer um esforço mínimo, sinto chiado e muita tosse – isso porque sigo o controle diário, faço fisioterapia para fortalecer os pulmões e tomo as medicações corretamente”, relata ela, que utiliza direto as bombinhas broncodilatadoras. Segundo o Registro Brasileiro de Asma Grave de 2024, 60% dos pacientes não fazem controle da doença Já Maria Guiomar Moraes, 61, conhece a asma desde a infância e sabe de cor o passo a passo para controlar suas crises: “Utilizo a bombinha de uso diário e a de resgate. Acho essencial acompanhar e realizar o treinamento corretamente para evitar que a crise se agrave”. Embora Rosemeire e Maria saibam reconhecer os sinais de uma crise, um estudo do Registro Brasileiro de Asma Grave (Rebrag) sobre asma grave no país, divulgado em 2024, aponta que 60% dos pacientes não têm a doença controlada. O histórico de hospitalizações chega a 69% entre maiores de 18 anos. Tratamento “Priorizar os exercícios aeróbicos também ajuda no fortalecimento do abdômen e dos pulmões” Andréa Rodrigues, pneumologista A asma é uma doença sem cura que atinge cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Só no Brasil, 20 milhões de habitantes convivem com a doença. Apesar desse cenário, existem tratamentos eficazes que permitem o controle pleno da asma, como o uso adequado dos broncodilatadores inalatórios, a vacinação anual contra gripe e pneumonia e as medicações específicas sob orientação médica. “Além desses pontos, pessoas asmáticas precisam dar atenção especial à higiene e à alimentação, uma vez que ambas auxiliam na produção de anticorpos e impactam a imunidade”, lembra a pneumologista Andréa Rodrigues. “Priorizar os exercícios aeróbicos também ajuda no fortalecimento do abdômen e dos pulmões.” Clima O tempo seco é outro fator que dificulta a vida de quem convive com a asma, pois provoca inflamações nas vias aéreas superiores associadas a ressecamento e inflamações nasais recorrentes. “Evitar a baixa umidade e a exposição em dias muito quentes, com alta poluição, é o recomendado”, pontua a médica. No Distrito Federal, o tratamento e o acompanhamento são oferecidos em todos os níveis de assistência. Desde 1999, a população conta com o Programa de Atendimento ao Paciente Asmático – que, aliado à capacitação dos profissionais da saúde, permitiu o desenvolvimento de 27 centros de referência que atendem aos casos mais complexos e de difícil controle. Com equipes aptas a diagnosticar, as unidades básicas de saúde (UBSs) continuam sendo a porta de entrada aos serviços. Em caso de crises recorrentes, os profissionais encaminham os pacientes para ambulatórios especializados, onde a análise é feita com base na história clínica, no exame físico e nos testes de função pulmonar. Automedicação Segundo Andréa Rodrigues, o paciente diagnosticado com asma precisa manter a medicação em dia e utilizá-la de forma emergencial, quando necessário. Para ela, a automedicação é um desafio, pois a venda de corticoides e broncodilatadores sem prescrição médica possibilita o uso de doses altas sem necessidade ou por tempo prolongado, o que pode reduzir sua eficácia ou até mesmo agravar o quadro clínico e a doença. Já o uso prolongado de corticoides de forma sistêmica, adverte a médica, pode causar gastrite, úlceras gástricas e osteoporose, enquanto os broncodilatadores podem ocasionar arritmias cardíacas. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Especialista alerta sobre principais sintomas de asma na infância
Preocupante para os pais e desconfortável para as crianças, a asma é a doença crônica mais comum na infância e uma das principais causas de atendimento em emergências pediátricas. Nos primeiros anos de vida, pode ser confundida com outras doenças respiratórias – por isso, a recomendação é buscar atendimento nas unidades de saúde do Distrito Federal para um correto diagnóstico. Os sintomas mais comuns da asma incluem respiração curta e acelerada, falta de ar e chiado no peito (sibilos) | Fotos: Alberto Ruy/IgesDF Com a chegada do período sazonal das doenças respiratórias, muitas crianças têm chegado ao pronto-socorro pediátrico do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) com crises agudas de asma. A doença é caracterizada pela inflamação das vias aéreas, que provoca inchaço e estreitamento, dificultando a respiração. Afeta os pulmões, especificamente os brônquios, responsáveis por conduzir o ar. O estreitamento desses canais pode desencadear crises que, em casos graves, levam à falta de oxigenação dos tecidos e, em situações extremas, ao óbito. Por ser uma condição crônica, o primeiro passo é obter um diagnóstico correto, realizado por meio de avaliações com o pediatra “A asma se manifesta de forma heterogênea, mas tem como principal característica a inflamação crônica das vias aéreas. Geralmente, surge nos primeiros anos de vida. O termo asma é mais comumente utilizado a partir dos 6 anos, enquanto antes dessa idade, alguns médicos e autores preferem chamá-la de sibilância ou bronquite”, explica o infectologista pediátrico do HRSM, Pedro Bianchini. Os sintomas mais comuns incluem respiração curta e acelerada, falta de ar e chiado no peito (sibilos). Além disso, infecções virais respiratórias desempenham um papel fundamental na piora das crises, pois aumentam a hiperreatividade brônquica e o processo inflamatório. “Outros fatores, como poluição, tabagismo passivo e exposição a alérgenos, também contribuem para o agravamento da doença. Além disso, um histórico familiar de asma é um fator de predisposição”, acrescenta o especialista. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a asma afeta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, abrangendo todas as faixas etárias. No Brasil, estima-se que aproximadamente 20 milhões de pessoas tenham a doença, com alta prevalência entre crianças e adolescentes, chegando a 20% em algumas regiões urbanas. Segundo Bianchini, por ser uma condição crônica, o primeiro passo é obter um diagnóstico correto, realizado por meio de avaliações com o pediatra. O diagnóstico preciso e o tratamento – tanto para crises agudas quanto para o controle da doença a longo prazo – costumam ser conduzidos pelo pediatra, podendo haver encaminhamento para um pneumologista ou alergista pediátrico, quando necessário. “As orientações sobre mudanças de hábitos e o uso de medicações específicas para reduzir a frequência e a intensidade das crises devem ser feitas pelo pediatra, com ajustes frequentes conforme a evolução do quadro. O acompanhamento regular da criança é essencial”, conclui o especialista. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
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Hospital da Criança de Brasília conta com medicação imunobiológica para asma grave
O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) é referência para o tratamento de asma grave. Para alcançar bons resultados no tratamento dos pacientes, a instituição conta com equipe multiprofissional especializada que dispõe dos recursos para fazer o diagnóstico e tratar adequadamente a doença. Entre as tecnologias de fronteira incorporadas ao SUS, o HCB emprega o imunobiológico Omalizumabe, que faz toda a diferença na vida das crianças elegíveis para essa terapêutica. Uma vez por mês, Luiza Duarte, 11 anos, comparece ao hospital para tratar asma grave. A menina recebe injeção do Omalizumabe periodicamente para receber a injeção subcutânea sob supervisão médica. A última crise de asma de Luiza Duarte foi em 2022 | Fotos: Maria Clara Oliveira/ HCB Atualmente, o HCB atende cerca de 250 crianças e adolescentes diagnosticados com asma grave – desses, 27 fazem uso do Omalizumabe. O remédio é indicado para pacientes que não apresentam resposta a outros tratamentos. “Ele é para quem já tentou de tudo: está em altas doses de corticoide, a mãe já fez o controle ambiental, já fizemos revisão das medicações, da técnica inalatória e o paciente não melhora”, explica a enfermeira Kely Silva, que acompanha as crianças em atendimento ambulatorial no hospital. A medicação, disponibilizada pelo HCB desde 2019, contribui para aumentar a qualidade de vida de crianças como Luiza. A menina teve a primeira crise de asma quando ainda era um bebê. “Notamos os primeiros sintomas assim que ela nasceu – bebezinha, ela já tinha dificuldade para respirar. Com dois meses de vida, ela teve a primeira internação e foi só prosseguindo”, relata a mãe da criança, Meiriane Duarte. Desde que iniciou o protocolo com o remédio, porém, Luiza percebeu a melhora no quadro de saúde: a última crise de asma foi em 2022. O uso do Omalizumabe aumenta a qualidade de vida das crianças que sofrem com a asma grave A pneumologista pediatra do HCB Carmen Martins conta que o Omalizumabe é voltado, especificamente, a crianças e adolescentes diagnosticados com asma grave, prevalente na faixa etária pediátrica. O Omalizumabe funciona bloqueando uma substância chamada imunoglobulina E (IgE), que é produzida pelo organismo. “A IgE é uma imunoglobulina que modula a alergia, está ligada à asma alérgica. O Omalizumabe bloqueia o receptor da IgE, impede que a crise aconteça e o paciente melhora”, explica a médica. “O medicamento está na etapa cinco da estratégia de orientação mundial do tratamento dado ao paciente asmático – a etapa da asma grave. O paciente já está se tratando, já está com o corticoide inalatório em altas doses, foi investigado para outras doenças, já foram vistos outros fatores complicadores, já tem seis meses de tratamento e continua exacerbando, tendo crises”, relata Martins. Além dos critérios de tratamento, é preciso que a criança tenha mais de 6 anos de idade e que tanto o peso quanto o nível de IgE (verificado por meio de exames realizados no HCB) correspondam às prescrições da bula do medicamento. Eduardo Sampaio: “O tratamento também ajudou bastante na questão de exercícios: antes, me dava aquela tosse que desencadeava a crise; agora, consigo fazer educação física tranquilamente” Aos 14 anos de idade, Eduardo Sampaio é mais um paciente que faz uso do Omalizumabe no HCB. O jovem foi diagnosticado com asma ainda criança e inquietava a família. “Como eram crises muito fortes, era preocupante ter alguma coisa; e se ele estivesse sozinho, ou na escola, fazendo muito esforço? Na escola era mais preocupante, porque, dependendo da crise, ele tinha que ir para o hospital”, conta Giovanna Sampaio, irmã de Eduardo. Depois de ser encaminhado ao Hospital da Criança e iniciar o uso do imunobiológico, o adolescente notou os resultados positivos: a última crise de asma foi há tanto tempo que ele nem se lembra. “O tratamento também ajudou bastante na questão de exercícios: antes, me dava aquela tosse que desencadeava a crise; agora, consigo fazer educação física tranquilamente”, conta Eduardo, que também faz aulas de vôlei. Encontros tiram dúvidas No HCB, crianças e adolescentes com asma são acompanhados por alergistas e pneumologistas, garantindo que cada paciente receba o tratamento. Além das consultas, medicações e exames, as famílias acompanhadas participam de encontros de educação em saúde, recebendo orientações sobre o controle do ambiente frequentado pelo paciente. “Falamos sobre o diagnóstico, sobre o que acontece no pulmão, quais são os fatores que podem desencadear as crises, revemos a técnica inalatória”, afirma a enfermeira Kely Silva. Durante as “aulas”, ela faz recomendações, especialmente, quanto à limpeza da casa. “Recomendamos evitar tudo que vai levantar pelo: vassoura, pano seco. A recomendação é que se higienize a casa jogando água ou com pano úmido. Evitar produtos com cheiro forte, muita água sanitária, inseticidas, desodorizadores de ambiente – mesmo aquele do palitinho, que está na moda, não é recomendado”. Silva alerta, ainda, sobre o uso de umidificador de ar: “Ele não é bom, porque vai fazer proliferar mais ácaros no ambiente”. Os momentos de educação em saúde são realizados mensalmente, tanto de forma presencial quanto virtual, e cada família precisa participar de pelo menos um deles por ano. Meiriane Duarte tenta comparecer com mais frequência do que a obrigatória e segue à risca as orientações da equipe: “Participo das aulas quando consigo. A limpeza da nossa casa sempre é feita com água, não utilizo vassoura”. *Com informações do HCB
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Pacientes com asma devem procurar UBSs e ambulatórios especializados
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores que pode ter causa genética de pais com histórico de alergias ou por questões ambientais. No Distrito Federal, o tratamento e o acompanhamento são oferecidos em todos os níveis de assistência e, desde 1999, a população conta com o Programa de Atendimento ao Paciente Asmático. A iniciativa e a capacitação de profissionais da saúde permitiram o desenvolvimento de 27 centros de referência que atendem aos casos mais complexos e de difícil controle. Com equipes aptas a darem o diagnóstico, as unidades básicas de saúde (UBSs) continuam sendo a porta de entrada e acompanhamento. Em casos de crises recorrentes de asma, a equipe encaminha os pacientes aos ambulatórios especializados. A análise é realizada com base na história clínica, no exame físico e nos testes de função pulmonar. Referência técnica colaborativa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) no assunto, a pneumologista Andréa Rodrigues destaca, neste Dia Nacional de Controle da Asma, 21 de junho, que a doença é traiçoeira e, mesmo com muito tempo sem dar sinal, pode aparecer de forma súbita e fatal. “A asma não tem cura. Com isso, o paciente diagnosticado precisa manter a sua medicação em dia e de forma emergencial. Os sintomas surgem, na maioria das vezes, durante as mudanças de clima e de ambiente. O frio, a fumaça, pelos de animais e infecções virais são fatores desencadeantes das crises”, ressaltou. Andréa Rodrigues: “Com o uso correto da medicação e o acompanhamento contínuo, a pessoa consegue ter uma vida normal. Mas quem não segue o tratamento pode, inclusive, ter perda da função pulmonar” | Fotos: Agência Saúde/ Divulgação O caso recente da jovem Thais de Oliveira, 25 anos, chamou a atenção do país: ela foi internada em estado grave após cheirar pimenta em conserva. O episódio desencadeou de forma súbita uma crise de asma, conforme o relato da mãe. A pneumologista Andréa Rodrigues reforça que é fundamental que o próprio paciente defina os gatilhos e entenda o que desencadeia os sintomas. Segundo a médica, cheiros fortes, fumaça e até um simples perfume podem iniciar uma crise. “O mais importante é a doença ser diagnosticada logo na primeira infância e ser mantido o controle, já que ela não tem cura. Com o uso correto da medicação e o acompanhamento contínuo, a pessoa consegue ter uma vida normal. Mas quem não segue o tratamento pode, inclusive, ter perda da função pulmonar”, alerta Andréa. Entre os aspectos ambientais, estão a exposição à poeira e à barata, aos ácaros e aos fungos, as variações climáticas e infecções virais (especialmente o vírus sincicial respiratório e o rinovírus, principais agentes causadores de pneumonia e resfriado, respectivamente). Para os fatores genéticos, destaca-se o histórico familiar de asma ou rinite e obesidade, tendo em vista que pessoas com sobrepeso têm mais facilidade de desencadear processos inflamatórios, como a asma. Lucélia Queiroz, podóloga, tem 50 anos e é paciente da rede pública há 30 anos. Vinda de Buritis, em Minas Gerais, ela tem o diagnóstico desde a infância e acredita que herdou dos pais e dos avós. “Faço o acompanhamento na UBS 3 da Vila Planalto e vim para o ambulatório do Hran [Hospital Regional da Asa Norte] para uma reavaliação com exames atualizados. Nunca mais tive crise e hoje sei o que me faz mal. Tive problemas no uso da bombinha, mas agora já aprendi”, destaca. Lucélia Queiroz (E), paciente com asma há 30 anos, aprendeu o que desencadeia as crises dela O uso da bombinha é um problema nos atendimentos dos ambulatórios. Segundo a pneumologista do Hran Flávia Bastos, “temos muitos pacientes que voltam ao ambulatório descompensados e, quando analisamos o porquê, descobrimos que trata-se de dificuldade com o uso da bombinha. Quando isso acontece, o medicamento acaba não funcionando e impede que a doença seja tratada”. Internações e prevalência da doença [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] Somente neste ano, a SES-DF já registra mais de 1,3 mil casos de internação de crianças de 1 a 9 anos. Em 2022, foram mais de três mil casos na mesma faixa etária. Conforme os dados do Ministério da Saúde, a asma é um dos problemas de saúde respiratórios mais recorrentes no Brasil e a doença crônica de maior prevalência na infância e na adolescência. No país, oitava posição em prevalência de asma no mundo, estima-se que 23,2% da população vivam com a doença, e a incidência varia de 19,8% a 24,9% entre as regiões. Estudo recente mostrou, ainda, que as hospitalizações por asma custaram US$ 170 milhões, o que corresponderia a mais de R$ 800 milhões ao sistema público de saúde nacional. A crise aguda de asma é caracterizada por episódios de aumento progressivo dos sintomas de falta de ar, tosse, respiração ruidosa ou opressão torácica e diminuição progressiva da função pulmonar. O acompanhamento do paciente asmático e o plano terapêutico, além das unidades básicas, ocorre também nos 27 centros de referência localizados no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), Hran, Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Hospital Regional do Gama (HRG), Hospital Regional do Guará (HRGu), Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Hospital Regional de Sobradinho (HRS), Hospital da Região Leste (HRL), Hospital Regional de Planaltina (HRPl), Hospital Universitário de Brasília (HUB), Hospital da Criança de Brasília (HCB), Unidade Mista de Taguatinga. Unidades básicas com referência técnica: UBS 1 da Asa Sul, UBS 1 da Candangolândia, UBS 1 de Ceilândia, UBS 1 do Guará, UBS 1 do Núcleo Bandeirante, UBS 1 do Recanto das Emas, UBS 1 do Riacho Fundo, UBS 1 de São Sebastião. Em caso de crise, é necessário buscar as unidades ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192, que também atende a situações de problemas cardiorrespiratórios. *Com informações da SES
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Tabagismo é doença crônica e causa danos graves ao meio ambiente
[Olho texto=”“A pandemia interferiu em todos os sentidos da nossa vida. É extremamente importante abandonar o uso do tabaco, pois evita o desenvolvimento de outras doenças crônicas além do tabagismo. Quanto mais cedo a pessoa parar de fumar, menor o risco de adoecimento e morte precoce” – Nancilene Melo, pneumologista e Referência Técnica Distrital (RTD) de Tabagismo” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] O Dia Mundial da Saúde deste ano, promovido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), apresenta o tema “Nosso planeta, nossa saúde”. A data é celebrada nesta quinta-feira (7) e incentiva diversos debates. A Secretaria de Saúde alerta para a importância da prevenção ao uso do tabaco e a promoção do meio ambiente saudável. O tabagismo é uma doença crônica e está relacionado com o desenvolvimento de aproximadamente 50 outras enfermidades. Como exemplos, estão os diversos tipos de câncer: pulmão, boca, laringe, faringe, estômago, esôfago, bexiga, entre outros. Além de doenças do aparelho respiratório, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), enfisema simples, bronquite crônica e asma. A enfermidade também pode resultar em doenças cardiovasculares, como infarto cardíaco, angina, hipertensão, acidente vascular cerebral, e outras doenças como úlceras do aparelho digestivo. Também contribui para a impotência sexual, osteoporose, catarata, menopausa precoce e complicações na gravidez. O tabagismo como doença crônica está relacionado ao desenvolvimento de outras 50 enfermidades, entre elas câncer de pulmão, além de doenças do aparelho respiratório, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e bronquite crônica | Foto: Geovana Albuquerque / Arquivo Agência Saúde-DF “A pandemia interferiu em todos os sentidos da nossa vida. É extremamente importante abandonar o uso do tabaco, pois evita o desenvolvimento de outras doenças crônicas além do tabagismo. Quanto mais cedo a pessoa parar de fumar, menor o risco de adoecimento e morte precoce”, alerta a pneumologista e Referência Técnica Distrital (RTD) de Tabagismo, Nancilene Melo. Em 2019, 12% da população do Distrito Federal era fumante, o que corresponde a 288.802 pessoas. O dado é do IBGE e da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Com a pandemia, não foi possível dar continuidade à pesquisa. [Olho texto=”A cada 300 cigarros, uma árvore é cortada para uso nas fornalhas e produção de produtos de tabaco (secagem). Alguém que fuma um maço de cigarro por dia estará derrubando uma árvore de 15 em 15 dias” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Nancilene destaca que o tabaco causa danos desde o seu cultivo até o descarte de guimbas e dos dispositivos. Além de empobrecer a terra do cultivo, a substância causa danos à saúde dos trabalhadores das plantações de tabaco e consumidores dos produtos fumígenos, contribuindo para o desmatamento. Ainda culmina com a contaminação da terra e mares pelas substâncias nocivas das guimbas e baterias, no caso dos dispositivos eletrônicos. “Então, quanto menos pessoas estiverem consumindo, menos danos ocorrerão”, aponta. Segundo a RTD de Tabagismo, os dispositivos eletrônicos são apenas tecnologias modernas para consumir a nicotina. E não existe forma de consumo ou quantidade segura de nicotina para uso. “O cigarro eletrônico não possui combustão e nem o alcatrão. Mas tem, pelo menos, 80 substâncias nocivas à saúde, destacando-se metais pesados e substâncias cancerígenas. Já é comprovada a existência de uma doença pulmonar, chamada Evali, relacionada a esses dispositivos. Trata-se de uma doença grave, que acometeu jovens nos Estados Unidos, mas temos alguns casos já noticiados aqui no Brasil”, detalha. De acordo com Nancilene, esses dispositivos ainda podem conter elementos com potencial explosivo, como ocorreu com um usuário no Distrito Federal. “Além de saborizantes da indústria alimentícia, que camuflam a agressão dessas substâncias inaladas. Costumo dizer que o pulmão não come, ele respira. Logo, não foi preparado para digerir e não sabemos ainda quais serão as consequências desse uso a longo prazo”, avalia. O tabaco, além de empobrecer a terra do cultivo, causa danos à saúde dos trabalhadores das plantações e consumidores dos produtos fumígenos, contribuindo para o desmatamento Consequências ao meio ambiente Pesquisas apontam que fumantes jogam em média 10 bitucas de cigarro por dia em vias públicas. Considerando o total de fumantes do DF e 30 dias para cálculo, e estabelecendo o comprimento de 2 cm por bituca, elas corresponderiam à distância de 1.733 km, podendo ser enfileiradas, por exemplo, de Brasília à capital do Piauí, Teresina. Tratamento na rede [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Na rede pública do DF, o tratamento para auxiliar quem deseja parar de fumar é oferecido em cerca de 80 centros cadastrados, distribuídos nas sete regiões de saúde. Quem tiver interesse deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima da sua residência ou local de trabalho e fazer a inscrição. O tratamento segue uma abordagem cognitivo-comportamental, associado, quando necessário, a medicamentos que visam aliviar os sintomas da crise de abstinência causada pela dependência da nicotina, informa a RTD de Tabagismo. *Com informações da Secretária de Saúde do DF
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