Você sente tontura? Sintoma pode estar associado a diversas doenças
Tontura não é uma doença, mas um sintoma que pode estar ligado a várias condições clínicas. Presente em todas as faixas etárias, o problema exige atenção e investigação adequada. Entre as causas da tontura estão alterações hormonais, quadros de ansiedade e uso de múltiplos medicamentos | Foto: Matheus Oliveira/Agência Brasília A tontura não deve ser associada exclusivamente a problemas do labirinto (estrutura do ouvido interno responsável pela audição e pelo equilíbrio corporal), explica o otorrinolaringologista Ronaldo Granjeiro, referência técnica distrital (RTD) da Secretaria de Saúde (SES-DF). “Alterações hormonais, uso de múltiplos medicamentos e quadros de ansiedade também podem desencadear o sintoma”, aponta. “A prática de atividade física é importante para a manutenção do equilíbrio corporal” Ronaldo Granjeiro, otorrinolaringologista O diagnóstico é baseado na análise das queixas do paciente, informações colhidas pelo histórico clínico, presença de doenças pré-existentes, uso de medicamentos e hábitos de vida. Além disso, são feitos exames físicos e complementares. “Cada paciente apresenta características próprias da tontura que auxiliam no seu diagnóstico”, lembra o especialista. Tratamento Confirmado o diagnóstico, o tratamento varia conforme a causa e pode incluir uso de remédios, exercícios de reabilitação vestibular e o controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Alguns fatores podem agravar a tontura, como baixa ingestão de água, consumo excessivo de estimulantes (café, chocolate e determinados chás) e a ingestão elevada de bebidas alcoólicas. [LEIA_TAMBEM]A adoção de hábitos saudáveis também é fundamental na prevenção. “A prática de atividade física é importante para a manutenção do equilíbrio corporal”, orienta Granjeiro. Uma abordagem integrada entre otorrinolaringologistas e outras especialidades contribui para um tratamento mais eficaz. Atenção redobrada com idosos Embora possa ocorrer em qualquer idade, a tontura tende a ser mais frequente entre idosos. Nessa população, é comum a redução da função do sistema vestibular, quadro conhecido como presbivertigem, caracterizado por desequilíbrio crônico decorrente da degeneração natural das estruturas do ouvido interno. Além disso, a diminuição da força muscular e de reflexos aumenta o risco de quedas, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico e medidas preventivas, como musculação e ingestão de água. Dia de destaque Arte: Agência Saúde-DF Celebrado no dia 22 deste mês, o Dia Nacional da Tontura reforça a importância da avaliação médica para um diagnóstico correto. A campanha é capitaneada pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). A edição de 2026 chama a atenção para a relação entre tontura e alterações metabólicas. Condições como diabetes, hipoglicemia, resistência insulínica, disfunções da tireoide, alterações hormonais, anemia, dislipidemias, deficiência de vitaminas e desequilíbrios eletrolíticos podem interferir no funcionamento do sistema vestibular, contribuindo para o surgimento do sintoma. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Grupo multidisciplinar é criado na UBS 1 de Taguatinga para cuidados integrais de doenças crônicas
A Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 de Taguatinga abriu, nesta quinta-feira (19), um grupo coletivo voltado ao cuidado e à atenção integral de pacientes com doenças crônicas. O Viva Leve reúne uma equipe composta por nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudióloga, assistente social e farmacêutica. A proposta aborda o sobrepeso considerando aspectos físicos, emocionais e comportamentais. Os encontros são semanais, sempre às quintas-feiras. A turma terá acompanhamento por três meses, quando um novo grupo será formado. Os intregrantes do grupo dão força uns aos outros para poderem enfrentar as doenças tratadas no projeto | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF O projeto é resultado de uma observação da equipe: pacientes que, mesmo inseridos em diferentes atividades da unidade, apresentavam problemas semelhantes. “Todos tinham várias condições médicas em comum, como sobrepeso, dores crônicas, ansiedade, depressão, má qualidade de sono, entre outras”, elenca a nutricionista do grupo, Raquel Cota. A profissional destaca que a proposta é promover um cuidado integral, centrado na pessoa e não apenas na doença: “Estudos recentes indicam a importância de uma abordagem holística. Então, vamos tratar todas as questões — atividade física, estresse, saúde mental, sono, alimentação — simultaneamente”. Cuidado simplificado Eline Maria Brito: "No final desses três meses, pretendo estar com um peso menor, comendo mais saudável e controlando as minhas doenças" A fisioterapeuta da UBS 1 de Taguatinga, Maria Aparecida Moreira, explica que o grupo busca soluções práticas e acessíveis para o autocuidado no dia a dia. “Por exemplo, fazer atividade física em casa. Se o paciente não tem acesso a uma academia, como vai se exercitar? A gente pensa em uma solução para o problema. Assim, vamos identificando os dificultadores até a pessoa perceber que é capaz e que consegue sair de um processo não saudável”, indica. Com a expectativa alta e positiva, Eline Maria Brito, 61, está na primeira turma e espera controlar o diabetes e a hipertensão. “Cuidar da alimentação e do corpo pode ser bem complicado. Então, muitas vezes, precisamos buscar por um incentivo, uma ajuda, como o Viva Leve. Pretendo no final desses três meses estar com um peso menor, comendo mais saudável e controlando as minhas doenças”, revela. [LEIA_TAMBEM]A moradora de Taguatinga conta que o apoio coletivo é um dos diferenciais do grupo. “Acredito muito que vou alcançar as minhas metas porque, além de contar com excelentes profissionais, há os amigos do lado, que também são grandes incentivadores", afirma Eline. Nesse primeiro encontro, cerca de 20 usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) atendidos no território da unidade participaram das atividades. Para ampliar o suporte ao acompanhamento, cada integrante recebeu uma cartilha elaborada pela própria equipe da UBS 1 de Taguatinga. Na caderneta há espaços para registro da evolução individual, orientações de planejamento alimentar, definição de metas e monitoramento de hábitos. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Adultos do DF morrem menos de diabetes e AVC; câncer ainda demanda atenção
Dados de 2014 e 2024 mostram que adultos do Distrito Federal, entre 30 e 69 anos, morreram menos de diabetes, disparo de arma de fogo e acidente vascular cerebral (AVC). Câncer e dengue, contudo, tiveram crescimento. Infarto agudo do miocárdio liderou tanto em 2014 quanto em 2024. É o que mostra o Informativo Epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES-DF), com dados de 5.240 certidões de óbito de 2014 e 6.397 de 2024. Uma das ações de destaque da Secretaria de Saúde é o mutirão de atendimento a casos de câncer | Foto: Jhonatan Cantaelle/Agência Saúde-DF “O aumento no ranking de algumas doenças é um alerta para sensibilizar as pessoas a buscar os serviços de saúde e para a necessidade de qualificar a rede na detecção precoce e no tratamento em tempo oportuno, como é o caso dos cânceres de mama, de brônquios e pulmões e cólon, bem como da doença isquêmica crônica do coração” Mélquia Lima, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção à Saúde da SES-DF Um dos destaques foi a redução de mortes causadas por agressão com disparo de arma de fogo. De 2014 para 2024, o número caiu de 211 para 62 ocorrências na faixa etária de 30 a 69 anos, o suficiente para fazer essa causa de morte ir do segundo lugar para a 29ª posição. Também chama a atenção o registro dos óbitos decorrentes de diabetes mellitus: em 2014, foram 166 casos, ocupando o terceiro lugar; dez anos depois, 129 ocorrências fizeram a doença cair para a oitava posição. Populares no ranking Mélquia Lima, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção à Saúde da SES-DF, cita a redução dos casos de óbitos por diabetes, mostrando que o cuidado em saúde oferecido pelos serviços da rede pública pode ter contribuído. É preciso, também, avaliar os casos em que as doenças causaram mais óbitos. “O aumento no ranking de algumas doenças é um alerta para sensibilizar as pessoas a buscar os serviços de saúde e para a necessidade de qualificar a rede na detecção precoce e no tratamento em tempo oportuno, como é o caso dos cânceres de mama, de brônquios e pulmões e cólon [intestino], bem como da doença isquêmica crônica do coração”, explica a médica. Em 2014, o câncer de mama estava na quarta colocação do ranking; em 2024, apareceu na segunda posição. Já o câncer dos brônquios e dos pulmões subiu da sexta para a terceira colocação. Em 2024, o câncer de intestino (cólon) entrou para a lista das dez doenças com maiores causas de óbito, saindo da 19ª posição para a décima. O maior crescimento, porém, ficou com a dengue: saltou da 146ª posição, em 2014, para a 9ª em 2024. Ações concretas No caso da dengue, a epidemia registrada no DF entre 2023 e 2024 foi combatida com ações para tratamento de pacientes, como tendas de atendimento, e de ações contra o mosquito transmissor da doença. A SES-DF promoveu desde visitas domiciliares ao uso de tecnologias como armadilhas, drones e mosquitos inoculados com uma bactéria para reduzir a capacidade de transmissão da doença. O resultado foi visível: em 2025, houve uma queda de 96% nos casos prováveis de dengue no DF. [LEIA_TAMBEM]Já o câncer tem sido foco de ações consistentes. O destaque é o programa “O Câncer não espera. O GDF também não”, criado em 2025 para agilizar a realização de exames e de consultas, com mudanças no fluxo de pacientes. “É uma iniciativa que atua diretamente sobre os principais gargalos da rede, reduz tempos de espera, promove equidade e fortalece a integralidade do cuidado”, avalia a coordenadora do comitê de planejamento da SES-DF, Paula Muraro. No âmbito do programa, é possível mensurar as reduções: de março de 2025 a janeiro de 2026, a lista para consulta de oncologia caiu 52,3%, de 889 para 424 pessoas, considerando a inserção de mais de 300 novos casos por mês. O tempo de espera também caiu de 81 para 25 dias, 69,1% menor. Na radioterapia, por sua vez, a lista diminuiu 35,39%, passando de 630 para 407 pacientes, enquanto o tempo de espera caiu de 87 para 36 dias, 58,6% a menos. Mortes prematuras Mélquia Lima explica que esse tipo de informativo epidemiológico, com recorte da população de 30 a 69 anos, é feito em vários países a fim de compreender melhor os óbitos de pessoas em faixas etárias abaixo da expectativa de vida da população. Por esse motivo, tratam-se de mortes chamadas prematuras. “Vale ressaltar que o DF possui a maior expectativa de vida do Brasil, com média de 79,7 anos, superando a média nacional [76,6 anos]”, detalha Mélquia. “Segundo dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], as mulheres têm expectativa de 82,9 anos e os homens 76,3 anos no DF.” Além de embasar a tomada de decisões sobre políticas públicas, o informativo epidemiológico também serve de alerta para a própria população. Os dados mostram a importância de adotar hábitos de vida saudáveis, como atividade física, alimentação equilibrada, controle do estresse e sono de qualidade e realização de exames de rotina frequentemente. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Nem sempre é o fim: cuidados paliativos abrangem pacientes com qualquer doença grave ou crônica
“Ao contrário do que muita gente acha, não é sempre sobre o fim da vida. No meu caso, foi um começo de esperança, uma oportunidade, um acolhimento humanitário.” Este é o relato da paciente Luciana de Almeida, 49, diagnosticada com um câncer raro na região óssea do cóccix. Há sete anos, ela é acompanhada pela equipe de cuidados paliativos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). “É essencial desmistificar a ideia de que os cuidados paliativos só devem ser empregados quando não há mais possibilidade de tratamento” Melissa Gebrim Ribeiro Nieto, médica paliativista “É essencial desmistificar a ideia de que os cuidados paliativos só devem ser empregados quando não há mais possibilidade de tratamento. Mesmo em doenças com perspectiva de cura, há sofrimento físico, psicológico e social que pode precisar desse suporte. Atendemos pacientes com qualquer doença ameaçadora à vida, com qualquer prognóstico e em qualquer estágio da evolução natural da doença”, descreve a médica paliativista da SES-DF, Melissa Gebrim Ribeiro Nieto. Na rede pública, o tratamento paliativo envolve o trabalho de diversos profissionais, como médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, odontólogos e farmacêuticos. O serviço é acessado por meio de um pedido de parecer feito por qualquer profissional da equipe assistente do paciente, desde que a demanda seja especificada. O tratamento paliativo envolve o trabalho de diversos profissionais, como médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, odontólogos e farmacêuticos | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF Entre as doenças tratadas pela área estão câncer, Parkinson, esclerose múltipla, cardiopatias, problemas pulmonares crônicos, Aids, traumatismo craniano grave e doenças neurológicas, genéticas ou congênitas incuráveis, entre outras. Mais qualidade de vida Dados do Ministério da Saúde apontam que há mais de 625 mil pessoas em cuidados paliativos no país. Para a coordenadora da Atenção Especializada à Saúde da SES-DF, Julliana Tenorio Macêdo de Albuquerque Costa, esse tipo de apoio é crucial para garantir dignidade e qualidade de vida ao paciente. “Além de humanizar a assistência, esses cuidados reduzem internações desnecessárias, melhoram a eficiência do sistema de saúde e asseguram um cuidado integral, respeitando as necessidades individuais”, explica a gestora. Cada caso é individualizado, e as condutas são ajustadas conforme a proporcionalidade terapêutica e as demandas do paciente e de sua família, prevendo abordagens nos campos emocional, físico, social e espiritual. Trata-se de um cuidado flexível, que pode ser realizado em diferentes locais, de acordo com cada situação. “O tratamento é oferecido pela SES-DF em nível hospitalar e ambulatorial, além de capacitar muitos servidores dos Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar (Nrads)”, assegura a referência técnica distrital (RTD) colaboradora em Cuidados Paliativos, Cristiane de Almeida Cordeiro. É possível contar com esse tipo de apoio em casa, nos hospitais regionais ou ainda por meio de uma internação na enfermaria especializada do Hospital de Apoio de Brasília (HAB). Era o caso de Creuza Alves do Nascimento, 81. Diagnosticada com Alzheimer, ela foi acompanhada pela equipe de cuidados paliativos no ambulatório do HAB. Nesse auxílio, os profissionais realizaram, por exemplo, reuniões familiares por videochamada com uma das filhas de Creuza, que morava longe. Arte: Divulgação/Agência Saúde-DF “Foi um atendimento que impactou positivamente. Desde o início até o final do tratamento, observamos o quanto minha sogra ganhou dignidade. Sem esse apoio, acredito que teríamos tido muito mais dificuldades. Foi um período em que usufruímos de todo o potencial humano da equipe. De coração, só temos a agradecer”, conta Luiz Cláudio Batista, genro de Creuza. Ela faleceu em agosto de 2024. *Com informações da SES-DF
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Lista de comorbidades relaciona, agora, também as doenças neurológicas
As doenças neurológicas crônicas foram incluídas na lista de comorbidades para vacinação contra a covid-19. A inserção ocorreu com a atualização do Plano Nacional de Operacionalização (PNO) da vacinação, na última semana. Entre elas estão: doença cerebrovascular (acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico; ataque isquêmico transitório; demência vascular) e doenças neurológicas crônicas que impactem na função respiratória. Com a chegada de novas doses de vacinas, foram liberadas mais 70 mil vagas para o público com comorbidades acima dos 25 anos | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília Além dessas, estão contempladas doenças hereditárias e degenerativas do sistema nervoso ou muscular, deficiência neurológica grave e indivíduos com paralisia cerebral, esclerose múltipla e condições similares. Consulte os CIDs e demais especificações de cada comorbidade. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] Agendamento A Secretaria de Saúde vai incluir já nesta sexta-feira (27) a opção de agendamento para este grupo no site. Com a chegada de novas doses de vacinas, foram disponibilizadas mais 70 mil vagas para o público com comorbidade acima dos 25 anos. Também serão disponibilizadas 2.083 vagas destinadas aos profissionais aeroportuários, que pela primeira vez serão contemplados pela campanha de vacinação contra a covid-19 e já estão produzindo a listagem dos seus funcionários que serão contemplados nesta etapa, e outras 2.601 vagas para profissionais das Forças de Segurança e Salvamento. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Doença crônica agravou situação de paciente com Covid em 87% dos óbitos
O cenário dos quadros mais graves de infecção pelo novo coronavírus no Distrito Federal segue uma tendência mundial: o agravamento da doença se relaciona diretamente às condições clínicas específicas de cada paciente. Levantamento do Painel Covid-19 no DF, divulgado nesta quinta-feira (21), às 17h30, mostra que dos 84 óbitos registrados na capital da República, 73 possuíam pelo menos uma doença crônica. Entre as comorbidades mais comuns identificadas estão as de origem cardiovasculares e as metabólicas. “O que mais vemos são quadros de saúde agravados por hipertensão, diabetes e obesidade”, avalia o secretário-adjunto de Assistência à Saúde, Ricardo Tavares. No perfil das vítimas da Covid-19, há outras características a se destacar: cerca de 75,3% das vítimas sofriam de hipertensão e 74% tinham mais de 60 anos. A fatalidade atingiu mais homens (43) que mulheres (41). A diabetes também foi identificada em 38,4% dos casos fatais; e, a obesidade em 17,8%. “Na população do DF, são características que se destacam. Quando partimos para uma análise nacional, temos de considerar também a subnutrição”, avalia Tavares. “Na região Norte é uma situação que preocupa tanto o número de infecções como o que tem impacto em casos de mortes”, completa. Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, emitido em 8 de maio, 65% dos casos de óbitos no Brasil estão relacionados à pelo menos um fator de risco. No entanto, o subsecretário de Vigilância à Saúde, Eduardo Hage, alerta: “Quando o vírus afeta uma pessoa de maneira grave a evolução é muito rápida e bem pior do que a Influenza e outros virais respiratórios”. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] Hage destaca que, no cenário nacional, já há registros de mortes entre crianças e adultos aparentemente fora do quadro de risco. “Ainda não conhecemos bem quais os fatores para essa evolução grave em pessoas fora do quadro de risco. Pode ser carga viral ou outros fatores ainda desconhecidos”. Por isto, ele alerta, a melhor escolha no momento é redobrar a prevenção e evitar ao máximo sair de casa. Taxa de mortalidade Outro estudo elaborado pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), divulgado na terça-feira passada (19), mostra que o Distrito Federal caiu duas posições no ranking nacional de mortes por Covid 19, no intervalo de uma semana. Até o dia 10 de maio, a unidade da Federação ocupava a 20ª posição e passou para 22ª no dia 17. O DF ainda apresentou um salto positivo quanto à mortalidade a cada 100 mil habitantes, saindo da 10ª para 16ª posição em sete dias. [Numeralha titulo_grande=”458,5″ texto=”casos por 100 mil habitantes, proporção registrada no Lago Sul” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Segundo o levantamento, a incidência de casos ainda se concentra em localidades de maior renda. O Lago Sul permanece como a região administrativa com o maior número de casos quando se analisa a proporção de sua população: 458,5 para cada 100 mil habitantes. “Permanecemos com um índice de mortalidade relativamente baixo e estamos perto do pico, que deve ser em julho”, avalia o secretário-adjunto Ricardo Tavares. Para ele, o quadro só foi possível em função das medidas certas tomadas pelo governo. “Além das ações iniciais de isolamento social, aumentamos a testagem em massa e oferecemos a internação precoce. Todo esse conjunto de ações estão dando resultados e agora ficamos numa situação mais confortável”, explica. * Com informações da Codeplan-DF
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Em 40 anos, o DF terá mais idosos do que jovens? O que fazer?
Desafio é o que move pessoas, instituições e governos. Mas há um especialmente instigante para o Governo do Distrito Federal até 2060, quando a capital completa 100 anos: o envelhecimento da população. Hoje, 44% de quem vive no DF tem entre 30 e 59 anos. E apenas 10,5% da população tem mais de 60 anos. Em 40 anos, no entanto, as duas faixas etárias vão se aproximar – o que vai exigir a formulação de novas políticas públicas em diferentes áreas, como saúde, transporte, mobilidade urbana e social (confira gráfico abaixo). Arte: Édipo Torres/Agência Brasília Em 2060, o percentual de idosos vai chegar a quase 33% da população, de acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por outro lado, a quantidade de adultos entre 30 e 59 anos vai cair para 38%. Mais grave: o percentual de maiores de 60 anos vai ultrapassar o de crianças e jovens entre 0 e 19 anos (17,4%), que hoje representam 30% da população. Isso vai exigir uma mudança estrutural e profunda no padrão de demanda por serviços. O Plano Estratégico do Distrito Federal 2019/2060 (PEDF), norteador das ações do GDF para que a capital chegue ao seu centenário atendendo as demandas atuais da população – e, também, as necessidades das gerações futuras -, considera o envelhecimento da população uma grande preocupação para a atuação eficiente do Estado. Três eixos tratam de iniciativas relacionadas à pessoa idosa (saúde, desenvolvimento social e territorial) e várias ações estão previstas para serem implementadas até 2060. Na saúde pública, está prevista a ampliação dos serviços ofertados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com a infraestrutura adequada de pessoal e equipamentos (desfibrilador, ultrassom obstétrico e eletrocardiógrafo) e uma maior cobertura da estratégia de saúde da família, Também será aumento o número de unidades e de equipes em Planaltina; Recanto das Emas; Samambaia; Vicente Pires; Águas Claras; Plano Piloto; lagos Sul e Norte; Fercal; Ceilândia; Paranoá; Jardim Mangueiral; Sobradinho; Santa Maria e Estrutural. No eixo Desenvolvimento Social, o plano é construir e equipar seis casas dos idosos no DF para a população de baixa renda. Quanto à mobilidade, o PEDF estabelece a implementação de acessibilidade nas 24 estações de Metrô atualmente operantes – e a implantação de oito novas estações. Para o uso de espaço e equipamentos públicos, o Plano previu a manutenção e acesso de diversos equipamentos culturais, como o Teatro Nacional, o Museu de Arte de Brasília e a revitalização da W3 Sul. Idosos no DF Atualmente, o DF tem 303.017 pessoas com 60 anos ou mais, segundo análise da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), sobre a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) de 2018. Os dados mostram que 57,9% da população idosa é do sexo feminino – mas esse percentual aumenta com o avanço da idade, já que a expectativa de vida feminina é sete anos maior que a masculina. Entre a população acima de 80 anos, por exemplo, apenas 37,2% é de homens, enquanto as mulheres representam 62,8%. Arte: Édipo Torres/Agência Brasília As Regiões Administrativas (RAs) com a maior quantidade de idosos, em números absolutos, são Ceilândia (42.869), Plano Piloto (39.157) e Taguatinga (31.483). Quase 40% da população idosa do Distrito Federal vive nessas cidades. Mas as duas regiões onde a proporção de idosos em relação ao total da população é maior são os lagos Sul e Lago Norte, onde o percentual de idosos chega, respectivamente, a 23,8% e 21,2% dos moradores. Para a chefe do Núcleo de Estudos Populacionais da Codeplan, Mônica França, a combinação da elevada esperança de vida com a redução na taxa de fecundidade resultou no envelhecimento progressivo do indivíduo e aumento da participação desta faixa etária no total da população. Ela ressalta que o crescimento do número de idosos no DF é mais rápido que o de outros estados – cresceu quase meio percentual de 2018 para 2019 por exemplo. “A crescente participação do idoso na população assim como na força de trabalho vai exigir a formulação de novas políticas públicas em diferentes áreas, como previdência social, saúde, mobilidade, transporte, estrutura pública e até cultura”, afirma. “O Estado vai precisar parar de se ocupar com a demanda por creches ou UTI neonatal, por exemplo, para se preocupar com a oferta de UTI geriátrica”, exemplifica. Mônica ressalta que os demógrafos dão importância a três agrupamentos populacionais, as crianças (0 a 14 anos); jovens e adultos (15 a 59 anos) e os idosos (60 anos ou mais). Considerando esses três grupos, a razão de dependência da população do DF hoje, onde 69% tem entre 15 e 59 anos, é de 100 pessoas economicamente ativas para cada 45 dependentes (0 a 14 anos ou acima de 60 anos). Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília Em 2060, essa razão será de 100 para 83. “Isso quer dizer que 100 pessoas vão precisar trabalhar para manter 83 economicamente dependentes – os idosos e as crianças”, explica. “Hoje temos mais gente trabalhando do que sem trabalhar. Em 2060 será quase meio a meio. Isso é grave”, completa. Políticas públicas O Distrito Federal tinha uma Secretaria do Idoso, que funcionou até 2014, mas, na gestão passada, foi transformada em uma coordenação vinculada à então Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedest). O governador Ibaneis Rocha, quando assumiu o GDF, criou uma subsecretaria do idoso, vinculada à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus). “O envelhecimento é uma característica humana. Sua proteção é um direito social. Dessa forma, é obrigação da sociedade, de modo geral, garantir a efetivação desse direito de forma digna. Mas também é uma obrigação do Estado a efetivação de políticas que contribuam para a garantia de direitos aos idosos”, afirma o secretário de Justiça e Cidadania, Gustavo Rocha. O subsecretário de Políticas para o Idoso, Washington Mesquita, explica que o papel da Subidoso é levar o pleito da população com mais de 60 anos ao governo, acompanhar investimentos e contribuir para a elaboração de políticas públicas – e sempre em parcerias com outras pastas. “Estamos retomando um trabalho que ficou praticamente paralisado durante quatro anos”, afirma. “Somos a voz do idoso, queremos fazer a gestão das políticas públicas para eles. Nossa meta é tornar Brasília uma referência no envelhecimento ativo e saudável”, acrescenta. Programa Viver Em 10 meses de governo, a primeira grande ação da Subidoso foi o lançamento do Programa Viver – Envelhecimento Ativo e Saudável do DF, que prevê a promoção de ações conjuntas nas áreas de educação, atendimento jurídico e direitos humanos/cidadania, com vistas à promoção do envelhecimento ativo, à melhoria da qualidade de vida, à conscientização sobre os direitos da pessoa idosa e à valorização dessa população no Distrito Federal. Como parte das ações, foi inaugurado, em julho, no Centro de Convivência do Idoso do Recanto das Emas, um centro de inclusão digital específico para o atendimento dos maiores de 60 anos. O local oferece, gratuitamente, cursos de informática básica, navegação de internet e redes sociais para a inclusão digital e social de pessoas nessa faixa etária. Outros quatro centros de inclusão digital estão em funcionamento no DF e atendem todas as faixas etárias da população, inclusive idosos. A meta é ter um em cada região administrativa. “Mais do que inclusão digital, estamos fazendo inclusão social. A gente tira ele da ociosidade – e do abandono, muitas vezes – faz uma interação comunitária. Tem idoso que nunca ligou o computador ou nunca acessou a internet”, ressalta Mesquita. Impactos na saúde O subsecretário de Políticas para o Idoso, porém, reconhece que o maior impacto do envelhecimento da população será na saúde. Com um maior número de idosos, sabe-se o que o Estado deverá lidar com o: aumento das doenças crônicas não transmissíveis e maior procura dos serviços de saúde para tratamento das doenças crônico-degenerativas, que acometem, principalmente, os maiores de 60 anos. [Numeralha titulo_grande=”75,3% ” texto=”dos idosos brasileiros dependem exclusivamente dos serviços prestados pela rede pública de saúde ” esquerda_direita_centro=”direita”] Um estudo do Ministério da Saúde, divulgado em outubro do ano passado, mostrou que 75,3% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde – sendo que 83,1% realizaram pelo menos uma consulta médica nos últimos 12 meses. Nesse período, foi identificado ainda que 10,2% dos idosos foram hospitalizados uma ou mais vezes. Quase 40% dos maiores de 60 anos possuem uma doença crônica e 29,8% possuem duas ou mais delas, como diabetes, hipertensão ou artrite. Ao todo, 70% dos idosos possuem doenças crônicas. Vida financeira No DF, a população idosa possui uma renda média de R$ 3.938, segundo a Codeplan, e 46,4% em média possuem plano de saúde – sendo que a maioria (56,9%) está na faixa etária de 80 anos ou mais. No entanto, há uma desigualdade entre as RAs. Enquanto 87,9% dos idosos nas regiões de maior renda pagam um convênio particular, apenas 13,7% deles têm plano nas RAs de menor renda. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Washington Mesquita, da Subidoso, afirma que um termo de cooperação com a Secretaria de Saúde será assinado em breve – para garantir o melhor atendimento aos idosos nas UBSs, nas UPAs e hospitais. Com isso, uma equipe do programa saúde da família prestaria atendimento uma vez por semana nos Centros de Convivência de Idosos – existem 14 no DF. Ele também diz que o GDF quer criar seis “casas-dia do idoso”, um local para os maiores de 60 anos fazem oficinas diversas. Clínica móvel Além disso, foi incluído no Plano Plurianual do GDF para o período 2020 a 2023, que foi encaminhado para a Câmara Legislativa, a previsão orçamentária para implementar a Clínica Móvel de Saúde da Pessoa Idosa, uma carreta equipada com três consultórios: uma clínica médica para atendimento preventivo e correto encaminhamento da idoso a uma unidade da saúde pública uma clínica oftalmológica com a proposta de, além de fazer consultas, dar a receita de óculos e diagnosticar catarata, oferecer armações e lentes gratuitas para pessoas de baixa renda uma terceira com um otorrino [Olho texto=”A carreta teria um investimento de apenas R$ 100 por paciente” assinatura=”Washington Mesquita, subsecretário de Políticas para o Idoso” esquerda_direita_centro=”esquerda”] A ideia é que a carreta percorra todo o DF e passe uma semana estacionada em cada RA. O custo seria de R$ 3 milhões por ano e a previsão é atender 30 mil pessoas por ano. A clínica móvel seria uma forma de levar a máquina pública até as pessoas. “Um idoso que mora no Sol Nascente, por exemplo, não teria que ir para a Ceilândia até o hospital, o médico estaria na porta dele”, diz Mesquita. Cuidados Maria Francisca de Jesus Oliveira, 69 anos, tem diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e artrite. Até dois meses atrás, ela só saía de casa com o auxílio de uma bengala que aliviava a dor na coluna e lhe dava mais equilíbrio. Mas, depois que começou a frequentar o grupo Vida e Saúde e participar das atividades oferecidas na Unidade Básica de Saúde (UBS) 6, de Ceilândia Sul, sua qualidade de vida melhorou. “Eu só andava com a bengala. Agora faço os exercícios sem ela”, diz. “Minha glicose está controlada, já perdi peso. Não fico mais sem vir”, conta. Maria Francisca: da bengala aos exercícios livres – Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília Todos os dias, de segunda a sexta-feira, um grupo de idosos se reúne embaixo de uma tenda no estacionamento da UBS 6 às 7h30. Faça chuva ou faça sol eles estão lá, só faltam quando estão doentes. No local, funcionários do posto de saúde e voluntários da comunidade comandam aulas de treinamento funcional, alongamento, automassagem, forró, zumba, terapia ocupacional e fisioterapia. Às 9h, um grupo e 10 idosos participa de um circuito de prevenção de quedas, dado por funcionários da UBS. A terapeuta ocupacional Polyana Gonçalves de Sousa, responsável pelas atividades, afirma que, mais importante que o exercício físico, é a socialização que os encontros proporcionam. “Aqui eles fazem amigos, saem de casa, não entram em depressão. Eles passeiam juntos e até viajam em grupo”, diz. Maria Alice dos Santos Souza, 68 anos, é prova disso. Ela frequenta o grupo há mais de um ano e não economiza nas histórias e gargalhadas. “A gente cuida da saúde, mas é uma diversão só. Saio daqui livre, leve e solta”, dizia, sorridente, enquanto era questionada se iria ao passeio na Água Mineral na próxima sexta-feira. De acordo com a Secretaria de Saúde, todas as UBS têm cuidados para idosos.
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Doenças crônicas são tema de oficina para servidores e residentes
O Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (Cedoh) promoveu, nesta quarta-feira (28), uma oficina de vivência em obesidade, hipertensão e diabetes. Participaram servidores das regiões de saúde Central e Sudoeste, bem como residentes de enfermagem e de saúde da família e comunidade da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS). “Além do ambiente físico, queremos compartilhar o nosso conhecimento, as rotinas e os fluxos de encaminhamento de pacientes para o Cedoh”, explica a gerente da unidade, Alexandra Rubim. “Trazemos a vivência dos portadores de doenças crônicas”, conta a endocrinologista e pediatra Fernanda Canuto, do Cedoh. “Fazemos com que os participantes entendam as comorbidades e as dificuldades que esses pacientes apresentam ao longo da evolução da doença.” Dinâmicas desenvolvidas Na oficina, os participantes foram divididos em grupos que permaneceram, de forma cronometrada, nos espaços do Cedoh, chamados de “ilhas de conhecimento”. Segundo a gerente, essa dinâmica permite aproximar os profissionais de saúde do público da unidade e esclarecer dúvidas. Para simular o excesso de peso, os participantes usaram coletes cheios de areia. Também andaram com cadeira de rodas, utilizaram muletas, aferiram a glicemia e aprenderam a manusear o glicosímetro. “Essas atividades foram pensadas com a intenção de trazer um olhar mais humanizado no cuidado do paciente portador de doença crônica”, complementa Alexandra Rubim. “É uma excelente oportunidade para a atualização em doenças crônicas”, avalia o médico de família e comunidade Márcio Braga, que atente na Unidade Básica de Saúde nº 2 (EQN 114/115) e, pela primeira vez, participou da oficina. “Passamos a olhar do ponto de vista do paciente.” * Com informações da Secretaria de Saúde (SES)
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