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Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. O Museu Nacional da República recebe, até o dia 27/9, a exposição Pele de Carnaval, com registros fotográficos do fotógrafo Gabriel Mobasca realizados no dia do Bloco das Caliandras, festa promovida pelo centros de convivência e fortalecimento de vínculos (Cecon) Gama Oeste e Gama Sul, para as pessoas idosas atendidas no serviço. Nesse dia, cerca de 160 conviventes das duas unidades se enfeitaram e se vestiram a caráter para pular o Carnaval em um espaço seguro, com muita música e preparado especialmente pelas equipes da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) para recebê-las com segurança. A festa foi realizada no dia 27 de fevereiro deste ano. Dez fotos registradas nesse dia foram selecionadas para a exposição no Museu da República. A abertura, realizada na última quarta (26), contou com apresentação musical e a visita do grupo de 30 conviventes do Cecon Gama Oeste, que apareceram nas fotografias. “Desde 15 anos, eu dizia assim: 'Eu vou ser uma mulher de revista um dia, né?' Consegui com 86. Minha filha na hora que viu disse: 'Mãe nunca é tarde'”, contou, emocionada, a aposentada Isabel Evangelista, frequentadora do Cecon Gama Oeste ao ser ver em uma das fotografias da exposição. Colega de Isabel nos encontros do Cecon, para Raimunda Rodrigues, de 77 anos, a exposição teve sabor de saudade. Lá, ela pôde relembrar os momentos de alegria que viveu com o marido Miguel, que faleceu pouco tempo após a festa. No Bloco das Caliandras, o casal era um dos que mais dançava e chamava atenção pela alegria. “Fomos naquele dia no Cecon e ele dançou muito. Ele aproveitou bem a vida, trabalhava no Itamaraty, se aposentou. Eu trabalhava na Secretaria de Saúde e aposentei. Aí falamos: 'Agora vamos nos divertir porque trabalhamos muito'. E olha aqui como é que eu fiquei, eu nem esperava que eu ia sair numa foto dessa. Eu estou amando tudo. São lembranças que não voltam nunca mais”, reflete a aposentada. O Bloco das Caliandras é realizado pelos Cecons Gama Sul e Gama Oeste há nove anos “Organizamos um ônibus saindo da unidade no Gama para levar as conviventes até o Museu da República. Foi muito emocionante ver a reação delas. Elas ficaram felizes não só por rever aquele momento tão especial, mas também por se reconhecerem nas fotografias e perceberem que suas histórias e suas experiências estão ocupando um espaço como esse. Elas voltaram muito felizes e emocionadas com o resultado”, destaca a chefe do Cecon Gama Oeste, Jaqueline Lima. Bloco das Caliandras O Bloco das Caliandras já é realizado pelos Cecons Gama Sul e Gama Oeste há nove anos e se tornou tradicional na região. Criado, inicialmente, para os grupos de pessoas idosas das unidades, que são formados em sua maioria por mulheres, o evento tem como objetivo promover um espaço seguro de lazer para pessoas idosas e, ao mesmo tempo, falar sobre a importância do combate à violência contra mulher. “Esse bloco já acontece há muito tempo e, neste ano, conseguimos trazer esse produto, que é a exposição. O mais legal é poder também trazer esse coletivo de idosos para um lugar onde eles não têm acesso, porque no Gama não tem museu. Elas não só acessam o espaço, mas se veem como sendo parte da programação, se reconhecendo, experimentando esse sentimento de pertencimento e protagonismo, que é um dos grandes objetivos do Centro de Convivência”, ressalta a chefe do Cecon Gama Sul, Flávia Mendes, organizadora da exposição. A ação faz parte de um percurso realizado nos Cecons, onde elas trabalham durante meses, com temáticas que abordam autoestima e prevenção da violência de gênero, em atividades como, por exemplo, rodas de conversa, dinâmicas e trabalhos manuais. Um dos pontos abordados nesse percurso são as pesquisas que apontam para o aumento dos casos de violência doméstica no período de Carnaval. Por isso, o nome Caliandras foi pensado em referência às características da flor do cerrado, remetendo à força da mulher e a resistência a contextos não favoráveis. Percurso é como são chamados os projetos desenvolvidos no âmbito do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). Responsável pelos registros, o fotógrafo Gabriel Mobasca relata como foi gratificante participar do projeto neste ano como parceiro. “Eu fiquei muito feliz por elas, porque é muito bonito e eu espero que seja inspirador também para quem acha que, de alguma maneira, não tem mais essa energia, que vai ficar deslocado no Carnaval”, conclui. A exposição Pele de Carnaval também contou com a parceria da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, que cedeu o espaço. *Com informações da Sedes-DF
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